{"id":2383,"date":"2024-06-14T08:01:23","date_gmt":"2024-06-14T11:01:23","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=2383"},"modified":"2024-06-14T08:01:45","modified_gmt":"2024-06-14T11:01:45","slug":"mulher-vitima-de-estupro-pode-ter-pena-maior-que-estuprador-em-caso-de-aborto-segundo-projeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/mulher-vitima-de-estupro-pode-ter-pena-maior-que-estuprador-em-caso-de-aborto-segundo-projeto\/","title":{"rendered":"Mulher v\u00edtima de estupro pode ter pena maior que estuprador em caso de aborto, segundo projeto"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/autor\/lucas-schroeder-2\/\">Lucas Schroeder<\/a><a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/autor\/renata-souza\/\"> e <\/a><a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/autor\/renata-souza\/\">Renata Souza<\/a> da CNN<\/p>\n\n\n\n<p>Em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, o projeto de lei (PL 1904\/24) que equipara o aborto realizado ap\u00f3s 22 semanas de gesta\u00e7\u00e3o ao crime de homic\u00eddio simples poderia permitir que uma mulher v\u00edtima de estupro que interrompesse a gravidez tivesse pena maior do que a do estuprador, segundo especialistas consultados pela\u00a0<strong>CNN.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pena para o crime de homic\u00eddio simples \u2013 definido pelo C\u00f3digo Penal como quando se mata algu\u00e9m \u2013 varia de 6 a 20 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a pena para estupro vai de 6 a 10 anos, podendo chegar a 12 anos se a v\u00edtima for menor de 18 anos e maior de 14 anos, destaca a advogada Fl\u00e1via Pinto Ribeiro, presidente da OAB Mulher Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso significa que, em um cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, uma mulher adulta v\u00edtima de estupro que interrompa a gravidez ap\u00f3s a 22\u00aa semana poderia ser condenada a uma pena mais severa do que a do estuprador\u201d, explica a advogada.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/politica\/camara-urgencia-aborto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">C\u00e2mara dos Deputados aprovou na quarta-feira (12) a urg\u00eancia do projeto.<\/a>\u00a0Com isso, o texto poder\u00e1 ser analisado diretamente pelo plen\u00e1rio da Casa, sem necessidade de passar por comiss\u00f5es tem\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1via, a discrep\u00e2ncia entre as eventuais penas dos agressores e das v\u00edtimas de estupro \u00e9 \u201cprofundamente problem\u00e1tica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIgnora os direitos e o bem-estar da mulher, al\u00e9m de refletir um sistema jur\u00eddico que muitas vezes penaliza mais severamente as mulheres do que os homens por quest\u00f5es relacionadas ao controle de seus pr\u00f3prios corpos\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A advogada criminalista Fayda Belo, especialista em Crimes de G\u00eanero, Direito Antidiscriminat\u00f3rio e Feminic\u00eddios, considera a hip\u00f3tese uma \u201caberra\u00e7\u00e3o jur\u00eddica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstamos vivendo um retrocesso que chancela o quanto temos um legislativo mis\u00f3gino que tenta, a todo custo, inferiorizar e punir as mulheres\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de classificar como uma medida desproporcional, a especialista chama a aten\u00e7\u00e3o para a maneira como a medida poderia afetar de forma mais cr\u00edtica mulheres de classes mais baixas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[Caso seja aprovado] o que teremos ser\u00e1 mais um instrumento para penalizar e encarcerar mulheres pobres, em sua maioria negras \u2013 que s\u00e3o aquelas que n\u00e3o det\u00eam acesso a recursos\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a especialista, seria mais prudente que o Poder P\u00fablico \u201ctente uma maneira realmente eficaz de evitar abortos que n\u00e3o seja a criminaliza\u00e7\u00e3o, como educa\u00e7\u00e3o sexual, planejamento familiar, amparo as mulheres gestantes e acessos a contraceptivos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3cia da Escola Brasileira de Direitos das Mulheres, a advogada Mariana Tripode defende que \u201ca diferen\u00e7a nas penas evidencia uma desproporcionalidade que n\u00e3o apenas ignora as circunst\u00e2ncias extremamente traum\u00e1ticas que a mulher enfrenta, mas tamb\u00e9m envia uma mensagem preocupante de que o sofrimento e os direitos das mulheres s\u00e3o secund\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o ao feto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"o-que-define-a-lei-hoje\">O que define a lei hoje<\/h2>\n\n\n\n<p>Atualmente,<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/nacional\/entenda-em-quais-situacoes-o-aborto-e-permitido-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;o C\u00f3digo Penal define que:<\/a><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Se a gestante provocar um aborto ou consentir que o provoque: pena de um a tr\u00eas anos em regime semi-aberto ou aberto;<\/li>\n\n\n\n<li>Se algu\u00e9m provocar um aborto sem o consentimento da gestante: pena de tr\u00eas a dez anos em regime fechado;<\/li>\n\n\n\n<li>Se algu\u00e9m provocar um aborto com o consentimento da gestante: pena de um a quatro anos em regime fechado;<\/li>\n\n\n\n<li>Se, devido ao processo abortivo, a gestante sofrer uma les\u00e3o corporal grave, as penas para terceiros s\u00e3o aumentadas em um ter\u00e7o. E se resultar em morte, duplicada.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>M\u00e9dicos e gestantes que se submeterem a eles para procedimentos de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez de fetos anenc\u00e9falos (sem c\u00e9rebro) n\u00e3o s\u00e3o enquadrados pelo C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>O aborto legal tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido quando \u201cn\u00e3o h\u00e1 outro meio de salvar a vida da gestante\u201d ou quando a gravidez \u00e9 resultante de estupro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"o-que-o-projeto-preve\">O que o projeto prev\u00ea<\/h2>\n\n\n\n<p>O projeto de lei visa equiparar as penas aplicadas para os crimes de homic\u00eddio simples e aborto em casos de gesta\u00e7\u00f5es acima de 22 semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em casos de estupro em que a gesta\u00e7\u00e3o transcorre h\u00e1 22 semanas ou mais, o projeto tamb\u00e9m prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o da equipara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os procedimentos abortivos em casos de anencefalia do feto ou risco \u00e0 sa\u00fade da gestante, fica mantido o que prev\u00ea atualmente o C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"constitucionalidade-do-projeto\">Constitucionalidade do projeto<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas consultados pela&nbsp;<strong>CNN,<\/strong>&nbsp;a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/politica\/dois-lados-discussoes-sobre-aborto-legal-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">constitucionalidade do projeto de lei \u00e9 discut\u00edvel.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Constitui\u00e7\u00e3o Federal garante a dignidade da pessoa humana como um dos princ\u00edpios fundamentais do pa\u00eds. \u00c9 poss\u00edvel, por esse racioc\u00ednio, apontar a inconstitucionalidade do projeto de lei, a impor um tratamento degradante a mulher v\u00edtima de estupro\u201d, avalia o advogado Enzo Fachini, especialista em Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 vida em rela\u00e7\u00e3o ao feto \u00e9 tema juridicamente complexo. S\u00f3 a partir de um julgamento concreto pelo STF poderemos afirmar a inconstitucionalidade do projeto de lei\u201d, salienta Fachini.<\/p>\n\n\n\n<p>Fayda concorda com o argumento da dignidade da pessoa humana e relembra que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal determina como direito fundamental, \u201cou seja, irremov\u00edvel, irrenunci\u00e1vel e que n\u00e3o pode ser suprimido inclusive pelo legislador, a n\u00e3o submiss\u00e3o de nenhum brasileiro a tratamento desumano e degradante, bem como a igualdade de g\u00eanero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos pontos levantados pelos especialistas, a advogada Gabriela Souza, que tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3cia da Escola Brasileira de Direitos das Mulheres, destaca que o projeto esbarra em outras legisla\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, \u201ccomo o C\u00f3digo Penal, que determina aborto em casos de estupro. Tamb\u00e9m viola tratados internacionais, que t\u00eam a for\u00e7a de regra constitucional, como a Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado criminalista Rafael Paiva, o projeto n\u00e3o \u00e9 \u201cinconstitucional em uma primeira an\u00e1lise\u201d, por\u00e9m \u201cpoder\u00e1 vir a sofrer questionamentos de inconvencionalidade, eis que claramente viola os preceitos da Conven\u00e7\u00e3o Americana de direitos humanos, da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Com informa\u00e7\u00f5es de Henrique Sales Barros e Rebeca Borges, da CNN<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/politica\/mulher-vitima-de-estupro-pode-ter-pena-maior-que-estuprador-em-caso-de-aborto-segundo-projeto\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/politica\/mulher-vitima-de-estupro-pode-ter-pena-maior-que-estuprador-em-caso-de-aborto-segundo-projeto\/\">clique aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Lucas Schroeder e Renata Souza da CNN Em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, o projeto de lei (PL 1904\/24) que equipara o aborto realizado ap\u00f3s 22 semanas de gesta\u00e7\u00e3o ao crime de homic\u00eddio simples poderia permitir que uma mulher v\u00edtima de estupro que interrompesse a gravidez tivesse pena maior do que a do estuprador, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":2384,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[34,27],"class_list":["post-2383","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-leis","tag-violencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2383","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2383"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2383\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2385,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2383\/revisions\/2385"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2383"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2383"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2383"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}