{"id":268,"date":"2022-09-23T15:21:29","date_gmt":"2022-09-23T18:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=268"},"modified":"2022-09-23T15:21:29","modified_gmt":"2022-09-23T18:21:29","slug":"repensar-os-processos-metodologicos-de-pesquisa-revisitando-minha-dissertacao-e-tese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/fala-ai-como-voce-fez\/2022\/09\/23\/repensar-os-processos-metodologicos-de-pesquisa-revisitando-minha-dissertacao-e-tese\/","title":{"rendered":"(RE)PENSAR OS PROCESSOS METODOL\u00d3GICOS DE PESQUISA: REVISITANDO MINHA DISSERTA\u00c7\u00c3O E TESE"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ao ser convidada pelo Grupo de Estudos Culturais da Ci\u00eancia e Educa\u00e7\u00e3o (GECEE), do qual fiz e ainda me sinto parte, para preparar um artigo com informa\u00e7\u00f5es sobre a metodologia utilizada em minhas pesquisas durante o mestrado e doutorado, encarei como uma oportunidade de repensar sobre os caminhos metodol\u00f3gicos que segui. E, nesse movimento de parar e olhar para um processo finalizado, tomo a liberdade de apontar algumas vantagens e desafios que enfrentei.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar com uma compara\u00e7\u00e3o. Quando decidimos fazer uma viagem, precisamos escolher um itiner\u00e1rio, os meios de transporte, os companheiros, os alojamentos, planejar os gastos e arrumar a mala. Mesmo que os destinos sejam alterados durante a viagem, temos de antem\u00e3o uma dire\u00e7\u00e3o a seguir. E, quando retornamos dessa viagem, trazemos diversas lembran\u00e7as, <em>souvenirs<\/em>, fotos, recorda\u00e7\u00f5es, filmagens, entre outras coisas. O que quero dizer com isso \u00e9 sobre a impossibilidade de produzir os caminhos metodol\u00f3gicos e as an\u00e1lises de forma isenta. Mas, o que a analogia com as viagens pode ajudar nas discuss\u00f5es sobre o processo de investigar e de se tornar pesquisador?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o processo de constru\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica dos trabalhos pautados nos Estudos Culturais das Ci\u00eancias se apresenta como um momento de inseguran\u00e7a e d\u00favidas, especialmente pela gama de possibilidades apresentadas e, ao mesmo tempo, o receio em atender as demandas e exig\u00eancias institucionais relacionadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e entrega de um trabalho acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, como nos apresenta Santos (2005), \u201c\u00e9 pela experi\u00eancia de ter estado l\u00e1 e de ter escrito aqui\u201d (p.75), sendo <em>l\u00e1<\/em> como o campo de nossas pesquisas (escola, universidade e outros espa\u00e7os educacionais), cedido para que, como pesquisadores\/turistas equipados com nossos cadernos de registros, gravadores e filmadoras (celulares), circulemos e participemos das atividades e peculiaridades daquele espa\u00e7o para, ent\u00e3o, voltarmos aos nossos computadores, escrevermos e analisarmos cada recorda\u00e7\u00e3o trazida como evid\u00eancia de um processo de pesquisa\/viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Meyer e Soares (2005) nos lembram que \u201cos desafios colocados para aqueles e aquelas que se prop\u00f5em a fazer pesquisas em abordagens p\u00f3s-estruturalistas envolvem, pois, essa disposi\u00e7\u00e3o de operar com limites e d\u00favidas, com conflitos e diverg\u00eancias, e de resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de formular s\u00ednteses conclusivas\u201d (p. 40), s\u00ednteses essas que, muitas vezes, fazemos antes mesmo de iniciarmos nossas pesquisas de campo. Precisamos, sim, conforme os autores, \u201cadmitir a provisoriedade do saber e a coexist\u00eancia de diversas verdades que operam e se articulam em campos de poder-saber\u201d (p. 40), para ent\u00e3o termos condi\u00e7\u00f5es de aceitar que as \u201cverdades com as quais operamos s\u00e3o constru\u00eddas, social e culturalmente\u201d (p. 40).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para relatar um pouco sobre as minhas andan\u00e7as metodol\u00f3gicas e os movimentos que empreguei para capturar e analisar as \u2018verdades\u2019 do campo de pesquisa escolhido, tanto no mestrado quanto no doutorado, apresento nas se\u00e7\u00f5es seguintes a descri\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica da minha disserta\u00e7\u00e3o e, na sequ\u00eancia, da tese.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aventuras da etn\u00f3grafa turista<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A metodologia que me aconteceu se inspira naquelas utilizadas em abordagens etnogr\u00e1ficas, mas sem nenhum compromisso preestabelecido de fazer os registros e narrativas detalhadas dos estudos antropol\u00f3gicos tradicionais. Foi nesse sentido que adotei a met\u00e1fora de uma viagem, assim como Santos (2005), que desenvolveu sua metodologia de pesquisa tomando emprestado o nome de etn\u00f3grafo-turista de Bruner (1997). O m\u00e9todo \u00e9 parte constitutiva da representa\u00e7\u00e3o investigativa e \u201cse constitui no pr\u00f3prio andar da pesquisa\u201d (McGUIGAN, 1997 <em>apud<\/em> SANTOS, 2005, p. 21).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse aspecto se d\u00e1 quando o processo de ida a campo evidencia algumas refer\u00eancias tur\u00edsticas presentes durante as visitas, que mostram o processo de excurs\u00e3o do pesquisador e sua inser\u00e7\u00e3o no lugar, pressupondo um projeto de condu\u00e7\u00e3o, roteiro e registro. S\u00e3o evidentes as diferen\u00e7as entre um etn\u00f3grafo e um turista, como os objetivos, modos de ver e sentir muito distantes, mas que se aproximam, porque ambos pressup\u00f5em uma viagem, um deslocamento e um desejo de conhecer estilos, modos de vida e paisagens diferentes (SANTOS, 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pesquisa que empreendi durante o mestrado, algo parecido aconteceu. Foi necess\u00e1rio estar l\u00e1, em um col\u00e9gio estadual no munic\u00edpio de Apucarana, no estado do Paran\u00e1, participar de todas as atividades de uma turma do Curso T\u00e9cnico em Qu\u00edmica, que envolvia estar nos planejamentos de aulas, nas reuni\u00f5es de professores e alunos, nas aulas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas, interagir com as pessoas do espa\u00e7o escolar, lanchar com os professores e alunos, tirar fotos, gravar conversas, enfim, al\u00e9m de observar, participar tamb\u00e9m, um pouco do que configura o dia a dia da escola e dos alunos do curso t\u00e9cnico, para depois voltar ao meu computador e escrever.<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho de recompor o que vi\/vivi, acabo por interpretar o objeto de investiga\u00e7\u00e3o aos olhos de uma etn\u00f3grafa-turista, que n\u00e3o oculta suas dificuldades, ao concordar com Santos (2005), quando afirma que a narrativa que fazemos \u201ctrata-se, sobretudo, de uma re-montagem (de um recordar a viagem) que n\u00e3o se coloca como um modelo de pesquisa, mas que pretende problematizar a sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o enquanto metodologia de trabalho, expondo suas colagens e fraturas\u201d (p. 20).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, aquilo que escrevi, descrevi e analisei fez parte de um modo de olhar para a escola que foi se configurando durante a viagem\/pesquisa. Vale ressaltar que fui fortemente influenciada por uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao assumir os Estudos Culturais da Ci\u00eancia como fonte de inspira\u00e7\u00e3o e trabalho. Conforme Veiga-Neto (1996), \u201cs\u00e3o as nossas pr\u00e1ticas e os olhares que colocamos sobre as coisas que as criam como elementos pens\u00e1veis, que as fazem sujeitos e objetos de enuncia\u00e7\u00e3o, ou as certezas nas quais confiar, ou os problemas a resolver\u201d (p. 15), e este olhar e escrita foram atravessados por minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e principalmente pelo tempo que trabalhei como professora de qu\u00edmica; mesmo que mais bem guardados, acabei por lev\u00e1-los na bagagem durante a pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>E o \u2018peso\u2019 dessa bagagem dificultou o que inicialmente me parecia simples, pois fui surpreendida diversas vezes pela aus\u00eancia total de dados a serem registrados\/colhidos. Imaginava que seria como colher l\u00edrios no campo, mas o campo, ele mesmo, n\u00e3o estava l\u00e1 e nada de dados, ao menos no primeiro momento. Minha proximidade com a escola e a rotina l\u00e1 empreendida dificultaram no come\u00e7o dos registros a identificar os momentos de negocia\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de significados, pois tudo que acontecia na escola me parecia muito familiar e rotineiro. Buscando aprimorar os momentos de observa\u00e7\u00e3o, passei mais tempo no col\u00e9gio e registrei todas as informa\u00e7\u00f5es e di\u00e1logos a que tinha acesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse movimento que empreendi, foram emergindo quest\u00f5es de pesquisa que estavam continuamente sendo reinventadas, configuradas, ou seja, (re)surgiam no seu contexto escolar. N\u00e3o foi nos acontecimentos extraordin\u00e1rios que pude observar a produtividade das rela\u00e7\u00f5es, mas, sim, nos momentos corriqueiros e cotidianos. N\u00e3o existia uma pr\u00e1tica escolar esperando para ser descoberta e descrita por mim, mas que, conforme descrevia e falava nela\/dela, eu a constru\u00eda enquanto objeto de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para melhorar os momentos de pesquisa, desenvolvi estrat\u00e9gias de observa\u00e7\u00e3o, que basicamente se constitu\u00edram em vivenciar o cotidiano da turma, procurando participar das diferentes atividades realizadas, pois, em se tratando de pesquisa com inspira\u00e7\u00f5es etnogr\u00e1ficas, atentei-me \u00e0s (re)significa\u00e7\u00f5es, \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es que educadores, alunos e demais sujeitos do ambiente escolar d\u00e3o \u00e0s formas como as pr\u00e1ticas educacionais s\u00e3o vivenciadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, apesar de tudo isso, senti-me diversas vezes impotente frente \u00e0s naturaliza\u00e7\u00f5es dos discursos proferidos na escola. E, movida por um desejo inicial de compreender o n\u00e3o uso dos laborat\u00f3rios, optei por acompanhar mais de perto as aulas de Qu\u00edmica Industrial que apresentavam grandes possibilidades de aulas em laborat\u00f3rios. Como uma pista do que observei e registrei, trago um trecho das descri\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no meu trabalho de disserta\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha desta atividade pr\u00e1tica \u2013 e n\u00e3o outra \u2013 gerava o movimento necess\u00e1rio \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o, que permitia aos alunos uma visibilidade do que era dito em aula. E a possibilidade desta visibilidade acobertava tanto a afli\u00e7\u00e3o institucional de evas\u00e3o, quanto o desejo de verdade, ou ainda a comprova\u00e7\u00e3o da verdade cient\u00edfica. Iniciando a prepara\u00e7\u00e3o dos reagentes anal\u00edticos, a professora Fl\u00e1via orienta \u201cVoc\u00eas v\u00e3o colocar a \u00e1gua destilada com a proveta no erlenmeyer, junto com o vinagre. A\u00ed, voc\u00eas v\u00e3o colocar tr\u00eas gotas de fenolftale\u00edna, que \u00e9 o indicador, lembra que eu expliquei para voc\u00eas?\u201d Uma pausa e sil\u00eancio, at\u00e9 ela question\u00e1-los: \u201cO que faz a fenolftale\u00edna que \u00e9 o indicador?\u201d Um coro de alunos responde e mal posso entender o que dizem, por\u00e9m a que sobressai diz: \u201cEla vai mudar de cor por causa do \u00e1cido\u201d. Ao ouvir esta resposta, a professora brada: \u201cIsso! Na hora que der o ponto de viragem, n\u00e9? A hora que a rea\u00e7\u00e3o acontecer, voc\u00eas v\u00e3o ver mudar de cor, n\u00e9? Se n\u00e3o tiver fenolftale\u00edna, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o ver acontecer nada\u201d. Volta a questionar os alunos: \u201cE da\u00ed? Qual \u00e9 a cor que vai ficar neste caso?\u201d As respostas alternavam entre \u201cincolor\u201d e \u201crosa\u201d. A professora interv\u00e9m: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o! No \u00e1cido, ela fica incolor, quando for colocada a base, ela fica rosa. Lembra? Falamos isso na sala\u201d (RIVELINI-SILVA, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Com o caminhar dessa pesquisa, muitos relatos foram registrados e analisados, as escolhas foram feitas e o resultado apresentado na disserta\u00e7\u00e3o. Na sequ\u00eancia, apresento o caminho metodol\u00f3gico desenvolvido para a pesquisa e escrita de minha tese.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Voltando ao campo, outros caminhos e caminhadas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Retomar a pesquisa de campo, agora no doutorado, foi novamente um desafio e uma busca para entender a constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o discursivo do Programa Institucional de Bolsa de Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Doc\u00eancia (PIBID). Mas o que me motivou a realizar essa investiga\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, devo dizer que foi uma curiosidade, mas concordando com Foucault (2014), s\u00f3 h\u00e1 uma \u201cesp\u00e9cie de curiosidade que vale a pena ser praticada com um pouco de obstina\u00e7\u00e3o: n\u00e3o aquela que procura assimilar o que conv\u00e9m conhecer, mas a que permite separar-se de si mesmo\u201d (p. 13). Esse separar-se de si mesmo obrigou-me a pensar o PIBID\/AP a partir de uma desconfian\u00e7a em discursos hegem\u00f4nicos. Poderia seguir esse caminho para estabelecer o problema e a pergunta de pesquisa, pois me pareceu oportuno pesquisar esse grupo e observar, na sua pr\u00e1tica, sua constitui\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de suas singularidades, mantidas e refor\u00e7adas nas atividades cotidianas. E, ainda, entender como o PIBID ganhava for\u00e7a discursiva no recorrente discurso hegem\u00f4nico da busca da forma\u00e7\u00e3o de professores \u2018melhores\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Minhas inquieta\u00e7\u00f5es eram locais, pois, como ensina Foucault (2013c), n\u00e3o devemos analisar categorias superiores e absortas, mas direcionar o interesse para elementos mais perif\u00e9ricos do sistema, e assim interessarmo-nos pelos locais nos quais o poder est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o. O ponto em que direcionei meu olhar de pesquisadora n\u00e3o foi a CAPES ou a institui\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria como um todo, mas, sim, o subprojeto PIBID\/Ap e suas rela\u00e7\u00f5es, \u201cn\u00e3o a soberania em seu edif\u00edcio \u00fanico, mas as m\u00faltiplas sujei\u00e7\u00f5es que existem e funcionam no interior do corpo social\u201d (Idem, p. 282).<\/p>\n\n\n\n<p>Buscando entender as maneiras que levavam \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o PIBID\/Ap enquanto lugar da forma\u00e7\u00e3o dos \u2018professores melhores\u2019, queria questionar, \u201cmelhores que quem ou o qu\u00ea?\u201d N\u00e3o, volto a dizer, n\u00e3o procuro qual a estrat\u00e9gia para a forma\u00e7\u00e3o de professores. Trata-se, ao contr\u00e1rio, de apreender o processo de subjetivar-se PIBID\/Ap em suas micro rela\u00e7\u00f5es nas extremidades, em suas ramifica\u00e7\u00f5es mais extremas, capilarizadas, \u2018a vida que pulsa nas pr\u00e1ticas\u2019 PIBIDianas, para apreend\u00ea-las em suas formas mais locais, no ponto em que ele se corporifica em t\u00e9cnicas e dispositivos que autorizam e instituem as categorias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhar inspirada em Foucault parece pertinente, uma vez que ele se revela interessado nos estudos relacionados ao espa\u00e7o, ao espa\u00e7o-tempo e \u00e0 hist\u00f3ria em diversas de suas obras. Essa obsess\u00e3o justifica- se pelo fato de Foucault afirmar que, por meio desses estudos, ele tenha entendido as rela\u00e7\u00f5es existentes entre o poder e o saber. E, assim, pode compreender as maneiras pelas quais o saber funciona como um poder e replica seus efeitos ao analis\u00e1-las em \u201ctermos de regi\u00f5es, de dom\u00ednio, de implanta\u00e7\u00e3o, de deslocamento, de transfer\u00eancia\u201d (FOUCAULT 2013a, p. 251).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, olhei o processo hist\u00f3rico ocorrido com os alunos ao participarem do PIBID, lembrando que um discurso e uma pr\u00e1tica recorrente \u00e9 o da inser\u00e7\u00e3o dos estudantes bolsistas no contexto das escolas p\u00fablicas, sob orienta\u00e7\u00e3o de um docente da licenciatura e de um professor das escolas parceiras. Nesse cen\u00e1rio de rela\u00e7\u00e3o Escola x Universidade, h\u00e1 compara\u00e7\u00f5es entre o estudado \u2013 nas reuni\u00f5es semanais \u2013 e o observado \u2013 na pr\u00e1tica escolar \u2013, que acaba levando a julgamentos, o que se mostrou produtivo ao permitir olhar para o PIBID enquanto espa\u00e7o de pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 preciso entender o discurso constitu\u00eddo de \u201cpr\u00e1ticas que formam sistematicamente os objetos de que falam\u201d (FOUCAULT, 2012, p. 52). O PIBID Qu\u00edmica UTFPR\/Apucarana constitui-se enquanto objeto nas pr\u00e1ticas construtoras da realidade. As compara\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios refor\u00e7am a constru\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o de subjetiva\u00e7\u00e3o, pois os bolsistas fabricam-se em seu interior como atuantes do processo do ser\/tornar-se PIBIDiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Na metodologia de escrita da tese, adotei uma descri\u00e7\u00e3o detalhada de todo o processo de trabalho. Esse processo s\u00f3 pode ser apresentado ao final como uma evoca\u00e7\u00e3o, conforme utilizada por Gottschalk (1998). Ao evocar, pretendi que as atividades presenciadas e as escolhas tomadas fossem reavivadas e constitu\u00edssem o texto do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, convidei o leitor de minha tese para uma descri\u00e7\u00e3o sem, contudo, tentar convenc\u00ea-lo da verdade do relato, com apelos \u00e0s \u2018autoridades\u2019 e \u2018crit\u00e9rios tradicionais\u2019, mas promover uma compreens\u00e3o, um reconhecimento, uma identifica\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, das emo\u00e7\u00f5es, das perspic\u00e1cias e das formas de comunica\u00e7\u00e3o. Utilizei diversas estrat\u00e9gias visando recontar o observado, tais como o uso de met\u00e1foras e analogias, reproduzir os di\u00e1logos e reconstruir os acontecimentos. A fim de iniciar uma reflex\u00e3o sobre a inser\u00e7\u00e3o no campo de pesquisa, as estrat\u00e9gias estabelecidas para o registro dos dados e a participa\u00e7\u00e3o no grupo, apoio-me em Foucault, ao dizer que<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] n\u00e3o tenho um m\u00e9todo que aplicaria, do mesmo modo, a dom\u00ednios diferentes. Ao contr\u00e1rio, diria que \u00e9 um mesmo campo de objetos, um dom\u00ednio de objetos que procuro isolar, utilizando instrumentos encontrados ou forjados por mim, no exato momento em que fa\u00e7o minhas pesquisas, mas sem privilegiar de modo algum o problema do m\u00e9todo (FOUCAULT, 2003, p. 229).<\/p>\n\n\n\n<p>A produtividade nas pesquisas foucaultianas pode ser atribu\u00edda justamente ao abandono de m\u00e9todos prontos e totalizantes. Uma recusa aos moldes da racionalidade moderna, \u00e0s metodologias encaradas como alicerces da pesquisa, que seriam capazes de sustentar todo um arcabou\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es e informantes. Teorias inflex\u00edveis n\u00e3o comportam mais a multiplicidade de informa\u00e7\u00f5es, maneiras de pensar e modos de vida. O que buscamos nas inspira\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas foucaultianas s\u00e3o, como chamou Corazza (2002), \u201cpontes\u201d que permitam a passagem pelos caminhos falhos e remendados que encontramos no percurso do pesquisar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, minha op\u00e7\u00e3o por Foucault se deve, especialmente, pela riqueza de suas provoca\u00e7\u00f5es ao escrever. Como dito por ele mesmo, seus livros devem ser como fogos de artif\u00edcio (2012) ou, ent\u00e3o, como caixa de ferramentas (2013d), usados para produzir e que, ap\u00f3s, queimem-se, destruam-se. Portanto, seus pensamentos devem ser vistos como indica\u00e7\u00f5es, \u201ccomo linhas pontilhadas\u201d e cabe a n\u00f3s continu\u00e1-las ou modific\u00e1-las (2013b, p. 263).<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que a quest\u00e3o da pesquisa foi observar como se deu a constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o a partir das singularidades e as conting\u00eancias locais do grupo PIBID\/Ap, entendo que n\u00e3o \u00e9 mais papel do pesquisador \u201c[&#8230;] dizer a muda verdade de todos; \u00e9 antes o de lutar contra as formas de poder exatamente onde ele \u00e9, ao mesmo tempo, o objeto e o instrumento: na ordem do \u2018saber\u2019, da \u2018verdade\u2019, da \u2018consci\u00eancia\u2019, do \u2018discurso\u2019\u201d (FOUCAULT, 2013d, p. 132). Com isso, em oposi\u00e7\u00e3o a uma sistem\u00e1tica que colocaria tudo de forma ordenada em seus lugares, as teoriza\u00e7\u00f5es devem permitir analisar os mecanismos de poder, buscando suas rela\u00e7\u00f5es e seus alcances (FOUCAULT, 2003a).<\/p>\n\n\n\n<p>A obra foucaultiana n\u00e3o apresenta m\u00e9todos que facilitem o trabalho do pesquisador, tampouco o passo a passo do trabalho. Al\u00e9m disso, s\u00e3o teoriza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o permitem a generaliza\u00e7\u00e3o e banem a ideia de uma resposta para \u201ctodos\u201d e para \u201csempre\u201d. Ao adotar a perspectiva \u201cfoucaultiana, n\u00e3o devemos partir de conceitos, nem devemos nos preocupar em chegar a conceitos est\u00e1veis e seguros em nossas pesquisas\u201d (VEIGA-NETO, 2014, p. 19).<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso em mente, retomo a ideia de \u2018caixa de ferramentas\u2019,<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] uma teoria \u00e9 exatamente como uma caixa de ferramentas. Nada a ver com o significante&#8230; \u00c9 preciso que sirva, \u00e9 preciso que funcione. E n\u00e3o para si mesma. Se n\u00e3o h\u00e1 pessoas para utiliz\u00e1-la, a come\u00e7ar pelo pr\u00f3prio te\u00f3rico que deixa ent\u00e3o de ser te\u00f3rico, \u00e9 que ela n\u00e3o vale nada (FOUCAULT, 2013d, p. 132).<\/p>\n\n\n\n<p>Entendendo que as escolhas te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas devem ser \u00fateis para o objeto da pesquisa, passo a apresentar os percal\u00e7os do caminho investigativo e as t\u00e9cnicas das quais me apropriei e fiz uso durante a pesquisa e escrita do texto. Foi com o trabalho e a obstina\u00e7\u00e3o de Foucault em tecer m\u00e9todos pr\u00f3prios, que hoje podemos contar com dois procedimentos \u2013 a arqueologia e a genealogia \u2013, muito \u00fateis, se entendidas como \u2018<em>soft<\/em> metodologias\u2019, inspira\u00e7\u00e3o para o trabalho investigativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para minha pesquisa de doutorado, a genealogia foi entendida como a pr\u00f3pria pr\u00e1tica da pesquisa, isto \u00e9, ela n\u00e3o vem para traduzir uma hist\u00f3ria, ela \u00e9 a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ela me permite, enquanto pesquisadora que est\u00e1 l\u00e1 observando, construir o objeto da pesquisa ao direcionar meu modo de olhar para o grupo PIBID\/Ap. Esse olhar, repleto de interesses de uma pesquisadora, vai tecendo as rela\u00e7\u00f5es, as pr\u00e1ticas e o pr\u00f3prio espa\u00e7o da pesquisa em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de que a pr\u00e1tica \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o da teoria ou uma decorr\u00eancia dela, e o contr\u00e1rio tamb\u00e9m, como se a teoria inspirasse a pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assumindo a genealogia foucaultiana como inspira\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica, encaro-a como coloca Foucault (2013): \u201ca genealogia \u00e9 cinza; ela \u00e9 meticulosa e pacientemente document\u00e1ria. Ela trabalha com pergaminhos embaralhados, riscados, v\u00e1rias vezes reescritos\u201d (p. 55). Na cita\u00e7\u00e3o, \u201ca genealogia \u00e9 cinza\u201d, cinza como um nevoeiro ou uma nuvem de fuma\u00e7a, que emba\u00e7a a vis\u00e3o e os sentidos, s\u00f3 permitindo enxergar poucos fragmentos, conforme meu olhar direciona-se e vai pouco a pouco, vendo uma imagem confusa e rebocada, um borr\u00e3o de fragmentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A genealogia exige um olhar atento, demorado para marcar a singularidade dos acontecimentos; requer olh\u00e1-los nas min\u00facias e nas pequenas a\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, naquilo que \u201c\u00e9 tido como n\u00e3o possuindo hist\u00f3ria\u201d (Idem p. 55). E, ao (re)cont\u00e1-las, paraliso-as em um momento, como uma foto, e vou atribuindo-lhes uma verdade que \u201c\u00e9 deste mundo; ela \u00e9 produzida nele gra\u00e7as a m\u00faltiplas coer\u00e7\u00f5es e nele produz efeitos regulamentados de poder\u201d (FOUCAULT, 2013a, p. 52). Pensando assim, ao descrever o observado na viv\u00eancia com os bolsistas, uma hist\u00f3ria\/est\u00f3ria \u00e9 contada, aquela que \u00e9 poss\u00edvel e observ\u00e1vel a certa dist\u00e2ncia \u2013 distanciamento que o papel de pesquisadora me imputou.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E agora?&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Agora, devemos aproveitar todas as possibilidades metodol\u00f3gicas e negociar com elas e o campo de pesquisa os limites e adequa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rios. Agora, precisamos permitir que nosso objeto de estudo \u2018fale\u2019, apresente-se, mostre como se constitui, como e com quem negocia para manter-se ativo e presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso sem esquecer que nossos registros s\u00e3o retratos de nosso modo de olhar, pois somos n\u00f3s, enquanto pesquisadores, que constru\u00edmos nossos objetos de pesquisa ao decidirmos o que olhar, registrar, analisar e apresentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, devemos admitir a coexist\u00eancia de diversas verdades e aceitar que elas s\u00e3o\/est\u00e3o constru\u00eddas social e culturalmente. O que nos leva a evitar as s\u00ednteses conclusivas e totalit\u00e1rias que impedem possibilidades para outros olhares.<\/p>\n\n\n\n<p>Para finalizar, boas pesquisas\/viagens para todos n\u00f3s!&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes de inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BRUNER, E. M. <strong>The etnographer\/tourist in Indonesia<\/strong>. Madrid: UNED, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>CORAZZA, S. M. Labirintos da pesquisa, diante dos ferrolhos. In: COSTA, M. V. <strong>Caminhos investigativos<\/strong>: novos olhares na pesquisa em educa\u00e7\u00e3o. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2002. p. 105-132.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Poder e Saber. In: FOUCAULT, M. <strong>Ditos e escritos IV<\/strong>: Estrat\u00e9gias, poder-saber. Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 2003. p. 222-240.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Poderes e Estrat\u00e9gias. In: FOUCAULT, M. <strong>Estrat\u00e9gia Poder-Saber<\/strong>. Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 2003a. p. 241-252.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Di\u00e1logo sobre o poder. In: FOUCAULT, M. <strong>Ditos e Escritos IV<\/strong>: Estrat\u00e9gia Poder-Saber. Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Soberania e disciplina. In: FOUCAULT, M. <strong>Microf\u00edsica do Poder<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Graal, 2013. p. 278-295.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Sobre a Geografia. In: FOUCAULT, M. <strong>Microf\u00edsica do Poder<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Graal, 2013a. p. 244-261.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Os intelectuais e o poder. In: FOUCAULT, M. <strong>Microf\u00edsica do Poder<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Graal, 2013b. p. 129-142.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Nietzsche, a genealogia e a hist\u00f3ria. In: FOUCAULT, M. <strong>Microf\u00edsica do Poder<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Graal, 2013c. p. 55-86.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. Verdade e Poder. In: FOUCAULT, M. <strong>Microf\u00edsica do Poder<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Graal, 2013d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault, M. <strong>Hist\u00f3ria da Sexualidade 2<\/strong>: uso dos prazeres. S\u00e3o Paulo: Paz e terra, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>GOTTSCHALK, S. Sensibilidades p\u00f3s-Modernas e Possibilidades Etnogr\u00e1ficas. In: BANKS, A; BANKS, S. P. <strong>Fiction &amp; Social Research<\/strong>: by ice or fire. London: Sage Publications, 1998.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>MEYER, D. E.; SOARES, R. F. R. Corpo, g\u00eanero e sexualidade nas pr\u00e1ticas escolares: um in\u00edcio de reflex\u00e3o. In: MEYER, D. E. (org.). <strong>Corpo, g\u00eanero e sexualidade.<\/strong> Porto Alegre, Media\u00e7\u00e3o, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>SANTOS, L. H. S. Sobre o etn\u00f3grafo-turista e seus modos de ser. In: COSTA, M. V.; BUJES, M. I. E. <strong>Caminhos investigativos III<\/strong>: riscos e possibilidades de pesquisar nas fronteiras, p. 9-22. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>RIVELINI-SILVA, A. C. \u201cQue nem Qu\u00edmico\u201d: a apropria\u00e7\u00e3o dos enunciados cient\u00edficos nas aulas de qu\u00edmica. <strong>Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ensino de Ci\u00eancias e educa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica\/UEL<\/strong>. Londrina, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>VEIGA-NETO, A. <strong>Foucault e a educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. 3. ed. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>VEIGA-NETO, A. A ordem das disciplinas. <strong>Tese de Doutorado Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o\/UFRGS<\/strong>. Porto Alegre, 1996.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Ao ser convidada pelo Grupo de Estudos Culturais da Ci\u00eancia e Educa\u00e7\u00e3o (GECEE), do qual fiz e ainda me sinto parte, para preparar um artigo com informa\u00e7\u00f5es sobre a metodologia utilizada em minhas pesquisas durante o mestrado e doutorado, encarei como uma oportunidade de repensar sobre os caminhos metodol\u00f3gicos que segui. 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