{"id":800,"date":"2023-07-06T11:34:39","date_gmt":"2023-07-06T14:34:39","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=800"},"modified":"2023-07-06T11:36:09","modified_gmt":"2023-07-06T14:36:09","slug":"nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio\/","title":{"rendered":"\u2018Nada \u00e9 como a m\u00e3e\u2019: A vida de crian\u00e7as e adolescentes \u00f3rf\u00e3os do feminic\u00eddio"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2023\/07\/nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2023\/07\/nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio\/\" target=\"_blank\">Fernanda Nascimento, via <\/a><a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2023\/07\/nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2023\/07\/nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">S<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2023\/07\/nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2023\/07\/nada-e-como-a-mae-a-vida-de-criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio\/\" target=\"_blank\">ul21<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros alarmantes de feminic\u00eddios no Brasil escondem v\u00edtimas secund\u00e1rias: os filhos. S\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes que perdem as m\u00e3es e, muitas vezes, carregam o trauma de ter presenciado o crime. Na maioria dos casos, tamb\u00e9m carregam a dor de saber que o respons\u00e1vel pelo feminic\u00eddio foi o pr\u00f3prio pai. \u00c9 o caso dos filhos de Lilia Herm\u00f3genes, defensora p\u00fablica mineira assassinada em 2016, a mando do marido. \u201cA maior dificuldade de todas foi lidar com o mundo. Nada \u00e9 como a m\u00e3e\u201d, afirma a filha Gabriela Campos, hoje com 19 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil n\u00e3o tem dados oficiais sobre o n\u00famero de \u00f3rf\u00e3os do feminic\u00eddio e tampouco pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para atendimento de crian\u00e7as e adolescentes que tiveram seus lares destru\u00eddos. Segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica do ano passado, 1.341 mulheres foram mortas por feminic\u00eddio em 2021. Em 90% dos casos, o autor ou mandante era o companheiro ou ex-companheiro. Os pesquisadores estimam que cerca de 2.300 crian\u00e7as e adolescentes tenham ficado \u00f3rf\u00e3os em decorr\u00eancia desse tipo de crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Em duas reportagens especiais, o\u00a0<strong>Sul21<\/strong>\u00a0apresenta um panorama dos impactos do feminic\u00eddio na vida de crian\u00e7as e adolescentes, os tipos de suporte jur\u00eddico, psicol\u00f3gico e social imprescind\u00edveis para atendimento de necessidades materiais e traumas provocados pelo crime, al\u00e9m de iniciativas que t\u00eam sido desenvolvidas nesta \u00e1rea.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/pexels-cottonbro-studio-10485382-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-802\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/pexels-cottonbro-studio-10485382-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/pexels-cottonbro-studio-10485382-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/pexels-cottonbro-studio-10485382-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/pexels-cottonbro-studio-10485382-1-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><em><strong>Sem m\u00e3e e pai: quem cuida das crian\u00e7as e dos adolescentes?<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A perda da m\u00e3e de forma tr\u00e1gica \u00e9 uma dor insuper\u00e1vel e um feminic\u00eddio transforma completamente a vida de toda a fam\u00edlia, especialmente dos filhos. Gabriela e o irm\u00e3o Artur Campos Rezende Filho levavam uma vida est\u00e1vel antes da m\u00e3e ser assassinada. Lilian havia recentemente se separado do marido, o advogado Artur Campos Rezende, e tinha medida protetiva quando foi assassinada em uma emboscada na porta da casa da m\u00e3e. O ex-marido foi preso no dia seguinte e logo em seguida libertado. No ano passado, foi condenado a 24 anos de pris\u00e3o por ser mandante do crime, mas segue em liberdade enquanto recorre da decis\u00e3o. Outro homem foi preso pelo assassinato e um terceiro r\u00e9u absolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato de Lilian mudou toda a vida dos adolescentes. De repente, eles perderam a m\u00e3e e viram o pai se transformar em assassino. \u201cEles tinham uma fam\u00edlia. A m\u00e3e sofria todo o tipo de agress\u00e3o: emocional, f\u00edsica, psicol\u00f3gica, patrimonial, mas ele [o pai] jogava com os meninos. Meus sobrinhos, durante toda a inf\u00e2ncia, tinham o pai como her\u00f3i. E at\u00e9 o \u00faltimo momento do julgamento eles tinham esperan\u00e7a do pai n\u00e3o ser um assassino\u201d, conta Rosemary Herm\u00f3genes, irm\u00e3 de Lilian.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como na maioria dos casos de feminic\u00eddio, Gabriela e o irm\u00e3o Artur foram acolhidos pela fam\u00edlia materna. Como classifica a assistente social Marcia Maria Moraes da Silva, integrante do projeto \u00d3rf\u00e3os do Feminic\u00eddio da Defensoria do Amazonas, esse \u00e9 mais um reflexo do machismo da sociedade: \u201cquem fica respons\u00e1vel pelas crian\u00e7as \u00e9 a av\u00f3 materna porque o cuidado sempre recai com a m\u00e3e, sempre recai com as mulheres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu sa\u00ed de casa no dia em que ela faleceu e n\u00e3o voltei. Eu estudava pela manh\u00e3, minha madrinha me buscou, e eu deixei tudo para tr\u00e1s. A gente voltou em casa uma \u00fanica vez, mas n\u00e3o deu tempo de pegar nada. A gente perdeu n\u00e3o s\u00f3 a m\u00e3e, mas uma parte da nossa vida\u201d, conta Gabriela.<\/p>\n\n\n\n<p>Recebidos pela av\u00f3, tias e tio, Gabriela e Artur tiveram que lidar com a dor da perda, o choque pelo envolvimento do pai e a mudan\u00e7a no cotidiano. \u201cEu j\u00e1 n\u00e3o tenho sentimentos ou contato com ele [pai]. Mas na \u00e9poca, logo que aconteceu, eu ainda estava em nega\u00e7\u00e3o e via os coment\u00e1rios das pessoas falando sobre o meu pai, dizendo que ele deveria morrer, e eu ficava \u2018meu deus, ele \u00e9 meu pai\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de entendimento da dimens\u00e3o do que aconteceu e da perda de afetos foi bastante complicado para a fam\u00edlia tamb\u00e9m. \u201cMinha av\u00f3 perdeu a filha mais nova dela. E mesmo passando por esse turbilh\u00e3o de sentimentos, teve que mudar a vida dela e pegar dois adolescentes para criar\u201d, conta Gabriela.<\/p>\n\n\n\n<p>O deputado estadual Jefferson Fernandes (PT), autor de um projeto de lei que prev\u00ea atendimento psicossocial priorit\u00e1rio aos \u00f3rf\u00e3os feminic\u00eddio, que tramita no Legislativo ga\u00facho,&nbsp;tem um interesse pessoal no tema: ele convive com um familiar que perdeu a m\u00e3e v\u00edtima de feminic\u00eddio e acompanha os conflitos e as ang\u00fastias de quem cresceu sem um lar. \u201cEle teve a morte da m\u00e3e em sua frente, passou de uma fam\u00edlia para a outra e sabia informa\u00e7\u00f5es distantes que o pai estava cumprindo pena. E vivia em um dilema: deveria ou n\u00e3o se aproximar desse pai? H\u00e1 pouco tempo, esse cara que j\u00e1 vive com um peso muito grande sobre os ombros, soube que o pai estava morando na rua e ele tinha d\u00favida se deveria acolh\u00ea-lo ou n\u00e3o. \u00c9 um sofrimento indescrit\u00edvel\u201d, conta o parlamentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Amazonas, o projeto voltado para o atendimento de \u00f3rf\u00e3os do feminic\u00eddio foi criado justamente a partir da constata\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe um apoio para as crian\u00e7as. Enquanto nos casos de viol\u00eancia contra a mulher j\u00e1 se formou uma rede de atendimento, quando perdem a m\u00e3e, as crian\u00e7as acabam \u201cperambulando entre um parente e outro\u201d, conta a coordenadora, a defensora Caroline da Silva Braz.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos lares com maior vulnerabilidade socioecon\u00f4mica e\/ou maior n\u00famero de filhos essa trag\u00e9dia \u00e9 ainda maior: muitas vezes os irm\u00e3os s\u00e3o separados e deslocados para diferentes casas porque nenhum parente t\u00eam condi\u00e7\u00f5es financeiras de sustentar todas as crian\u00e7as e adolescentes. \u201cExiste uma dificuldade, inclusive, para localizar essas crian\u00e7as. Depois do crime h\u00e1 uma desestrutura\u00e7\u00e3o enorme\u201d, diz Caroline.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>\u201cFeminic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 um trauma super\u00e1vel\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A neuropsic\u00f3loga e especialista em desenvolvimento infantil e interven\u00e7\u00e3o precoce Jana\u00edna Lobo \u00e9 taxativa ao falar sobre o trauma causado por um feminic\u00eddio na vida de crian\u00e7as e adolescentes que ficam \u00f3rf\u00e3os: \u00e9 insuper\u00e1vel. \u201cEle \u00e9 administr\u00e1vel. A gente pode ensinar a esse indiv\u00edduo, atrav\u00e9s da psicoterapia e da reconfigura\u00e7\u00e3o de um novo lar, a lidar com aquilo que aconteceu. Mas o trauma ser\u00e1 carregado por esse indiv\u00edduo o resto da vida, ser\u00e1 uma pessoa com uma marca emocional muito traum\u00e1tica\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Caroline, a defensoria do Amazonas j\u00e1 acompanhou casos de crian\u00e7as que n\u00e3o conseguiam dormir, n\u00e3o mantiveram rendimento escolar ou mudaram completamente seu comportamento a partir da morte da m\u00e3e. \u201cA nossa preocupa\u00e7\u00e3o com os processos envolvendo demandas de \u00f3rf\u00e3os do feminic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 apenas mexer com o processo criminal, mas conseguir uma transforma\u00e7\u00e3o com o comportamento da crian\u00e7a, para que ela consiga levar uma vida mais pr\u00f3xima do normal\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<p>Como as experi\u00eancias na primeira inf\u00e2ncia s\u00e3o fundamentais no desenvolvimento social, emocional e lingu\u00edstico de uma crian\u00e7a, Jana\u00edna afirma que uma experi\u00eancia traum\u00e1tica nessa idade e com a dimens\u00e3o do feminic\u00eddio \u201cn\u00e3o somente interfere no emocional, mas tamb\u00e9m no desenvolvimento, na emo\u00e7\u00e3o desse indiv\u00edduo e no que ele vai se tornar. E quanto maior \u00e9 esse trauma, essa viol\u00eancia, mais essa crian\u00e7a se torna vulner\u00e1vel a riscos emocionais e comportamentais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Quem sustenta os \u00f3rf\u00e3os do feminic\u00eddio?<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do trauma emocional, os feminic\u00eddios tamb\u00e9m desestruturam as fam\u00edlias financeiramente. No caso de Lilian, a quest\u00e3o patrimonial est\u00e1, inclusive, entre as motiva\u00e7\u00f5es para seu assassinato. Artur Campos Rezende pretendia receber a pens\u00e3o por morte da ex-mulher e, por isso, promoveu a emboscada que assassinou a servidora do MP. Com a morte de Lilian, Artur nunca pagou qualquer pens\u00e3o aos filhos e o processo para que os adolescentes recebessem a pens\u00e3o da m\u00e3e ainda demorou para ser resolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriela diz que \u00e9 \u201cprivilegiada\u201d na compara\u00e7\u00e3o com a maioria dos lares brasileiros. Mesmo assim, passou por dificuldades financeiras: \u201cA gente era acostumado com uma vida, com uma casa grande, escola particular, com uma rotina. E quando a gente veio para c\u00e1 [casa da av\u00f3] abandonamos tudo: eu dormia na cama com a minha av\u00f3 e meu irm\u00e3o em um colch\u00e3o infl\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Carmen Hein Campos, doutora em Ci\u00eancias Criminais e professora visitante na Universidade Federal de Pelotas, afirma que a desestrutura\u00e7\u00e3o familiar causada pelos feminic\u00eddios passa despercebida pela sociedade. \u201cQuando se perde a m\u00e3e tem que acontecer todo um rearranjo familiar e isso significa, \u00e0s vezes, algu\u00e9m parar de trabalhar para cuidar das crian\u00e7as pequenas que n\u00e3o conseguem nem ir \u00e0 escola, pensar em recursos para sustentar as crian\u00e7as. Ent\u00e3o, o problema n\u00e3o pode ser tratado como um simples processo penal\u201d, defende.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os tipos de acompanhamento que os familiares de v\u00edtimas de feminic\u00eddio mais precisam est\u00e3o quest\u00f5es relacionadas ao sustento das crian\u00e7as. \u201cAcompanho todas as a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 no Tribunal do J\u00fari, defendendo a honra da v\u00edtima que foi morta, mas fazendo tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o de guarda, definindo com quem as crian\u00e7as v\u00e3o ficar, pedidos de pens\u00e3o aliment\u00edcia e pedidos de pens\u00e3o previdenci\u00e1ria, por exemplo\u201d, elenca Caroline. E como a viol\u00eancia de g\u00eanero pode n\u00e3o se encerrar com a morte da v\u00edtima, h\u00e1 casos absurdos j\u00e1 enfrentados pela defensoria: \u201cChegamos a atender um caso em que o assassino estava recebendo a pens\u00e3o da companheira e as crian\u00e7as passando necessidade financeira\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A aus\u00eancia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os traumas e as dores de quem perde a m\u00e3e em uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o traum\u00e1tica s\u00e3o vividos no cotidiano, mas potencializados nos rituais de passado da vida. Perguntadas sobre os momentos em que a aus\u00eancia de Lilian foi mais sentida, Gabriela e Rosemary citaram o mesmo epis\u00f3dio: a formatura de Artur no ensino fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu fiquei sentindo: t\u00e1 faltando algu\u00e9m. N\u00e3o era eu que deveria t\u00e1 aqui\u201d, resume Rosemary. \u201cTodo mundo ali com a fam\u00edlia, com a m\u00e3e e o pai e eu olhava para o meu irm\u00e3o, ver ele se formando. Ela sempre quis que a gente tivesse educa\u00e7\u00e3o, sabe?\u201d, conta Gabriela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fernanda Nascimento, via Sul21. Os n\u00fameros alarmantes de feminic\u00eddios no Brasil escondem v\u00edtimas secund\u00e1rias: os filhos. S\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes que perdem as m\u00e3es e, muitas vezes, carregam o trauma de ter presenciado o crime. Na maioria dos casos, tamb\u00e9m carregam a dor de saber que o respons\u00e1vel pelo feminic\u00eddio foi o pr\u00f3prio pai. 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