{"id":126,"date":"2022-08-01T15:12:32","date_gmt":"2022-08-01T18:12:32","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=126"},"modified":"2022-08-01T15:12:33","modified_gmt":"2022-08-01T18:12:33","slug":"pistas-do-metodo-da-cartografia-construcao-do-corpus-experimentacao-de-mundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/fala-ai-como-voce-fez\/2022\/08\/01\/pistas-do-metodo-da-cartografia-construcao-do-corpus-experimentacao-de-mundos\/","title":{"rendered":"PISTAS DO M\u00c9TODO DA CARTOGRAFIA: CONSTRU\u00c7\u00c3O DO CORPUS, EXPERIMENTA\u00c7\u00c3O DE MUNDOS"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-4o4qq\"><strong>Resumo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-em7ch\">No recorte de investiga\u00e7\u00e3o aqui apresentado, busco acentuar contornos de algumas possibilidades oferecidas pelo m\u00e9todo da cartografia. Enfatizando que n\u00e3o h\u00e1 um caminho metodol\u00f3gico <em>pr\u00eat-\u00e0-porter<\/em> no tra\u00e7ado cartogr\u00e1fico, escrutinei seis pistas, de modo que, na organiza\u00e7\u00e3o do presente manuscrito, elas foram comentadas, buscando enfatizar de que modos orientaram o processo de constru\u00e7\u00e3o do <em>corpus<\/em> anal\u00edtico. Com isso, espero contribuir e endossar as investiga\u00e7\u00f5es que optam pelo m\u00e9todo cartogr\u00e1fico nas pesquisas que envolvem produ\u00e7\u00e3o de subjetividade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-c04cg\"><strong>Palavras-chave<\/strong>: pistas; cart\u00f3grafo; filosofia da diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-bbvit\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6h9r9\">O presente artigo \u00e9 resultado de uma tese de doutoramento que pretendeu investigar de quais maneiras a prolifera\u00e7\u00e3o discursiva da crise ambiental que emergiu nas \u00faltimas d\u00e9cadas se relaciona com a constru\u00e7\u00e3o das subjetividades nas sociedades ocidentais hodiernas. Por meio do olhar te\u00f3rico proporcionado pela filosofia da diferen\u00e7a, visou-se cartografar modos pelos quais sujeitos constroem, para si, territ\u00f3rios outros, entendidos como formas de vida n\u00e3o \u201ccristalizadas\u201d, ou modalizadas pelos padr\u00f5es \u201cengessados\u201d que nos persuadem e s\u00e3o orientados pela macropol\u00edtica dominante. No recorte aqui apresentado, contudo, em vez de priorizar o objeto da investiga\u00e7\u00e3o, deter-me-ei em algumas considera\u00e7\u00f5es de ordem metodol\u00f3gica, buscando acentuar contornos de algumas possibilidades oferecidas pela cartografia<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dadag\">Uma considera\u00e7\u00e3o inaugural, que talvez sirva de alerta aos poss\u00edveis leitores\/as, \u00e9 a de que n\u00e3o h\u00e1 um caminho metodol\u00f3gico pronto e <em>pr\u00eat-\u00e0-porter <\/em>no tra\u00e7ado cartogr\u00e1fico. Na perspectiva das filosofias da diferen\u00e7a, ou mesmo num escopo mais amplo, como o das pesquisas p\u00f3s-cr\u00edticas, Larrosa argumenta que, ao se entrar no jogo que consiste em elaborar as bases de um m\u00e9todo, torna-se preciso deslocar o sentido comumente atribu\u00eddo a esta terminologia, expandindo-o a \u201cuma certa forma de interroga\u00e7\u00e3o e um conjunto de estrat\u00e9gias anal\u00edticas de descri\u00e7\u00e3o\u201d (LARROSA, 2011, p. 37). Em outras palavras, se voc\u00ea, acad\u00eamico ou n\u00e3o, considera adentrar-se no universo da cartografia buscando encontrar \u201cpalavras de ordem\u201d, algo que se pare\u00e7a com um manual ou um receitu\u00e1rio, fica o alerta: talvez a cartografia n\u00e3o seja para voc\u00ea!<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-e52gb\">Em vez de regras e protocolos, o m\u00e9todo cartogr\u00e1fico est\u00e1 mais pr\u00f3ximo da composi\u00e7\u00e3o de pistas<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a>, que, em conjunto, contribuir\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do diagrama que ser\u00e1 composto e, em seguida, analisado. O instrumental da cartografia resguarda rela\u00e7\u00f5es com o que Foucault declarara certa vez sobre sua obra funcionar como uma caixa de ferramentas; ou com o que Deleuze declarara sobre o que \u00e9 uma aula, sobre esta n\u00e3o ter como objetivo ser entendida, mas experimentada, uma vez que \u00e9 mat\u00e9ria em movimento.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-edh5u\">Deste modo, essa linha ou perspectiva de constru\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica, situa-se muito distante dos territ\u00f3rios mapeados por bases metodol\u00f3gicas modernas, como a An\u00e1lise de Conte\u00fado, a An\u00e1lise Discursiva<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a> e a An\u00e1lise Textual Discursiva. Tais bases repousam em correntes de pensamento estruturalistas, isto \u00e9, que acreditam representar objetos preexistentes e, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo criar categorias pr\u00e9vias \u00e0 imers\u00e3o no trabalho de campo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-11v7i\">A presente textualidade est\u00e1 (des)organizada em pistas que orientaram uma investiga\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizada. Fa\u00e7o uma brincadeira com o termo entre par\u00eantesis, uma vez que a ordem apresentada neste texto serviu para o trajeto de investiga\u00e7\u00e3o que percorri durante minha pesquisa. Deste modo, a ordem das pistas apresentadas n\u00e3o necessariamente deve ser encarada como um \u201cpasso a passo\u201d. H\u00e1, inclusive, pistas presentes nos dois volumes, supracitados em nota, n\u00e3o contempladas aqui e outras aglutinadas. Adianto que ser\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o ao trajeto o crit\u00e9rio que melhor indicar\u00e1 quais pistas servir\u00e3o em cada processo investigativo. O tra\u00e7ar da cartografia \u00e9 m\u00f3vel e flex\u00edvel, mas, por tais atribui\u00e7\u00f5es, como busco mostrar na sequ\u00eancia, n\u00e3o se deve entender que se trata de um m\u00e9todo menos rigoroso. Muito pelo contr\u00e1rio&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-e9aea\">Neste ensaio, escrutinei seis pistas<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[4]<\/a>. Comentarei em que consiste cada uma delas e como orientaram o processo de constru\u00e7\u00e3o do <em>corpus<\/em> anal\u00edtico da tese de doutoramento, referida anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9vni4\">Tamb\u00e9m ressalto que, nesta perspectiva de investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 prefer\u00edvel utilizar \u201cprodu\u00e7\u00e3o de dados\u201d e n\u00e3o \u201ccoleta de dados\u201d. Como estabelecem Barros e Kastrup (2015, p. 59), o \u201cobjeto-processo requer uma pesquisa igualmente processual e a processualidade est\u00e1 presente em todos os momentos\u201d, isto \u00e9, tanto na produ\u00e7\u00e3o quanto na an\u00e1lise e discuss\u00e3o dos dados. Assim, tem-se um caminho de pesquisa n\u00e3o conivente aos paradigmas ou <em>ethos<\/em> da ci\u00eancia moderna, para a qual as etapas de pesquisa constituem-se em s\u00e9ries sucessivas de passos que sucedem sem se separar um do outro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-2jf66\"><strong>Pista 1. Cartografar \u00e9 construir um diagrama\/territ\u00f3rio<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5ee45\">Trabalhar com a cartografia implica elaborar um diagrama\/territ\u00f3rio, esbo\u00e7ado pela proposi\u00e7\u00e3o de coordenadas capazes de acoplar os complexos de subjetiva\u00e7\u00e3o-desubjetiva\u00e7\u00e3o. Um caso hipot\u00e9tico capaz de exemplificar o que estaria situado \u00e0 dist\u00e2ncia do que prop\u00f5e o movimento cartogr\u00e1fico pode ser descrito da seguinte forma: um\/a acad\u00eamico\/a deseja estudar as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem em uma determinada institui\u00e7\u00e3o, que considerarei, aqui, como sendo uma escola p\u00fablica. O\/a acad\u00eamico\/a \u201cvai a campo\u201d munido de question\u00e1rios e um caderno de campo. Entrevista professores\/as, alunos\/as e anota o que considera importante no caderno. Transcreve as entrevistas e as informa\u00e7\u00f5es que julga \u201ccoletar\u201d da realidade, faz tabelas ou mesmo gr\u00e1ficos de frequ\u00eancia relativa sobre \u201cuma realidade\u201d a qual ele\/ela observa como estrangeiro\/a, \u00e0 parte da realidade existencial que n\u00e3o o\/a implica e, posteriormente, cria categorias anal\u00edticas para os dados \u201ccoletados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bmb5u\">A descri\u00e7\u00e3o acima atina-se a um movimento bastante familiar nas pesquisas acad\u00eamicas, de modo que enfatizo as express\u00f5es colocadas entre aspas. Os problemas n\u00e3o residem na pesquisa cartogr\u00e1fica \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, ou aos sujeitos que a habitam, propriamente ditos (o que pode acontecer, desde que certos cuidados e crit\u00e9rios sejam tomados), mas na maneira com que esses sujeitos de pesquisa se implicam neste territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1000t\">Na descri\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica estabelecida, essa implica\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201chigienizada\u201d, uma vez que acredita haver \u201ca realidade\u201d purista do campo de pesquisa, a qual ser\u00e1 \u201ctranscrita\u201d representando o que fora, fidedignamente, observado a campo, ao qual, por fim, o \u201csujeito da pesquisa\u201d visita de \u201ccorpo fechado\u201d, desatento, ou mesmo reativo, aos acontecimentos que podem atravess\u00e1-lo. Nessa descri\u00e7\u00e3o, tudo se passa como se houvesse um \u201ccen\u00e1rio montado\u201d, imut\u00e1vel e com suas pe\u00e7as bastante fixas e estabelecidas, que aguardam passivamente a entrada dos atores em cena (os sujeitos de pesquisa). A cartografia \u00e9 um m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o que \u201c[&#8230;] n\u00e3o busca desvelar o que j\u00e1 estaria dado como natureza ou realidade preexistente. Partimos do pressuposto de que o ato de conhecer \u00e9 criador da realidade, o que coloca em quest\u00e3o o paradigma da representa\u00e7\u00e3o\u201d (KASTRUP; PASSOS, 2016, p. 16).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6rt15\">Talvez, essa cena se encaixe em situa\u00e7\u00f5es que envolvam um servi\u00e7o prestado por um carpinteiro, que vai ao local aferir as medidas de um determinado espa\u00e7o, mas n\u00e3o por um\/uma cart\u00f3grafo\/a, que precisa se envolver com uma realidade existencial. Argumentarei que o conceito de diagrama desmonta uma suposta superioridade de controle das rela\u00e7\u00f5es que porventura acontecem no intercurso da pesquisa. Vejamos como isso acontece.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5bvp4\">Ao ler a obra de Foucault, Deleuze elabora conceitualmente o diagrama do seguinte modo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-8t7k6\"><p><em>O diagrama n\u00e3o \u00e9 mais o arquivo, auditivo ou visual, \u00e9 o mapa, a cartografia, co-extensiva a todo o campo social. \u00c9 uma m\u00e1quina abstrata. Definindo-se por meio de fun\u00e7\u00f5es e mat\u00e9rias informes, ele ignora toda distin\u00e7\u00e3o de forma entre um conte\u00fado e uma express\u00e3o, entre uma forma\u00e7\u00e3o discursiva e uma forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o discursiva. \u00c9 uma m\u00e1quina quase muda e cega, embora seja ela que fa\u00e7a ver e falar (DELEUZE, 2013, p. 44).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5uk87\">Quando Foucault evocou a no\u00e7\u00e3o de diagrama foi para pensar as sociedades modernas (disciplinares), nas quais o poder formalizou enquadramentos, como ficou consagrado no modelo da peste, que mapeou a popula\u00e7\u00e3o nos grandes centros urbanos. Diz Deleuze (2013, p. 44) que \u201ctodo diagrama \u00e9 uma multiplicidade espa\u00e7o-temporal\u201d. Disso se pode decorrer que cada sociedade \u00e9 produzida, ao mesmo tempo em que produz seus pr\u00f3prios diagramas. As sociedades de soberania, como as sociedades biopol\u00edticas, se caracterizaram por diagramas muito singulares. Os arquivos e rela\u00e7\u00f5es decorrentes que adv\u00eam de escritos e documentos, bem como de elementos televisivos, cinematogr\u00e1ficos, midi\u00e1ticos ou digitais, constituem, cada um a seu modo, redes diagram\u00e1ticas. As rela\u00e7\u00f5es que buscamos evidenciar em cada uma dessas entidades diagram\u00e1ticas \u00e9 que orientar\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o do cart\u00f3grafo no intercurso investigativo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8uvnt\">Uma vez que esses conte\u00fados sempre permitem desarranjos e novos arranjos na produ\u00e7\u00e3o de realidade por aquele que o analisa, compor com diagramas \u00e9 lidar com exterioridades que nunca se esgotam, mas se mapeiam por agenciamentos concretos que arrastam figuras transit\u00f3rias. Interessa, sobretudo no diagrama, aquilo que se desalinha, que escapa ao esperado, que perde ader\u00eancia das paisagens j\u00e1 decantadas:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-a0t7\"><p><em>[&#8230;] um diagrama \u00e9 um mapa, ou melhor, uma superposi\u00e7\u00e3o de mapas. E, de um diagrama a outro, novos mapas s\u00e3o tra\u00e7ados. Por isso n\u00e3o existe diagrama que n\u00e3o comporte, ao lado dos pontos que conecta, pontos relativamente livres ou desligados, pontos de criatividade, de muta\u00e7\u00e3o, de resist\u00eancia; e \u00e9 deles, talvez, que ser\u00e1 preciso partir para se compreender o conjunto. \u00c9 a partir das \u201clutas\u201d de cada \u00e9poca, do estilo das lutas, que se pode compreender a sucess\u00e3o de diagramas ou seu re-encadeamento por sobre as descontinuidades (DELEUZE, 2013, p. 53).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9puvk\">Nessas teoriza\u00e7\u00f5es, a no\u00e7\u00e3o de mapa \u00e9 empregue de maneira bastante distante de um uso geogr\u00e1fico, representacional e finito. N\u00e3o deixa de ser um mapa, mas \u00e9 um \u201cmapa das rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, mapa de densidade, de intensidade, que procede por liga\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias n\u00e3o localizadas e que passa a cada instante por todos os pontos, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas e diferenciadas entre mat\u00e9rias e formas\u201d (J\u00daNIOR; VEIGA-NETO; FILHO, 2011, p. 9).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3vltk\">\u00c9 preciso advertir ainda, que, no momento em que se esbo\u00e7a um tipo de mapa, este j\u00e1 se decomp\u00f5e e se desorganiza, de modo que se faz menos fiel ao referencial que serve de base para a constru\u00e7\u00e3o desse percurso metodol\u00f3gico afirmar que se representa o tempo presente, em vez de visibilizar t\u00e1ticas m\u00f3veis que o ensejam. Deleuze e Guattari (2012c, p. 30) j\u00e1 evidenciaram o car\u00e1ter perdul\u00e1rio do mapa: \u201cO mapa \u00e9 aberto, \u00e9 conect\u00e1vel em todas as suas dimens\u00f5es, desmont\u00e1vel, revers\u00edvel, suscet\u00edvel de receber modifica\u00e7\u00f5es constantemente [&#8230;] Um mapa \u00e9 uma quest\u00e3o de performance\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2io63\">Por conta dessas defini\u00e7\u00f5es afirmei, anteriormente, que cartografar est\u00e1 menos pr\u00f3ximo de representar um objeto do que acompanhar um processo que pode ter m\u00faltiplas entradas. A representa\u00e7\u00e3o do objeto por um sujeito pesquisador que o estuda remonta \u00e0 perspectiva realista da ci\u00eancia moderna, diferente da perspectiva construtivista, \u00e0 qual este m\u00e9todo est\u00e1 inclinado (PASSOS; KASTRUP; ESC\u00d3SSIA, 2015). Al\u00e9m disso, a dimens\u00e3o coletiva e n\u00e3o hierarquizante da cartografia rompe com um estatuto de superioridade do sujeito pesquisador, de modo que a ado\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo implica na extrapola\u00e7\u00e3o das fronteiras entre participantes da pesquisa \u2013 pesquisador e pesquisado; bem como entre pesquisador e objeto pesquisado (KASTRUP; PASSOS, 2016, p. 18).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-atu7d\">Acompanhar um processo tamb\u00e9m est\u00e1 mais pr\u00f3ximo ao movimento foucaultiano arqueogeneal\u00f3gico, que escava os ditos e os saberes e os situa na posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de sua condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia. Somado a isso, uma investiga\u00e7\u00e3o interessada nos processos de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade n\u00e3o pode prescindir de um m\u00e9todo formatado <em>a priori<\/em>; torna-se preciso um \u201cajuste de lentes e de luzes\u201d pelas quais se olha e se comp\u00f5e o <em>corpus<\/em> anal\u00edtico, escolhido, nesse sentido, por certas tecnologias do olhar. Esse ajuste, contudo, n\u00e3o \u00e9 pura escolha do sujeito, o que nos leva \u00e0 pr\u00f3xima pista.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-en7c6\"><strong>Pista 2: O Territ\u00f3rio cria o agenciamento.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-avvuu\">Na conclus\u00e3o do quinto volume de Mil Plat\u00f4s, Deleuze e Guattari fazem uma afirma\u00e7\u00e3o interessante, que pode ser considerada no percurso cartogr\u00e1fico de pesquisa: \u201cO territ\u00f3rio cria o agenciamento\u201d (DELEUZE; GUATTARI, 2012c, p. 232). Nas teoriza\u00e7\u00f5es deleuzo-guattarianas, agenciamento \u00e9 movimenta\u00e7\u00e3o. O territ\u00f3rio, mesmo fragmentado e composto por elementos descodificados por todo tipo, produz certos ritmos. S\u00e3o pontos de vista acionados no interior de um territ\u00f3rio que colocam o pesquisador em certos estados de aten\u00e7\u00e3o daquilo que est\u00e1 por vir. Do que est\u00e1 em devir. Como nessa perspectiva o devir \u00e9 sempre minorit\u00e1rio, ser\u00e1 interessante observar aquilo que escapa das estruturas, aquilo que \u201cvaza\u201d, e desconfiar de formas de pensamento antecedentes \u00e0 entrada no territ\u00f3rio que compor\u00e1 a cartografia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2orp9\">Esse aspecto da pesquisa, o das formas de pensamento que antecedem a entrada num determinado territ\u00f3rio, pode ser explorado pelo enunciado: \u201cFoucault n\u00e3o \u00e9 pau para toda obra\u201d (VEIGA-NETO; RECH, 2014, p. 69). Com isso, os autores querem dizer que assim como ele serve para muitas \u201ccoisas\u201d, em rela\u00e7\u00e3o a outras, ele nada tem a nos dizer. Numa pesquisa \u201cordin\u00e1ria\u201d, o delineamento do problema de pesquisa, o desenvolvimento das problem\u00e1ticas, bem como das novas perguntas, que aparecem no processo de investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 que \u201cconvidar\u00e3o\u201d as teorias, os autores e os conceitos empregues. Mas a cartografia pede que demos num passo al\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o\/a pesquisador\/a se muna por completo antes de adentrar um territ\u00f3rio, uma vez que somente em contato com ele \u00e9 que surgir\u00e3o novos encontros, que desmontar\u00e3o o que est\u00e1 posto ou dado de antem\u00e3o. S\u00f3 os novos encontros e afecta\u00e7\u00f5es, aquilo que nos atravessa como flechas, alterando nosso estado de esp\u00edrito, proporcionar\u00e3o a heterog\u00eanese, uma \u201cbagun\u00e7a\u201d nas estruturas pavimentadas, que acreditamos sempre controlar durante uma pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-73lod\">\u00c9 muito comum, nas conversas informais dos processos de sele\u00e7\u00e3o, ou mesmo na apresenta\u00e7\u00e3o dos projetos de pesquisa, os\/as candidatos\/as \u00e0s vagas a editais e processos seletivos da gradua\u00e7\u00e3o ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o comentarem que desejam estudar certo\/a autor\/a, argumentando que t\u00eam curiosidade em conhecer mais sobre a sua linha de pensamento. Um exemplo desse caso \u00e9 descrito por Veiga-Neto e Rech acerca de uma orientanda insistir num problema de pesquisa alheio \u00e0s teoriza\u00e7\u00f5es foucaultianas:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-85pfa\"><p><em>\u2013 Mas, professor&#8230; Ser\u00e1 que entendi bem? O senhor est\u00e1 mesmo sugerindo que, neste meu projeto de pesquisa, eu devo abandonar a ideia de usar Foucault?<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-4v3sg\"><p><em>\u2013 Sim, \u00e9 isso mesmo: tu deves esquecer Foucault! Esquece o careca! Com essa r\u00e1pida e cortante resposta, eu supus ter colocado um ponto final nas pretens\u00f5es da minha animada interlocutora. Mas n\u00e3o foi bem assim. Declarou que, mais importante do que seu problema de pesquisa, no fundo o que ela queria mesmo era estudar Foucault.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-anrds\"><p><em>Acabara de ler Vigiar e punir e estava definitivamente \u201capaixonada\u201d pelo fil\u00f3sofo. Insistiu em marcar uma nova reuni\u00e3o comigo e pediu algumas orienta\u00e7\u00f5es de leitura. Voltou, dias depois, propondo um novo problema para investigar; surpreendi-me, ao constatar que, dessa vez, a coisa toda estava bem mais apropriada para uma abordagem foucaultiana (VEIGA-NETO; RECH, 2014, p. 69-70).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9gopd\">No exemplo descrito anteriormente, \u00e9 Foucault quem est\u00e1 em quest\u00e3o, apenas para efeito did\u00e1tico. Mas poderia ser qualquer autor\/a que instigasse a pensar essa perspectiva totalizante de pesquisa, isto \u00e9, a da escolha de autores\/a antecedendo a problem\u00e1tica que se quer investigar. Essas situa\u00e7\u00f5es inverteriam o que prop\u00f5e a cartografia, isto \u00e9, partiriam da premissa inversa de que o agenciamento precederia o territ\u00f3rio. Um engodo, como demonstrado nos argumentos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-c2ah2\">Esse alerta n\u00e3o deve ser mal compreendido, num sentido de que se deve abandonar, de uma vez por todas, o interesse por ler determinado\/a autor\/a e suas teoriza\u00e7\u00f5es (no trabalho citado, Veiga-Neto narra, inclusive, que sustentou a aposta da acad\u00eamica em quest\u00e3o em usar Foucault, numa proposta readequada). Trata-se de aprender a li\u00e7\u00e3o: nenhum autor \u00e9 \u201cpau para toda obra\u201d, sobretudo quando h\u00e1 perigos numa determinada posi\u00e7\u00e3o de sujeito que n\u00e3o quer abrir m\u00e3o de uma teoria que antecede os agenciamentos, isto \u00e9, quando sua pesquisa, de fato, atinge velocidade e movimento, e o \u201cpuritanismo\u201d de determinados campos de pesquisa, de autores e teorias, deixam de fazer sentido e podem ser considerados dispens\u00e1veis&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2uouo\">Em s\u00edntese, neste percurso cartogr\u00e1fico, n\u00e3o basta conhecer, mas implicar-se num territ\u00f3rio existencial, de modo que \u00e9 a experi\u00eancia concreta quem tece, num entrecruzamento cont\u00ednuo, a discuss\u00e3o conceitual que cada territ\u00f3rio solicitar\u00e1 (ALVARES; PASSOS, 2015).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-20tnv\"><strong>Pista 3: Transformar-se para conhecer, em vez de conhecer para transformar-se<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-en4hf\">A cartografia pressup\u00f5e que n\u00e3o \u00e9 porque algo est\u00e1 presente que, necessariamente, esteja vis\u00edvel: \u201c[&#8230;] se trata de transformar para conhecer, e n\u00e3o de conhecer para transformar a realidade\u201d (PASSOS; BARROS, 2015, p. 18). Nesse postulado, h\u00e1 um direcionamento metodol\u00f3gico contr\u00e1rio ao momento cartesiano teorizado por Foucault e numa proximidade maior a uma perspectiva que reconhece que o sujeito se transforma no percurso de aquisi\u00e7\u00e3o da verdade ou produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-69nj\">Quando \u201cmergulhou\u201d nas sociedades gregas antigas para pensar o presente, Foucault nota que uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas haviam sido eclipsadas. A modernidade, e sua episteme, inaugura uma forma de ser sujeito que passa a acessar a verdade, sem que, para isso, necessite transformar a si mesmo. A este tempo-espa\u00e7o, Foucault (2010) nominou de <em>momento<\/em> <em>cartesiano<\/em>, como o pr\u00f3prio nome sugere, influenciado fortemente pelas ideias descritas em <em>Medita\u00e7\u00f5es Metaf\u00edsicas<\/em>, do fil\u00f3sofo Ren\u00e9 Descartes.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-84dmo\">Nessa configura\u00e7\u00e3o moderna ass\u00e9ptica e diametralmente oposta aos antigos, o sujeito n\u00e3o precisa transformar a si mesmo (<em>epim\u00e9leia heauto\u00fb<\/em>) ao entrar em contato com a verdade dos saberes, uma vez que passa a acess\u00e1-los por interm\u00e9dio de condi\u00e7\u00f5es objetivas e formais. N\u00e3o h\u00e1 mais convers\u00e3o de si em outra coisa, h\u00e1 apenas o acesso a \u201cblocos de verdade\u201d produzidos no curso da hist\u00f3ria. Neste intercurso o sujeito n\u00e3o \u00e9 posto em quest\u00e3o, haja vista que n\u00e3o h\u00e1 ascese, mas, t\u00e3o somente, aplica\u00e7\u00f5es e utilidades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-59luj\">Essa configura\u00e7\u00e3o moderna ass\u00e9ptica orienta uma diretriz que pode ser referida por abordagem cl\u00e1ssica da ci\u00eancia. Tal configura\u00e7\u00e3o \u00e9 dificultadora no plano de cria\u00e7\u00e3o do qual nasce a paisagem que habitar\u00e1 o corpo do\/a cart\u00f3grafo\/a.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-at0em\"><p><em>A abordagem cl\u00e1ssica da ci\u00eancia, pautada numa pol\u00edtica cognitiva representacional, pressup\u00f5e sujeito e objeto como polos pr\u00e9vios ao processo do conhecer e busca leis e princ\u00edpios invariantes; sup\u00f5e que cient\u00edfico \u00e9 aquilo que pode ser reproduzido com os mesmos resultados e garantido por um observador isento ao objeto de estudo. Nessa perspectiva, a experi\u00eancia do pesquisador est\u00e1 exclu\u00edda.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-8cevh\"><p><em>Para n\u00f3s, interessa o acesso a um estofo diferente daquele proveniente de uma observa\u00e7\u00e3o isolada daquilo que observa. Importa detectar a trama que acompanha o ato de conhecer e de criar um mundo, pois assim nos aproximamos do conhecimento concreto e articulado que tem efeitos pol\u00edticos, \u00e9ticos e est\u00e9ticos (POZZANA, 2016, p. 47-48).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2ofgh\">A cartografia prop\u00f5e uma ruptura com essa no\u00e7\u00e3o objetivadora e asseptizada do sujeito, como propuseram o cogito cartesiano, o individualizado si mesmo kantiano ou o sujeito \u201cherm\u00e9tico\u201d do humanismo. Sem que reivindique uma leitura anacr\u00f4nica de retorno aos gregos, a cartografia pressup\u00f5e um sujeito que se autoconstr\u00f3i por meio de pr\u00e1ticas e de t\u00e9cnicas, um sujeito aberto ao mundo, n\u00e3o submisso \u00e0 cren\u00e7a de que o si mesmo tem in\u00edcio ou fim na sua pr\u00f3pria pele. H\u00e1 autores orbitando essas linhas que preferem, inclusive, falar em processos de subjetiva\u00e7\u00e3o, em vez do sujeito (que pressup\u00f5e algo rijo, imut\u00e1vel e acabado), uma vez que o territ\u00f3rio se faz na iman\u00eancia, num conjunto de rela\u00e7\u00f5es por vir.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bc20g\">Se, como definido anteriormente, o diagrama \u00e9 entendido como um mapa das rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, de densidade, de intensidade, que estabelece rela\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas e diferenciadas entre mat\u00e9rias e formas de express\u00e3o d\u00edspares, o mesmo s\u00f3 pode ser experimentado com um \u201cdeslocamento do olhar daquilo que sempre foi considerado central\u201d (J\u00daNIOR; VEIGA-NETO; FILHO, 2011, p. 9). E esse deslocamento do olhar implica, necessariamente, um deslocamento da sujei\u00e7\u00e3o. Por compreender que o\/a pesquisador\/a transforma a si mesmo na imers\u00e3o da pesquisa cartogr\u00e1fica, tamb\u00e9m faz mais sentido a invers\u00e3o considerada nas pr\u00f3ximas pistas, apresentadas a seguir.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-a423d\"><strong>Pista 4. <em>h\u00f3dos-met\u00e1<\/em>, em vez de <em>met\u00e1-h\u00f3dos<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ka18\">Como nesta linha se entende que o sujeito e, portanto, o pesquisador est\u00e1 por se fazer em cada etapa da pesquisa, outra implica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo cartogr\u00e1fico acaba por ser, quase como consequ\u00eancia, a de que \u201co primado do caminhar que tra\u00e7a, no percurso, suas metas\u201d (PASSOS; BARROS, 2015, p. 17), isto \u00e9, n\u00e3o se trata de caminhar para alcan\u00e7ar as metas prefixadas do <em>met\u00e1-h\u00f3dos<\/em> (<em>met\u00e1<\/em> \u2013 reflex\u00e3o, racioc\u00ednio, verdade; <em>h\u00f3dos<\/em> \u2013 caminho, dire\u00e7\u00e3o), por isso faz mais sentido a invers\u00e3o <em>h\u00f3dos-met\u00e1<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-77ql5\">A cartografia n\u00e3o se volta a acompanhar qualquer segmentaridade de mundo e, para que compreendamos isso, talvez seja interessante retomar as conceitua\u00e7\u00f5es de Deleuze e Guattari (2012b) acerca das linhas. Na concep\u00e7\u00e3o desses fil\u00f3sofos, o mundo \u00e9 segmentado, e suas rela\u00e7\u00f5es operam em tr\u00eas tipos de linhas: as linhas de segmentaridade dura, as linhas de segmenta\u00e7\u00e3o male\u00e1vel e as linhas de fuga. As duas primeiras primam pela territorializa\u00e7\u00e3o, estratifica\u00e7\u00e3o, significa\u00e7\u00e3o e tentam definir as coisas, dar a elas estatuto de \u201cisso \u00e9 isso\u201d, \u201caquilo \u00e9 aquilo\u201d. Prop\u00f5em uma rota segura, orientando que n\u00e3o precisemos nos sentir alheios no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3cfle\">Enquanto as \u00faltimas, as linhas de fuga ou de ruptura, s\u00e3o linhas de desterritorializa\u00e7\u00e3o pelas quais o pensamento foge e \u201c[&#8230;] faz fugir todo um sistema como se arrebenta tubos. Fugir \u00e9 tra\u00e7ar uma linha, linhas, toda uma cartografia\u201d (DELEUZE; PARNET, 1998, p. 47). As linhas de fuga, justamente pelo seu car\u00e1ter desterritorializado, fazem \u201cdissolver\u201d as estruturas, e, por isso, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil identificar as imagens e as novas configura\u00e7\u00f5es de mundo que prop\u00f5e. De acordo com Oliveira, \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o e \u201co primado das linhas de fuga que a cartografia convoca quando elas parecem t\u00e3o sufocadas diante da domin\u00e2ncia, da regularidade e do controle que impregnam os territ\u00f3rios\u201d (OLIVEIRA, 2014, p. 290).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-brfk1\"><strong>Pista 5. Os objetivos s\u00e3o constru\u00eddos ao longo da experimenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7hpu2\">Da pista apresentada anteriormente, decorre que tamb\u00e9m os objetivos de uma pesquisa s\u00e3o constru\u00eddos durante o processo de observa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estando previamente estabelecidos (PASSOS; BARROS, 2015). Al\u00e9m disso, a cartografia n\u00e3o visa isolar o objeto de suas articula\u00e7\u00f5es e conex\u00f5es com o mundo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-40gpi\"><p><em>[&#8230;] Ao contr\u00e1rio, o objetivo da cartografia \u00e9 justamente desenhar a rede de for\u00e7as \u00e0 qual o objeto ou fen\u00f4meno em quest\u00e3o se encontra conectado, dando conta de suas modula\u00e7\u00f5es e de seu movimento permanente. Para isso \u00e9 preciso, num certo n\u00edvel, se deixar levar por esse campo coletivo de for\u00e7as (BARROS; KASTRUP, 2015, p. 57).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-etnil\"><p><em>De que modo perceber quais metas e objetivos ser\u00e3o mais condizentes com o diagrama constru\u00eddo no intercurso da investiga\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o movida pela sensibilidade do\/a cart\u00f3grafo\/a aos acontecimentos que far\u00e1 com que se perceba uma efetiva \u201cader\u00eancia\u201d entre aquilo que est\u00e1 no plano intensivo das for\u00e7as e aquilo que \u201cest\u00e1 fora do lugar\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-289sg\"><strong>PISTA 6. O funcionamento da aten\u00e7\u00e3o no trabalho do cart\u00f3grafo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-c9cni\">Ainda de acordo com Passos, Kastrup e Esc\u00f3ssia (2015), o funcionamento da aten\u00e7\u00e3o no trabalho do cart\u00f3grafo \u00e9 orientado por um tipo de b\u00fassola. Trata-se de um momento em que \u201ca aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o busca algo definido, mas torna-se aberta ao encontro\u201d (KASTRUP, 2015, p. 38). Encontro, aqui, n\u00e3o significa somente o conhecimento e o contato com os textos, mas reconhec\u00ea-los \u2013 nas rela\u00e7\u00f5es de poder, em sua textura, na mem\u00f3ria e experimenta\u00e7\u00e3o imanentes a eles \u2013 em seu car\u00e1ter de contraconduta e, por isso mesmo, em seu potencial est\u00e9tico de an\u00e1lise, lembrando que a cartografia n\u00e3o visa ceder ainda mais aten\u00e7\u00e3o aos processos j\u00e1 pavimentados, mas aos minorit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dp87p\">Nesta primeira fase, a aten\u00e7\u00e3o do cart\u00f3grafo assume um \u201ccar\u00e1ter flutuante\u201d (KASTRUP, 2015). Nesta fase, \u00e9 como se ocorresse um mergulho nas intensidades presentes no territ\u00f3rio com o qual se troca ader\u00eancias: \u201cA aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o busca algo definido, mas torna-se aberta ao encontro\u201d (KASTRUP, 2015, p. 38) e \u201cTudo caminha at\u00e9 que a aten\u00e7\u00e3o, numa atitude de ativa receptividade, \u00e9 tocada por algo\u201d (KASTRUP, 2015, p. 42).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4oqpi\">Na sequ\u00eancia, torna-se preciso compor com algo que j\u00e1 \u00e9, de certo modo, composto, num movimento de instaura\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, \u201cdar l\u00edngua para afetos que pedem passagem\u201d (ROLNIK, 2007, p. 23). Ap\u00f3s a aten\u00e7\u00e3o flutuante, que permite trocas e experimenta\u00e7\u00f5es de certas materialidades, adentra-se em uma nova fase, em que o\/a cart\u00f3grafo\/a deve fazer certas escolhas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-9aop5\"><p><em>[&#8230;] quando sob suspens\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o que se volta para o interior acessa dados subjetivos, como interesses pr\u00e9vios e saberes acumulados, ela deve descart\u00e1-los e entrar em sintonia com o problema que move a pesquisa [&#8230;].<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-1c1eh\"><p><em>As experi\u00eancias v\u00e3o ent\u00e3o ocorrendo, muitas vezes fragmentadas e sem sentido imediato. Pontas do presente, movimentos emergentes, signos que indicam que algo acontece, que h\u00e1 processualidade em curso (KASTRUP, 2015, p. 39).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1qnr8\">N\u00e3o basta reconhecer um objeto, mas \u00e9 preciso saber servir-se dele num exerc\u00edcio de intensa percep\u00e7\u00e3o. Por isso:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-22tfd\"><p>[<em>&#8230;] no caso do cart\u00f3grafo, \u00e9 n\u00edtido que n\u00e3o pode se tratar de reconhecimento autom\u00e1tico, pois o objetivo \u00e9 justamente cartografar um territ\u00f3rio que, em princ\u00edpio n\u00e3o se habitava. N\u00e3o se trata de se deslocar numa cidade conhecida, mas de produzir conhecimento ao longo de um percurso de pesquisa, o que envolve a aten\u00e7\u00e3o e, com ela, a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios de observa\u00e7\u00e3o (KASTRUP, 2015, p. 45).<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ft6hb\">Foi a a\u00e7\u00e3o de cartografar um territ\u00f3rio inabitado que me permitiu reconhecer que se tratou de um territ\u00f3rio existencial criado por for\u00e7as n\u00e3o reativas e n\u00e3o conformadas aos territ\u00f3rios dominantes, estes j\u00e1 moldados pelas estrat\u00e9gias do poder totalit\u00e1rio. Por isso, durante o intercurso da cartografia, nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 tocada por algo, num dado momento: \u201cO que se destaca n\u00e3o \u00e9 propriamente uma figura, mas uma rugosidade, um elemento heterog\u00eaneo\u201d (KASTRUP, 2015, p. 42).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3icbf\">O territ\u00f3rio (existencial) \u201cn\u00e3o se constitui como um dom\u00ednio de a\u00e7\u00f5es e fun\u00e7\u00f5es, mas sim como um <em>ethos<\/em>, que \u00e9 ao mesmo tempo moradia e estilo\u201d; na caracteriza\u00e7\u00e3o desses <em>ethos<\/em>, \u201cos sujeitos, os objetos e seus comportamentos deixam de ser o foco da pesquisa, cedendo lugar aos \u2018personagens r\u00edtmicos\u2019 e \u00e0s \u2018paisagens mel\u00f3dicas\u2019\u201d (ALVARES; PASSOS, 2015, p. 134). \u00c9 preciso observar tais personagens e paisagens no presente de sua sobreviv\u00eancia, uma vez que territ\u00f3rio \u00e9, sempre, lugar de passagem, \u201cest\u00e1 sempre em vias de desterritorializa\u00e7\u00e3o, ao menos potencial, em vias de passar a outros agenciamentos, mesmo que o outro agenciamento opere uma reterritorializa\u00e7\u00e3o\u201d (DELEUZE; GUATTARI, 2012c, p. 144).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1k6st\">Apresentadas essas pistas, que, lembrando, n\u00e3o esgotam outras possibilidades de investiga\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica, detenho-me, na pr\u00f3xima e \u00faltima se\u00e7\u00e3o, em evidenciar de que modo as mesmas \u201cfuncionaram\u201d durante meu processo de constru\u00e7\u00e3o do <em>corpus<\/em> anal\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-6tpo7\"><strong>Fragmentos de uma pesquisa cartogr\u00e1fica<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9u2o\">Nesta se\u00e7\u00e3o final, buscarei descrever uma maneira t\u00e1tica por meio da qual as pistas do m\u00e9todo da cartografia possibilitaram a constru\u00e7\u00e3o do <em>corpus<\/em> anal\u00edtico constru\u00eddo em minha tese de doutoramento<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[5]<\/a>. Acredito que, ap\u00f3s apresentadas as pistas, meus\/minhas leitores\/as identificar\u00e3o, nesta \u00faltima parte, uma sobreposi\u00e7\u00e3o delas \u201cfuncionando\u201d na percep\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do <em>corpus<\/em> anal\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6k6o2\">A produ\u00e7\u00e3o desse <em>corpus<\/em> anal\u00edtico decorreu, ent\u00e3o, de um intenso processo de procura e imers\u00e3o nos textos encontrados, em seu complexo conte\u00fado discursivo que, ora foram encontrados, ora me encontraram, dado seu \u201calto\u201d ou \u201cbaixo\u201d potencial de afec\u00e7\u00e3o. Como a internet \u00e9 reconhecidamente a m\u00e1quina de nossos tempos (DELEUZE, 1992), selecionei elementos discursivos, textuais e imag\u00e9ticos, dispon\u00edveis em p\u00e1ginas diversas da internet: textos jornal\u00edsticos digitais, mat\u00e9rias de plataformas educacionais, p\u00e1ginas profissionais de artistas, dentre outras, compondo um conjunto materializ\u00e1vel de poss\u00edveis elementos anal\u00edticos. N\u00e3o fixei de antem\u00e3o uma categoria textual para investigar, priorizando poss\u00edveis \u00e1reas distintas que pudessem ser encetadas pelos \u201ctent\u00e1culos\u201d da ecogovernamentalidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-d07h5\">Fui imerso por uma s\u00e9rie de textos \u2013 enunciados, discursos e rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a \u2013 entre os quais selecionei aqueles que se caracterizaram, em minha leitura, como est\u00e9ticas da exist\u00eancia constru\u00eddas em um formato diferente das rela\u00e7\u00f5es guiadas pela ecogovernamentalidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9je9m\">Evidentemente, mantive os elementos das fases arqueol\u00f3gica e geneal\u00f3gica, mas identificar as est\u00e9ticas da exist\u00eancia tanto nas regularidades convergentes e entrecruz\u00e1veis entre elas, quanto nas descontinuidades e estrid\u00eancias com as formas de vida hegem\u00f4nicas foi fator decisivo na manuten\u00e7\u00e3o dos elementos que mantive para a an\u00e1lise. Nesses elementos materiais que selecionei, finalmente, para a an\u00e1lise, identifico processos de subjetiva\u00e7\u00e3o de diversas formas e operando em setores diversos, como no \u00e2mbito educativo, na esfera pol\u00edtica e nas artes. Por utilizarem tecnologias capazes de operacionalizar campos potentes de pensamento, chamarei o resultado dessas est\u00e9ticas de territ\u00f3rios existenciais, terminologia j\u00e1 apresentada neste trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-126b6\">Deste modo, o conhecimento de rela\u00e7\u00f5es que caracterizam o exerc\u00edcio da ecogovernamentalidade no tempo presente foi, n\u00e3o somente de suma import\u00e2ncia, mas uma condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em> para que minhas buscas n\u00e3o assumissem um car\u00e1ter vago de \u201ctatear no escuro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7t3od\">Ainda assim, num primeiro momento, a aten\u00e7\u00e3o do cart\u00f3grafo no caminho investigativo assume um car\u00e1ter mais flutuante, cuja preocupa\u00e7\u00e3o se d\u00e1, nesse momento, no conhecimento de fragmentos desconexos \u2013 textos que enredam outros textos num movimento vasto de conex\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dgq2n\">Por fim, um dos crit\u00e9rios adotados para a constru\u00e7\u00e3o dos dados analisados foi a prefer\u00eancia por textos que se caracterizassem por est\u00e9ticas da exist\u00eancia diante das formas de poder institu\u00eddas pela ecogovernamentalidade. Isso significa que recusei, como procedimento, a op\u00e7\u00e3o por categorias <em>a priori<\/em>, ou a an\u00e1lise com base nas forma\u00e7\u00f5es discursivas em comum entre os textos. Nesse sentido, os dados selecionados para an\u00e1lise transversalizam pelas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o, jornalismo e arte, pois encontrei nessas materialidades modos de vida outros, orientados por um regime de sens\u00edveis que pervertem e dessacralizam o dom\u00ednio institucionalizado nos modos de reger a vida nas rela\u00e7\u00f5es empreendidas com o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a1fj0\">P\u00e1ginas da internet cujo t\u00edtulo alude a terminologias como \u2018meio ambiente\u2019, \u2018ecologia\u2019, \u2018educa\u00e7\u00e3o ambiental\u2019 etc. n\u00e3o foram mantidas na an\u00e1lise, uma vez que n\u00e3o identifiquei, nesses lugares, est\u00e9ticas da exist\u00eancia, ruptura com as formas totalit\u00e1rias de poder da ecogovernamentalidade, por exemplo, as p\u00e1ginas \u201cDiscutindo ecologia\u201d, \u201cCultura, Cidadania e Meio Ambiente\u201d e a pr\u00f3pria p\u00e1gina oficial do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, todas elas ligadas \u00e0 rede social Facebook.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-f5m3d\">As primeiras p\u00e1ginas citadas centralizam sua preocupa\u00e7\u00e3o na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, reportando-se not\u00edcias que dizem respeito ao problema dos canudos pl\u00e1sticos, do desmatamento, extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, papel dos ambientalistas na hist\u00f3ria brasileira, divulga\u00e7\u00e3o de cursos, dentre outros assuntos. As not\u00edcias e reportagens, em sua maioria, s\u00e3o escritas em terceira pessoa, com \u00eanfase num papel denuncista e policialesco. J\u00e1 a p\u00e1gina oficial do Minist\u00e9rio, foca em publica\u00e7\u00f5es que divulgam informa\u00e7\u00f5es a respeito da quantidade de visita\u00e7\u00f5es que recebe um parque nacional e a import\u00e2ncia das unidades de conserva\u00e7\u00e3o para a manuten\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes, al\u00e9m de visibilizar o papel de datas comemorativas, como o dia do agente de defesa ambiental. Essas p\u00e1ginas, muito similares, em conte\u00fado, a outras p\u00e1ginas e blogs buscados, tem textos curtos, acompanhados de imagens, impossibilitando a afirma\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 subjetividades em tr\u00e2nsito, sendo repensadas num exerc\u00edcio imaginativo. Seu conte\u00fado discursivo \u00e9 majorit\u00e1rio, faz ecoar institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em vigor ditando o que \u201c\u00e9 certo e errado\u201d, numa perspectiva macro e moralista, que reiteram pap\u00e9is de sujei\u00e7\u00e3o j\u00e1 bastante clonados e multiplicados, crit\u00e9rios suficientes para n\u00e3o comtemplar tais materialidades numa investiga\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9d613\">No segundo eixo anal\u00edtico, importa anunciar que optei por setores n\u00e3o serializados da arte, da arte majorit\u00e1ria, institucionalizada nos territ\u00f3rios que a validam como tal, os museus, as bienais, os grandes circuitos das exposi\u00e7\u00f5es e dos cr\u00edticos de arte. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi minha inten\u00e7\u00e3o fixar-me a uma escola art\u00edstica, a uma classifica\u00e7\u00e3o ou corrente j\u00e1 nomeada pela hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-cld1v\">O <em>corpus<\/em> anal\u00edtico\/diagrama constru\u00eddo se caracterizou pelos escritos jornal\u00edsticos de Rodrigo Barchi e Eliane Brum, cuja \u00eanfase recaiu no que nomeei como \u201cescrita de si\u201d; e nas instala\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de Roberta Carvalho e Eduardo Srur, cuja \u00eanfase recaiu no que nomeei como \u201cm\u00e1quinas est\u00e9ticas\u201d. Caracterizadas pela proximidade com a micropol\u00edtica e microf\u00edsica dos poderes, apostei nessas materialidades como territ\u00f3rios existenciais, isto \u00e9, narrativas n\u00e3o assimilacionistas que escapam de ecologias policialescas e normativas incitadas pela ecogovernamentalidade. Optei por citar tais materialidades e n\u00e3o as discutir neste manuscrito, pois o objetivo aqui fora o de enfatizar o caminho cartogr\u00e1fico percebido para chegar a essas materialidades. Citar breve ou parcialmente essas textualidades ou obras, incorreria em n\u00e3o levar em conta sua complexidade ou potencial de afecta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-8ilvl\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fhjm2\">Busquei apresentar seis pistas do m\u00e9todo da cartografia, salientando que elas n\u00e3o esgotam a totalidade e as formas de se \u201cfazer uso\u201d. De tudo o que foi apresentado, detenho-me e arrisco-me a comentar, j\u00e1 neste desfecho, que, de alguma forma, \u00e9 a cartografia quem escolhe o\/a pesquisador\/a. Haja vista que cartografar \u00e9 acompanhar processos de fuga, movimenta\u00e7\u00f5es por vertigens, atinadas pelas linhas de fuga, h\u00e1 processos de subjetiva\u00e7\u00e3o mais e menos aderentes a essa tarefa. Se o desejo for movido por acompanhar categorias j\u00e1 sedimentadas \u2013 que, provavelmente, ser\u00e3o transformadas em dados, tabelas e gr\u00e1ficos \u2013 a cartografia pode ser uma \u201cdor de cabe\u00e7a\u201d. Jogue essa b\u00fassola fora se voc\u00ea n\u00e3o tiver o perfil de algu\u00e9m que \u201cmergulhar\u00e1 de cabe\u00e7a\u201d no caos, e se sente confort\u00e1vel com as posi\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias que acredita controlar. Como um en\u00f3logo ou um perfumista, que treinam suas papilas e narinas, a cartografia exige sentidos agu\u00e7ados, o que, invariavelmente, vai p\u00f4r o sujeito da pesquisa \u201cde ponta cabe\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"viewer-6uu2b\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bn39h\">ALVARES, Johnny; PASSOS, Eduardo. Cartografar \u00e9 habitar um territ\u00f3rio existencial. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; ESC\u00d3SSIA, Liliana da. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: Pesquisa-interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dnuog\">BARROS, Laura Pozzana de; KASTRUP, Virg\u00ednia. Cartografar \u00e9 acompanhar processos. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; ESC\u00d3SSIA, Liliana da. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: Pesquisa-interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bgpsf\">DELEUZE, Gilles. <strong>Conversa\u00e7\u00f5es<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-18cte\">______________. <strong>Foucault<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-c5fq9\">DELEUZE, Gilles; GUATTARI, F\u00e9lix. Postulados da lingu\u00edstica. In: <strong>Mil plat\u00f4s<\/strong>: capitalismo e esquizofrenia 2. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2011a. v. 2.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6ra4h\">DELEUZE, Gilles; GUATTARI, F\u00e9lix. Micropol\u00edtica e segmentaridade. In: <strong>Mil plat\u00f4s<\/strong>: capitalismo e esquizofrenia 2. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2012b. v. 3.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-agtpq\">DELEUZE, Gilles; GUATTARI, F\u00e9lix. Conclus\u00e3o: Regras concretas e m\u00e1quinas abstratas. In: <strong>Mil plat\u00f4s<\/strong>: capitalismo e esquizofrenia 2. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2012c. v. 5.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1s9gi\">DELEUZE, Gilles; PARNET, Claire. <strong>Di\u00e1logos<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora Escuta, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-evs1e\">J\u00daNIOR, Durval Muniz de Albuquerque; VEIGA-NETO, Alfredo da; FILHO, Al\u00edpio de Souza. Uma cartografia das margens. In: J\u00daNIOR, Durval Muniz de Albuquerque; VEIGA-NETO, Alfredo da; FILHO, Al\u00edpio de Souza (orgs.). <strong>Cartografias de Foucault<\/strong>. 2. ed. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dobl0\">KASTRUP, Virg\u00ednia. O funcionamento da aten\u00e7\u00e3o no trabalho do cart\u00f3grafo. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; ESC\u00d3SSIA, Liliana da. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: Pesquisa-interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ql9n\">KASTRUP, Virg\u00ednia; PASSOS, Eduardo. Cartografar \u00e9 tra\u00e7ar um plano comum. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; TEDESCO, Silvia. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: a experi\u00eancia da pesquisa e o plano comum. Porto Alegre: Sulina, 2016. v. 2.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-64von\">LARROSA, Jorge. Tecnologias do Eu e Educa\u00e7\u00e3o. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). <strong>O sujeito da educa\u00e7\u00e3o<\/strong>: estudos foucaultianos. 8. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-76nfh\">PASSOS, Eduardo; BARROS, Regina Benevides. A Cartografia como m\u00e9todo de pesquisa-interven\u00e7\u00e3o. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; ESC\u00d3SSIA, Liliana da. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: Pesquisa-interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-43i4c\">PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; ESC\u00d3SSIA, Liliana da. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: Pesquisa-interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-37vte\">PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; TEDESCO, Silvia. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: a experi\u00eancia da pesquisa e o plano comum. Porto Alegre: Sulina, 2016. v. 2.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-d333i\">POZZANA, Laura. A forma\u00e7\u00e3o do cart\u00f3grafo \u00e9 o mundo: corporifica\u00e7\u00e3o e afetabilidade. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virg\u00ednia; TEDESCO, Silvia. <strong>Pistas do m\u00e9todo da cartografia<\/strong>: a experi\u00eancia da pesquisa e o plano comum. Porto Alegre: Sulina, 2016. v. 2.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dte5e\">OLIVEIRA, Thiago Ranniery Moreira. Mapas, dan\u00e7a, desenhos: a cartografia como m\u00e9todo de pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o. MEYER, Dagmar Estermann; PARA\u00cdSO, Marlucy Alves. <strong>Metodologias de pesquisa p\u00f3s-cr\u00edticas em educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. 2. ed. Belo Horizonte: Mazza Edi\u00e7\u00f5es, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5n6lg\">ROLNIK, Suely.<strong> Cartografia sentimental<\/strong>. Porto Alegre: Sulina, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bmhqa\">VEIGA-NETO, Alfredo; RECH, Tatiana Luiza. Esquecer Foucault? <strong>Pro-posi\u00e7\u00f5es<\/strong>. V. 25, N. 2 (74). P. 67-82. Maio\/Ago, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4mkdr\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref1\" target=\"_blank\">[1]<\/a> Na composi\u00e7\u00e3o das pistas aqui apresentadas e discutidas, os dois volumes da obra \u201cPistas do m\u00e9todo da cartografia\u201d, o primeiro, tendo como subt\u00edtulo \u201cpesquisa-interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade\u201d (PASSOS; KASTRUP; ESC\u00d3SSIA, 2015) e o segundo, tendo como subt\u00edtulo \u201ca experi\u00eancia da pesquisa e o plano comum\u201d (PASSOS; KASTRUP; TEDESCO, 2016), foram indispens\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4mkdr\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref2\" target=\"_blank\">[2]<\/a> De acordo com Passos, Kastrup e Esc\u00f3ssia (2015), no delineamento do m\u00e9todo da cartografia\/cartogr\u00e1fico, como pesquisa de interven\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de subjetividade, h\u00e1 pistas a serem seguidas, de modo que n\u00e3o h\u00e1 uma sequ\u00eancia linear de passos, mas escolhas e usos que se fazem no acompanhamento de um processo orientado pela aten\u00e7\u00e3o, necessidade e, at\u00e9, sensibilidade do cart\u00f3grafo. Informo que n\u00e3o usufru\u00ed de todos os textos desta mesma colet\u00e2nea, uma vez que h\u00e1 direcionamentos que se inclinam para a \u00e1rea de psicologia cl\u00ednica, foco que n\u00e3o interessou a esta investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4mkdr\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref3\" target=\"_blank\">[3]<\/a> Com exce\u00e7\u00e3o da An\u00e1lise de Discurso de clave foucaultiana, que abre m\u00e3o da lingu\u00edstica cl\u00e1ssica para analisar os enunciados no interior de um contexto mais amplo. <\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4mkdr\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref4\" target=\"_blank\">[4]<\/a> Por uma quest\u00e3o de estrutura do manuscrito, optei por uma sele\u00e7\u00e3o das pistas julgadas imprescind\u00edveis no intercurso do m\u00e9todo cartogr\u00e1fico. Destaco a meus\/minhas leitores(as) que o primeiro (PASSOS; KASTRUP; ESC\u00d3SSIA) e o segundo volume (PASSOS; KASTRUP; TEDESCO) do \u201cPistas do m\u00e9todo da cartografia\u201d totalizam dezesseis pistas, o que seria invi\u00e1vel considerar neste espa\u00e7o f\u00edsico. <\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4mkdr\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/07dfa6f4-73b9-4c80-a86b-d4a026af21bf\/blog\/create-post#_ftnref5\" target=\"_blank\">[5]<\/a> A pesquisa completa pode ser acessada na p\u00e1gina do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ensino de Ci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o Matem\u00e1tica (PECEM-UEL) por meio do link: http:\/\/www.bibliotecadigital.uel.br\/document\/?code=vtls000225754:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo No recorte de investiga\u00e7\u00e3o aqui apresentado, busco acentuar contornos de algumas possibilidades oferecidas pelo m\u00e9todo da cartografia. Enfatizando que n\u00e3o h\u00e1 um caminho metodol\u00f3gico pr\u00eat-\u00e0-porter no tra\u00e7ado cartogr\u00e1fico, escrutinei seis pistas, de modo que, na organiza\u00e7\u00e3o do presente manuscrito, elas foram comentadas, buscando enfatizar de que modos orientaram o processo de constru\u00e7\u00e3o do corpus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":127,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[26,27,28],"class_list":["post-126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fala-ai-como-voce-fez","tag-adalberto-ferdnando-inocencio","tag-cartografias","tag-filosofia-da-diferenca"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=126"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":130,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/126\/revisions\/130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}