{"id":2416,"date":"2024-06-21T17:10:47","date_gmt":"2024-06-21T20:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=2416"},"modified":"2024-06-21T17:10:47","modified_gmt":"2024-06-21T20:10:47","slug":"atlas-da-violencia-mostra-que-a-cada-46-minutos-ocorreu-um-estupro-no-brasil-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/atlas-da-violencia-mostra-que-a-cada-46-minutos-ocorreu-um-estupro-no-brasil-em-2022\/","title":{"rendered":"Atlas da Viol\u00eancia mostra que a cada 46 minutos ocorreu um estupro no Brasil em 2022"},"content":{"rendered":"\n<p>Um estupro ocorreu a cada 46 minutos no pa\u00eds, em 2022. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do Atlas da Viol\u00eancia, publicado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Com base nos registros do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) daquele ano, mais de 144 mil mulheres foram v\u00edtimas de algum tipo de viol\u00eancia. As meninas de at\u00e9 14 anos s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis e sofrem, proporcionalmente, mais ataques sexuais do que as mulheres adultas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados v\u00eam \u00e0 tona no momento em que tramita em regime de urg\u00eancia, na C\u00e2mara dos Deputados, o Projeto de Lei 1.904\/24 \u2014 que iguala o aborto com mais de 22 semanas de gravidez ao homic\u00eddio e torna a pena da mulher que recorre ao procedimento mais alta do que a do estuprador. O Atlas mostra que a viol\u00eancia sexual foi a principal agress\u00e3o contra meninas de 10 a 14 anos de idade \u2014 correspondeu a 49,6% dos atendimentos registrados no SUS. Entre as meninas de at\u00e9 nove anos, a forma mais frequente de viol\u00eancia foi a neglig\u00eancia ou abandono (37,9% dos casos), seguida pela preda\u00e7\u00e3o sexual (30,4%).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo detalha que, a partir dos 15 anos e ao longo da vida adulta, a viol\u00eancia f\u00edsica se torna a mais comum contra a mulher. Entre aquelas comunidades entre 15 e 19 anos, a agress\u00e3o corporal esteve presente em 35,1% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse percentual aumenta para 49% entre as mulheres entre 20 a 24 anos, e permanecendo acima dos 40% at\u00e9 os 59 anos. No caso das idosas, a neglig\u00eancia volta a viol\u00eancia mais praticada \u2014 afeta 37,5% das mulheres entre 75 e 79 anos e 50,4% das que t\u00eam mais de 80 anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"principais-agressores\">Principais agressores<\/h3>\n\n\n\n<p>Em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, os homens s\u00e3o os principais agressores \u2014 respons\u00e1veis por 86,6% dos ataques. Mas homens e mulheres se igualam quando se trata de viol\u00eancia contra crian\u00e7as de zero a nove anos. Os n\u00fameros indicaram que crian\u00e7as e adolescentes est\u00e3o extremamente vulner\u00e1veis a abusos dentro dos pr\u00f3prios lares.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as mulheres de 30 a 35 anos, os homens foram respons\u00e1veis por 95,8% das agress\u00f5es \u2014 aproximadamente 80% dos epis\u00f3dios foram dentro das resid\u00eancias das v\u00edtimas. A rua foi o segundo local mais frequente, com 6,1% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se tiv\u00e9ssemos que descrever o que \u00e9 ser uma mulher no Brasil, poder\u00edamos dizer que na primeira inf\u00e2ncia a neglig\u00eancia \u00e9 a forma mais frequente de viol\u00eancia, cujos principais autores s\u00e3o pais e m\u00e3es, na mesma propor\u00e7\u00e3o. A partir dos 10, e at\u00e9 os 14 anos, essas meninas s\u00e3o vitimadas principalmente por formas de viol\u00eancia sexual, com homens que ocupam as fun\u00e7\u00f5es de pai e padrasto como principais algozes. Dos 15 aos 69 anos, a viol\u00eancia f\u00edsica provocada por pais, padrastos, namorados ou maridos \u00e9 a forma prevalente entre as mulheres&#8221;, descreve o Atlas da Viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"sintomas\">Sintomas<\/h3>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga e neuropsic\u00f3loga Juliana Gebrim deixa claro que os sinais da viol\u00eancia, inclusive a sexual infantil, s\u00e3o percept\u00edveis. &#8220;Os sinais podem variar entre os indiv\u00edduos, mas alguns s\u00e3o muito comuns. Percebemos mudan\u00e7as bruscas, como regress\u00e3o a comportamentos infantis, chupar o dedo ou fazer xixi na cama, por exemplo. A crian\u00e7a tamb\u00e9m come\u00e7a a evitar lugares associados ao abuso e pode desenvolver fobias inexplic\u00e1veis, al\u00e9m de demonstrar um conhecimento sexual inadequado para a idade&#8221;, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Juliana, isso faz com que a crian\u00e7a atacada &#8220;pode se tornar extremamente retra\u00edda ou, ao contr\u00e1rio, demonstrar agressividade e irritabilidade. Mudan\u00e7as no desempenho escolar tamb\u00e9m s\u00e3o frequentes, assim como sintomas de ansiedade e depress\u00e3o. Em alguns casos, a crian\u00e7a pode exibir comportamentos autolesivos, como cortar-se ou outras formas de automutila\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o psic\u00f3logo cognitivo-comportamental Artur Gomes, as recentes pesquisas sobre o impacto da viol\u00eancia sexual infantil mostram os efeitos duradouros do abuso no desenvolvimento cerebral. &#8220;Estudos mostram que pode levar a problemas de mem\u00f3ria e nas respostas emocionais para o restante da vida. Pode resultar em problemas emocionais e comportamentais, como resist\u00eancia ao tratamento psicol\u00f3gico, ansiedade e depress\u00e3o que complicam o processo terap\u00eautico, e a dificuldade em confiar nos outros e desenvolver relacionamentos saud\u00e1veis&#8221;, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristina Castro, CEO do Instituto Gl\u00f3ria \u2014 que combate a viol\u00eancia contra meninas e mulheres \u2014 destaca a import\u00e2ncia de se criar uma rede de prote\u00e7\u00e3o formada por pessoas pr\u00f3ximas e que n\u00e3o tenham medo de intervir quando notarem algo fora do lugar. &#8220;Sessenta e oito por cento das viol\u00eancias contra mulheres e meninas acontecem dentro de casa. \u00c9 muito importante n\u00e3o relacionar o abuso apenas \u00e0 responsabilidade dos pais notarem, mas, tamb\u00e9m, a toda a rede de prote\u00e7\u00e3o dessa crian\u00e7a. Tios, av\u00f3s, pessoas do conv\u00edvio escolar \u2014 todas essas pessoas s\u00e3o redes de apoio&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2024\/06\/6880653-atlas-da-violencia-mostra-que-a-cada-46-minutos-ocorreu-um-estupro-no-brasil-em-2022.html\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2024\/06\/6880653-atlas-da-violencia-mostra-que-a-cada-46-minutos-ocorreu-um-estupro-no-brasil-em-2022.html\">clique aqui<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Estagi\u00e1ria sob a supervis\u00e3o de Fabio Grecchi<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estupro ocorreu a cada 46 minutos no pa\u00eds, em 2022. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 do Atlas da Viol\u00eancia, publicado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. 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