{"id":7515,"date":"2026-02-26T13:40:27","date_gmt":"2026-02-26T16:40:27","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/proex\/?p=7515"},"modified":"2026-02-26T16:16:20","modified_gmt":"2026-02-26T19:16:20","slug":"mesa-sobre-corpos-marginalizados-na-cultura-e-ciencia-abre-programacao-do-3o-festival-das-diversidades-inscricoes-para-feirinha-e-discotecagem-estao-abertas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/proex\/sem-categoria\/2026\/02\/26\/mesa-sobre-corpos-marginalizados-na-cultura-e-ciencia-abre-programacao-do-3o-festival-das-diversidades-inscricoes-para-feirinha-e-discotecagem-estao-abertas\/","title":{"rendered":"Mesa sobre corpos marginalizados na cultura e ci\u00eancia abre programa\u00e7\u00e3o do 3\u00ba Festival das Diversidades"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ARTE-MESA-1-Credito-Festival-das-Diversidades-Divulgacao-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7516\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ARTE-MESA-1-Credito-Festival-das-Diversidades-Divulgacao-1024x576.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ARTE-MESA-1-Credito-Festival-das-Diversidades-Divulgacao-300x169.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ARTE-MESA-1-Credito-Festival-das-Diversidades-Divulgacao-768x432.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ARTE-MESA-1-Credito-Festival-das-Diversidades-Divulgacao-1536x864.png 1536w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/ARTE-MESA-1-Credito-Festival-das-Diversidades-Divulgacao.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Franciele Rodrigues*<\/p>\n\n\n\n<p>Neste domingo (1), abrindo a programa\u00e7\u00e3o do 3\u00ba Festival das Diversidades, acontece a mesa \u201cCorpos marginalizados na cultura e na ci\u00eancia\u201d. O evento come\u00e7a com feirinha, discotecagem e apresenta\u00e7\u00e3o do grupo Doce Veneno, a partir das 15h, no Canto do Marl (Avenida Duque de Caxias, n\u00ba 3.241 &#8211; Centro). As falas iniciam na sequ\u00eancia, \u00e0s 17h. Ap\u00f3s a mesa, haver\u00e1 apresenta\u00e7\u00e3o do Ballroom Londrina. A entrada \u00e9 gratuita. <\/p>\n\n\n\n<p>A mesa se prop\u00f5e a encruzilhar os caminhos de tr\u00eas pesquisadores: Malu Jimenez, fil\u00f3sofa, artivista, autora do livro \u201cLute como uma gorda\u201d, professora do curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Diversidade e Inclus\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da PUC-Minas e do mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o da UEL, fundadora e coordenadora do Pesquisa Gorda, primeiro grupo de pesquisa transdisciplinar sobre corporalidades gordas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m abrem os caminhos, Menor Npr 043, rapper, escritor, autor do livro Poesia 043, membro do Coletivo UDV, e Ursula Brevilheri, cientista social, mestra e doutoranda em Sociologia na UEL, integrante da Frente Trans de Londrina e do programa Pr\u00e1xis Itinerante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Potencializar as manifesta\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tiago Daniel, ator, produtor cultural e um dos respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do Festival, salienta que toda a programa\u00e7\u00e3o do evento, composta por diversas atra\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde exposi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas, espet\u00e1culos de dan\u00e7a e teatrais, apresenta\u00e7\u00f5es musicais a encontro cient\u00edfico, buscam valorizar saberes e experi\u00eancias de grupos historicamente marginalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>As atividades ser\u00e3o ofertadas entre mar\u00e7o e agosto deste ano, ocupando diferentes espa\u00e7os de Londrina e cidades vizinhas. A programa\u00e7\u00e3o completa estar\u00e1 dispon\u00edvel na p\u00e1gina oficial <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/festivaldasdiversidades\/\">@festivaldasdiversidades<\/a> no Instagram e site do programa de extens\u00e3o da UEL, <a href=\"https:\/\/projetos.uel.br\/praxis\/\">Pr\u00e1xis Itinerante<\/a>, que juntamente com a produtora Kapanga Criativa, s\u00e3o os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSomos um Festival novo, mas n\u00e3o temos medo de posicionar nossos objetivos. Nosso Festival \u00e9 para corpos marginalizados e aliados pela visibilidade e seguran\u00e7a desses corpos. Essa primeira atividade \u00e9 a retomada de um projeto que vai muito al\u00e9m do entretenimento\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com ele, tanto a mesa inaugural como as atividades seguintes procuram romper com a ideia dominante, oriunda de uma perspectiva positivista, de que cultura (emo\u00e7\u00e3o) e ci\u00eancia (raz\u00e3o) ocupam lugares distantes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FOTO-4-Credito-Festival-das-Diversidades-Acervo-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7517\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FOTO-4-Credito-Festival-das-Diversidades-Acervo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FOTO-4-Credito-Festival-das-Diversidades-Acervo-300x200.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FOTO-4-Credito-Festival-das-Diversidades-Acervo-768x512.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FOTO-4-Credito-Festival-das-Diversidades-Acervo-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/sites.uel.br\/proex\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/FOTO-4-Credito-Festival-das-Diversidades-Acervo.jpg 1620w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Festival das Diversidades | Acervo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 comum vermos um discurso que desassocia a arte da ci\u00eancia, ainda mais quando se trata da arte produzida por corpos marginalizados. Tamb\u00e9m \u00e9 comum vermos partindo da mesma l\u00f3gica um outro discurso que banaliza as pesquisas sobre estes atravessamentos dentro dos espa\u00e7os acad\u00eamicos. Nossas atividades buscam bater de frente com essa realidade e potencializar as discuss\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Malu concorda e acrescenta \u201ceu n\u00e3o separo arte e conhecimento, arte e ci\u00eancia, para mim elas se completam, tanto que o meu trabalho sempre est\u00e1 envolvido com arte. Acho que \u00e9 muito legal a gente trazer esse debate, essa import\u00e2ncia de falar a partir de uma perspectiva que sai da normatiza\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 diverso dentro das ci\u00eancias e das artes e quem \u00e9 que est\u00e1 fazendo ci\u00eancia e arte com temas diversos, quais s\u00e3o esses corpos que est\u00e3o ocupando esse espa\u00e7o t\u00e3o dif\u00edcil dentro da ci\u00eancia, da academia e da pr\u00f3pria arte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Menor Npr 043, que escreve desde os 11 anos, abordando temas que atravessam o cotidiano de popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, como fome, viol\u00eancia policial, mas tamb\u00e9m a pot\u00eancia de vida que pulsa nestas regi\u00f5es negligenciadas e estigmatizadas como a import\u00e2ncia de reconhecer-se em comunidade, compartilha a alegria em ser chamado para a mesa, momento no qual espera-se que o p\u00fablico tamb\u00e9m se sinta pertencente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso me prova que meu trabalho n\u00e3o foi em v\u00e3o, que meu livro est\u00e1 chegando nas pessoas certas e tendo reconhecimento. Acho importante dar ainda mais voz para os movimentos e pessoas que muitas das vezes foram caladas direta e\/ou indiretamente\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo da premissa de que sorrir \u00e9 estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia sob um sistema que ainda resguarda alegria e esperan\u00e7a como privil\u00e9gios, Ursula refor\u00e7a a responsabilidade de compor a mesa, classificada como um local onde &#8211; em refer\u00eancia \u00e0 pensadora brasileira, feminista negra L\u00e9lia Gonzalez &#8211; subalternizados v\u00e3o falar e \u201cnuma boa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFiquei muito feliz pelo convite mas mais ainda pelo que ele significa: o reconhecimento de trajet\u00f3rias que muitas vezes s\u00e3o constru\u00eddas fora dos espa\u00e7os legitimados. Ent\u00e3o eu vejo esse convite como um gesto pol\u00edtico, onde saberes marginalizados s\u00e3o chamados para compor. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 &#8220;chamar pra falar&#8221;, \u00e9 dar import\u00e2ncia para essas experi\u00eancias e produ\u00e7\u00f5es de conhecimento\u201d, pontua Ursula, que assina a obra \u201cAs armas da cisnormatividade contra a linguagem n\u00e3o bin\u00e1ria no Brasil\u201d, fruto de sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cQuando a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 revista, n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, \u00e9 viol\u00eancia\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Malu, que tamb\u00e9m \u00e9 presidenta do Instituto Diversas, cujas principais finalidades s\u00e3o a promo\u00e7\u00e3o da dignidade das pessoas gordas, enfrentando a patologiza\u00e7\u00e3o de seus corpos e valorizando conhecimentos e viv\u00eancias produzidos por elas, avalia que apesar dos avan\u00e7os na \u00faltima d\u00e9cada, ainda h\u00e1 muito a se fazer para incluir as diversidades nas agendas de pesquisa e nos debates p\u00fablicos, especialmente, no que diz respeito \u00e0s corporalidades gordas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que o maior desafio \u00e9 as pessoas entenderem que a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 algo fechado e imut\u00e1vel, que ela precisa estar sendo sempre revista, discutida, pensada e que deve se tornar a partir dos direitos humanos. Ent\u00e3o se existe um grupo reclamando da constru\u00e7\u00e3o de algum conhecimento como violento, a gente precisa parar e repensar sobre isso. Tem uma frase que eu sempre falo, que \u00e9 bem conhecida minha, que \u00e9 quando a ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 questionada, n\u00e3o \u00e9 revista, na verdade, n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia, \u00e9 viol\u00eancia\u201d, assinala.<\/p>\n\n\n\n<p>Ursula ressalta a urg\u00eancia de \u201cinverter a l\u00f3gica\u201d, para que grupos vulnerabilizados n\u00e3o sejam meros objetos de conhecimento, mas produtores de saberes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTanto a arte como a ci\u00eancia produzem formas de ver o mundo e a verdade \u00e9 que por muito tempo s\u00f3 determinadas vozes, determinados corpos, eram considerados dignos de ocupar esses espa\u00e7os. Ent\u00e3o, quando a gente fala de diversidade nesse sentido, a gente lembra formas de ser, pensar e interpretar a realidade que sempre estiveram distantes desse modelo e, por esse motivo, sempre foram silenciadas\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da possibilidade de vislumbrar mundos outros, Ursula considera que a escuta atenta de tais coletivos \u00e9 crucial para que as universidades possam transformar suas pr\u00e1ticas, incorporando cada vez saberes m\u00faltiplos em seus curr\u00edculos, garantindo pol\u00edticas de ingresso e perman\u00eancia para p\u00fablicos espec\u00edficos. Para ela, o resultado ser\u00e1 uma universidade mais conectada com as m\u00faltiplas realidades sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a gente assume diferentes experi\u00eancias de vida como fontes leg\u00edtimas de conhecimento, \u00e9 inevit\u00e1vel que surjam pesquisas ainda mais sens\u00edveis \u00e0s desigualdades. Al\u00e9m de mexer no sentimento de pertencimento: estudantes que antes se viam como fora do lugar, como impostores ocupando este espa\u00e7o, passam a se reconhecer como parte ativa na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Isso transforma trajet\u00f3rias individuais, mas tamb\u00e9m empodera comunidades inteiras, al\u00e9m de mexer no pr\u00f3prio sentido da universidade como uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica, para o p\u00fablico\u201d, indica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o adianta ter cota para aluno se n\u00e3o tem para professores, por exemplo, e quando a gente coloca corpos e debates diversos, a gente est\u00e1 s\u00f3 ampliando a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, principalmente, nesse momento de neoliberalismo, capitalismo e do avan\u00e7o da extrema-direita\u201d, acrescenta Malu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQue a gente possa construir um espa\u00e7o real de troca, que a gente n\u00e3o se limite a falas isoladas, que as pessoas possam se sentir provocadas a fazer novas conex\u00f5es, que n\u00f3s saibamos produzir desdobramentos deste encontro. E tamb\u00e9m que seja um momento de celebra\u00e7\u00e3o. Em tempos de tantos ataques \u00e0 cultura e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, pensarmos em conjunto e estarmos juntos \u00e9, em si, um ato de resist\u00eancia. E \u00e9 a partir disso que a gente constr\u00f3i futuros poss\u00edveis\u201d, convida Ursula.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inscri\u00e7\u00f5es abertas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 3\u00ba Festival das Diversidades est\u00e1 com inscri\u00e7\u00f5es abertas para aquelas e aqueles que desejam expor seus trabalhos. Podem participar artistas, grupos culturais, pesquisadores e feirantes. As propostas podem ser submetidas at\u00e9 20 de mar\u00e7o (saiba mais <a href=\"https:\/\/portalverdade.com.br\/3o-festival-das-diversidades-abre-inscricoes-para-interessades-em-compor-programacao\/\">aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mesa: \u201cCorpos marginalizados na cultura e na ci\u00eancia\u201d com com Malu Jimenez, Menor NPR 043 e Ursula Brevilheri + feirinha com discotecagem + grupo Doce Veneno + Ballroom Londrina<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Data: Domingo, 1\u00ba de mar\u00e7o de 2026<\/p>\n\n\n\n<p>Hor\u00e1rio: das 15h \u00e0s 20h<\/p>\n\n\n\n<p>Local: Canto do Marl (Avenida Duque de Caxias, n\u00ba 3.241 &#8211; Centro)<\/p>\n\n\n\n<p>Entrada gratuita<\/p>\n\n\n\n<p>*<em>Jornalista, coordenadora de comunica\u00e7\u00e3o 3\u00ba Festival das Diversidades<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Franciele Rodrigues* Neste domingo (1), abrindo a programa\u00e7\u00e3o do 3\u00ba Festival das Diversidades, acontece a mesa \u201cCorpos marginalizados na cultura e na ci\u00eancia\u201d. 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