{"id":339,"date":"2022-09-26T14:15:32","date_gmt":"2022-09-26T17:15:32","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=339"},"modified":"2022-09-26T14:23:37","modified_gmt":"2022-09-26T17:23:37","slug":"jornada-iii-what-should-academics-do-about-conspiracy-theories-moving-beyond-debunking-to-better-deal-with-conspiratorial-movements-misinformation-and-post-truth-%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/turismo-cultural\/2022\/09\/26\/jornada-iii-what-should-academics-do-about-conspiracy-theories-moving-beyond-debunking-to-better-deal-with-conspiratorial-movements-misinformation-and-post-truth-%ef%bf%bc\/","title":{"rendered":"Jornada III &#8211; What should academics do about conspiracy theories? Moving beyond debunking to better deal with conspiratorial movements, misinformation and post-truth."},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa sobre Teorias da Conspira\u00e7\u00e3o (TC) tem crescido exponencialmente nos \u00faltimos anos. A emerg\u00eancia da pandemia do COVID-19 contribuiu para ampliar essa expans\u00e3o, em parte pelas florescentes tentativas de se sugerir explica\u00e7\u00f5es alternativas sobre a origem ou difus\u00e3o do Sars-CoV-2 em fun\u00e7\u00e3o de fundamentos conspirat\u00f3rios, como conjecturas de compl\u00f4s mundiais envolvendo atores poderosos com inten\u00e7\u00f5es mal\u00e9volas de dominar pessoas ou grupos. Nesse sentido, investiga\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas parecem ter acompanhado essa amplia\u00e7\u00e3o, movimentando interesses de pesquisa multifacetados e muitas vezes divergentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo de Grodzicka e Harambam (2021) se empenhou em debater sobre esse cen\u00e1rio, intentando caracterizar e discutir vertentes da pesquisa sobre Teorias da Conspira\u00e7\u00e3o. Segundo os autores, os posicionamentos sobre esse fen\u00f4meno variam entre perspectivas metodol\u00f3gicas, escolas e regi\u00f5es, mas \u00e9 poss\u00edvel delimitar tr\u00eas grupos principais. O primeiro grupo \u00e9 constitu\u00eddo por pesquisadores que tentam abordar TC de um ponto de vista epistemologicamente neutro, evitando estabelecer posi\u00e7\u00f5es normativas e acusat\u00f3rias. J\u00e1 o segundo grupo \u00e9 formado por aqueles que atrelam as TC \u00e0 irracionalidade, sendo fen\u00f4menos indesej\u00e1veis e que precisam ser desbancados. Por fim, um terceiro grupo \u201cest\u00e1 disposto a considerar as teorias da conspira\u00e7\u00e3o como aproxima\u00e7\u00f5es potencialmente valiosas da verdade que merecem um exame minucioso\u201d (GRODZICKA e HARAMBAM, 2021, p. 04, minha tradu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de fatores epistemol\u00f3gicos, Grodzicka e Harambam (2021) alertam que quest\u00f5es de personalidade pessoal ou profissional e o contexto sociopol\u00edtico das Teorias da Conspira\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m influem sobre os posicionamentos da academia. Por exemplo, \u201cAs apostas e consequ\u00eancias das teorias da conspira\u00e7\u00e3o da Terra plana ou OVNIs podem, afinal, ser significativamente diferentes daquelas nos estudos sobre teorias de sa\u00fade ou ambientais\u201d (p. 04, minha tradu\u00e7\u00e3o). Nesse sentido, \u00e9 preciso ponderar que essas din\u00e2micas de p\u00f3s-verdade (ou seria p\u00f3s-pol\u00edtica?) afetam diretamente a autoridade e os limites das Ci\u00eancias, denotando a urg\u00eancia do momento atual no sentido de se expressar o valor do conhecimento cient\u00edfico, social e human\u00edstico, bem como o papel de seus representantes sociedade afora.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo Grodzicka e Harambam (2021) encerra suas discuss\u00f5es propositivamente, sugerindo demandas por alternativas construtivistas e democr\u00e1ticas para o enfrentamento de Teorias da Conspira\u00e7\u00e3o. Conforme abordam, a tentativa frontal de se desmascarar TC s\u00e3o pouco produtivas, profissionais e eficazes, e uma maneira sociologicamente mais aberta para se lidar com esses fen\u00f4menos seria o desenvolvimento de \u201c\u2018plataformas de conhecimento cidad\u00e3o deliberativo\u2019, em vez de apenas grupos de elite\/especialistas, para avaliar a qualidade da informa\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio p\u00fablico\u201d (p. 08, minha tradu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Se a proposta experimental dos autores \u00e9 fact\u00edvel, isso \u00e9 tema para oficinas, projetos ou outros artigos. Contudo, suas contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para se compreender que a confian\u00e7a na Ci\u00eancia \u00e9 t\u00e3o fundamental para sua distribui\u00e7\u00e3o social quanto o dom\u00ednio t\u00e9cnico e te\u00f3rico de seus conhecimentos. Parafraseando Bruno Latour (2012), \u00e9 preciso entender que os fatos cient\u00edficos s\u00e3o realmente s\u00f3lidos, mas precisam de mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva e institucional tanto para emergirem enquanto verdades quanto para manterem sua continuidade cultural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>GRODZICKA, E. D.; HARAMBAM, J. What should academics do about conspiracy theories? Moving beyond debunking to better deal with conspiratorial movements, misinformation and post-truth. <strong>Journal of cultural research<\/strong>, United Kingdom, v. 25, n. 01, p. 01-11, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www-tandfonline.ez78.periodicos.capes.gov.br\/doi\/pdf\/10.1080\/14797585.2021.1886420<\/p>\n\n\n\n<p>LATOUR, B. <strong>Reagregando o social<\/strong>: uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 teoria ator-rede. Salvador: EDUFBA, 2012.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o A pesquisa sobre Teorias da Conspira\u00e7\u00e3o (TC) tem crescido exponencialmente nos \u00faltimos anos. 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