{"id":191,"date":"2022-08-02T14:43:20","date_gmt":"2022-08-02T17:43:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=191"},"modified":"2022-08-02T15:36:14","modified_gmt":"2022-08-02T18:36:14","slug":"tres-jornadas-sobre-os-estudos-culturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/turismo-cultural\/2022\/08\/02\/tres-jornadas-sobre-os-estudos-culturais\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas jornadas sobre os Estudos Culturais"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-7cgc\">Jornada I<\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-73fju\">No momento em que se escreve esta se\u00e7\u00e3o da Revista Quase-Ci\u00eancias, o Brasil e o mundo parecem respirar aliviados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia de Covid 19 que, desde o in\u00edcio de 2020, assola a humanidade com seus efeitos nefastos sobre o cotidiano \u2013 dor, perda, morte, inseguran\u00e7a parecem ter invadido a vida das pessoas de modo inescap\u00e1vel. Mas, se, por um lado, com o avan\u00e7o das vacinas e as boas pr\u00e1ticas profil\u00e1ticas, v\u00ea-se finalmente ressurgir a esperan\u00e7a de que a pandemia pode ser superada em futuro n\u00e3o muito distante, por outro, h\u00e1 que se promover a reflex\u00e3o e compreens\u00e3o desse processo \u2013 principalmente na perspectiva te\u00f3rica adotada pelo GECCE, isto \u00e9, a dos Estudos Culturais, Estudos Culturais da Ci\u00eancia e outras correntes de pensamento afins.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-du1go\">\u00c9 preciso reconhecer que, por vezes, a hist\u00f3ria e a filosofia, bem como as demais ci\u00eancias sociais, n\u00e3o t\u00eam nada a dizer<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a>. Assim fizeram Lachenal e Thomas, ainda em mar\u00e7o de 2020, no seu artigo \u201cCovid 19: when history has no lesson\u201d<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a>. Mesmo porque o estado de estupor diante do perigo obriga a buscar no passado exemplos e li\u00e7\u00f5es para o presente, no entanto \u201cthe \u2018lessons of the past\u2019 were known by heart and yet it is hard to overstate how unprepared they left us\u201d<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a> (LACHENAL; THOMAS, 2020). Mas, passado algum tempo da pandemia, algumas publica\u00e7\u00f5es marcaram espa\u00e7o e t\u00eam elementos a oferecer para a reflex\u00e3o da crise. Neste sentido, o professor Gustavo Lins Ribeiro, do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Bras\u00edlia, elaborou uma reflex\u00e3o interessante sobre a pandemia de Covid 19 como um <em>evento<\/em> <em>cr\u00edtico<\/em> \u2013 isto \u00e9, um acontecimento extraordin\u00e1rio, capaz de evidenciar aspectos das rela\u00e7\u00f5es sociais, deixando \u00e0 mostra suas contradi\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social \u2013 al\u00e9m de obrigar os agentes sociais a redimensionar suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Tendo tomado essa categoria da antrop\u00f3loga hindu Veena Das, Ribeiro aponta que ela se constitui em <em>situa\u00e7\u00e3o<\/em> <em>limite<\/em> capaz de romper rotinas, tornando o amanh\u00e3 algo incerto, j\u00e1 que a pandemia produziu um rompimento \u201c[&#8230;] en la continuidad temporal de la reproduci\u00f3n de la vida, [provocando] la ausencia de sentidos adecuados para comprender la nueva situaci\u00f3n y la necesidad de crear nuevos modelos interpretativos<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[4]<\/a>\u201d (RIBEIRO, 2021, p. 108).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8l71f\">Ainda no sentido de oferecer caminhos reflexivos para o surto pand\u00eamico, a revista Cultural Studies lan\u00e7ou, em maio \u00faltimo, um volume especial com reflex\u00f5es especificamente voltadas ao caos causado pelo coronav\u00edrus em todo o planeta. J\u00e1 no seu artigo de introdu\u00e7\u00e3o, provoca o questionamento sobre qual a necessidade dos Estudos Culturais em meio ao pesadelo que se instala por meio da pandemia. Pesquisadores do mundo todo procuraram atender a tal provoca\u00e7\u00e3o. A partir dos artigos publicados, o volume oferece reflex\u00f5es que v\u00e3o, ao menos, por tr\u00eas linhas de pensamento. Os quadros interpretativos incluem<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-biqnf\"><p><em>(\u2026) the articulation of a cultural lifeworld of the pandemic (in a conscious attempt to connect with the lessons about the force of signification and public political deliberation learned from other pandemics, especially global AIDS); the manner in which COVID has been weaponized in government manoeuvres and in virulent forms of racialization; and the affective and bodily registers that mark our collective vulnerability. In this mapping, COVID multiplies semantically, politically, and corporeally. It is hoped that this Special Issue provides not only a sort of memory archive for what the world has gone through in 2020\u201321, but also hopefully some intellectual guidance for the way forward<\/em><a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em><strong>[5]<\/strong><\/em><\/a><em> (ERNI; STRIPHAS, 2021).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7jhrk\">Outra iniciativa importante nesta linha foi a do European Journal of Cultural Studies, que ainda em 2020 criou uma se\u00e7\u00e3o especial, a Cultural Commons, para oferecer reflex\u00f5es que permitissem uma melhor compreens\u00e3o sobre a crise da Covid 19. H\u00e1 que se dar destaque \u00e0 reflex\u00e3o que prop\u00f5e ter a pandemia potencializado a controversa no\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-verdade, criando ambiente prop\u00edcio para que se disseminasse \u201c(\u2026) a certain form of aggressive (masculine and white), ruggedly individualist truth-telling, its false statements, its historical causes, and mortal effects could become so spectacularly impactful at a particular point in time, in particular places<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[6]<\/a>\u201d (HARSIN, 2020). Outro estudo que merece aten\u00e7\u00e3o na citada se\u00e7\u00e3o \u00e9 o que discute a dissemina\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno do Tik Tok. A reflex\u00e3o vai no sentido de que a m\u00eddia social, para al\u00e9m de uma vis\u00e3o inocente e celebrativa da inf\u00e2ncia, durante o per\u00edodo de isolamento da pandemia pode vir a contribuir para transformar o espa\u00e7o do quarto das meninas \u201c(\u2026) from a space previously conceptualised as private and safe from judgement, to one of public visibility, surveillance and evaluation<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[7]<\/a>\u201d (KENEDY, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-atifc\">Entre as publica\u00e7\u00f5es brasileiras, \u00e9 poss\u00edvel citar o <em>e-book<\/em> organizado pela pesquisadora mato-grossense Mich\u00e8le Sato (2020), \u201c<em>Os condenados da pandemia<\/em>\u201d. A publica\u00e7\u00e3o apresenta um panorama dos grupos que, durante a pandemia, adentraram ou se viram no per\u00edmetro da vulnerabilidade. Faz-se a den\u00fancia de uma suposta <em>democracia<\/em> da pandemia, que na realidade apenas mascara que as mortes s\u00e3o marcadas por um infame recorte de classe<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[8]<\/a>. Isto porque, se todos podem ser v\u00edtimas do cont\u00e1gio, a morte parece vir com mais frequ\u00eancia para aqueles j\u00e1 fragilizados pela fome \u2013 e estes, sempre t\u00eam sobre si a marca da ra\u00e7a, da classe e do g\u00eanero (BUTLER; 2020).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1ji6d\">Para finalizar esta jornada \u00e9 preciso indicar dois <em>papers<\/em> sobre teorias da conspira\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[9]<\/a>. O primeiro aponta que elas podem ser vistas como fen\u00f4meno cultural popular e contempor\u00e2neo \u2013 muitas vezes tomadas como fruto de cren\u00e7as irracionais e\/ou m\u00e1 ci\u00eancia. Por\u00e9m, uma perspectiva que queira alcan\u00e7ar uma interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica dos fen\u00f4menos culturais, ser\u00e1 cautelosa e evitar\u00e1 acusa\u00e7\u00f5es <em>a<\/em> <em>priori<\/em> sobre tais fatos controversos. Do contr\u00e1rio, em vez de an\u00e1lise emp\u00edrica acabar\u00e1 por produzir considera\u00e7\u00f5es de ordem moral \u2013 calcadas mais em ideias preconcebidas acerca da ci\u00eancia e da sociedade do que nos fatos que quer analisar (HARAMBAM; AUPERS. 2014). Nesta linha, \u00e9 que se apresenta o estudo que problematiza as diversas narrativas mobilizadas pelo presidente Jair Bolsonaro, bem como seus seguidores, durante a pandemia de Covid 19<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn10\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[10]<\/a>. Os autores do estudo partem da perspectiva metodol\u00f3gica conhecida como <em>mapeamento<\/em> <em>de<\/em> <em>controv\u00e9rsias<\/em>, que pretende estudar momentos de efervesc\u00eancia, conflito, crise, desestabiliza\u00e7\u00e3o ou ruptura (KALIL <em>et al<\/em>., 2021). Para entender essas poss\u00edveis tramas conspirat\u00f3rias, buscam ent\u00e3o, seguir a trajet\u00f3ria de a\u00e7\u00e3o dos atores envolvidos, considerados n\u00e3o a partir de ju\u00edzos de valor, mas da situa\u00e7\u00e3o social em que est\u00e3o postos. Os resultados do trabalho esmi\u00fa\u00e7am a complexidade do horizonte hist\u00f3rico brasileiro, indo al\u00e9m das narrativas que op\u00f5em racionalidade e obscurantismo. Expressam o poder conspirat\u00f3rio das m\u00eddias sociais neste contexto, mas sem resvalar para an\u00e1lises dicot\u00f4micas ou simplistas. Assim, longe de apontar discursos moralistas sobre o papel da verdade e da ci\u00eancia, querem entender a trama que o medo permite tra\u00e7ar no sistema de cren\u00e7as de uma popula\u00e7\u00e3o assolada pelo coronav\u00edrus. Mesmo que o estudo n\u00e3o seja afiliado \u00e0 perspectiva dos Estudos Culturais, est\u00e1 em conformidade com a ideia de desenvolver compreens\u00e3o maior sobre as articula\u00e7\u00f5es e assimetrias que se estabelecem no espa\u00e7o entre ideologia e cultura (HALL, 2003). Teorias da conspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser circunscritas a quest\u00f5es isoladas e postas <em>a priori<\/em>. Longe disso, localizam-se em um horizonte cultural complexo \u2013 enredadas que est\u00e3o a pr\u00e1ticas, tradi\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas particulares.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-d6045\"><strong>Jornada II<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bbth4\">Nesta segunda jornada do Turismo, num primeiro momento ser\u00e1 apresentada a iniciativa do <em>Internacional Journal of Cultural Studies <\/em>(dispon\u00edvel no Portal de Peri\u00f3dicos da CAPES), que busca problematizar e tencionar o campo de atua\u00e7\u00e3o dos Estudos Culturais, propondo a quest\u00e3o \u201co que s\u00e3o os Estudos Culturais?<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn11\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[11]<\/a>\u201d. V\u00e1rios pesquisadores, de diversas partes do globo se dispuseram a refletir sobre a proposi\u00e7\u00e3o, e t\u00eam-se como resultado talvez mais perguntas do que respostas, pois os Estudos Culturais \u201c(\u2026) does not claim to specialize itself in a circumscribed object of study. Instead, cultural studies scholarship can roam across the whole landscape of the contemporary world, focusing on any particular issue or topic deemed relevant at a given time and place<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn12\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[12]<\/a>\u201d (ANG, 2020, p. 286). Em seguida, a proposta ser\u00e1 voltar o olhar para as interfaces poss\u00edveis entre os Estudos Culturais e a Educa\u00e7\u00e3o. Para tanto, primeiro ser\u00e1 tomado um estudo que realiza um rastreamento de pesquisas voltadas \u00e0 natureza, bem como \u00e0s tem\u00e1ticas ind\u00edgenas e afro-brasileiras que se produzem na linha de Pesquisa dos Estudos Culturais do Programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[13]<\/a>. A partir do contexto apresentado pelo artigo, o leitor ter\u00e1 acesso aos deslocamentos te\u00f3rico-metodol\u00f3gicos, assim como no olhar e sensibilidade para pesquisa, ocorridos no decorrer do tempo no \u00e2mbito dos Estudos Culturais naquela institui\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar itiner\u00e1rios fluidos, flex\u00edveis e difusos que inspiraram trabalhos que se dispuseram a tratar de temas como educa\u00e7\u00e3o ambiental e quest\u00f5es \u00e9tnico-raciais, por exemplo. O artigo funciona como uma b\u00fassola, que, mesmo n\u00e3o apontando para paragens calmas e tranquilas, permite navegar por inquieta\u00e7\u00f5es e instabilidades caracter\u00edsticas da pesquisa em Estudos Culturais (BONIN <em>et al<\/em>., 2020).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3paph\">Ainda pensando interfaces entre Estudos Culturais e Educa\u00e7\u00e3o, volta-se agora ao contexto dos Estudos Culturais da Ci\u00eancia \u2013 mais precisamente, das possibilidades de uso da Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia para o Ensino de Ci\u00eancias. O contexto \u00e9 o Leste da \u00c1sia, mais especificamente a Rep\u00fablica da Coreia. O estudo faz refer\u00eancia \u00e0 quase inexistente utiliza\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3rias n\u00e3o-Ocidentais da Ci\u00eancia para o Ensino de Ci\u00eancias. Os autores ent\u00e3o prop\u00f5em o uso de elementos da Hist\u00f3ria da ci\u00eancia do Leste Asi\u00e1tico no contexto da forma\u00e7\u00e3o de professores de Ci\u00eancias \u2013 tomando para isso estudos p\u00f3s-coloniais de Ci\u00eancias e hist\u00f3ria global da Ci\u00eancia. Prop\u00f5em investigar a percep\u00e7\u00e3o de professores de forma\u00e7\u00e3o inicial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como veem a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, tanto no Ocidente quanto no Leste da \u00c1sia. Para tanto, usam ensaios reflexivos, palestras, v\u00eddeos, aulas especiais e entrevistas. Os resultados apontam que, como cidad\u00e3os coreanos e professores, os participantes do estudo consideram extremamente relevante o uso de elementos da Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia do Leste Asi\u00e1tico na forma\u00e7\u00e3o de estudantes. Por\u00e9m, como professores especificamente ligados ao Ensino de Ci\u00eancias, tendem a minimizar a import\u00e2ncia de tais pr\u00e1ticas, uma vez que elas n\u00e3o fazem parte da ci\u00eancia moderna. De qualquer forma os professores que participaram da pesquisa relataram que ela consistiu em \u201c[\u2026] an opportunity to critically reflect on science education and their responsibility as teachers in the context of broader society and culture<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn14\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[14]<\/a>\u201d (PARK; SONG, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-f5ap3\"><strong>Jornada III<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-42acd\">Nesta terceira e \u00faltima jornada do turismo, o foco ir\u00e1 recair sobre a pris\u00e3o e a segrega\u00e7\u00e3o social. Se este texto teve in\u00edcio com reflex\u00f5es sobre a pandemia, que acabou por confinar boa parte dos habitantes do planeta em suas casas, chega a sua \u00faltima se\u00e7\u00e3o procurando pensar a institui\u00e7\u00e3o criada para ser o prot\u00f3tipo dos processos de segrega\u00e7\u00e3o social e internaliza\u00e7\u00e3o da disciplina. A priva\u00e7\u00e3o de liberdade, seja em termos liter\u00e1rios, seja em termos acad\u00eamicos, sempre foi um tema que conduziu o ser humano a refletir sobre sua condi\u00e7\u00e3o. Afinal, a liberdade e sua aus\u00eancia s\u00e3o quest\u00f5es antropol\u00f3gicas de peso. Isso se torna mais interessante quando se reflete, a partir de Foucault, que a sociedade escolhe aqueles que ir\u00e1 privar de liberdade. O texto<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn15\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[15]<\/a> que abre esta jornada trata de hist\u00f3rias de mulheres aprisionadas (GOMES; DE MATTIA; CAMOZZATO, 2021). Estas t\u00eam em comum o processo de marginaliza\u00e7\u00e3o perpetrado por um sistema que as encarcera e lhes rouba a voz \u2013 al\u00e9m da pris\u00e3o, s\u00e3o encarceradas no estere\u00f3tipo da marginalidade. Tomando de Foucault o expediente das narrativas de si, o artigo apresenta fragmentos do di\u00e1rio de duas detentas, restaurando-lhes ag\u00eancia e voz. O trabalho tem resultados impactantes, inclusive porque opta por apresentar os relatos das participantes transcritos exatamente da maneira como foram escritos por elas \u2013 sem corre\u00e7\u00f5es, exatamente como forma de real\u00e7ar que a escolaridade das aprisionadas \u00e9 um ponto a ser considerado. Traduzir para outra forma de linguagem seria trair estes atores inscritos em g\u00eaneros, ra\u00e7as, classes sociais e gera\u00e7\u00f5es t\u00e3o espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-70oi4\">O segundo texto desta jornada, apesar de n\u00e3o tratar especificamente da pris\u00e3o, tangencia esse tema ao abordar o controle do espa\u00e7o \u2013 isto \u00e9, da segrega\u00e7\u00e3o social. O texto<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn16\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[16]<\/a>, ao abordar processos de gentrifica\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn17\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[17]<\/a> &#8211; promovendo o controle do espa\u00e7o por meio de uma arquitetura hostil \u2013 permite refletir que os grandes centros t\u00eam atuado estrategicamente \u201c[\u2026] de forma a diminuir o espa\u00e7o p\u00fablico, material e imaterial, permitindo que estruturas privadas avancem sobre o espa\u00e7o de uso e de propriedade p\u00fablica\u201d (FARIA, 2020). Cada vez mais ent\u00e3o, o p\u00fablico se torna privado, e a livre circula\u00e7\u00e3o se torna restrita a parcelas espec\u00edficas do espectro social. As estrat\u00e9gias hostis ser\u00e3o demandadas de acordo com o local e p\u00fablico que se quer proteger ou afastar &#8211; mesas de restaurantes privados s\u00e3o colocadas nas cal\u00e7adas, impedindo a livre circula\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico. Pinos e espetos s\u00e3o instalados pelo lado de fora das soleiras e vitrines, com o intuito de impedir que cidad\u00e3os se sentem ou passem a noite. Flores com espinhos s\u00e3o cultivadas para afastar indesej\u00e1veis de uma fachada. A criatividade humana ser\u00e1 acionada para que se possa ter, por meio do espa\u00e7o, controle da vida e dos corpos. O resultado \u00e9 a impermeabiliza\u00e7\u00e3o da cidade, possibilitando o desejado controle e segrega\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-61g99\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dptn5\">AGAMBEN, Giorgio <em>et al<\/em>. <strong>Sopa de Wuhan<\/strong>: pensamiento contempor\u00e1neo en tiempos de pandemias. Madrid: ASPO, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1mgnb\">AGAMBEN, Giorgio. Contagio. In: AGAMBEN, Giorgio <em>et al<\/em>. <strong>Sopa de Wuhan<\/strong>: pensamiento contempor\u00e1neo en tiempos de pandemias. Madrid: ASPO, 2020. p. 31-33.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8ebhs\">ALC\u00c2NTARA, Maur\u00edcio F. Gentrifica\u00e7\u00e3o. <strong>Enciclop\u00e9dia de Antropologia<\/strong>. F.F.L.C.H. USP. S\u00e3o Paulo. Dispon\u00edvel em: https:\/\/ea.fflch.usp.br\/conceito\/gentrificacao. Publicado em: 03\/07\/2018. Acesso em: 15\/09\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-313ak\">ANG, Ien. On Cultural studies, again. <strong>International Journal of Cultural Studies<\/strong>. (S. L.). Volume 23, number 3, May 2020. p. 285-291.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-29l25\">BONIN, Iara T.; RIPOLL, Daniela; WORTMANN, Maria L. C.; SANTOS, Luis H. S. Por que estudos culturais? <strong>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Realidade. <\/strong>Porto Alegre, v. 45, n. 2, p. 1\u201322, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-evqru\">BUTLER, Judith. El capitalismo tiene sus limites. <em>In<\/em>: AGAMBEN, Giorgio <em>et al<\/em>. <strong>Sopa de Wuhan<\/strong>: pensamiento contempor\u00e1neo en tiempos de pandemias. Madrid: ASPO, 2020.p. 59-65.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9uijt\">ERNI, John N.; STRIPHAS, Ted. Introduction: COVID-19, the multiplier. <strong>Cultural Studies<\/strong>. Reino Unido. Volume 35, Issue 2-3 (2021). Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.tandfonline.com\/toc\/rcus20\/35\/2-3. Publicado em: 04\/05\/2021. Acesso em: 15\/06\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3cbs0\">FARIA, D\u00e9bora R. <strong>Sem descanso: arquitetura hostil e controle do espa\u00e7o p\u00fablico no centro de Curitiba<\/strong>. Orientador: Alessandro Filla Rosaneli. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Planejamento Urbano). Universidade Federal do Paran\u00e1, Curitiba, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-frqka\">GOMES, Juni\u00e9len V.; DE MATTIA, Jaqueline L.; CAMOZZATO, Viviane C. Entrela\u00e7amentos entre Hist\u00f3rias de vida de mulheres aprisionadas: dar a palavra, agu\u00e7ar a escuta. <strong>RELACult-Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade<\/strong>, v. 7, n. 1, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1l4sl\">HALL, Stuart. <strong>Da di\u00e1spora<\/strong>: identidades e media\u00e7\u00f5es culturais.<strong> <\/strong>2a reimp.<strong> <\/strong>Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bha2k\">HARSIN, Jayson. Toxic White masculinity, post-truth politics and the COVID-19 infodemic. On tag: Cultural Commons: critical responses to the COVID-19 crisis. <strong>European Journal of Cultural Studies.<\/strong> Europa. Dispon\u00edvel em: https:\/\/journals.sagepub.com\/page\/ecs\/collections\/covid-19. Publicado em: 08\/08\/2020. Acesso em: 15\/09\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4q3jj\">KENEDY, Melanie. \u201cIf the rise of the TikTok dance and e-girl aesthetic has taught us anything, it\u2019s that teenage girls rule the internet right now\u201d: TikTok celebrity, girls and the Coronavirus crisis. On tag: Cultural Commons: critical responses to the COVID-19 crisis. <strong>European Journal of Cultural Studies.<\/strong> Europa. dispon\u00edvel em: https:\/\/journals.sagepub.com\/page\/ecs\/collections\/covid-19. Publicado em: 31\/07\/2020. Acesso em: 15\/09\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-e11kb\">LACHENAL, Guillaume; THOMAS, Ga\u00ebtan. Covid-19: when history has no lesson. On Tag: Apocalypse Then and Now. <strong>History Workshop Online<\/strong>. Reino Unido. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.historyworkshop.org.uk\/covid-19-when-history-has-no-lessons\/. Publicado em: 30\/03\/2020. Acesso em: 15\/09\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-502qm\">PARK, Wonyong; SONG, Jinwoong. Looking back at \u201cour science\u201d and \u201cour history\u201d: an exploration of Korean preservice science teachers\u2019 encounters with East Asian history of science. <strong>Cultural Studies of Science Education<\/strong>. (S. L.), Vol. 16, n\u00ba 2, julho de 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/doi.org\/10.1007\/s11422-021-10060-w. Acesso em: 30\/07\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-94d80\">RIBEIRO, Gustavo L. \u201cDescotidianizar\u201d el mundo: a pandemia como evento cr\u00edtico, revelaciones y sus (re)interpretaciones. <strong>Desacatos \u2013 Revista de Ciencias Sociales<\/strong>. Ciudad de M\u00e9xico. n. 65, p. 106-123, enero-abril, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2gr7j\">SATO, Mich\u00e8le (Org.). <strong>Os condenados da pandemia<\/strong>. Cuiab\u00e1: GPEA-UFMT \/ Editora Sustent\u00e1vel, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6bp6u\">ZIZEK, Slavoj. Coronavirus es un golpe al capitalismo al estilo de \u2018Kill Bill\u2019 y podr\u00eda conducir a la reinvenci\u00f3n del comunismo.<strong> <\/strong><em>In<\/em>:<strong> <\/strong>AGAMBEN, Giorgio <em>et al<\/em>.<strong> Sopa de Wuhan<\/strong>: pensamiento contempor\u00e1neo en tiempos de pandemias. Madrid: ASPO, 2020. p. 21-28.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-64g52\"><a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a>Um exemplo disso \u00e9 a colet\u00e2nea de artigos <em>Sopa<\/em> <em>de<\/em> <em>Wuhan: <\/em>pensamiento contempor\u00e1neo en tiempos de pandemias, escrita por alguns dos intelectuais mais f\u00e9rteis do mundo contempor\u00e2neo e que, infelizmente, no caso de um ou outro, desenvolveram an\u00e1lises equivocadas sobre o horror pand\u00eamico que, em mar\u00e7o de 2020, se avizinhava \u2013 como, por exemplo, condenar o isolamento social ou considerar a pandemia uma conspira\u00e7\u00e3o capitalista (AGAMBEN <em>et<\/em> <em>al<\/em>., 2020). De qualquer forma, trata-se de um esfor\u00e7o intelectual consistente para promover a descri\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o da experi\u00eancia humana na pandemia, que, no momento em que seus textos foram escritos, ainda estava longe do vigor m\u00e1ximo que viria a atingir. Ao longo deste Turismo, voltar-se-\u00e1 a algumas de suas ideias para melhor compreens\u00e3o de alguns contextos vividos. <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a>\u201cCovid 19: quando a hist\u00f3ria n\u00e3o tem li\u00e7\u00f5es\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a>\u201cAs \u2018li\u00e7\u00f5es do passado\u2019 eram conhecidas de cor, mas \u00e9 dif\u00edcil exagerar o qu\u00e3o despreparados elas nos deixaram\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[4]<\/a>\u201c(\u2026) na continuidade temporal da reprodu\u00e7\u00e3o da vida, provocando a aus\u00eancia de significados adequados para compreender a nova situa\u00e7\u00e3o e a necessidade de criar novos modelos interpretativos\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[5]<\/a>\u201c(\u2026) a articula\u00e7\u00e3o de um mundo da vida cultural da pandemia (em uma tentativa consciente de se conectar com as li\u00e7\u00f5es sobre a for\u00e7a de significa\u00e7\u00e3o e a delibera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas aprendidas com outras pandemias, especialmente a AIDS global); a maneira pela qual a COVID foi transformada em arma e instrumento para manobras governamentais, ou ainda, em formas virulentas de racializa\u00e7\u00e3o; e os registros afetivos e corporais que marcam nossa vulnerabilidade coletiva. Nesse mapeamento, COVID se multiplica semanticamente, politicamente e corporalmente\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[6]<\/a>\u201cUma certa forma agressiva (masculina e branca), rude e individualista de dizer a verdade, suas declara\u00e7\u00f5es falseadoras, apontando causas hist\u00f3ricas que t\u00eam efeitos mortais, que se tornam espetacularmente impactantes em determinados per\u00edodos e lugares\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). Aqui \u00e9 poss\u00edvel recuperar a reflex\u00e3o proposta por Zizek (2020), j\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel perceber que uma gama de sentimentos ligados \u00e0 barb\u00e1rie, que pareciam sobreviver de forma latente sob uma capa de civilidade, esperavam um evento cr\u00edtico como a pandemia para vir \u00e0 tona e mostrar \u00e0 humanidade sua pior face. <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[7]<\/a>\u201c(\u2026) De um espa\u00e7o previamente conceituado como privado e seguro de julgamento, para um espa\u00e7o de visibilidade p\u00fablica, vigil\u00e2ncia e avalia\u00e7\u00e3o\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[8]<\/a>Para alguns pensadores, mesmo antes do processo pand\u00eamico, o capitalismo havia chegado ao limite de seus processos acumulativos e excludentes. Outro ponto que atesta sua fal\u00eancia estaria no fato de n\u00e3o poder evitar que seja revelada sua for\u00e7a predat\u00f3ria global, que inclusive exp\u00f5e o planeta ao risco sanit\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o de alimentos na escala das <em>commodities<\/em>. Sendo assim, a Covid 19 apenas revela que \u00e9 imposs\u00edvel a manuten\u00e7\u00e3o deste sistema sem que radicais mudan\u00e7as estruturais sejam impetradas (ZIZEK, 2020). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[9]<\/a>Indicados pelo pesquisador do GECCE Leonardo W. Soares de Melo. <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref10\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[10]<\/a>Aqui tem-se um ambiente de cren\u00e7a em um perigo generalizado do qual um governo mal intencionado poderia tirar vantagem. Por\u00e9m, operando de forma contr\u00e1ria \u00e0 que Agamben (2020) defende em seu artigo, as for\u00e7as de governo e seus aliados centraram fogo em outros inimigos: popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas e, principalmente, aqueles com posicionamento pol\u00edtico \u00e0 esquerda \u2013 e n\u00e3o naqueles que poderiam ser portadores do v\u00edrus disseminador de doen\u00e7as. De qualquer forma, tudo indica que o ambiente de medo e desconfian\u00e7a generalizado tinha como objetivo permitir a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de exce\u00e7\u00e3o. <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref11\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[11]<\/a>Artigos est\u00e3o no volume 23 da revista (n\u00fameros 3, 4 e 6). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref12\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[12]<\/a>\u201c[Os Estudos Culturais] n\u00e3o pretendem se especializar em um objeto de estudo circunscrito. Em vez disso, os estudos acad\u00eamicos de estudos culturais podem percorrer toda a paisagem do mundo contempor\u00e2neo, com foco em qualquer quest\u00e3o ou t\u00f3picos espec\u00edficos que sejam considerados relevantes em um determinado momento e lugar\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref13\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[13]<\/a>Indicado pelo pesquisador do GECCE David Pereira Faraum Junior. <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref14\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[14]<\/a>\u201c[\u2026] Uma oportunidade de refletir criticamente sobre a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e sua responsabilidade como professores no contexto de uma sociedade e cultura mais amplas\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre). <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref15\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[15]<\/a>Artigo Indicado pela pesquisadora do GECCE Susan Caroline Camargo. <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref16\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[16]<\/a>Indicado pela pesquisadora do GECCE Cristine Lois Coleti Sierra. <a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref17\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[17]<\/a>O termo \u201crefere-se a processos de mudan\u00e7a das paisagens urbanas, aos usos e significados de zonas antigas e\/ou populares das cidades que apresentam sinais de degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica, passando a atrair moradores de rendas mais elevadas. Os \u2018gentrificadores\u2019 (<em>gentrifiers<\/em>) mudam-se gradualmente para tais locais, cativados por algumas de suas caracter\u00edsticas \u2013 arquitetura das constru\u00e7\u00f5es, [&#8230;] infraestrutura, oferta de equipamentos culturais e hist\u00f3ricos, localiza\u00e7\u00e3o central ou privilegiada, baixo custo em rela\u00e7\u00e3o a outros bairros \u2013, passando a demandar e consumir outros tipos de estabelecimentos e servi\u00e7os in\u00e9ditos. A concentra\u00e7\u00e3o desses novos moradores tende a provocar a valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o, aumentando os pre\u00e7os do mercado imobili\u00e1rio e o custo de vida locais e levando \u00e0 expuls\u00e3o dos antigos residentes e comerciantes, comumente associados a popula\u00e7\u00f5es com maior vulnerabilidade e menor possibilidade de mobilidade no territ\u00f3rio urbano, tais como classes oper\u00e1rias e comunidades de imigrantes\u201d (ALC\u00c2NTARA, 2018).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornada I No momento em que se escreve esta se\u00e7\u00e3o da Revista Quase-Ci\u00eancias, o Brasil e o mundo parecem respirar aliviados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia de Covid 19 que, desde o in\u00edcio de 2020, assola a humanidade com seus efeitos nefastos sobre o cotidiano \u2013 dor, perda, morte, inseguran\u00e7a parecem ter invadido a vida das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":192,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[59,60,63,58,61,62,56],"class_list":["post-191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-turismo-cultural","tag-cultural-studies","tag-european-journal-of-cultural-studies","tag-internacional-journal-of-cultural-studies","tag-lachenal-e-thomas","tag-michele-sato","tag-teorias-da-conspiracao","tag-turismo-cultural"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":194,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191\/revisions\/194"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}