{"id":244,"date":"2022-09-23T14:58:48","date_gmt":"2022-09-23T17:58:48","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=244"},"modified":"2022-09-23T14:58:49","modified_gmt":"2022-09-23T17:58:49","slug":"se-o-caminho-e-mais-importante-que-o-destino-entao-vamos-aproveitar-a-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/escrutinios\/2022\/09\/23\/se-o-caminho-e-mais-importante-que-o-destino-entao-vamos-aproveitar-a-viagem\/","title":{"rendered":"Se o caminho \u00e9 mais importante que o destino, ent\u00e3o vamos aproveitar a viagem!"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias 27 de outubro e 10 de novembro, o GECCE se prop\u00f4s a discutir a obra \u201cJamais fomos modernos: ensaio de antropologia sim\u00e9trica\u201d (1994), de Bruno Latour, com tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Irineu da Costa. A proposta inicial era ler e analisar o texto tendo em vista, principalmente, o processo de media\u00e7\u00e3o. E, por que esta obra? Por que Bruno Latour?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, pensando que se trata de um grupo que estuda e pesquisa a atividade cient\u00edfica por meio de suas min\u00facias, seus cruzamentos com a vida social e levando em considera\u00e7\u00e3o a complexidade da teia que forma a realidade, Bruno Latour vem ao encontro de nossos prop\u00f3sitos, uma vez que pensa e nos apresenta uma maneira de relacionar a sociologia e a pr\u00e1tica cient\u00edfica de modo cuidadoso, detalhista e busca superar o entendimento oferecido pela sociologia tradicional acerca dessa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No ensaio analisado, Latour faz cr\u00edticas ao mundo dito moderno (e que, segundo ele, jamais o foi), apontando incoer\u00eancias entre os acordos modernos e o que realmente tem sido feito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade cient\u00edfica. A nossa jornada se inicia com uma visita ao passado que n\u00e3o existiu: a modernidade e, depois, embarca no trem que parte para um poss\u00edvel futuro: a n\u00e3o modernidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A modernidade: fa\u00e7a o que eu digo, mas n\u00e3o fa\u00e7a o que eu fa\u00e7o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>As discuss\u00f5es se iniciam com alguns questionamentos, <em>\u201cquem \u00e9 o autor?<\/em>\u201d, <em>\u201cqual a proposta?\u201d<\/em>, no sentido de qual seria a sua inten\u00e7\u00e3o. Latour certamente tem o objetivo de demonstrar, ou at\u00e9 mesmo provar, com exemplos hist\u00f3ricos \u2013 o desenvolvimento da bomba a v\u00e1cuo por Boyle e a teoria pol\u00edtica de Hobbes \u2013, como o acordo moderno se contradiz quando coloca em pr\u00e1tica sua Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Prosseguindo a discuss\u00e3o pelo que seria a modernidade, algumas caracter\u00edsticas s\u00e3o apontadas: dicotomias, linearidade, sistematiza\u00e7\u00e3o. As dicotomias\/dualismos s\u00e3o pontos centrais no pensamento moderno: mundo natural e mundo social; macro e micro; dentro e fora; sujeitos e objetos, ou, em uma linguagem latouriana, humanos de um lado e n\u00e3o humanos de outro. A purifica\u00e7\u00e3o (isto \u00e9, \u201cpuramente social\u201d ou \u201cpuramente natural\u201d), a divis\u00e3o, a separa\u00e7\u00e3o, a fragmenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o, para os modernos herdeiros de Descartes e Kant, processos fundamentais na forma de pensar e o motivo de seu progresso enquanto sociedade ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>A linearidade \u2013 do pensamento, do tempo, da evolu\u00e7\u00e3o \u2013 e a sistematiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o marcas de uma modernidade que sempre precisou organizar tudo e todos de modo que os n\u00f3s devem ser desatados a fim de colocar cada novelo em sua devida gaveta. N\u00e3o pode haver emaranhados, n\u00f3s, confus\u00e3o, caos. Tudo deve seguir linha reta. No mundo moderno, o que \u00e9 considerado social n\u00e3o pode se misturar com o que \u00e9 considerado natural, nem sujeitos podem se miscigenar com os objetos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se olharmos atentamente para o mundo, percebemos que ele est\u00e1 repleto dessas misturas que Latour denomina de h\u00edbridos, ou ainda, inspirado em Serres, de <em>quase-objetos<\/em>. O autor nos apresenta ao longo do texto in\u00fameros exemplos destes quase-objetos (aquecimento global, embri\u00f5es congelados, buraco da camada de oz\u00f4nio) e questiona o qu\u00e3o podem ser separados em \u201cpartes naturais\u201d ou \u201cpartes sociais\u201d, e a dificuldade que encontramos em apontar o que pertence a uma esfera e o que pertence a outra ilustra como a mistura de humanos e n\u00e3o humanos, fatores sociais e naturais, n\u00e3o s\u00e3o a simples jun\u00e7\u00e3o dessas partes, mas algo mais parecido com um espectro de cores, em que as fronteiras do social e do natural s\u00e3o praticamente impercept\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as cr\u00edticas tecidas por Latour em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento moderno, a contradi\u00e7\u00e3o entre o que a Constitui\u00e7\u00e3o diz (n\u00e3o mistureis!) e o que eles fazem (prolifera\u00e7\u00e3o de h\u00edbridos) \u00e9 um dos motivos pelos quais considera que <em>jamais fomos modernos<\/em>. Na pr\u00e1tica, progressivamente, combinamos e recombinamos elementos naturais e sociais, humanos e n\u00e3o humanos em diferentes \u201cgradientes de concentra\u00e7\u00e3o\u201d. Mas o problema n\u00e3o \u00e9 a simples hipocrisia moderna. Al\u00e9m de fazerem o que disseram para n\u00e3o fazer, n\u00e3o reconhecem o papel, ou melhor, a <em>atua\u00e7\u00e3o<\/em> dos h\u00edbridos na rede sociot\u00e9cnica, nem a media\u00e7\u00e3o no que concerne \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o dos quase-objetos, atrelando a este fato apenas o processo de purifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o, ent\u00e3o, se volta para a bomba a v\u00e1cuo como maneira de iluminar o entendimento a respeito da purifica\u00e7\u00e3o e prolifera\u00e7\u00e3o dos h\u00edbridos. Argumenta-se: a) Como o v\u00e1cuo passa a ser um ator? b) \u00c9 uma cria\u00e7\u00e3o natural ou inven\u00e7\u00e3o humana? Se tiv\u00e9ssemos feito essas perguntas para Latour, ele possivelmente responderia: a) A partir do momento em que o v\u00e1cuo <em>age <\/em>e sua a\u00e7\u00e3o causa o deslocamento\/transforma\u00e7\u00e3o de outros atores ou eventos, ele \u00e9 um ator e b) \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o natural porque n\u00e3o fomos n\u00f3s que o criamos e \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o humana, porque n\u00f3s o instauramos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como exatamente a purifica\u00e7\u00e3o ansiada pelos modernos se torna respons\u00e1vel pela prolifera\u00e7\u00e3o de h\u00edbridos? Permanecendo no exemplo da bomba a v\u00e1cuo, o percurso de sua constru\u00e7\u00e3o exigiu o desenvolvimento de t\u00e9cnicas \u2013 de um conjunto de a\u00e7\u00f5es e procedimentos \u2013 e de equipamentos \u2013 m\u00e1quinas e aparatos cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos \u2013, que, para os modernos, \u00e9 um processo (apenas) de purifica\u00e7\u00e3o, em que, \u00e0 medida que se progride cient\u00edfica e tecnologicamente, os objetos v\u00e3o se tornando cada vez mais \u201cpuramente cient\u00edficos\u201d at\u00e9 que se retire o \u00faltimo tra\u00e7o \u201csocial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que os modernos se esqueceram \u00e9 que nessa cadeia de eventos ocorrem processos que n\u00e3o s\u00e3o sucess\u00f5es passivas e mec\u00e2nicas de leis, dispositivos, c\u00f3digos, at\u00e9 que se chegue a algo <em>totalmente cient\u00edfico<\/em>. Esse pensamento pressup\u00f5e que o sujeito manipula o objeto que \u00e9 passivo e nada influencia nas pr\u00e1ticas adotadas por ele, no sentido de que o objeto n\u00e3o desloca sua a\u00e7\u00e3o, o sujeito est\u00e1 sempre no comando. Nesse cen\u00e1rio, os objetos s\u00e3o meros intermedi\u00e1rios que apenas fazem o papel de ponte para o evento posterior acontecer ou at\u00e9 que se chegue a outro ator, mas n\u00e3o os altera.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, essa cadeia, na verdade, mais parece a brincadeira do \u201ctelefone sem fio\u201d quando mal executada, o que era no come\u00e7o se transformou, se modificou, se deslocou para outra coisa que mais nada tem a ver com o que a originou, ou, na melhor das hip\u00f3teses, ainda cont\u00e9m alguns tra\u00e7os do original, mas j\u00e1 n\u00e3o podemos dizer que s\u00e3o as mesmas do in\u00edcio. \u00c9 esse movimento de<em> transforma\u00e7\u00f5es <\/em>dos eventos ou dos atores que Latour chama de <em>media\u00e7\u00e3o<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A media\u00e7\u00e3o, segundo o fil\u00f3sofo, \u00e9 realizada por meio dos processos de tradu\u00e7\u00e3o, ou seja, no momento de interpreta\u00e7\u00e3o de c\u00f3digos e leis, por exemplo, h\u00e1 transforma\u00e7\u00f5es nos seus sentidos em raz\u00e3o de uma<em> influ\u00eancia m\u00fatua<\/em> entre humanos e n\u00e3o humanos. Assim, o resultado final \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o singular de <em>associa\u00e7\u00f5es<\/em> feitas por ambos, a mistura de humanos e n\u00e3o humanos, proibida pela Constitui\u00e7\u00e3o moderna, e que, por outro lado, \u00e9 o que ela mais tem proliferado \u00e0s custas da ilus\u00e3o da purifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na perspectiva da media\u00e7\u00e3o, podemos perceber que os n\u00e3o humanos tamb\u00e9m <em>agem<\/em>, tamb\u00e9m <em>deslocam<\/em> outros atores que formam as suas redes, n\u00e3o se comportam como intermedi\u00e1rios (passivos, mudos), mas, sim, como <em>atores ou actantes\u00b3. <\/em>Ainda utilizando a met\u00e1fora de Latour da encena\u00e7\u00e3o, podemos dizer que os n\u00e3o humanos entram em cena e agora tamb\u00e9m podem fazer o papel de protagonistas com propostas de sal\u00e1rios equiparados aos dos humanos. Eles sempre estiveram envolvidos na produ\u00e7\u00e3o, nos bastidores, mas agora em cena, \u00e9 poss\u00edvel observar sua atua\u00e7\u00e3o. Se forem maus atores, sua atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o relevante e n\u00e3o se ouvir\u00e1 muito falar deles, mas se se destacarem, ser\u00e3o reconhecidos e at\u00e9 eternizados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que os soci\u00f3logos das associa\u00e7\u00f5es pedem que fa\u00e7amos, que, ao contarmos uma hist\u00f3ria, levemos em considera\u00e7\u00e3o tanto a atua\u00e7\u00e3o dos sujeitos, quanto dos objetos, sem partir de um peso assim\u00e9trico pr\u00e9-estabelecido, em que o do sujeito \u00e9 sempre maior que o dos n\u00e3o humanos. As pr\u00f3prias associa\u00e7\u00f5es dir\u00e3o o qu\u00e3o sim\u00e9tricas ou assim\u00e9tricas s\u00e3o, n\u00e3o cabendo aos sujeitos negligenciar a atua\u00e7\u00e3o dos quase-objetos de antem\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, embarcamos no trem rumo \u00e0 n\u00e3o modernidade com a proposta de Latour de darmos a devida aten\u00e7\u00e3o aos quase-objetos quanto ao seu potencial de deslocar e transformar outros atores e\/ou eventos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>A n\u00e3o modernidade: sente na janela e aproveite a vista!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Que mundo \u00e9 este que nos obriga a levar em conta, ao mesmo tempo e de uma s\u00f3 vez, a natureza das coisas, as t\u00e9cnicas, as ci\u00eancias, os seres ficcionais, as economias e os inconscientes? \u00c9 justamente nosso mundo (LATOUR, 1994, p. 127).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao adentrarmos terras n\u00e3o modernas, os polos natureza e sociedade, humanos e n\u00e3o humanos se desfazem, e a desordem, t\u00edpica do nosso mundo, come\u00e7a a aparecer. J\u00e1 n\u00e3o precisamos mais enxerg\u00e1-lo como (pequenas) totalidades, com fronteiras bem delineadas. As fronteiras nos impedem de entender o mundo como ele \u00e9 e <em>do que<\/em> \u00e9 feito porque funcionam como barreiras, por isso o que Latour prop\u00f5e \u00e9 que levemos em considera\u00e7\u00e3o toda a complexidade, misturas e associa\u00e7\u00f5es que o caracterizam.<\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de compreender essa complexidade, por sua vez, exige de n\u00f3s uma mudan\u00e7a ontol\u00f3gica, ou seja, na forma de pensar sobre quais s\u00e3o os entes que comp\u00f5em nosso mundo e o fazem se movimentar, que o tornam vivo. Em uma rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica, os humanos ocupam este papel e os quase-objetos, t\u00e3o presentes em nossas vidas, se tornam invis\u00edveis, como se n\u00e3o fossem (nunca) respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o de conex\u00f5es que configuram a sociedade, ou melhor, a rede sociot\u00e9cnica. Nesse sentido, quando pensamos nos quase-objetos e em um mundo permeado por eles, mas que, ao mesmo tempo, os cala, n\u00e3o parece coerente (nem justo) o modo como temos tratado nossos coabitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se quisermos compreender a \u201cess\u00eancia das coisas\u201d, n\u00e3o podemos partir somente do processo de purifica\u00e7\u00e3o como os modernos, precisamos olhar para as trajet\u00f3rias que os quase-objetos tra\u00e7am na rede por meio de processos de media\u00e7\u00e3o. Agora, na n\u00e3o modernidade, chegou o momento destes h\u00edbridos serem atores reconhecidos e \u201cfazedores\u201d de hist\u00f3ria. Com o muro da modernidade derrubado, agora podemos transitar calmamente e aproveitar o passeio. E, longe dos polos (natureza\/sociedade; humanos\/n\u00e3o humanos), podemos encontrar um lugar para estes quase-objetos contarem sua hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de Latour para um mundo n\u00e3o moderno pede que nos atentemos para as trajet\u00f3rias dos atores e n\u00e3o para o seu in\u00edcio ou fim da caminhada, pois \u201cTudo acontece no meio, tudo transita entre as duas, tudo ocorre por media\u00e7\u00e3o, por tradu\u00e7\u00e3o e por redes, mas este lugar n\u00e3o existe, n\u00e3o ocorre. \u00c9 o impensado, o impens\u00e1vel dos modernos\u201d (LATOUR, 1994, p. 43). Portanto, o meio, a trajet\u00f3ria, o caminho \u00e9 o que nos interessa e n\u00e3o os extremos. Os processos de forma\u00e7\u00e3o das redes, isto \u00e9, o caminho constru\u00eddo pelos atores e que formam diferentes conex\u00f5es, t\u00eam muito mais a nos dizer do que a tentativa de purifica\u00e7\u00e3o de quase-objetos, a fim de se chegar a uma verdade inquestion\u00e1vel ou a um produto que seja \u201cpuramente natural\u201d ou \u201cpuramente social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os rastros deixados pelas a\u00e7\u00f5es dos atores v\u00e3o movimentando a rede no sentido de <em>deslocar sentidos<\/em>, e dessa forma, a rede pode ser entendida a partir da superposi\u00e7\u00e3o das trajet\u00f3rias que s\u00e3o tra\u00e7adas nela. Um ponto fundamental na maneira sim\u00e9trica latouriana de encarar as entidades que comp\u00f5em a rede \u00e9 considerar que o deslocamento dos sentidos \u00e9 tamb\u00e9m causado por quase-objetos. Os processos de media\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o, portanto, que transformam sentidos n\u00e3o s\u00e3o realizados apenas pela atua\u00e7\u00e3o dos humanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que podemos dizer dessa breve viagem a um futuro n\u00e3o moderno inspirado em Bruno Latour \u00e9 que a n\u00e3o modernidade pode nos proporcionar formas diferentes de contemplar as mesmas paisagens.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>As anota\u00e7\u00f5es do di\u00e1rio de bordo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, de tudo isso que foi discutido, o que fica para n\u00f3s? O que fica para o GECCE depois da viagem? Considerando que se trata de um grupo que investiga as pr\u00e1ticas cient\u00edficas buscando seus entrela\u00e7amentos com as quest\u00f5es de outra natureza, os pressupostos de Latour acerca da modernidade nos incitam a refletir sobre a maneira como encaramos nossos objetos de estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que antes era considerado trivial nas investiga\u00e7\u00f5es, pode ser revisitado e entendido de outras formas. Os quase-objetos, agora, podem ser reconhecidos e ter sua atua\u00e7\u00e3o analisada. Os tra\u00e7os deixados por esses quase-objetos, por sua vez, podem nos ajudar a compreender como os eventos acontecem, sem a limita\u00e7\u00e3o das dicotomias e fronteiras (natureza\/social; humano\/n\u00e3o humano\/ci\u00eancia\/sociedade).<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso olhar desloca-se, ent\u00e3o, para quest\u00f5es relativas ao \u201ccomo\u201d e n\u00e3o aos \u201cporqu\u00eas\u201d. As media\u00e7\u00f5es s\u00e3o colocadas em foco em detrimento dos extremos e resultados finais, e <em>quase tudo <\/em>pode ser levado em considera\u00e7\u00e3o; \u00e9 preciso deixar que os atores digam o que \u00e9 relevante ou n\u00e3o, o que est\u00e1 conectado ou n\u00e3o. Na medida em que seguimos esses atores e (re)tra\u00e7amos o caminho junto a eles, podemos compreender de forma mais realista como as associa\u00e7\u00f5es que formam o nosso mundo se conectam e formam a teia que chamamos de realidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>LATOUR, B. <strong>Jamais fomos modernos<\/strong>: ensaio de antropologia sim\u00e9trica. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup>O termo <em>quase ci\u00eancias<\/em> que d\u00e1 nome \u00e0 revista, assim como o termo que a inspirou, quase-objetos, designam entidades que s\u00e3o h\u00edbridas e n\u00e3o pertencem a uma esfera ou a outra, mas s\u00e3o formadas pela mistura heterog\u00eanea de associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup>Na perspectiva latouriana, \u00e9 a reuni\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es entre humanos, n\u00e3o humanos e h\u00edbridos realizada por meio de agenciamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup>O termo, segundo Latour, j\u00e1 foi abandonado por insinuar a presen\u00e7a de opostos. Os termos \u201cequilibrada\u201d ou \u201cequit\u00e1vel\u201d seriam mais convenientes atualmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o Nos dias 27 de outubro e 10 de novembro, o GECCE se prop\u00f4s a discutir a obra \u201cJamais fomos modernos: ensaio de antropologia sim\u00e9trica\u201d (1994), de Bruno Latour, com tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Irineu da Costa. A proposta inicial era ler e analisar o texto tendo em vista, principalmente, o processo de media\u00e7\u00e3o. E, por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":246,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[10,73],"class_list":["post-244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-escrutinios","tag-escrutinios-2","tag-latour"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=244"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":249,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244\/revisions\/249"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}