{"id":231,"date":"2022-09-23T14:40:17","date_gmt":"2022-09-23T17:40:17","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=231"},"modified":"2022-09-23T14:40:18","modified_gmt":"2022-09-23T17:40:18","slug":"eu-o-gecce-e-o-dialogo-sobre-a-ciencia-a-cultura-e-o-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/escrutinios\/2022\/09\/23\/eu-o-gecce-e-o-dialogo-sobre-a-ciencia-a-cultura-e-o-tempo\/","title":{"rendered":"Eu, o GECCE e o DI\u00c1LOGO sobre a Ci\u00eancia, a Cultura e o Tempo."},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Eu e o GECCE<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Sou cidad\u00e3o mo\u00e7ambicano, formado em Educa\u00e7\u00e3o\/Ensino, tanto ao n\u00edvel do mestrado como tamb\u00e9m ao n\u00edvel da Licenciatura, gosto de ensinar e de aprender, tanto que acabei parando no GECCE com \u201cos p\u00e9s descal\u00e7os\u201d; foi um desafio e continua sendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvi falar pela primeira vez sobre o grupo com o seu coordenador, posteriormente meu supervisor, o Prof. Doutor Mois\u00e9s Alves de Oliveira, durante as entrevistas de sele\u00e7\u00e3o para o apuramento final do concurso de ingresso para estudantes de Doutorado na Universidade Estadual de Londrina.<\/p>\n\n\n\n<p>O Prof. Mois\u00e9s convidou-me a fazer parte do GECCE, e felizmente aceitei o convite, mas infelizmente achei estranho porque era uma praia em que nunca antes havia nadado, mas coloquei em mim isso como um desafio.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando participei pela primeira vez no encontro do grupo, durante os primeiros minutos, a minha estranheza em rela\u00e7\u00e3o ao grupo ficou confirmada, mas ao longo do debate a minha paix\u00e3o pelos Estudos Culturais das Ci\u00eancias e das Educa\u00e7\u00f5es ia crescendo; n\u00e3o posso dizer amor \u00e0 primeira vista, porque logo \u00e0 primeira bati-me com a cara no ch\u00e3o, mas at\u00e9 ao fim do debate do dia nascia um novo Lu\u00eds, um novo membro do GECCE.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho bastante produtiva e acolhedora a forma que o grupo adoptou para os encontros, em que primeiro temos a fase da leitura individual da obra previamente escolhida, que \u00e9 feita ao longo da semana toda, e depois temos a fase da apresenta\u00e7\u00e3o das ideias e finalmente os debates, que s\u00e3o bastante interessantes e provocam muita curiosidade, fazendo com que, depois do debate e do encontro, ainda continue com a vontade de voltar a ler a obra mais uma vez: \u00e9 uma esp\u00e9cie de sede que nunca acaba.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje posso dizer de viva voz que conheci tarde o GECCE, porque \u00e9 um grupo que mudou e continua mudando a minha forma de ver, pensar, falar e agir; ultimamente me questiono em tudo que vejo, leio e fa\u00e7o, at\u00e9 nas coisas que antes tivera assumido como normais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>DI\u00c1LOGO sobre a Ci\u00eancia, a Cultura e o Tempo.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quarta-feira, dia 6 de outubro de 2021, 8:30 horas em Londrina, e 13:30 horas em Mo\u00e7ambique (Brasil e Mo\u00e7ambique t\u00eam diferen\u00e7a de 5 horas do fuso hor\u00e1rio), acontecia mais uma reuni\u00e3o virtual do GECCE, usando a plataforma Google Meet, estando eu em Mo\u00e7ambique e os colegas no Brasil. A reuni\u00e3o teve como objetivo discutir a obra \u201cDi\u00e1logo sobre a Ci\u00eancia, a Cultura e o Tempo\u201d de Michel Serres. Eu \u00e9 que seria o respons\u00e1vel pela escrita do relato da reuni\u00e3o, de acordo com um sorteio previamente feito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse do Grupo de Estudos Culturais das Ci\u00eancias e das Educa\u00e7\u00f5es (GECCE) de ler a obra de Michel Serres surgiu da necessidade de aprofundar as discuss\u00f5es em torno da forma\u00e7\u00e3o de bases para o voo dos paradigmas de Bruno Latour e a sua prov\u00e1vel melhor aterrissagem. Latour, por sinal, foi ex-orientando do Michel Serres, e nesta obra aparece a entrevist\u00e1-lo. \u00c9 uma forma de introdu\u00e7\u00e3o a Bruno Latour, o autor que ser\u00e1 o nosso pr\u00f3ximo alvo de estudos num futuro breve. E Serres teve uma grande influ\u00eancia no pensamento de Bruno Latour.<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Latour assim como Michel Serres eram para mim pouco conhecidos, para n\u00e3o dizer desconhecidos, e, antes da reuni\u00e3o e muito antes da leitura da obra em refer\u00eancia, procurei em literaturas conhecer quem eles eram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as leituras, percebi que o Michel Serres nasceu a 1 de setembro de 1930, em Agen, Fran\u00e7a, e faleceu no dia 1 de junho de 2019, aos 88 anos. Frequentou a Escola Naval e, posteriormente, a Escola Normal Superior de Paris, onde se graduou em Matem\u00e1tica, Letras e Filosofia. Foi oficial da Marinha francesa antes de se tornar professor universit\u00e1rio. Doutorou-se em Letras em 1968. Durante a d\u00e9cada de 60, ensinou nas Universidades de Clermont-Ferrand e Vincennes e, mais tarde, foi nomeado para dar aulas de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia na Sorbonne. Tamb\u00e9m foi professor titular da Universidade de Stanford. Foi Membro da Academia Francesa e \u00e9 autor de numerosos ensaios. \u00c9 um dos raros fil\u00f3sofos contempor\u00e2neos a propor uma vis\u00e3o do mundo que associa as ci\u00eancias e a cultura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Latour \u00e9 fil\u00f3sofo e antrop\u00f3logo, \u00e9 professor de Sociologia na \u00c9cole Nationale Sup\u00e9rieure des Mines de Paris e na Universidade de Calif\u00f3rnia, San Diego. \u00c9 autor de diversas obras e in\u00fameros artigos sobre a liga\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias com o resto da cultura e da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra \u201cDi\u00e1logo sobre a Ci\u00eancia, a Cultura e o Tempo\u201d nasce durante cinco entrevistas feitas a Michel Serres por Bruno Latour, editado pelo Instituto Piaget, em Portugal. Os t\u00edtulos das entrevistas s\u00e3o respectivamente: A forma\u00e7\u00e3o; O m\u00e9todo; A demonstra\u00e7\u00e3o; O fim da cr\u00edtica; e A sabedoria. A primeira entrevista, \u201cA forma\u00e7\u00e3o\u201d, foi o objeto de estudo para o debate, visto que a obra toda \u00e9 extensa, e dif\u00edcil debat\u00ea-la na profundidade, no intervalo de tempo previsto para a reuni\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reuni\u00e3o iniciou com algumas cr\u00edticas \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o do livro que usamos para o debate. Ela \u00e9 ruim e de dif\u00edcil compreens\u00e3o; existe uma outra tradu\u00e7\u00e3o melhor e de f\u00e1cil compreens\u00e3o, por\u00e9m esta estava distante do nosso alcance.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua vasta produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, que contempla v\u00e1rias \u00e1reas como a filosofia, a educa\u00e7\u00e3o, a literatura, a pintura, a escultura, a ci\u00eancia, a cultura e a religi\u00e3o, Michel Serres \u00e9 acusado, mesmo por seus pares, de possuir um estilo liter\u00e1rio de dif\u00edcil compreens\u00e3o ou mesmo &#8220;estranho&#8221;, como o pr\u00f3prio Bruno Latour faz men\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existe um mist\u00e9rio Michel Serres. Voc\u00ea \u00e9 ao mesmo tempo muito conhecido e muito mal conhecido. Os seus colegas fil\u00f3sofos leem-no pouco (SERRES, s\/d.(a) p. 9).<\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Latour faz-nos perceber na entrevista que Michel Serres \u00e9 melanc\u00f3lico e escaldado com o seu pr\u00f3prio tempo, e com a sua gera\u00e7\u00e3o, e com a gera\u00e7\u00e3o que o formou.<\/p>\n\n\n\n<p>A provoca\u00e7\u00e3o que Michel Serres faz a Bruno Latour \u00e9 mais para o sentido de um reencontro com a sensibilidade do que propriamente com a melancolia; o que ele est\u00e1 querendo dizer \u00e9 que n\u00f3s precisamos ser sens\u00edveis \u00e0s coisas que nos acontecem, precisamos prestar aten\u00e7\u00e3o e viver estas coisas; ele faz-nos provocar um reencontro com a teoria de a\u00e7\u00e3o, e \u00e9 ali onde ele come\u00e7a a trazer mais \u00e0 tona a no\u00e7\u00e3o de uma rede de rela\u00e7\u00f5es; da\u00ed que precisamos pensar em Michel Serres n\u00e3o como melanc\u00f3lico, mas como um estrategista de rede no sentido da sensibilidade deste mundo; n\u00e3o d\u00e1 para passar pela vida sem ser afetado por ela. \u00c9 mais \u00fatil ler Michel Serres nessa dire\u00e7\u00e3o. Somos afetados de forma muito intensa pelos acontecimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Michel Serres critica muito a ideia de pacificidade, a ideia de estagna\u00e7\u00e3o, ele fala que, se a gente est\u00e1 na esquerda, deve ir para direita; a gente tem que diferenciar para acordar o animal que est\u00e1 dentro da gente, precisamos acordar deste sono dos mortos que nos mant\u00e9m parados, estagnados, presos a uma epistemologia, ou aquilo que ele chama de autoestrada, a gente precisa cruzar, ir para o acostamento, furar o sinal vermelho, ir para a contram\u00e3o, sen\u00e3o a gente vai simplesmente entrar num trem e seguir, e para piorar quem guia o trem nem somos n\u00f3s, e quando a gente est\u00e1 no trem n\u00e3o sente os trilhos; est\u00e1 na hora da gente descer do trem e sentir os trilhos, sentir de facto o Mundo da vida. Resumindo: N\u00e3o devemos nos estagnar, devemos olhar para o mundo, devemos sentir o mundo e devemos ir para o acostamento e na contram\u00e3o das autoestradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Serres, em algum momento da sua entrevista, faz-nos perceber que n\u00e3o devemos estar presos aos referenciais te\u00f3ricos, e que devemos pensar por n\u00f3s mesmos, devemos nos arriscar a pensar por n\u00f3s mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vezes penso que uma obra alcan\u00e7a tanto mais \u00eaxito quanto menos nomes pr\u00f3prios citar: nua, sem defesa, n\u00e3o isenta de saber, mas dominada por uma ingenuidade segunda que nem sempre procura ter raz\u00e3o, mas voltada ardentemente para a nova intui\u00e7\u00e3o (SERRES, s\/d.(a) p. 37).<\/p>\n\n\n\n<p>Tentar adaptar toda an\u00e1lise do referencial te\u00f3rico para se encaixar no pensamento de um determinado autor \u00e9 mortal; e isso n\u00e3o cria coisa nova; o que cria coisa nova \u00e9 se arriscar a dizer o que voc\u00ea pensa, desprotegido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><br>SERRES, Michel. <strong>Di\u00e1logos sobre a Ci\u00eancia, a Cultura e o Tempo<\/strong>: conversas com Bruno Latour. Lisboa\/Portugal: Instituto Piaget, s\/d(a).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu e o GECCE Sou cidad\u00e3o mo\u00e7ambicano, formado em Educa\u00e7\u00e3o\/Ensino, tanto ao n\u00edvel do mestrado como tamb\u00e9m ao n\u00edvel da Licenciatura, gosto de ensinar e de aprender, tanto que acabei parando no GECCE com \u201cos p\u00e9s descal\u00e7os\u201d; foi um desafio e continua sendo. 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