{"id":1021,"date":"2022-10-03T15:14:03","date_gmt":"2022-10-03T18:14:03","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/pdi\/?page_id=1021"},"modified":"2022-10-03T15:14:03","modified_gmt":"2022-10-03T18:14:03","slug":"memorias-do-primeiro-reitor-da-uel-17-cursos-em-quatro-anos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.uel.br\/pdi\/memorias-do-primeiro-reitor-da-uel-17-cursos-em-quatro-anos\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias do primeiro reitor da UEL: 17 cursos em quatro anos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#fefefe\">.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Londrina \u00e9 hoje uma cidade polo no atendimento de sa\u00fade \u00e9 porque muitos m\u00e9dicos foram atra\u00eddos para a cidade nas \u00faltimas d\u00e9cadas, solidificando um atendimento especializado em v\u00e1rias \u00e1reas. Essa tend\u00eancia teve in\u00edcio em 1966, com a cria\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina do Norte do Paran\u00e1. O curso foi criado a partir de forte press\u00e3o social, uma iniciativa da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica de Londrina (AML), presidida pelo cirurgi\u00e3o g\u00e1strico,&nbsp;Asc\u00eancio&nbsp;Garcia Lopes.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a UEL completa 50 anos de reconhecimento, \u00e9 fundamental lembrar a hist\u00f3ria e o caminho percorrido pelos pioneiros para implantar uma Universidade na jovem Londrina, na \u00e9poca reconhecida pelos cafezais e pela abundancia de perobas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta entrevista concedida em mar\u00e7o de 2021, o primeiro reitor lembra fatos curiosos da cria\u00e7\u00e3o da UEL. Aos 92 anos, ele admite que as decis\u00f5es pol\u00edticas daquela \u00e9poca eram menos contaminadas por debates ideol\u00f3gicos. Isso talvez explique a facilidade com a qual os londrinenses conseguiram autoriza\u00e7\u00e3o e recursos financeiros para criar a UEL, adquirir a \u00e1rea do Campus Universit\u00e1rio e estruturar 17 novos cursos de gradua\u00e7\u00e3o entre 1970 e 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra curiosidade foi a constru\u00e7\u00e3o do Campus. Uma empresa especializada foi contratada para elaborar o projeto e fazer a implanta\u00e7\u00e3o dos Centros de Estudos. Ali\u00e1s, as primeiras edifica\u00e7\u00f5es foram as seguintes: Centro de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (CCB), Centro de Ci\u00eancias Exatas (CCE) e Centro de Ci\u00eancias Humanas (CCH).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL\u00a0<\/strong>\u2013 O senhor era cirurgi\u00e3o g\u00e1strico e presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica. Como se deu a cria\u00e7\u00e3o do curso de Medicina?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>\u00a0\u2013 A cidade clamava por um curso de Medicina. J\u00e1 existia Direito, Odontologia e o curso de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras. Na primeira reuni\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o eu falei que a cidade queria o curso. Era nossa obriga\u00e7\u00e3o orientar esse pedido. Em um domingo, estava em casa, atr\u00e1s da Catedral. Pela manh\u00e3 um senhor bateu na minha porta e disse que tinha lido na Folha de Londrina sobre a cria\u00e7\u00e3o do curso. Ele era pai do doutor Jos\u00e9 Roberto Ferreira, que havia instalado um curso no Rio de Janeiro. Achamos oportuno. Ligamos para o m\u00e9dico, que veio nos auxiliar. A\u00ed veio a orienta\u00e7\u00e3o que o correto era o estado fazer uma Funda\u00e7\u00e3o Estadual para criar e manter a faculdade. Com este estudo fomos a Curitiba. Nos auxiliou o deputado estadual Olavo Garcia Ferreira para falar com o governador Ney Braga. Apresentamos o estudo ao governador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL&nbsp;<\/strong>\u2013 Aparentemente parece que as coisas eram mais f\u00e1ceis. O senhor despachou com o governador e de pronto conseguiu?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 Verdade. Tudo era natural, n\u00e3o havia qualquer interesse pol\u00edtico no meio. O que levamos para o governador foi um pedido, uma necessidade. Ele entendeu na hora. E disse: \u201cVamos fazer. E vamos assinar em Londrina\u201d. E n\u00f3s, ent\u00e3o de posse da lei, fizemos a Funda\u00e7\u00e3o com um representante do Estado, da Prefeitura e um da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica. Esse conselho dirigia a FESULON.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL&nbsp;<\/strong>\u2013 E a cria\u00e7\u00e3o da Universidade?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 Procuramos terreno para estruturar a Funda\u00e7\u00e3o, foi a\u00ed que surgiu a grande ideia. Londrina tinha dois secret\u00e1rios de estado, Dalton Paranagu\u00e1 e Orlando&nbsp;Mayrinq&nbsp;G\u00f3es, na Sa\u00fade e na Fazenda. A FESULON era presidida pelo doutor&nbsp;Eber&nbsp;Soares Vargas. Foi ent\u00e3o que localizamos a \u00e1rea onde hoje est\u00e1 a UEL. Mais de 47 alqueires. Levamos a proposta para o ent\u00e3o governador, Paulo Pimentel. Dissemos que quer\u00edamos aquela \u00e1rea para instalar o curso de Medicina e futuramente uma Universidade. O Paulo veio a Londrina trazer o cheque. Eu fiz o neg\u00f3cio pessoalmente com os donos da fazenda, que moravam em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL&nbsp;<\/strong>\u2013&nbsp;T\u00ednamos&nbsp;os cursos fundadores. Como se deu a extens\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 O clamor da sociedade aumentava. Eu me lembro de que havia grande participa\u00e7\u00e3o dos clubes de servi\u00e7o, a imprensa. Levamos o pedido de novo para o governador Paulo Pimentel. Assim surgiram as Universidades em Londrina, Maring\u00e1 e Ponta Grossa. Ele criou as tr\u00eas. E a\u00ed acabei sendo nomeado reitor, a partir de uma lista elaborada pela FESULON. Ele me escolheu. De 1970 a 1974 eu dirigi a Universidade. Neste per\u00edodo eu criei 17 novos cursos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL&nbsp;<\/strong>\u2013 Quem foi o respons\u00e1vel pela planta, pelo projeto arquitet\u00f4nico do Campus Universit\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 Eu fiz um concurso nacional para implantar a Universidade naquela \u00e1rea. E a\u00ed ganhou uma empresa de S\u00e3o Paulo, Bros dos Santos&nbsp;Laiteman. Eu disse: \u201cQuero um projeto para instalar uma universidade com ci\u00eancias biol\u00f3gicas, exatas e humanas. S\u00f3 que n\u00e3o pode derrubar nenhuma \u00e1rvore\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL&nbsp;<\/strong>\u2013 O senhor falou em 17 novos cursos. Como foi a escolha das \u00e1reas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>\u00a0\u2013 Eu chamei a professora Yoshiya\u00a0Nakagawara, de Geografia. Pedi um levantamento dos cursos que mais precisavam. Ela fez um levantamento que apontou as necessidades. O primeiro curso apontado foi o de Engenharia. Mas eu criei primeiro o de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, por obedi\u00eancia \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. Depois vieram os outros 15.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL&nbsp;<\/strong>\u2013 Naquela \u00e9poca n\u00e3o havia necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o do governo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 A Universidade naquele per\u00edodo tinha autonomia. E n\u00f3s criamos todos os cursos dentro da UEL, n\u00e3o foi dependendo do governo. N\u00f3s pedimos para o governo que nos aumentasse o repasse, a verba de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL<\/strong>&nbsp;\u2013 Autonomia \u00e9 importante at\u00e9 hoje, n\u00e3o concorda?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 Sim. Penso que a melhor \u00e9 a experi\u00eancia do estado de S\u00e3o Paulo. H\u00e1 uma verba definida dentro do or\u00e7amento estadual. Uma lei garante este percentual. A\u00ed as Universidades s\u00e3o aut\u00f4nomas para fazerem o que for necess\u00e1rio. \u00c9 um valor fixado de acordo com a arrecada\u00e7\u00e3o do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL&nbsp;<\/strong>\u2013 O senhor disse uma vez em entrevista que a Universidade \u00e9 o local de pol\u00edtica universit\u00e1ria e n\u00e3o partid\u00e1ria. Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 Lembro que quando a \u00e1rea da UEL foi adquirida, colocamos o nome de Cidade Universit\u00e1ria Paulo Pimentel. Depois veio o doutor Oscar Alves e retirou o nome. Ficou Campus da UEL. O Paulo \u00e9 que tinha dado tudo. O Oscar era ligado ao Ney Braga, era genro. Pol\u00edtica partid\u00e1ria no meu per\u00edodo nunca existiu. Era somente o interesse da Universidade. Nunca fui filiado a partido pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia UEL<\/strong>&nbsp;\u2013 E o futuro da UEL?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Asc\u00eancio<\/strong>&nbsp;\u2013 N\u00e3o h\u00e1 qualquer jovem que n\u00e3o pense na UEL. Essa marca no curr\u00edculo de qualquer um tem peso extraordin\u00e1rio. Hoje temos uma Universidade grande, de destaque. Ent\u00e3o penso que as novas gera\u00e7\u00f5es dever\u00e3o valorizar essa condi\u00e7\u00e3o. Sempre v\u00e3o disputar para entrar na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">O texto est\u00e1 citado na lista de refer\u00eancias como O PEROBAL (2021f).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. Se Londrina \u00e9 hoje uma cidade polo no atendimento de sa\u00fade \u00e9 porque muitos m\u00e9dicos foram atra\u00eddos para a cidade nas \u00faltimas d\u00e9cadas, solidificando um atendimento especializado em v\u00e1rias \u00e1reas. 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