Revista internacional publica estudo sobre benefícios da musculação contra o envelhecimento cardíaco em idosas

CCS


atualizado 8 horas atrás


Heloísa Gonçalves*

Agência UEL

Resultado da tese de Doutorado em Ciências da Saúde de Ricardo José Rodrigues e Paolo Cunha, um ensaio clínico desenvolvido ao longo de dois anos com mulheres idosas como objeto foi publicado na última edição da Medicine & Science in Sports & Exercise (MSSE). O periódico, um dos mais influentes da área de Medicina do Esporte, divulga artigos sobre temas atuais em medicina esportiva e ciência do exercício.

O estudo analisou os efeitos do treinamento de força, como musculação e exercícios resistidos, na saúde cardiovascular de idosas ao longo de dois anos. O trabalho fez parte do Active Aging Longitudinal Study, Programa de Envelhecimento Ativo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) coordenado pelo professor Edilson Serpeloni, que também orientou os pesquisadores.

O artigo “Treinamento de resistência a longo prazo melhora a estrutura e a função cardíacas em mulheres idosas: um ensaio clínico randomizado controlado de dois anos” investigou os efeitos de um programa supervisionado de treinamento resistido (TR) progressivo, com 74 participantes fisicamente independentes. Divididas, elas foram aleatoriamente designadas a um grupo de treinamento (GT) ou a um grupo controle (GC).

O programa de TR foi efetuado ao longo do biênio, em três sessões semanais e em dias não consecutivos, e incluiu oito exercícios para o corpo todo, realizados em três séries de 8 a 12 repetições.

Avaliações ecocardiográficas foram realizadas antes e após o período de dois anos por um ecocardiografista experiente, que desconhecia a condição das idosas e a alocação dos grupos. Com os resultados em mãos, os pesquisadores concluíram que o treinamento de força pode melhorar os parâmetros morfológicos e funcionais cardíacos em mulheres idosas.

Participante passou por avaliação física (Divulgação)

Progresso alcançado

Rodrigues, professor adjunto do Centro de Ciências da Saúde (CCS), destacou a melhora observada na função de relaxamento do coração, visto que a disfunção leva à insuficiência cardíaca com função preservada. “O órgão fica mais rígido, relaxa com mais dificuldade, mas continua contraindo normalmente. A condição é frequente em mulheres idosas e está relacionada ao envelhecimento, obesidade e hipertensão arterial. Ela tem um arsenal terapêutico bem limitado, portanto, a prevenção é uma ferramenta extremamente importante. Além disso, a intervenção que usamos, programa estruturado para os exercícios de resistência, é de amplo acesso pela população, ou seja, o protocolo é escalável e replicável”, pontuou.

Participantes realizaram a musculação na academia do Centro de Educação Física e Esporte (CEFE). Foto: Divulgação

Além dos benefícios cardíacos, os pesquisadores constataram avanço expressivo nos testes de força muscular e funcionais, contribuindo para a melhora da autonomia e realização de tarefas do cotidiano pelas idosas. Ao mesmo tempo, as mulheres que não participaram de exercícios estruturados apresentaram uma deterioração progressiva em muitos dos mesmos parâmetros.

Ampliar a perspectiva

Com o estudo pioneiro, Rodrigues e Cunha ampliaram a noção do que leva à saúde cardiovascular, partindo do princípio que o treinamento de resistência não serve somente para aumentar a massa muscular e reduzir o risco de quedas. Para proteger o coração em processo de envelhecimento, o exercício aeróbico deve ser aliado, e não o único protagonista.

O professor mencionou um dos maiores desafios não resolvidos na medicina cardiovascular contemporânea, a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp), condição que afeta desproporcionalmente mulheres idosas. Ao contrário de muitas doenças cardiovasculares, ela tem se mostrado resistente ao tratamento farmacológico, sendo que a prevenção é a estratégia mais eficaz.

“Eu tinha certeza de que a ideia era totalmente nova e seria disruptiva se os resultados fossem positivos, pois a ICFEp é uma epidemia mundial com pouquíssimos recursos terapêuticos, então, melhorar a função diastólica com uma intervenção relativamente simples e escalável seria, de fato, algo muito bom”, completou Rodrigues. Disse ainda que é uma honra ser reconhecido por uma das revistas mais influentes na área da Medicina do Esporte do mundo.

Artigo

As edições mensais da revista MSSE são divulgadas pela American College of Sports Medicine (ACMS), organização de medicina esportiva com quase 50 mil membros ao redor do mundo. Confira a publicação do artigo de Rodrigues e Cunha aqui.

*Bolsista na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação

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