{"id":345,"date":"2022-09-26T14:21:15","date_gmt":"2022-09-26T17:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=345"},"modified":"2022-09-26T14:21:16","modified_gmt":"2022-09-26T17:21:16","slug":"jornada-iv-polegarzinha-uma-nova-forma-de-viver-em-harmonia-de-pensar-as-instituicoes-de-ser-e-de-saber","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/turismo-cultural\/2022\/09\/26\/jornada-iv-polegarzinha-uma-nova-forma-de-viver-em-harmonia-de-pensar-as-instituicoes-de-ser-e-de-saber\/","title":{"rendered":"Jornada IV &#8211; Polegarzinha: uma nova forma de viver em harmonia, de pensar as institui\u00e7\u00f5es, de ser e de saber"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quem s\u00e3o os sujeitos imersos nos sistemas de educa\u00e7\u00e3o da modernidade tardia, regido por diversas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e artefatos comunicativos? Como se formam os sujeitos que t\u00eam informa\u00e7\u00f5es de toda a aldeia global ao alcance dos dedos e literalmente na palma da m\u00e3o? S\u00e3o quest\u00f5es como essas que o fil\u00f3sofo e matem\u00e1tico Michel Serres<sup>1<\/sup> aborda em seu \u00faltimo texto. O livro<sup>2<\/sup> se vale de poderosa reflex\u00e3o filos\u00f3fica para p\u00f4r seus leitores a pensar sobre as aventuras dos \u201cPequenos Polegares\u201d, jovens ainda em forma\u00e7\u00e3o que usam seus aparelhos celulares e outras ferramentas tecnol\u00f3gicas para se comunicar e saber do mundo em que habitam.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor e pensador franc\u00eas aborda possibilidades do exerc\u00edcio de pensar o papel da tecnologia na constru\u00e7\u00e3o de novas sociabilidades e na atualiza\u00e7\u00e3o de interroga\u00e7\u00f5es que constituem a condi\u00e7\u00e3o humana. Criativo como sempre, constr\u00f3i seus argumentos tomando elementos tanto do passado como do presente do que chamamos educa\u00e7\u00e3o \u2013 ao mesmo tempo em que aponta desafios futuros neste campo frente a fen\u00f4menos como a intensa descontinuidade do espa\u00e7o geogr\u00e1fico, a fragmenta\u00e7\u00e3o do tempo como continuidade linear e as radicais mudan\u00e7as ocorridas nos processos educativos, agora pensados mais como espiral e menos como acumula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Constru\u00eddo, segundo o pr\u00f3prio autor, a partir de suas experi\u00eancias e contato com seus jovens netos, mas tamb\u00e9m temperado pelos anos no exerc\u00edcio do magist\u00e9rio, Serres parte da perspectiva de que os jovens estudantes de que fala \u201c(\u2026) n\u00e3o habitam mais a mesma Terra, n\u00e3o t\u00eam mais a mesma rela\u00e7\u00e3o com o mundo\u201d (SERRES, 2015, p. 13) que as pessoas de gera\u00e7\u00f5es anteriores, seja em termos das condi\u00e7\u00f5es materiais com as quais t\u00eam de lidar para garantir sua sobreviv\u00eancia, seja em termos de sua experi\u00eancia existencial em um mundo globalizado onde circula\u00e7\u00e3o, aproxima\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o se tornaram irrestritas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os deslocamentos e as mudan\u00e7as de espa\u00e7o n\u00e3o sejam privil\u00e9gios do s\u00e9culo XXI, o autor reflete que, contemporaneamente, as viagens f\u00edsicas ou virtuais acabaram por \u201c(\u2026) transformar a percep\u00e7\u00e3o do ambiente em que se vive\u201d (SERRES, 2015, p. 73). E tal fen\u00f4meno tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com a forma como se desenvolvem as pr\u00e1ticas de conhecimento, pois, se no passado o livro era o referente espacial onde se localizava o saber, agora uma s\u00e9rie de novas tecnologias for\u00e7am um deslocamento que dilui este formato e apresenta possibilidades fluidas, fugidias e esparsas: informa\u00e7\u00f5es surgem com um simples toque em uma tela \u2013 eis a volta da cogni\u00e7\u00e3o por meio de procedimentos determinados, em seu formato <em>procedural<\/em>, como afirma Serres.<\/p>\n\n\n\n<p>Se esta nova concep\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, com novas e peculiares curvaturas, \u00e9 explorada nesse trabalho, um outro sentido \u00e9 apresentado pelo autor com rela\u00e7\u00e3o ao tempo. Este se apresenta de forma n\u00e3o linear, onde a mecanicidade inerente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o fabril \u00e9 abandonada em benef\u00edcio de uma formula\u00e7\u00e3o que, se por um lado n\u00e3o chega a prescindir de medidas temporais, tem como marca a for\u00e7a das experi\u00eancias vividas pelos novos \u201cPequenos Polegares\u201d. Para eles, a ordem \u00e9 uma pris\u00e3o, e sua prefer\u00eancia recai sobre a desordem, que \u201c[\u2026] areja, como em um aparelho que apresenta uma folga. E essa folga possibilita a inven\u00e7\u00e3o [\u2026]\u201d (SERRES, 2015, p. 53) \u2013 movimento e descoberta criativa imprimem ao tempo nova taxinomia valorativa, pois, por meio da tecnologia, essa nova juventude \u201c[\u2026] considera ter a pr\u00f3pria cabe\u00e7a nas m\u00e3os e \u00e0 sua frente\u201d (SERRES, 2015, p. 35).<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u201cPolegarzinha\u201d, Serres prop\u00f5e o desafio de pensar a educa\u00e7\u00e3o e os processos formativos no mundo contempor\u00e2neo marcado pela intera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Por este prisma, surgem feixes luminescentes que permitem o vislumbre de uma realidade em constante transforma\u00e7\u00e3o. Os debates e discuss\u00f5es postos pelo autor colocam em xeque os caminhos formativos que t\u00eam sido contemporaneamente ofertados \u00e0 juventude. Infelizmente, em boa parte das vezes, eles ainda n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura do ambicioso subt\u00edtulo proposto pelo autor: uma nova forma de viver em harmonia, de pensar as institui\u00e7\u00f5es, de ser e de saber.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; Falecido em 2019, teve essa obra de 2012 editada no Brasil em 2013 e 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; Seu t\u00edtulo poderia, n\u00e3o fosse por seu longo subt\u00edtulo, levar a obra para estantes de fic\u00e7\u00e3o infantojuvenil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>SERRES, Michel.<strong> Polegarzinha<\/strong>: uma nova forma de viver em harmonia, de pensar as institui\u00e7\u00f5es, de ser e de saber. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Quem s\u00e3o os sujeitos imersos nos sistemas de educa\u00e7\u00e3o da modernidade tardia, regido por diversas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e artefatos comunicativos? Como se formam os sujeitos que t\u00eam informa\u00e7\u00f5es de toda a aldeia global ao alcance dos dedos e literalmente na palma da m\u00e3o? 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