{"id":65,"date":"2022-07-26T16:50:34","date_gmt":"2022-07-26T19:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=65"},"modified":"2022-07-26T16:55:25","modified_gmt":"2022-07-26T19:55:25","slug":"15-de-setembro-contra-o-metodo-paul-feyerabend","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/escrutinios\/2022\/07\/26\/15-de-setembro-contra-o-metodo-paul-feyerabend\/","title":{"rendered":"15 DE SETEMBRO \u2013 CONTRA O M\u00c9TODO (PAUL FEYERABEND)"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-ccgd8\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-828l1\">As discuss\u00f5es do dia 15 de setembro de 2021 no Grupo dos Estudos Culturais das Ci\u00eancias e das Educa\u00e7\u00f5es iniciaram com uma breve recapitula\u00e7\u00e3o pelo professor Mois\u00e9s das leituras realizadas nas semanas anteriores: \u201cG\u00eanese e desenvolvimento de um fato cient\u00edfico\u201d, de Ludwig Fleck, e \u201cA estrutura das revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas\u201d, de Thoman Kuhn. Para a semana em quest\u00e3o, foi proposta a leitura referente \u00e0 primeira parte do livro \u201cContra o m\u00e9todo\u201d, de Paul Feyerabend \u2013 cujas discuss\u00f5es finalizaram na semana seguinte, em 22 de setembro. Segundo a fala do professor, Fleck foi a base e a inspira\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios autores, e Kuhn, que o recuperou fortemente, trabalhou nos conceitos e nas no\u00e7\u00f5es de paradigma. Ent\u00e3o, iniciamos agora um novo autor, Feyerabend, que, numa leitura mais aligeirada, \u00e9 algu\u00e9m que deu uma sequ\u00eancia a Kuhn, diante de um projeto de chamar a aten\u00e7\u00e3o para as condi\u00e7\u00f5es sociais que os outros dois autores propuseram em suas obras, contribuindo para a institui\u00e7\u00e3o do campo denominado de \u201cEstudos de Ci\u00eancias\u201d. Mois\u00e9s destaca que uma das principais influ\u00eancias de Paul Feyerabend \u00e9 uma cr\u00edtica \u00e0 epistemologia. Apesar de n\u00e3o dar conta realmente de escapar do conceito epistemol\u00f3gico em seus trabalhos, h\u00e1 ao menos um princ\u00edpio, um ensaio desta cr\u00edtica, aos m\u00e9todos que buscam dentro de uma certa ordem positiva a institui\u00e7\u00e3o de uma ci\u00eancia dura.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1dpt3\">Por quest\u00f5es de recorte te\u00f3rico e da possibilidade de delimitar a extens\u00e3o do texto, o presente escrut\u00ednio se ater\u00e1 a dois conceitos que permearam os debates deste encontro em v\u00e1rios pontos de sua extens\u00e3o: o pluralismo metodol\u00f3gico e o anarquismo metodol\u00f3gico \u2013 incluindo o ponto da (n\u00e3o) adequa\u00e7\u00e3o do termo \u2018contra o m\u00e9todo\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5kris\">Ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o do professor Mois\u00e9s, o debate inicia ent\u00e3o com a colega Gabriela j\u00e1 pontuando sobre o pluralismo metodol\u00f3gico, pois, numa primeira leitura feita, ela entendeu que o autor parecia falar de um pluralismo de metodologias cient\u00edficas, mas, ap\u00f3s uma leitura seguinte, lhe pareceu na verdade um pluralismo de metodologias n\u00e3o puramente cient\u00edficas. Ela ainda destaca que, em muitos momentos, a leitura lhe lembrava Bruno Latour, pois \u00e9 posto que quanto mais articulado esse pluralismo, quanto maior a quantidade de caminhos trilhados para investigar, testar, para compreender as ci\u00eancias, mais rico isso ser\u00e1. Mois\u00e9s indaga se essa reflex\u00e3o est\u00e1 numa parte do texto em que Feyerabend n\u00e3o est\u00e1 mais operando numa perspectiva epistemol\u00f3gica, e ela traz uma cita\u00e7\u00e3o para o debate:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-c6f93\"><p><em>A educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, tal como hoje a conhecemos, tem precisamente esse objetivo. Simplifica a ci\u00eancia, simplificando seus elementos: antes de tudo, define-se um campo de pesquisa; esse campo \u00e9 desligado do resto da Hist\u00f3ria (a F\u00edsica, por exemplo, \u00e9 separada da Metaf\u00edsica e da Teologia) e recebe uma \u2018l\u00f3gica\u2019 pr\u00f3pria. (FEYERABEND, 1977, p. 21)<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-92gq5\">O professor, ent\u00e3o, retoma que a ideia central de Feyerabend \u00e9 justamente \u2018contra o m\u00e9todo\u2019. Nesse sentido, a ideia de metodologia \u00e9 central na obra. O trecho destacado por Gabriela \u00e9, segundo o professor Mois\u00e9s, o que Latour fala, em outras palavras, \u201ca natureza costuma se render aos cientistas, desde que a natureza venha toda \u2018empacotadinha\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b3r9p\">Assim, Feyerabend come\u00e7a aqui, ent\u00e3o, a fazer uma cr\u00edtica dizendo que essa simplifica\u00e7\u00e3o \u2013 de m\u00e9todos e sujeitos \u2013 que a ci\u00eancia faz \u00e9 a \u00fanica forma poss\u00edvel que ela tem de se manter numa posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio discursivo do ponto de vista do m\u00e9todo. Conclu\u00ed que, desse modo, a reflex\u00e3o de Gabriela demonstra esse pensamento de Feyerabend, segundo o qual uma metodologia plural pressup\u00f5e tamb\u00e9m sujeitos plurais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5ig53\">O colega Alex completa, ent\u00e3o, que essa reflex\u00e3o destacada por Gabriela lhe chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, pois reflete de alguma forma a sua viv\u00eancia enquanto professor da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, uma vez que a din\u00e2mica da sala de aula com as crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 uma tentativa de colocar tudo de um modo sistematizado, e a vida segue com uma facilidade extrema como se fosse poss\u00edvel deduzir tudo a partir do que est\u00e1 colocado ali.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dej1i\">O colega Valter segue ent\u00e3o o debate, falando sobre a sua simpatia por Feyerabend, mas que, na verdade, foi um amor plat\u00f4nico, fazendo uma analogia, na qual se ama a dist\u00e2ncia, sem se aproximar muito. O colega deixa tamb\u00e9m uma especula\u00e7\u00e3o em aberto de que, n\u00e3o se sabe se por quest\u00f5es de tradu\u00e7\u00e3o, \u201cAgainst method\u201d, do original em ingl\u00eas, poderia ser n\u00e3o necessariamente \u201ccontra o m\u00e9todo\u201d, mas sim, \u201cpara al\u00e9m do m\u00e9todo\u201d. Ele segue, ent\u00e3o sugerindo a leitura do seguinte trecho:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-d56ns\"><p><em>Parte essencial do treinamento, que faz com que fatos dessa esp\u00e9cie apare\u00e7am, consiste na tentativa de inibir intui\u00e7\u00f5es que possam implicar confus\u00e3o de fronteiras. A religi\u00e3o da pessoa, por exemplo, ou sua metaf\u00edsica ou seu senso de humor (seu senso de humor natural e n\u00e3o a jocosidade posti\u00e7a e sempre desagrad\u00e1vel que encontramos em profiss\u00f5es especializadas) devem manter-se inteiramente \u00e0 parte de sua atividade cient\u00edfica. Sua imagina\u00e7\u00e3o v\u00ea-se restringida e at\u00e9 sua linguagem deixa de ser pr\u00f3pria. E isso penetra a natureza dos \u2018fatos\u2019 cient\u00edficos, que passam a ser vistos como independentes de opini\u00e3o, de cren\u00e7a ou de forma\u00e7\u00e3o cultural. (FEYERABEND, 1977, p. 21)<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5bj15\">Valter trouxe a an\u00e1lise desse trecho porque d\u00e1 exatamente a ideia de que para se fazer ci\u00eancia \u2013 ou ent\u00e3o para que se produza um conhecimento te\u00f3rico, digno de receber tal chancela \u2013 \u00e9 preciso desvestir-se daquilo que se \u00e9, de todas as idiossincrasias pr\u00f3prias, de tudo que constitui cada um. \u00c9 como se tudo isso precisasse \u2013 e fosse \u2013 deixado na porta para que, ent\u00e3o, se entre num laborat\u00f3rio, numa biblioteca, na casa da ci\u00eancia, onde se vai para produzir um determinado tipo de conhecimento. Para o colega, Feyerabend est\u00e1 apontando que isso \u00e9 justamente imposs\u00edvel. E \u00e9 nesse ponto que Valter percebe alguma similaridade com Latour, contra a ideia de que \u00e9 poss\u00edvel uma purifica\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a6mdk\">Na sequ\u00eancia, o colega Marlon d\u00e1 continuidade ao debate, iniciando com sua percep\u00e7\u00e3o de que Feyerabend \u00e9 uma das personalidades injusti\u00e7adas da academia. Ele justifica que, ao ler sobre a biografia de Paul Feyerabend, notou que ele rodou por muitos pa\u00edses. E ele especula que a quest\u00e3o de ele ser mal lido \u2013 como o professor pontuou em um momento anterior, citando uma palestra assistida \u2013 \u00e9 justamente para invocar Imre Lakatos, pois aquele n\u00e3o se insere em um programa de pesquisa formal. Desse modo, Feyerabend n\u00e3o tem uma raiz para de fato consagrar seu pensamento principalmente por ele defender algo que est\u00e1 indo contra praticamente tudo. Marlon cita ainda o fato de que esse livro foi escrito de forma exagerada pelo anarquista cient\u00edfico justamente na esperan\u00e7a de que Lakatos respondesse aos seus exageros, a fim de promover de fato um debate epistemol\u00f3gico \u2013 o que, de fato, n\u00e3o se concretizou, pois, este acaba falecendo antes.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-25d3\">Muito oportunamente, Marlon segue assinalando que o anarquismo epistemol\u00f3gico proposto por Feyerabend n\u00e3o pode ser comparado com o anarquismo pol\u00edtico, visto que a proposta feyerabendiana n\u00e3o \u00e9 romper com toda e qualquer metodologia, mas, sim, tra\u00e7ar um caminho de complementaridade, alternativo. \u00c9 olhar para as teorias, constru\u00eddas com o m\u00e9todo hegem\u00f4nico, e pensar como contrap\u00f4-las. E, para contrapor-se a elas, n\u00e3o se pode elimin\u00e1-las, abandon\u00e1-las. Sendo assim, o autor estaria caminhando entre um estruturalismo, esbo\u00e7ando um p\u00f3s-estruturalismo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2sv1r\">O professor Mois\u00e9s refor\u00e7a, ent\u00e3o, que \u00e9 exatamente por isso que \u00e9 preciso ser cauteloso na leitura e no estudo das ideias deste autor. E, ainda mais, que a pr\u00f3pria disputa com Feyerabend \u00e9 tamb\u00e9m uma provoca\u00e7\u00e3o de Lakatos. Foi uma tentativa de ambos de realizar uma esp\u00e9cie de teatro, mas a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o dessa pe\u00e7a \u00e9 em si um teatro, porque Feyerabend colocou em funcionamento uma ordem discursiva muito particular. Mois\u00e9s segue, corroborando a ideia do colega Marlon, de que, em alguns momentos, Feyerabend \u00e9 provocativo, alfinetando n\u00e3o s\u00f3 Lakatos em si \u2013 embora ele tamb\u00e9m \u2013, mas um processo epistemol\u00f3gico, uma epistemologia positivista fortemente institu\u00edda dentro do campo da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4gdju\">Na sequ\u00eancia, o colega Leonardo traz suas percep\u00e7\u00f5es acerca da leitura realizada por ele pela terceira vez \u2013 sendo que cada uma delas lhe trouxe entendimentos de maneiras diferentes. Nesta re-releitura, ele relata que ficou imaginando que esse posicionamento de Feyerabend n\u00e3o \u00e9 exatamente \u2018contra o m\u00e9todo\u2019, como o Valter j\u00e1 havia pontuado. O mais adequado, segundo Leonardo, lhe parece ser \u2018contra a raz\u00e3o\u2019. \u00c9 o principal foco, sendo o que ele chama de antirracionalista. Lendo dessa forma, ele acabou interpretando a obra n\u00e3o mais como um ataque \u00e0 ci\u00eancia ou um ataque \u00e0 epistemologia em si, mas a uma particularidade da epistemologia racionalista, uma racionalidade cient\u00edfica que se pressup\u00f5e neutra, imparcial, superior a outros modos de ver o mundo. Leonardo pontua que isso implica, inclusive, na educa\u00e7\u00e3o, pois isso construiria uma educa\u00e7\u00e3o muito pouco humanista, que cala advers\u00e1rios, que cala d\u00favidas, e que n\u00e3o sabe lidar muito bem com as incertezas, com o caos produtivo do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b7aqd\">A exposi\u00e7\u00e3o acima acaba auxiliando a colega Gabriela na retomada da sua ideia inicial acerca do pluralismo epistemol\u00f3gico, destacando o seguinte trecho, o qual a levou a conjecturar que este conceito n\u00e3o estava ligado apenas \u00e0s ci\u00eancias, mas num sentido mais geral. Veja:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-m4d5\"><p><em>Reconhecemos que a pluralidade h\u00e1 de ser assegurada por entidades n\u00e3o-cient\u00edficas, suficientemente poderosas para sobrepujar as institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de maior prest\u00edgio. Exemplos seriam a Igreja, o Estado, o partido pol\u00edtico, o descontentamento popular ou o dinheiro. (FEYERABEND, 1977, p. 70)<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2d2it\">Mais \u00e0 frente, o colega Leonardo retoma a quest\u00e3o do anarquismo feyerabendiano, questionando como o grupo pensou esse conceito. A colega Ana, ent\u00e3o traz o seu entendimento. Ela inicia destacando que, em um dos trechos, Feyerabend se designa mais como um dada\u00edsta, e sublinha o seguinte trecho:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-fue5\"><p><em>Um dada\u00edsta est\u00e1 convencido de que uma vida mais digna s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando come\u00e7armos a considerar as coisas com leveza e quando afastarmos de nossa linguagem as express\u00f5es enraizadas, mas j\u00e1 apodrecidas, que nela se acumularam ao longo dos s\u00e9culos (\u2018busca da verdade\u2019; \u2018defesa da justi\u00e7a\u2019; \u2018preocupa\u00e7\u00e3o apaixonada\u2019; etc., etc.). Um dada\u00edsta est\u00e1 preparado para dar in\u00edcio a alegres experimentos at\u00e9 mesmo em situa\u00e7\u00f5es onde o alterar e o ensaiar parecem estar fora de quest\u00e3o. (FEYERABEND, 1977, p. 26)<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7osdu\">Ou seja, para ela, o autor usa o termo anarquismo para salientar que o caos \u00e9, na verdade, um espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Em outro trecho, Feyerabend afirma que os avan\u00e7os cient\u00edficos \u201cs\u00f3 ocorreram porque alguns pensadores decidiram n\u00e3o se deixar limitar por certas regras metodol\u00f3gicas \u2018\u00f3bvias\u2019 ou porque involuntariamente as violaram.\u201d (FEYERABEND, 1977, p. 29). Ent\u00e3o nesse sentido, ela pensa que n\u00e3o devemos ficarmos presos \u00e0s regras, e o anarquismo se refere mais a isso, e n\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9odgc\">Gabriela segue ent\u00e3o entendendo anarquista n\u00e3o no sentido de bagun\u00e7a, um caos no momento de realizar uma pesquisa ou de estudar ci\u00eancia, mas levando em considera\u00e7\u00e3o outros aspectos que, se fosse seguido um m\u00e9todo cient\u00edfico \u00e0 risca e de modo estrito, n\u00e3o poderiam ser vislumbrados. Conectando com Latour, sobre o \u2018tudo vale\u2019, que, ao fazer uma investiga\u00e7\u00e3o, o pesquisador leva em considera\u00e7\u00e3o outras coisas, mais elementos, talvez n\u00e3o s\u00f3 cient\u00edficos, ponderando toda a complexidade do emaranhado que \u00e9 se estudar a ci\u00eancia. O professor Mois\u00e9s, ent\u00e3o, pede pra ela retomar essa ideia do que significa o \u2018tudo vale\u2019 de Latour, e a colega ent\u00e3o explica que eles estavam discutindo que n\u00e3o significa que pode fazer tudo, n\u00e3o h\u00e1 regra, mas que, se comparado com empiristas ou positivistas, por exemplo, ser\u00e1 aberto um leque de possibilidades, tornando a investiga\u00e7\u00e3o mais complexa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-epg5q\">Ent\u00e3o Mois\u00e9s destaca que \u00e9 esse o caminho e acaba relacionando esse racioc\u00ednio com o fato de que, portanto, Feyerabend n\u00e3o era exatamente \u2018contra o m\u00e9todo\u2019, mas uma amplia\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo. E destaca, ainda, um trecho de \u201cContra o m\u00e9todo\u201d que revela essa pondera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-dc098\"><p><em>Cria\u00e7\u00e3o de uma coisa e gera\u00e7\u00e3o associada \u00e0 compreens\u00e3o de uma ideia correta dessa coisa s\u00e3o, muitas vezes, partes de um \u00fanico e indivis\u00edvel processo, partes que n\u00e3o podem separar-se, sob pena de interromper o processo. (FEYERABEND, 1977, p. 32)<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ale5j\">Nessa cita\u00e7\u00e3o, Feyerabend restabelece, desse modo, a no\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 uma inseparabilidade entre a institui\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria natureza e a a\u00e7\u00e3o dessa institui\u00e7\u00e3o. Essa anarquia feyerabendiana est\u00e1 num sentido de que, se parar a a\u00e7\u00e3o, se definir de vez, ocorre um apodrecimento. As ra\u00edzes criadas s\u00e3o profundas, mas podres.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-du8bt\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-atcr2\">FEYERABEND, Paul. <strong>Contra o m\u00e9todo. <\/strong>Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o As discuss\u00f5es do dia 15 de setembro de 2021 no Grupo dos Estudos Culturais das Ci\u00eancias e das Educa\u00e7\u00f5es iniciaram com uma breve recapitula\u00e7\u00e3o pelo professor Mois\u00e9s das leituras realizadas nas semanas anteriores: \u201cG\u00eanese e desenvolvimento de um fato cient\u00edfico\u201d, de Ludwig Fleck, e \u201cA estrutura das revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas\u201d, de Thoman Kuhn. 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