{"id":914,"date":"2023-08-23T11:06:57","date_gmt":"2023-08-23T14:06:57","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=914"},"modified":"2023-08-23T11:07:27","modified_gmt":"2023-08-23T14:07:27","slug":"presenca-da-vitima-em-audiencia-de-retratacao-e-opcional-diz-maioria-do-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/presenca-da-vitima-em-audiencia-de-retratacao-e-opcional-diz-maioria-do-stf\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a da v\u00edtima em audi\u00eancia de retrata\u00e7\u00e3o \u00e9 opcional, diz maioria do STF"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Jos\u00e9 Hig\u00eddio, via <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-ago-21\/audiencia-maria-penha-nao-obrigatoria-maioria-stf\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-ago-21\/audiencia-maria-penha-nao-obrigatoria-maioria-stf\">ConJur<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A garantia da liberdade s\u00f3 existe se a mulher\u00a0puder apenas solicitar a audi\u00eancia de retrata\u00e7\u00e3o prevista no artigo 16 da\u00a0<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm\" target=\"_blank\">Lei Maria da Penha<\/a>. Determinar o comparecimento da v\u00edtima a essa audi\u00eancia significa violar sua inten\u00e7\u00e3o e, portanto, discrimin\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse entendimento, o Plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal formou maioria\u00a0nesta segunda-feira (21\/8) para reconhecer a inconstitucionalidade da designa\u00e7\u00e3o, de of\u00edcio, de tal audi\u00eancia por parte do juiz, al\u00e9m de afastar a interpreta\u00e7\u00e3o segundo a qual o n\u00e3o comparecimento da v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica implica\u00a0ren\u00fancia ao direito de representa\u00e7\u00e3o. A sess\u00e3o virtual se encerrar\u00e1 oficialmente \u00e0s 23h59 desta segunda.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image-1-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-915\" style=\"width:513px;height:342px\" width=\"513\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image-1-1024x683.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image-1-300x200.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image-1-768x512.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/image-1.png 1125w\" sizes=\"auto, (max-width: 513px) 100vw, 513px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Contexto<\/strong><br>O artigo 16 da Lei Maria da Penha prev\u00ea que, nas a\u00e7\u00f5es penais p\u00fablicas por les\u00e3o corporal leve e les\u00e3o culposa \u2014 que s\u00e3o condicionadas \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da v\u00edtima \u2014, a ren\u00fancia \u00e0 representa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser admitida perante o juiz, em uma audi\u00eancia designada especialmente para isso, antes do recebimento da den\u00fancia e ap\u00f3s manifesta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o direta de inconstitucionalidade julgada pelo STF foi\u00a0ajuizada\u00a0no \u00faltimo ano pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico (Conamp). A entidade pediu que o Supremo garantisse a continuidade das a\u00e7\u00f5es penais nos casos em que a v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o comparecesse \u00e0 audi\u00eancia de retrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Conamp, o n\u00e3o comparecimento da v\u00edtima a tal audi\u00eancia vinha sendo interpretada como ren\u00fancia t\u00e1cita, com extin\u00e7\u00e3o da punibilidade do agressor e arquivamento do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o da entidade, esse entendimento viola os princ\u00edpios da dignidade da pessoa humana e do devido processo legal, al\u00e9m de retirar do MP a titularidade exclusiva para promover a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a autora da a\u00e7\u00e3o, o objetivo da audi\u00eancia \u00e9 a verifica\u00e7\u00e3o do real desejo da v\u00edtima de retirar a representa\u00e7\u00e3o contra o agressor, e n\u00e3o a sua confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fundamenta\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Prevaleceu o voto do ministro Edson Fachin, relator da ADI. At\u00e9 o momento, ele j\u00e1 foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Rosa Weber, C\u00e1rmen L\u00facia e Luiz Fux.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Fachin, o artigo 16 da lei &#8220;n\u00e3o deve ser lido de forma isolada, como se contivesse apenas dispositivos dirigidos ao juiz&#8221;, pois faz parte de um conjunto de normas voltadas ao atendimento por equipe multidisciplinar. Ele apontou que tal sistema \u00e9 mais eficaz para enfrentar a viol\u00eancia dom\u00e9stica, j\u00e1 que&nbsp;&#8220;viabiliza o conhecimento das causas e os mecanismos&#8221; do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo o magistrado, a&nbsp;fun\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;avaliar a presen\u00e7a de um requisito procedimental&#8221;, mas permitir que a v\u00edtima, ajudada por uma equipe multidisciplinar, possa se manifestar livremente e expressar sua vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o cabe ao juiz delegar a realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia para outro profissional, nem cabe ao juiz designar, de of\u00edcio, a audi\u00eancia&#8221;, concluiu o relator. Para Fachin, qualquer interpreta\u00e7\u00e3o de que a audi\u00eancia \u00e9 obrigat\u00f3ria&nbsp;&#8220;viola o direito \u00e0 igualdade, porque discrimina injustamente a v\u00edtima de viol\u00eancia&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Hig\u00eddio, via ConJur. A garantia da liberdade s\u00f3 existe se a mulher\u00a0puder apenas solicitar a audi\u00eancia de retrata\u00e7\u00e3o prevista no artigo 16 da\u00a0Lei Maria da Penha. Determinar o comparecimento da v\u00edtima a essa audi\u00eancia significa violar sua inten\u00e7\u00e3o e, portanto, discrimin\u00e1-la. 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