Base de dados e nota metodológica
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Nota metodológica
Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB) – Base Pública 2025
1. Apresentação
A presente base de dados integra o Monitor de Feminicídios no Brasil (MFB), iniciativa coordenada pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), dedicada à produção de contradados sobre feminicídios consumados e tentados no país.
Esta versão pública corresponde ao ano de 2025 e tem como finalidade ampliar a transparência metodológica, permitir análises independentes e contribuir para o debate público qualificado sobre a violência letal contra mulheres.
2. Fontes de dados
Os registros foram construídos a partir de duas fontes principais:
- Imprensa: levantamento sistemático de notícias publicadas em veículos de comunicação disponíveis na internet.
- SINESP: registros extraídos do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública.
A variável Fonte identifica a origem do dado em cada caso.
3. Unidade de análise e identificação
Cada registro representa um caso de feminicídio consumado ou tentado.
O campo Identificador é único e permanente, permitindo rastreabilidade entre versões da base e eventuais atualizações ou correções futuras.
4. Variáveis temporais
A base inclui as seguintes variáveis temporais:
- Dia
- Mês
- Ano
Nos casos provenientes do SINESP, inexiste a especificação do dia do crime. Nessas situações, o campo “Dia” permanece como valor ausente (NA). Análises com granularidade diária devem considerar apenas registros com data completa.
5. Variáveis territoriais
A identificação territorial dos casos é realizada por meio de:
- Estado (UF)
- Município
- Código do município (padrão IBGE)
O código do município constitui a referência oficial para cruzamentos com outras bases públicas. O campo textual do município foi normalizado para fins de consistência interna.
6. Variáveis de caracterização do caso
A base pública inclui as seguintes variáveis relativas às circunstâncias do fato:
- Consumado ou Tentado
- Vínculo entre vítima e suspeito
- Local do crime
- Arma ou meio utilizado
- Idade da vítima
- Idade do agressor
- Filhos dependentes (informação disponível?)
A ausência de informação em determinadas variáveis não deve ser interpretada como inexistência do fato, mas como indisponibilidade de informação pública nas fontes consultadas.
7. Critérios de classificação como feminicídio
A classificação dos casos como feminicídio segue critérios fundamentados na legislação brasileira e em diretrizes internacionais sobre investigação de mortes violentas de mulheres com perspectiva de gênero.
São considerados feminicídios os casos que apresentem indícios de que a morte ou tentativa de morte da mulher esteja associada a:
- violência doméstica e familiar;
- vínculo íntimo ou relacional com o agressor;
- menosprezo ou discriminação à condição de mulher;
- violência sexual associada;
- contexto de controle, dominação ou desigualdade de gênero.
A classificação baseia-se na análise do conteúdo das notícias (no caso da imprensa) e nas tipificações disponíveis nos registros oficiais (no caso do SINESP).
8. Limitações
A base pública do MFB apresenta limitações inerentes às fontes utilizadas:
- Dependência da cobertura jornalística para parte das variáveis;
- Ausência de detalhamento relacional em registros provenientes do SINESP;
- Possível subnotificação;
- Atualizações posteriores decorrentes de reclassificações ou complementação de informações.
A base pública não substitui bases oficiais e não esgota a complexidade jurídica ou processual de cada caso.
9. Atualizações e versionamento
A base é versionada e pode sofrer atualizações decorrentes de:
- Inclusão de novos registros;
- Correção de inconsistências;
- Reclassificação de casos.
O Identificador de cada registro permanece estável ao longo das versões, assegurando rastreabilidade histórica.