{"id":1024,"date":"2022-10-03T15:22:09","date_gmt":"2022-10-03T18:22:09","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/pdi\/?page_id=1024"},"modified":"2022-10-03T15:22:09","modified_gmt":"2022-10-03T18:22:09","slug":"a-uel-conquistou-sua-autonomia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.uel.br\/pdi\/a-uel-conquistou-sua-autonomia\/","title":{"rendered":"A UEL conquistou sua autonomia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-white-color has-text-color\">.<\/p>\n\n\n\n<p>O cirurgi\u00e3o tor\u00e1cico Jo\u00e3o Carlos Thomson era o reitor da UEL no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. A nova Constitui\u00e7\u00e3o Federal ainda n\u00e3o tinha dois anos e havia muito o que fazer para redemocratizar o pa\u00eds e devolver \u00e0s universidades um papel atuante na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Formado em 1967 pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC), em Sorocaba (SP), o estudante Jo\u00e3o Carlos atuava no movimento estudantil, desde os primeiros anos do regime militar, opondo-se ao Centro Acad\u00eamico de Medicina. De fato, ele conta que foi o \u00fanico candidato da oposi\u00e7\u00e3o que conseguiu se eleger para participar do CA na \u00e9poca. Concluiu suas Resid\u00eancias em 1970, ano em que foi contratado pela ent\u00e3o Faculdade de Medicina, uma das que mais tarde originou a Universidade Estadual de Londrina.<\/p>\n\n\n\n<p>A atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o arrefeceu. Ao contr\u00e1rio: Thomson ajudou a fundar e presidiu a Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes do Hospital Universit\u00e1rio da UEL (ADHUEL), mais tarde transformada na Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da UEL (ADUEL), que tamb\u00e9m Thomson presidiu, hoje unida ao&nbsp;Sindiprol&nbsp;\u2013 entidade que igualmente teve a participa\u00e7\u00e3o do professor em sua Funda\u00e7\u00e3o. Tem mais: ele ajudou a fundar a ANDES \u2013 Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico destaca a luta pelas elei\u00e7\u00f5es diretas nas universidades na \u00e9poca, paralela \u00e0 cobran\u00e7a da sociedade pelas elei\u00e7\u00f5es gerais. Por\u00e9m, no final da d\u00e9cada de 1980, Thomson foi para a Universidade de Londres para seu P\u00f3s-Doutorado em Cirurgia Tor\u00e1cica. Quando voltou, foi recebido com uma certa press\u00e3o para ser candidato a reitor. Neste per\u00edodo, relacionou-se com dois governadores: \u00c1lvaro Dias, que havia concedido a gratuidade no ensino superior do Paran\u00e1; e Roberto Requi\u00e3o, de mar\u00e7o de 1991 em diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Thomson conta que, na \u00e9poca, 23 decretos simplesmente inviabilizavam a gest\u00e3o da Universidade, que precisava da autoriza\u00e7\u00e3o do governo at\u00e9 para a\u00e7\u00f5es simples, como a compra de carteiras e giz. Qualquer pagamento deveria ser aprovado pelo Estado. O reitor chegou a pensar em chamar a imprensa e simbolicamente entregar as chaves da institui\u00e7\u00e3o ao governador.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao inv\u00e9s disso, investiu numa solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Apoiado pela Procuradoria Jur\u00eddica, \u00f3rg\u00e3o imprescind\u00edvel para a Universidade, segundo o m\u00e9dico, a institui\u00e7\u00e3o entrou com um mandado de seguran\u00e7a contra a Secretaria Estadual \u00e0 qual a UEL estava vinculada, no in\u00edcio de maio de 1992. A Universidade Estadual de Maring\u00e1 fez o mesmo e, no final do m\u00eas, a Justi\u00e7a concedeu o mandado, garantindo repasse de recursos. Vale lembrar que, na \u00e9poca, a infla\u00e7\u00e3o podia chegar a 3% ao dia, por isso qualquer simples atraso no repasse significava perda de valor do recurso, assim como um repasse anual n\u00e3o levava em conta as perdas inflacion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, Thomson tomou uma decis\u00e3o corajosa: parou de pagar as contas de luz, \u00e1gua e quaisquer outras que devesse ao Estado do Paran\u00e1. A ideia era: se o governo n\u00e3o repassa o dinheiro para a UEL pagar o que deve a ele mesmo, ent\u00e3o que se desconte tais valores. Na \u00e9poca, Thomson levou ao governador Roberto Requi\u00e3o uma planilha com os gastos da Universidade com o pr\u00f3prio Estado. Houve cortes.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do mandado de seguran\u00e7a garantiu relativa autonomia \u00e0 UEL at\u00e9 2018, quando o governo estadual foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para derrub\u00e1-la. Em agosto, o STF decidiu \u2013 mais uma vez, em favor da Universidade. Para Thomson, este foi o grande ganho dos 50 anos da institui\u00e7\u00e3o e colocou um ponto final na quest\u00e3o: \u201cTemos autonomia e estrutura para administrar. N\u00e3o temos mais o que justificar\u201d, sentencia o ex-reitor.O m\u00e9dico observa: \u201cDesde que existe Universidade, existe luta pela autonomia\u201d. Ele se refere \u00e0s primeiras universidades, criadas ainda na Idade\u00a0M\u00e9dia. No Brasil, ele relata, destaca-se a Reforma\u00a0Rivad\u00e1via, de abril de 1911. Era a Lei Org\u00e2nica do Ensino Superior e Fundamental, implementada pelo decreto 8.659. A Lei\u00a0Rivad\u00e1via\u00a0Correia (nome do ent\u00e3o Ministro do Interior) retirava da Uni\u00e3o o monop\u00f3lio da cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, o que tornava poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de universidades pela iniciativa\u00a0privada. Curiosamente, lembra Thomson, em 1911 o Brasil n\u00e3o possu\u00eda ainda nenhuma universidade federal \u2013 em todo caso, as privadas j\u00e1 estavam com sua exist\u00eancia garantida.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-reitor da UEL enfatiza como \u00e9 importante ter uma boa equipe na Procuradoria Jur\u00eddica, assim como um bom relacionamento com a sociedade. Ele lembra que marcava a presen\u00e7a da Universidade em inst\u00e2ncias como a AMEPAR (Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios do M\u00e9dio Paranapanema) e junto \u00e0 C\u00e2mara de Vereadores de Londrina. Aposentado desde 2010 do Departamento de Cl\u00ednica Cir\u00fargica (Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade), Thomson \u00e9 categ\u00f3rico: \u201cA autonomia est\u00e1 garantida, \u00e9 preciso lembrar disso\u201d. Por\u00e9m acrescenta: \u201cNunca \u00e9 f\u00e1cil lutar por uma Universidade. Tem que ter coragem e uma boa assessoria, para recorrer aos meios legais\u201d. O que se deve evitar, segundo ele, \u00e9 partidarizar a administra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, porque isso gera conflito com a sociedade e com o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se deve praticar, diz o ex-reitor, \u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o direta, \u201colho no olho\u201d, em todas as inst\u00e2ncias. \u00c9 o que ilustra uma hist\u00f3ria curiosa de Thomson com o governador Roberto Requi\u00e3o. Depois da decis\u00e3o do Tribunal em favor do mandado de seguran\u00e7a impetrado pela UEL, o governador \u201cficou bravo com a UEL\u201d, nas palavras do m\u00e9dico. Havia pouco contato at\u00e9 que Thomson telefonou para o governador e o convidou para um almo\u00e7o em sua pr\u00f3pria casa, em Londrina, mas sem comitiva. O governador aceitou o convite, foi a Londrina, ficou bem \u00e0 vontade na resid\u00eancia de Thomson e se mostrou mais flex\u00edvel. \u201cFoi sensacional\u201d, comemora o ex-reitor. \u201cA gente brigava mas fazia as pazes\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">O texto est\u00e1 citado na lista de refer\u00eancias como O PEROBAL (2021g).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. O cirurgi\u00e3o tor\u00e1cico Jo\u00e3o Carlos Thomson era o reitor da UEL no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990. A nova Constitui\u00e7\u00e3o Federal ainda n\u00e3o tinha dois anos e havia muito o que fazer para redemocratizar o pa\u00eds e devolver \u00e0s universidades um papel atuante na sociedade. 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