{"id":110,"date":"2022-08-01T15:05:04","date_gmt":"2022-08-01T18:05:04","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/?p=110"},"modified":"2022-08-01T15:05:05","modified_gmt":"2022-08-01T18:05:05","slug":"um-metodo-acontecimental-como-textura-da-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/quaseciencias\/fala-ai-como-voce-fez\/2022\/08\/01\/um-metodo-acontecimental-como-textura-da-pesquisa\/","title":{"rendered":"Um m\u00e9todo acontecimental como textura da pesquisa."},"content":{"rendered":"\n<p id=\"viewer-1q0n\">Pensar no m\u00e9todo ao desenvolver pesquisas nos universos referenciais dos estudos culturais torna-se um desafio inventivo, associativo, com agenciamentos e escolhas diante de um campo do saber sem um corpo de teorias fundamentais, passos a serem aplicados ou saberes un\u00edvocos rumo a problemas e solu\u00e7\u00f5es preestabelecidos. Sem conson\u00e2ncias, mas aberto \u00e0s diferen\u00e7as e singularidades que comp\u00f5em o plano da iman\u00eancia da cultura, tra\u00e7amos caminhos investigativos, ou escolhemos nossas caixas de ferramentas, ou mergulhamos em redes conceituais, ou ainda pensamos com nossos intercessores, ou&#8230; ou&#8230; e ou&#8230; diversos poss\u00edveis que se fazem nos atos de cria\u00e7\u00e3o da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-casu2\">Neste texto, compartilhei as condi\u00e7\u00f5es de acontecimento que proporcionaram criar o m\u00e9todo da minha tese de doutorado desenvolvida no contexto do Grupo de Estudos Culturais das Ci\u00eancias e da Educa\u00e7\u00e3o (GECCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), coordenado pelo Prof. Dr. Mois\u00e9s Alves de Oliveira, defendida em mar\u00e7o de 2018, com o t\u00edtulo \u201cExist\u00eancias PositHIVas: um blog como (n\u00e3o)lugar e modos outros de [r(e)]existir com HIV\u201d (BASTOS, 2018), apresentada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ensino de Ci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o Matem\u00e1tica (PECEM) da UEL, em uma tentativa de descrever um pouco mais como esta pesquisa se constituiu, apresentando as escolhas, os interesses, os caminhos que me permitiram criar essa textura para a pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1hrlr\">Para tanto, me faz necess\u00e1rio contar, ou criar, o contexto dessa pesquisa, mesmo que de modo sint\u00e9tico, pois n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9todo que fa\u00e7a sentido sem seu territ\u00f3rio investigativo, suas quest\u00f5es, objetivos e universo referencial.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5ib91\">A constitui\u00e7\u00e3o desta pesquisa se deu por linhas de afeta\u00e7\u00e3o, na ordem do sentir, come\u00e7ando pelas condi\u00e7\u00f5es de acontecimento que me levaram a cruzar com a epidemia HIV1 e AIDS2 como um campo a ser explorado, mais especificamente a me interessar com os modos de exist\u00eancia das pessoas que vivem com HIV e AIDS (PVHA), atravessadas por estigmas, medos, figura\u00e7\u00f5es monstruosas e tecnologias de tratamento ao v\u00edrus. Tais condi\u00e7\u00f5es se fizeram em uma de minhas aulas de biologia no Ensino M\u00e9dio, quando atuava como professor da rede Estadual de educa\u00e7\u00e3o do Estado do Paran\u00e1. Nessa aula, ao discutir caracter\u00edsticas gerais dos v\u00edrus, fui interrogado com curiosidades a respeito do HIV, que logo se vascularizaram entre as e os estudantes, por meio de di\u00e1logos que traziam \u00e0 tona uma figura monstruosa do HIV e da PVHA, somada a informa\u00e7\u00f5es de senso comum que divergiam das realidades biom\u00e9dicas e tecnol\u00f3gicas da epidemia. Sa\u00ed daquela aula bastante incomodado e pensativo, me questionando: por que estudantes t\u00e3o jovens, entre 14 e 16 anos, repetiam uma figura monstruosa constru\u00edda com o in\u00edcio da epidemia? Que impactos aqueles discursos poderiam ter para a marginaliza\u00e7\u00e3o das PVHA? Que a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas eu poderia promover com o intuito de apresentar outras possibilidades de pensar a epidemia e a vida com HIV e AIDS?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a3cat\">Com essas inquieta\u00e7\u00f5es, mergulhei no contexto da epidemia do HIV e AIDS, tentando compreender melhor suas quest\u00f5es, me deparando com o blog \u201cDi\u00e1rio de um Jovem Soropositivo\u201d3. Ao explorar o blog, a postagem que escolhi para desenvolver um poss\u00edvel trabalho pedag\u00f3gico com as e os estudantes era intitulada \u201cEsque\u00e7a tudo o que voc\u00ea sabe sobre o HIV e AIDS\u201d, um t\u00edtulo provocante, um texto sint\u00e9tico e com resultados atuais de pesquisas da \u00e1rea de bioci\u00eancias voltadas \u00e0 busca de tecnologias para a cura do HIV e AIDS. Logo notei tamb\u00e9m que havia diversos coment\u00e1rios abaixo do texto da postagem. Por curiosidade, comecei a ler e, quando me dei conta, j\u00e1 me sentia envolvido, ou capturado, com as hist\u00f3rias de vida apresentadas. Tratava-se de discursos produzidos por corpos que se identificavam em sua grande maioria como soropositivo para o HIV, ou melhor dizendo, como pessoas que vivem com HIA e AIDS (PVHA), que naquele espa\u00e7o teciam seus anseios, compartilhavam suas hist\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o, a aceita\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-diagn\u00f3stico reagente para o HIV, os conflitos amorosos, o preconceito da sociedade, bem como conhecimentos a respeito dos discursos cient\u00edficos que investigavam a desejada cura, os mecanismos biol\u00f3gicos de atua\u00e7\u00e3o do HIV no organismo descritos pelas ci\u00eancias e, o que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o, relatos tamb\u00e9m do quanto aquele espa\u00e7o, o blog, tinha sido fundamental para eles compreenderem e conviverem melhor com sua nova condi\u00e7\u00e3o de vida, manifestando orgulho de sua condi\u00e7\u00e3o, positivando-a com alegria na arte do viver.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5kpsh\">Senti que aquele blog era um espa\u00e7o que possibilitava \u00e0s PVHA aprenderem discursos oriundos das bioci\u00eancias atuais e compartilharem, de maneira an\u00f4nima, experi\u00eancias de vida, entre outras coisas, lidar com seus conflitos, com os fluxos de for\u00e7as e recriar uma expectativa de vida dita saud\u00e1vel vivendo com o HIV. Logo passei a me questionar: seria aquele blog um lugar privilegiado de aprendizado a respeito dos discursos atuais das bioci\u00eancias e suas tecnologias? Que discursos s\u00e3o esses? H\u00e1 diferen\u00e7as entre tais discursos e aqueles circulados nas escolas, nas interven\u00e7\u00f5es de Educa\u00e7\u00e3o Sexual, nos livros did\u00e1ticos e at\u00e9 mesmo nas campanhas da \u00e1rea da sa\u00fade? Que rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o estabelecidas entre os corpos atuantes no blog? Qual a import\u00e2ncia do discurso cient\u00edfico presente naquele lugar? Seria mais um lugar pedag\u00f3gico? Ou ter\u00edamos funcionando um tipo de educa\u00e7\u00e3o menor (GALLO, 2013)? De que maneira? Em suma, que lugar era aquele?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6s7rb\">Compartilho aqui essas inquieta\u00e7\u00f5es, pois como destaca Marisa Vorraber Costa<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-4pigk\"><p>Parece que nenhuma indaga\u00e7\u00e3o nasce de um vazio, sem um territ\u00f3rio e sem um tempo que fecunda as ideias, as d\u00favidas, as inseguran\u00e7as. \u00c9 nossa radicalidade hist\u00f3rica que produz o tipo de pergunta que abala nossas certezas, que inquieta, que apaixona, que impulsiona e, muitas vezes, amedronta pelo que sugere como possibilidade (COSTA, 2005, p. 200-201).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8er1h\">Assim, em um misto de paix\u00e3o e inseguran\u00e7a com o desconhecido, senti que essas inquieta\u00e7\u00f5es nasceram da minha afeta\u00e7\u00e3o ante as hist\u00f3rias de vida e resist\u00eancia de corpos que vivem com HIV registradas no blog, em movimentos de empatia que me fizeram experimentar aqueles modos de exist\u00eancia e envies\u00e1-los aos meus. Bem como da radicalidade e utopia em buscar o n\u00e3o pensado ou o n\u00e3o autorizado, em sua pot\u00eancia criativa e intensiva de fluxos que produzem realidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-cffso\">No entanto, quando iniciei esta pesquisa no come\u00e7o de 2015, de maneira bastante t\u00edmida, para n\u00e3o dizer ing\u00eanua, fui questionado e me enchia de incertezas, como: por que investir na tem\u00e1tica do HIV e AIDS em uma tese de doutorado em um momento no qual os discursos que produzem essas enfermidades parecem estar naturalizados ou at\u00e9 mesmo com abordagens pedag\u00f3gicas consagradas para lidar com a problem\u00e1tica? (seja nas escolas, ou em campanhas promovidas pelas diversas inst\u00e2ncias de sa\u00fade p\u00fablica).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-52tu0\">Vale destacar que no campo de pesquisas dos Estudos Culturais, por exemplo, desde o final da d\u00e9cada de 1990, pesquisas nacionais de alta qualidade j\u00e1 haviam sido produzidas, como as de: Dagmar Estermann Meyer e colaboradores (2004); Lu\u00eds Henrique Sacchi dos Santos e colaboradores (2005); Claudia Carneiro da Cunha (2011); Luiz Felipe Zago e Lu\u00eds Henrique Sacchi dos Santos (2013). Todos problematizaram, entre outros pontos, biopol\u00edticas que atravessam os corpos soropositivos, contribuindo para o fortalecimento do estigma social da doen\u00e7a; quest\u00f5es de g\u00eanero presentes nas campanhas publicit\u00e1rias do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade direcionadas \u00e0s mulheres; a responsabiliza\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo para problemas de sa\u00fade coletiva, logo de responsabilidade governamental, presente em tais campanhas; a (con)forma\u00e7\u00e3o de jovens vivendo com HIV a respeito de sujeitos conscientes, aut\u00f4nomos, respons\u00e1veis, ao mesmo tempo que representam perigos para a sociedade; os limites do conceito de empoderamento como estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o e resposta \u00e0 epidemia de HIV e AIDS, destacando seu efeito de governamento dos corpos, das autonomias dos indiv\u00edduos, em uma l\u00f3gica de controle das subjetividades.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fsmsm\">No entanto, causava-me certa ang\u00fastia aceitar que as op\u00e7\u00f5es de pesquisa em HIV e AIDS e suas interseccionalidades fossem apenas os caminhos tra\u00e7ados pela biopol\u00edtica. \u201cPois a biopol\u00edtica, como Foucault a definiu, \u00e9 gest\u00e3o e controle da vida das popula\u00e7\u00f5es, compat\u00edvel com o que Deleuze chamou de \u2018sociedade de controle\u2019, tendo por limite inferior o rebaixamento biologizante da exist\u00eancia (vida nua)\u201d (PELBART, 2016, p.14). Ou seja, a investiga\u00e7\u00e3o interessada nas rela\u00e7\u00f5es de poder, que estratificam de maneira bastante complexa corpos com HIV e AIDS em diversas inst\u00e2ncias culturais, podendo aprisionar a capacidade de afeta\u00e7\u00e3o, de cria\u00e7\u00e3o, de desejar, que comp\u00f5e uma vida. N\u00e3o que essas pesquisas n\u00e3o sejam e tenham sido importantes, muito pelo contr\u00e1rio! Pesquisas como essas possibilitaram diversas mudan\u00e7as reais nas pol\u00edticas p\u00fablicas, nas campanhas de sa\u00fade e nos protocolos de atendimento das pessoas que vivem com HIV e AIDS.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8h9\">Por\u00e9m, aos poucos, notei que minha ang\u00fastia estava relacionada com essa contradi\u00e7\u00e3o entre campo de pesquisa e os relatos de modos de exist\u00eancia que encontrei no blog. Isso, despertou meu desejo de focar nas rea\u00e7\u00f5es das PVHA a esses mecanismos sociais de controle que investem na vida, quais eram suas cria\u00e7\u00f5es, seus desejos e lutas pela vida. Em suma, queria saber mais a respeito do que pode um corpo que vive com HIV. Logo, n\u00e3o tinha outra sa\u00edda sen\u00e3o respeitar meus afetos e selecionar o blog, mas especificamente os coment\u00e1rios registrados nele, como objeto de an\u00e1lise da minha pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-epr44\">Tal blog foi criado e alimentado por um sujeito que se descreve pelo g\u00eanero masculino, nascido em 1984 e que descobriu ter sorologia positiva, ou reagente, para o v\u00edrus do HIV em outubro de 2010. Nesse blog, o autor se identifica pelo codinome \u201cJovem Soropositivo\u201d ou apenas \u201cJS\u201d, mantendo seu anonimato e um legado de seguidores, que at\u00e9 a data de produ\u00e7\u00e3o deste trabalho, ultrapassa a marca dos tr\u00eas mil cadastrados. Em suas postagens, JS dedica-se a veicular resultados de pesquisas que buscam a cura para o HIV e AIDS, bem como qualquer outra not\u00edcia que esteja relacionada com o tema.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9hbre\">Um ponto que chamou minha aten\u00e7\u00e3o nas postagens de JS, desde o primeiro contato, foi a sua repercuss\u00e3o, ou seja, a quantidade de coment\u00e1rios registrados por leitores, que tornam esse espa\u00e7o um lugar din\u00e2mico em que fluxos s\u00e3o produzidos, circulados, dobrados e subjetivados. Diante desse universo rizom\u00e1tico que se cria, por onde come\u00e7ar minhas investiga\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1cf3u\">Optei por iniciar minhas an\u00e1lises por aquele ponto de encontro que tive com o blog, a postagem intitulada \u201cEsque\u00e7a tudo que voc\u00ea sabe sobre HIV e AIDS\u201d publicada no dia 13 de novembro de 2014. N\u00e3o s\u00f3 por ter sido minha fonte de acesso, mas tamb\u00e9m por duas outras raz\u00f5es: ao explorar as demais publica\u00e7\u00f5es de JS, constatei que essa postagem era a de maior repercuss\u00e3o do blog, considerando a quantidade de coment\u00e1rios inseridos, 600 at\u00e9 o momento em que a pesquisa foi produzida; e pela qualidade desses coment\u00e1rios em expressar modos de exist\u00eancia de corpos que vivem com HIV na atualidade, bem como em fazer circular fluxos capazes de afetar os corpos que por l\u00e1 deixam seus rastros de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-32u6r\">T\u00e3o logo, alguns desafios emergiram na constitui\u00e7\u00e3o de como seriam as an\u00e1lises de dados t\u00e3o complexos, ricos em modos de exist\u00eancia e afeta\u00e7\u00f5es. Para tanto, al\u00e9m de minhas sensa\u00e7\u00f5es, precisei buscar por conceitos e l\u00f3gicas de pensamento que despertassem em mim uma pot\u00eancia criativa anal\u00edtica. Nessas buscas, fui encontrando pistas de caminhos a seguir, ou melhor, a construir. Parti de discuss\u00f5es do campo dos Estudos Culturais, como a Pedagogia dos Monstros (COHEN, 2000) e a produ\u00e7\u00e3o cultural da identidade e da diferen\u00e7a (SILVA, 2012), para pensar em mecanismos culturais que sustentam a l\u00f3gica dos processos de diferencia\u00e7\u00e3o entre ser HIV soropositivo e soronegativo. Entretanto, boa parte desses referenciais aprisionava ou conduzia meus pensamentos para um fechamento das ideias e n\u00e3o me ajudava a pensar nos modos de exist\u00eancia que eu sentia a partir da leitura dos tantos coment\u00e1rios registrados no blog em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3e38a\">Foi nesse caminhar, em meio a crises de produ\u00e7\u00e3o e me sentindo em muitos momentos incapaz de realizar a an\u00e1lise desejada, que resolvi, inspirado pelos incans\u00e1veis conselhos do meu orientador, saborear mais os dados, no caso os coment\u00e1rios no blog, e descrever os movimentos de produ\u00e7\u00e3o que lhes eram pr\u00f3prios. Com as sensa\u00e7\u00f5es que explorei inicialmente nesse saborear, pude perceber movimenta\u00e7\u00f5es que me pareciam estar relacionadas \u00e0s dobras de Deleuze\/Foucault: discutidas por Gilles Deleuze (2005) como solu\u00e7\u00f5es a quest\u00f5es levantadas por Michel Foucault.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8hcep\">A cada rela\u00e7\u00e3o que eu estabelecia com os coment\u00e1rios postados no blog e pensando inicialmente junto com o conceito de dobra, consegui aos poucos come\u00e7ar a produzir e enxergar movimenta\u00e7\u00f5es que eram coerentes com aquilo que sentia no universo dos dados. Movimenta\u00e7\u00f5es essas que eu acreditava abrir para a produ\u00e7\u00e3o de modos de exist\u00eancia com o HIV mais afirmativos e menos redutores de vida, da ordem da vontade de pot\u00eancia, daquelas intensidades capazes de ampliar a vida (DELEUZE, 2016b; PELBART, 2016; DIAS, 2011; ROLNIK, 2002). Assim, comecei tamb\u00e9m a me perguntar: o que pode um blog na vida de corpos soropositivos ao HIV?.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-c1ntg\">A partir desses acontecimentos, fui mergulhando no universo da filosofia da diferen\u00e7a pensada principalmente com a produ\u00e7\u00e3o de Gilles Deleuze e experimentando a cada leitura, a cada novo intercessor, uma pot\u00eancia do pensamento. Aos poucos fui percebendo a necessidade de suspender determinados conceitos e pensar com outros para dar continuidade ao desenho desta pesquisa, bem como que minha l\u00f3gica de pensamento n\u00e3o estava separada das minhas sensa\u00e7\u00f5es, afeta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9mqpl\">Retornando aos dados, diante da heterogeneidade de discuss\u00f5es abordadas nos coment\u00e1rios, meu foco de pesquisa constituiu-se no que diz respeito aos efeitos da diferen\u00e7a e produtividades, nos fluxos circulantes, que propriamente na caracteriza\u00e7\u00e3o de quem s\u00e3o as m\u00e1quinas que as produzem. N\u00e3o procurei tra\u00e7ar uma ontologia dos sujeitos que por ali passam, mas sim analisar a singularidade e multiplicidade dos efeitos por l\u00e1 produzidos, seus acontecimentos, enviesados por minhas sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-eahl3\">Tais posicionamentos me possibilitaram ao longo dessa pesquisa sentir a sutileza das movimenta\u00e7\u00f5es que produzem modos de exist\u00eancia mais positivos encontrados por meio dos registros no blog e evidenciar intensidades capazes de ampliar a vida.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-f6ibj\">Em termos mais pragm\u00e1ticos, na leitura dos coment\u00e1rios registrados na postagem selecionada, busquei primeiramente criar uma taxonomia para as movimenta\u00e7\u00f5es mais gerais e recorrentes que por l\u00e1 sentia circular. Isso me possibilitou tra\u00e7ar tr\u00eas focos que me ajudaram a lidar com a grande quantidade de registros: experi\u00eancia intempestiva, busca por modos outros de exist\u00eancia e a inven\u00e7\u00e3o de outras possibilidades de vida.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-90ojj\">Assim, esses focos de an\u00e1lise n\u00e3o funcionaram como categorias preestabelecidas a partir de um referencial te\u00f3rico para se produzir an\u00e1lises textuais discursivas ou de conte\u00fado, tampouco s\u00e3o categorias de qualquer outra natureza, uma vez que n\u00e3o possuem a fun\u00e7\u00e3o de agrupar um conjunto de ideias por similaridade, afinidade e apagamento de qualquer diferen\u00e7a. Muito pelo contr\u00e1rio, al\u00e9m de terem sido pensados a partir daquilo que sentia acontecer no blog, foi um modo de direcionar minhas intensidades anal\u00edticas. Se em algum momento esses focos exerceram a fun\u00e7\u00e3o de organizador estrutural, esta foi esvaziada desse fim ao longo da constru\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise, por n\u00e3o darem conta das multiplicidades existentes nos registros encontrados.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2qjp4\">Com essas ressalvas, sinto-me seguro em apresentar os objetivos espec\u00edficos de cada um desses focos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>\u201cExperi\u00eancia intempestiva\u201d: neste foco, discuti coment\u00e1rios que me davam evid\u00eancias de atravessamentos, fluxos, estratifica\u00e7\u00f5es, ou ainda, acontecimentos, que produzem nas PVHA experi\u00eancias intempestivas, que por vezes os levam ao esgotamento da vida.<\/li><li>\u201cBusca por modos outros de exist\u00eancia\u201d: j\u00e1 neste segundo foco, analisei coment\u00e1rios que me possibilitaram sentir movimenta\u00e7\u00f5es em busca de modos outros de existir ante a condi\u00e7\u00e3o soropositiva ao HIV, ou seja, tentativas das PVHA em produzir linhas de fuga, um avesso, imposs\u00edveis ao estado redutor da vida.<\/li><li>\u201cInven\u00e7\u00e3o de outras possibilidades de vida\u201d: no terceiro foco, apresentei poss\u00edveis produzidos pelas PVHA que funcionam como estrat\u00e9gias para a cria\u00e7\u00e3o de modos de exist\u00eancia outros diante do contexto social que comp\u00f5e a epidemia de HIV e AIDS na contemporaneidade.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1r42o\">Com isso, no ato de experimentar os dados, fui buscando evidenciar os mecanismos que fazem circular fluxos de intensidades, como dobras, reverbera\u00e7\u00f5es e transvalora\u00e7\u00f5es, bem como seus modos de criar experi\u00eancias subjetivas, singularidades e modos de exist\u00eancia com HIV. Abrindo possibilidades para pensar em modos de existir \u201c\u00e9tico-est\u00e9tico-pol\u00edticos\u201d, compreendendo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-aknc9\"><p>\u00c9tico, posto que implica o reconhecimento da alteridade, n\u00e3o enquanto toler\u00e2ncia ou intoler\u00e2ncia, mas como coexist\u00eancia de diferen\u00e7as. Est\u00e9tico, pelo convite \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novos processos de exist\u00eancia. Pol\u00edtico, visto que criar se op\u00f5e a reproduzir, implicando compromissos e riscos que se conjugam nas a\u00e7\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es assumidas (STUBS, FILHO, PERES, 2014, p.786).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8i7jr\">Essa tr\u00edade \u201c\u00e9tico-est\u00e9tico-pol\u00edtica\u201d expressa a complexidade das produ\u00e7\u00f5es subjetivas de ordem criativa em uma l\u00f3gica da sensa\u00e7\u00e3o, que positivam o desejo de viver e intensificam as experimenta\u00e7\u00f5es nas tramas culturais. Foi o conjunto dessas an\u00e1lises que proporcionou a cria\u00e7\u00e3o da tese defendida, de que o blog promoveu uma educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade menor, com a desterritorializa\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, da ramifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e do seu valor coletivo, havendo constru\u00e7\u00e3o de possibilidades de liberta\u00e7\u00e3o no cotidiano (BASTOS, 2018; GALLO, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1ulp0\">Assim, esta pesquisa pode ser caracterizada como uma \u201cpesquisa do acontecimento\u201d, uma vez que n\u00e3o estive interessado em investigar unidades ou como identidades definidas s\u00e3o formadas, mas sim valorizar as linhas de fuga, os devires e nomadismos que constituem os modos de exist\u00eancia com HIV na contemporaneidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9mqsu\">Como bem argumenta Sandra Corazza,<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" id=\"viewer-52dqd\"><p>Para tal Pesquisa, tudo \u00e9 considerado Acontecimento puro, isto \u00e9, potencialidade inexistente fora de suas atualiza\u00e7\u00f5es e, todavia, delas transbordante. Incorporal sem ser vago, coletivo e particular, percept\u00edvel e microsc\u00f3pico, o Acontecimento \u00e9 modo de individua\u00e7\u00e3o, ligado a um clima, a um clar\u00e3o, a um sil\u00eancio, a outros acontecimentos. Ele n\u00e3o designa coisas, fatos, a\u00e7\u00f5es, paix\u00f5es dos corpos, estados de ser ou de coisas, pessoas, sujeitos, porque os toma como individuados por linhas acontecimentais, como individua\u00e7\u00f5es assubjetivas, impessoais, subpessoais; cada qual dotado de dura\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e vari\u00e1vel, embora intensiva, feita de afetos e de sensa\u00e7\u00f5es (CORAZZA, 2013, p.37).<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ar0ke\">Por conseguinte, acredito ficar evidente que este trabalho esteve articulado com um campo de pensamento chamado de filosofia da diferen\u00e7a, que prioriza essas movimenta\u00e7\u00f5es acontecimentais do ato de pensar. Em outras palavras, isso implica reconhecer que este trabalho foi adquirindo consist\u00eancia junto as minhas experimenta\u00e7\u00f5es e atos de cria\u00e7\u00e3o. Um \u201cEmpirismo transcendental\u201d, como diria Deleuze, que privilegia as virtualidades dos acontecimentos que comp\u00f5em um plano de iman\u00eancia, um plano que constitui aos acontecimentos suas realidades pr\u00f3prias (DELEUZE, 2016b).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-813l5\">Com tais pondera\u00e7\u00f5es, destaco tamb\u00e9m que o que fiz foi pensar junto com meus intercessores, em movimentos que chegam entre, valorizando os meios em detrimento dos fins (DELEUZE, 2013). Assim, a principal vari\u00e1vel da minha produ\u00e7\u00e3o foram meus intercessores, sejam eles obras, conceitos, autores, amigos, imagens ou coisas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7n1hu\">Assim, este m\u00e9todo criou texturas, algo que necessariamente se sente, ao enunciar seus intercessores, escolha dos dados, focos de an\u00e1lise e interesses \u00e9tico-est\u00e9tico-pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5vl9\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a86ba\">BASTOS, Vin\u00edcius Colussi. <strong>Exist\u00eancias PositHIVas:<\/strong> um blog como (n\u00e3o)lugar e modos outros de [r(e)]existir com HIV. 2018. 124 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o Matem\u00e1tica) \u2013 Universidade Estadual de Londrina. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dtmtc\">CORAZZA, Sandra Mara. <strong>O que se transcria em educa\u00e7\u00e3o?<\/strong> Porto Alegre: Doisa, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3sh6c\">COSTA, Marisa Vorraber. Velhos temas, novos problemas \u2013 a arte de perguntar em tempos p\u00f3s-modernos. In: COSTA, Marisa Vorraber. BUJES, Maria Isabel Edelweiss (org.). <strong>Caminhos Investigativos III:<\/strong> riscos e possibilidades de pesquisar nas fronteiras. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2005. p. 199-214.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8pv8c\">COHEN, Jeffrey Jerome. A cultura dos monstros: sete teses. In: COHEN, Jeffrey Jerome. <strong>Pedagogia dos monstros &#8211; os prazeres e os perigos da confus\u00e3o de fronteiras<\/strong> Trad. de Tomaz Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-c1auo\">CUNHA, Claudia Carneiro da. <strong>\u201cJovens Vivendo\u201d com HIV\/aids:<\/strong> (Con)forma\u00e7\u00e3o de sujeitos em meio a um embara\u00e7o. 2011. 297 f. Tese (Doutorado em Antropologia Social do Museu NAcional) &#8211; Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2011.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b4vet\">DELEUZE, Gilles. <strong>Foucault.<\/strong> Claudia Sant\u2019Anna Martins; revis\u00e3o Renato Ribeiro. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-78ppu\">______. <strong>Conversa\u00e7\u00f5es <\/strong>(1972-1990). Trad. de Peter P\u00e1l Pelbart. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-buv5i\">______. <strong>A iman\u00eancia<\/strong>: uma vida. In.: DELEUZE, Gilles. Dois regimes de loucos: textos e entrevistas (1975-1995). Edi\u00e7\u00e3o preparada por David Lapoujade; trad. de Guilherme Ivo. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dlkco\">DIAS, Rosa. <strong>Nietzche, vida como obra de arte. <\/strong>Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6bor4\">GALLO, Silvio. <strong>Deleuze &amp; a Educa\u00e7\u00e3o. <\/strong>3ed. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Editora, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-eqvpa\">MEYER Dagmar Estermann, et al. \u2018Mulher sem-vergonha\u2019 e \u2018traidor respons\u00e1vel\u2019: problematizando representa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero em an\u00fancios televisivos oficiais de preven\u00e7\u00e3o ao HIV\/AIDS. <strong>Estudos Feministas<\/strong>, Florian\u00f3polis, v.12, n.2, p. 51-76, maio\/ago. 2004.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fls9e\">PELBART, Peter P\u00e1l. <strong>O avesso do niilismo:<\/strong> cartografias do esgotamento. 2.ed. S\u00e3o Paulo: n-1 edi\u00e7\u00f5es, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-86uf9\">ROLNIK, Suely. Subjetividade em obra: Lygia Clark, artista contempor\u00e2nea. <strong>Projeto Hist\u00f3ria<\/strong>, S\u00e3o Paulo, v. 25, p. 43-54, dez. 2002.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1vmae\">SANTOS, Lu\u00eds Henrique Sacchi dos, et al. De que Realidades &#8216;Falam&#8217; os An\u00fancios de Preven\u00e7\u00e3o ao HIV\/AIDS?. <strong>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Realidade<\/strong>, Porto Alegre, v. 30, n. 1, p.141-167, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4km3v\">SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). <strong>Identidade e diferen\u00e7a:<\/strong> a perspectiva dos estudos culturais. 12. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-e5jur\">SOROPOSITIVO, Jovem. <strong>Di\u00e1rio de um Jovem Soropositivo.<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/jovemsoropositivo.com\/&gt;. Acessado em 25 de nov. de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-27u3h\">STUBS, Roberta; FILHO Fernando Silva Teixeira; PERES, Wiliam Siqueira. A pot\u00eancia do cyborg no agenciamento de modos de subjetiva\u00e7\u00e3o p\u00f3s-identit\u00e1rios: conex\u00f5es parciais entre arte, psicologia e g\u00eanero. <strong>Fractal, Rev. Psicol.<\/strong>, v. 26 \u2013 n. 3, p. 785-802, set.\/dez. 2014.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-76ndv\">ZAGO, Luiz Felipe; SANTOS, Lu\u00eds Henrique Sacchi dos. Os limites do conceito de empoderamento na preven\u00e7\u00e3o ao HIV\/Aids entre jovens gays e bissexuais no Brasil. <strong>Physis, Revista de Sa\u00fade Coletiva<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 23, n. 3, p. 681-701, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bvb6\"><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2gvpu\">[1] Sigla de <em>Human Immunodeficiency Virus,<\/em> em l\u00edngua inglesa, convencionada para denominar o V\u00edrus da Imunodefici\u00eancia Humana, n\u00e3o traduzida neste trabalho para a sua vers\u00e3o em l\u00edngua portuguesa, VIH, devido \u00e0 popularidade em nossa cultura da vers\u00e3o em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4fpcc\">[2] Sigla de <em>Acquired Immunodeficiency Syndrome<\/em>, em l\u00edngua inglesa, convencionada para denominar a S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Adquirida, n\u00e3o traduzida neste trabalho para a sua vers\u00e3o em l\u00edngua portuguesa, SIDA, devido \u00e0 popularidade em nossa cultura da vers\u00e3o em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-lr2o\">[3] SOROPOSITIVO, Jovem. Di\u00e1rio de um Jovem Soropositivo. Acessado em 25 de Novembro de 2015. Indispon\u00edvel na atualidade, este blog foi encerrado e seu conte\u00fado retirado da internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensar no m\u00e9todo ao desenvolver pesquisas nos universos referenciais dos estudos culturais torna-se um desafio inventivo, associativo, com agenciamentos e escolhas diante de um campo do saber sem um corpo de teorias fundamentais, passos a serem aplicados ou saberes un\u00edvocos rumo a problemas e solu\u00e7\u00f5es preestabelecidos. 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