Com mediação do Práxis Itinerante, Projeto OCAS desenvolve planos arquitetônicos para o assentamento Eli Vive
Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade da UEL
atualizado 4 semanas atrás

Demanda surgiu em diálogo anterior com o Programa de Extensão Práxis Itinerante; mais de 500 famílias serão beneficiadas
Leiliani de Castro*
A 50 km de Londrina, no distrito de Lerroville (PR), está o assentamento Eli Vive, homologado há 16 anos. O Plano de Desenvolvimento do Assentamento (PDA) prevê melhorias para o coletivo, o qual dispõe de uma agroindústria, a Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (COPACON), um mercado e a Escola Municipal do Campo, Trabalho e Saber.
O Programa de Extensão Práxis Itinerante fez um trabalho de memória junto à escola. Emolduradas nas paredes, estão fotos que remontam desde os anos 90 até a história mais recente do Eli Vive. As crianças indo à antiga escola itinerária de jegue. As primeiras turmas de estudantes, os barracões. Todas as fotografias foram levantadas com as famílias locais. O acervo só cresceu. Começou com 50 fotos, ao passo em que se tornaram 100, ao final, 120.
A presença universitária, até aquele momento, se dava no campo da pesquisa. A comunidade demandou retorno. Portanto, os graduandos em Ciências Sociais, por meio da extensão, propuseram este acervo, físico e digitalizado, tanto quanto uma linha do tempo contando a história do assentamento, fixada no saguão da escola.
Uma vez estabelecido este diálogo, surgiu a ideia de envolver os conhecimentos técnicos da universidade em novos projetos. Segundo Edelvan Carvalho, um dos diretores políticos, tais espaços já estão previstos. O “produtivo, educacional e o social” são os pilares do PDA. Entretanto, não há o projeto de como ficarão alocadas as coisas, em cada lugar. “A gente vai construindo conforme a necessidade. A nossa indústria de fubá, por exemplo, era o barracão da comunidade”, conta.
Posto de saúde, ginásio esportivo, centro cultural, quadra de bocha, pista de caminhada ao ar livre e modelos arquitetônicos para casas de dois e três quartos, foram algumas das propostas apresentadas por estudantes de Arquitetura à diretoria do Eli Vive.
Tais melhorias, a longo prazo, buscam integrar a vida em comunidade, beneficiando aos camponeses, aos trabalhadores da COPACON, tanto quanto acolher bem aos turistas. O Eli Vive promove festas de aniversário, cavalgadas, agendas de luta do movimento social, eventos estes que abrangem grande quantidade de pessoas, no mínimo 2 mil.
Projetos OCAS
Os acadêmicos de Arquitetura integrantes do Projeto OCAS, “Escritório Modelo Ocas em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina”, aprendem na prática a lidar com os clientes e suas expectativas. Estudantes do primeiro ano desenvolvem desenhos técnicos e maquetes. Já os mais avançados, ao terceiro ano, apresentam o material em 3D, por meio de softwares.
Entidades da sociedade civil organizada procuram o Ocas para desenvolver parcerias. O professor Fabio Lanza, coordenador do Programa de Extensão Práxis Itinerante, fez a ponte entre o assentamento e o projeto. Segundo um dos coordenadores do Ocas, Oigres Macedo, foram realizadas algumas visitas com os alunos, para desenvolver os projetos. “Esta foi a primeira visita com algum resultado, para a gente discutir modificações, ajustes”, conta.
Antonio Carlos Zani divide a coordenação do Ocas com Oigres Macedo e outros docentes. Para ele, a experiência é enriquecedora para os alunos. “Quando se fala em assentamento, muitas vezes, eles nem sabem o que é. Esse contato direto, eles estarem vendo um assentamento que deu certo, está funcionando… Geralmente ouvimos falar de assentamento em tom pejorativo. A universidade vai ajudar esse pessoal a se organizar. Nossa parte é dar o espaço físico para que eles desenvolvam suas atividades”, contextualiza.
Construção coletiva
Sandra Ferrer, mais conhecida como “Flor”, diretora e liderança política, enfatiza a dimensão do sonho realizado. “Às vezes o sonho está na nossa mente. E a gente precisa da universidade para executar, montar. É um sonho se materializando”, afirma. Na reunião de apresentação dos modelos arquitetônicos, a comunidade se envolveu nas perspectivas para cada uma das edificações propostas, pensando e fazendo sugestões aos estudantes.
Para a liderança, esta parceria entre a UEL e o Eli Vive reflete no apoio à agroecologia e à produção de alimentos saudáveis. “Nosso povo tem essa carência de mostrar para a sociedade que o MST tem um propósito além de trabalhar a reforma agrária”, afirma.
O centro social foi um dos enfoques dos extensionistas de Arquitetura. Flor comenta que “esse retorno, os alunos trazendo maquete, apresentando para nós, acolhendo as demandas e com várias etapas para acontecer. Isso, para o assentamento, é maravilhoso”. Finalizados os projetos, será a hora de buscar recursos para construir tudo.
Turismo e pertencimento
O turismo no Eli Vive é outro ponto de atenção. Com a melhoria das instalações, o fomento a este aspecto da economia do assentamento será fortalecido, proporcionando ao público em geral melhores acomodações. “Um local para sentar e conversar, receber as nossas festas. Quando fazemos o aniversário do assentamento, mais de 2 mil pessoas vêm aqui. Então a gente tem que ter uma estrutura para receber, levar aos nossos pontos mais lindos, não só aos lotes agroecológicos. Também temos a área da natureza, as cachoeiras”, comenta Sandra Ferrer.
Presença multidisciplinar
Estudantes de Arquitetura e Ciências Sociais, acadêmicos de Serviço Social e agentes universitários estiveram na atividade, entre eles Gilberto Hildebrando, representando a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade. A programação envolveu conhecer a história do assentamento, debater as propostas arquitetônicas e, a partir delas, afinar novos encaminhamentos. As atividades se encerram com o prestígio ao mercado local, o qual comercializa produtos agroecológicos.
(*Bolsista na Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Sociedade).