TRINTA E DOIS ANOS DE EXTENSÃO, SAÚDE E CUIDADO.

CCS


atualizado 2 anos atrás


André Ludwig*

Agência UEL

“A prevenção é um recurso simples, mas muito eficaz se colocado em prática”. A frase da professora Maura Sassahara Higashi, do Departamento de Medicina Oral e Odontologia Infantil, resume o propósito do projeto de extensão mais antigo em atividade da Universidade Estadual de Londrina, denominado “Promoção em Saúde Bucal Para Escolares e Comunidades”. 

Vinculado atualmente à Clínica Odontológica Universitária (COU) e à Secretaria Municipal de Saúde de Londrina (SMS), o projeto teve início em 1992, a partir de uma parceria entre a Universidade e a 17° Regional de Saúde. A iniciativa derivou de um estudo feito na cidade de Londrina à época, que apontou altos índices de cárie em crianças, o que indicava a necessidade de estratégias de prevenção. 

No momento, são atendidas crianças de 0 a 12 anos em aproximadamente 80 escolas municipais, entidades com atendimento infantil, além da Pastoral da Criança. Entre estas unidades, estão as “escolas especiais”, que lidam com alunos com algum tipo de deficiência, como as Apaes e a Associação Flávia Cristina, na zona norte de Londrina. A periodicidade das visitas em cada escola é de aproximadamente três meses e as atividades são protagonizadas pelos estudantes que participam como “estagiários”.

Quem participa do projeto desde sua origem é a técnica em saúde bucal Lirian Adriana Maria Pereira da Silva. Entre as escolas, a escolha daquelas que serão atendidas reflete necessidades específicas percebidas pela SMS. Lirian explica que anualmente é feita uma reunião para delimitar as áreas de cobertura do projeto. 

Na prática, são ministradas palestras educativas relacionadas à saúde bucal com orientações de higiene e explicações relativas à alimentação, com a indicação de alimentos que devem ser evitados. Também são distribuídos kits de higiene bucal, que contam com escova, creme e fio dental. Em todas as visitas, há pelo menos um responsável, geralmente um docente, para acompanhar os estudantes. 

Uma das intervenções práticas feitas junto às crianças é a evidenciação do biofilme (placa bacteriana), técnica que ajuda na identificação da película que se aloja junto aos dentes quando a escovação não é feita de forma adequada. Esta técnica pigmenta a boca do paciente e facilita a identificação da placa bacteriana, tendo em vista que muitas vezes ela é não percebida pelas crianças ou pelos pais. Após este processo, são passadas técnicas de escovação.

A extensa história do projeto está ancorada na organização dos envolvidos para que ele se firme como uma ação contínua. “Por ser um projeto de extensão, ele tem data de início e de finalização, mas sempre que está chegando a data final, a gente reorganiza e atualiza o projeto e reapresenta nos mesmos moldes, para dar continuidade”, explica a professora Maura. 

“A prevenção é um recurso simples, mas muito eficaz se colocado em prática”,
professora Maura Higashi.

Aqui agora

Atualmente, 84 alunos participam como estagiários. São alunos do 1° ao 5° ano da graduação do curso de Odontologia. Há atividades de segunda a sábado, sendo de segunda a sexta nas escolas e, aos sábados, nas pastorais e entidades.

Com as unidades definidas, é montado um cronograma de escalas de acordo com a disponibilidade dos estudantes. A cada ano, é disponibilizada uma bolsa, via Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (FAUEL), distribuída para dois estudantes ao longo do ano, um a cada semestre. “Temos um bolsista por semestre”, resume Maura. 

A cada novo ciclo, na entrada de novos estudantes, é feita uma reunião de capacitação, em que são explicadas aos ingressantes a metodologia das atividades e técnicas de atendimento aos pacientes, inclusive os “especiais”.

A professora também conta que o projeto atua em ações extensionistas das quais a UEL participa, reforçando o caráter ativo de diálogo com a sociedade e, nestes casos, abrangendo inclusive os adultos. “Sempre que a Proex (Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade) tem um evento, eles nos chamam e nós participamos, como no Dia da Sergipe, no Dia Mundial sem Carro e em atividades no Calçadão, em frente ao Ouro Verde”, afirma. 

Realidade

Um ponto importante do projeto é a experiência prática dos estudantes junto aos pacientes, requisito fundamental para a vida profissional de um dentista. Para Maura, este contato evidencia que a Odontologia vai além do atendimento clínico convencional. “É importante porque a gente consegue levar o aluno para ele vivencie realidades que talvez eles não conseguiriam ver se estivessem somente aqui no curso”, frisa.

Ainda nesse sentido, Lirian lembra que os estudantes que têm no currículo a participação no projeto estão “um passo à frente” no campo da Odontopediatria e também no tratamento com as crianças e com os pais. “Do primeiro ao último mês de participação do aluno, é marcante o amadurecimento deles no projeto”, destaca. 

Por integrar o projeto desde o começo, ela relata a satisfação em encontrar ex-pacientes, hoje adultos, atendidos pela equipe de estudantes nas escolas onde estudavam e ainda lembram do serviço e dos envolvidos. “Dá para ver a importância do nosso trabalho nesses relatos de crianças que a gente atendeu lá atrás e hoje já são moças, rapazes e nos reconhecem”, comenta.

Entre as conquistas obtidas ao longo do tempo, o projeto conta hoje com uma van própria usada no transporte dos estagiários até os locais de atividade. “Começamos com um Fusca, depois uma Kombi e hoje temos uma van”, lembra Lirian. 

O caixa

Mensalmente, é feito um levantamento de todas as atividades que o projeto praticou naquele mês, como o número de palestras, atendimentos de escovação e exames. Esta somatória é enviada para o Sistema Único de Saúde e, então, é feito um repasse proporcional do Governo Federal à Universidade. Posteriormente, a UEL encaminha esta verba à COU. Como exemplo, a técnica revela que no mês de abril foram mais de seis mil crianças atendidas, mas este número já passou de oito mil em outras oportunidades. 

É com este dinheiro que são comprados os kits de higiene bucal distribuídos para as crianças. Sobre isso, Lirian conta que o valor da “tabela SUS”, como é chamada, é baixo, mas suficiente para manter as necessidades da equipe. “O projeto não dá prejuízo, pelo contrário, é um dos únicos em que há entrada de recurso via SUS”, afirma.

“Do primeiro ao último mês de participação do aluno, é marcante o amadurecimento deles no projeto”, destaca a professora Lirian.

*Estagiário de Jornalismo na COM/UEL.

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