{"id":331,"date":"2022-09-26T14:01:26","date_gmt":"2022-09-26T17:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=331"},"modified":"2022-09-26T14:01:26","modified_gmt":"2022-09-26T17:01:26","slug":"jornada-i-sociedade-do-cansaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/turismo-cultural\/2022\/09\/26\/jornada-i-sociedade-do-cansaco\/","title":{"rendered":"Jornada I &#8211; Sociedade do Cansa\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCada \u00e9poca possui suas enfermidades fundamentais\u201d (HAN, 2015, p. 7). \u00c9 assim que o fil\u00f3sofo Byung-Chul Han inicia seu livro \u201cSociedade do Cansa\u00e7o\u201d. Atualmente, para al\u00e9m da pandemia de covid-19, temos enfrentado o <em>boom<\/em> de doen\u00e7as neuronais: o Transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o com s\u00edndrome de hiperatividade, o transtorno de personalidade lim\u00edtrofe e a S\u00edndrome de Burnout s\u00e3o algumas das citadas por Chul Han. Esse fen\u00f4meno patol\u00f3gico tem sua origem n\u00e3o mais na negatividade de um sistema imunol\u00f3gico, mas no excesso da positividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA viol\u00eancia da positividade que resulta da superprodu\u00e7\u00e3o, superdesempenho ou supercomunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais \u2018viral\u2019\u201d. [&#8230;] Tampouco o esgotamento, a exaust\u00e3o e o sufocamento frente <em>\u00e0 demasia<\/em> s\u00e3o rea\u00e7\u00f5es imunol\u00f3gicas. Todas essas s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es de uma viol\u00eancia <em>neuronal<\/em>, que n\u00e3o \u00e9 viral, uma vez que n\u00e3o podem ser reduzidas \u00e0 negatividade imunol\u00f3gica\u201d (HAN, 2015, p. 10-11).<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo coreano supera a sociedade disciplinar de Foucault. Se, outrora, \u00e9ramos vigiados, determinados pela negatividade da proibi\u00e7\u00e3o, sujeitos da obedi\u00eancia, gerando loucos e delinquentes, para Byung, estamos agora na sociedade do desempenho, somos empres\u00e1rios de n\u00f3s mesmos, em que precisamos ser onipotentes \u2013 tudo podemos. \u00c9 a positividade da sociedade do desempenho que, em vez de criar a loucura e a delinqu\u00eancia, produz seus depressivos e fracassados \u2013 sempre estaremos aqu\u00e9m do que se esperava de produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO excesso de positividade se manifesta tamb\u00e9m como excesso de est\u00edmulos, informa\u00e7\u00f5es e impulsos\u201d (HAN, 2015, p. 18). Na sociedade do desempenho, ser multitarefa, estar focado em muitas coisas simultaneamente, produzindo tudo ao mesmo tempo, ao contr\u00e1rio do que se parece, n\u00e3o \u00e9 um avan\u00e7o. Retrocedemos a n\u00edveis animalescos, quando estamos vigilantes o tempo todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrata-se de uma t\u00e9cnica de aten\u00e7\u00e3o, indispens\u00e1vel para sobreviver na vida selvagem. Um animal ocupado no exerc\u00edcio da mastiga\u00e7\u00e3o de sua comida tem de ocupar-se ao mesmo tempo tamb\u00e9m com outras atividades. Deve cuidar para que, ao comer, ele pr\u00f3prio n\u00e3o acabe comido. Ao mesmo tempo, tem de vigiar sua prole e manter o olho em seu(sua) parceiro(a). Na vida selvagem, o animal est\u00e1 obrigado a dividir sua aten\u00e7\u00e3o em diversas atividades\u201d (HAN, 2015, p. 18).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa capacidade simplesmente contemplativa deveria ser o que temos de mais evolu\u00eddo enquanto esp\u00e9cie, mas a sociedade do desempenho jamais ser\u00e1 capaz de admitir isso.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 dentre estes e outros aspectos que Byung-Chul Han vai demonstrando como a sociedade do desempenho est\u00e1 produzindo a sociedade do cansa\u00e7o, que, por sua vez, poderia acabar concebendo a sociedade do <em>doping<\/em> \u2013 com o amplo acesso ao uso de f\u00e1rmacos para melhoramento cognitivo, a concorr\u00eancia e a competi\u00e7\u00e3o estariam ent\u00e3o na ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre este novo modelo social, \u00e9 urgente que n\u00f3s na academia tamb\u00e9m repensemos nossos modos e par\u00e2metros de produ\u00e7\u00e3o e desempenho \u2013 para com n\u00f3s mesmos e para com os colegas. O artigo \u201cPrecisamos falar sobre a vaidade acad\u00eamica\u201d, publicado na Carta Capital em 2016, vai ao encontro pragm\u00e1tico de uma das poss\u00edveis \u00e1reas que Chul traz em seu livro. Que a vaidade acad\u00eamica e a sociedade do desempenho n\u00e3o nos fa\u00e7am trocar o sonho de mudar o mundo pela pasta de couro em cima do muro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>HAN, BYUNG-CHUL. <strong>Sociedade do cansa\u00e7o<\/strong>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>PINHEIRO-MACHADO, Rosana. Precisamos falar sobre a vaidade na vida acad\u00eamica. <strong>Carta Capital<\/strong>, S\u00e3o Paulo, 24 fev. 2016. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cartacapital.com.br\/sociedade\/precisamos-falar-sobre-a-vaidade-na-vida-academica\/ Acesso em: 15 maio de 2022.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o \u201cCada \u00e9poca possui suas enfermidades fundamentais\u201d (HAN, 2015, p. 7). \u00c9 assim que o fil\u00f3sofo Byung-Chul Han inicia seu livro \u201cSociedade do Cansa\u00e7o\u201d. 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