{"id":2291,"date":"2024-05-29T10:03:00","date_gmt":"2024-05-29T13:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=2291"},"modified":"2024-05-29T10:05:51","modified_gmt":"2024-05-29T13:05:51","slug":"nenhum-pais-oferece-igualdade-economica-para-mulheres-entenda-as-consequencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/nenhum-pais-oferece-igualdade-economica-para-mulheres-entenda-as-consequencias\/","title":{"rendered":"Nenhum pa\u00eds oferece igualdade econ\u00f4mica para mulheres; entenda as consequ\u00eancias"},"content":{"rendered":"\n<p>O relat\u00f3rio &#8220;Women, Business and Law 2024&#8221;, conduzido pelo Banco Mundial e divulgado no m\u00eas de mar\u00e7o, destacou que as desigualdades de g\u00eanero globais s\u00e3o ainda mais acentuadas do que se pensava. Em nenhum lugar do planeta, literalmente, as mulheres desfrutam das mesmas oportunidades econ\u00f4micas que os homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um cen\u00e1rio estarrecedor, preocupante e, sobretudo, limitador, uma vez que a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero no mercado de trabalho poderia aumentar o PIB de economias em desenvolvimento em at\u00e9 8%. Num cen\u00e1rio ideal, com as desigualdades totalmente eliminadas, as economias poderiam crescer at\u00e9 23%.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os fatores que dificultam a paridade econ\u00f4mica de g\u00eanero se sobressai o trabalho de cuidado desempenhado pelas mulheres. Para Louisa Acciari, pesquisadora s\u00eanior na University College London e coordenadora de projetos da Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Trabalhadoras Dom\u00e9sticas, e Glaucia Fraccaro, professora do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autora do livro &#8220;Os Direitos das Mulheres &#8211; Feminismo e Trabalho no Brasil&#8221; (FGV Editora), o capitalismo sempre lucrou com as desigualdades de g\u00eanero, utilizando a for\u00e7a de trabalho n\u00e3o remunerada das mulheres dentro de suas casas para reproduzir a m\u00e3o de obra inserida no mercado do trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que autoras feministas como Silvia Federici e Heleieth Saffioti chamam de reprodu\u00e7\u00e3o social: para o trabalhador sair de casa e ir trabalhar todos os dias, ele precisa ter comido, ter seus filhos cuidados e sua casa limpa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quem faz esse trabalho, na maioria das vezes, s\u00e3o as mulheres, que cumprem essas tarefas sem remunera\u00e7\u00e3o nenhuma. Dentro dessa l\u00f3gica, parece n\u00e3o haver motivos para as grandes empresas ou as institui\u00e7\u00f5es que servem o mercado reduzirem as desigualdades, j\u00e1 que conseguem dois trabalhadores pelo pre\u00e7o de um&#8221;, sustentam Louisa e Glaucia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Isabela Duarte Kelly, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV Ibre), a divis\u00e3o desigual das tarefas dom\u00e9sticas nos lares gera uma intensa carga mental e impacta negativamente no crescimento profissional e financeiro das mulher porque, muitas vezes, elas n\u00e3o conseguem estar no mercado de trabalho de forma integral.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Elas acabam tendo que buscar profiss\u00f5es que permitam equilibrar o trabalho remunerado, o do mercado, com o trabalho n\u00e3o remunerado dom\u00e9stico e de cuidados. Isso dificulta acessar posi\u00e7\u00f5es de maior n\u00edvel hier\u00e1rquico, que em alguns casos demandam tempo al\u00e9m do expediente&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a din\u00e2mica em rela\u00e7\u00e3o aos cuidados com os filhos, por exemplo, \u00e9 outro entrave, uma vez que creches p\u00fablicas s\u00e3o escassas e o custo elevado das particulares nem sempre acaba compensando financeiramente para a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso afeta justamente a economia j\u00e1 que elas n\u00e3o conseguem maiores remunera\u00e7\u00f5es porque sempre est\u00e3o buscando ocupa\u00e7\u00f5es mais flex\u00edveis e que permitam o equil\u00edbrio entre o mercado de trabalho e as tarefas do lar e de cuidados&#8221;, diz Isabela.<\/p>\n\n\n\n<p>Viol\u00eancia dom\u00e9stica e quest\u00f5es raciais<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Louisa Acciari e Glaucia Fraccaro, h\u00e1 uma conex\u00e3o entre os pap\u00e9is sociais em torno do cuidado, a baixa remunera\u00e7\u00e3o das mulheres e a quest\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero. &#8220;A viol\u00eancia dom\u00e9stica funciona como constante amea\u00e7a a todas as mulheres em geral. No caso de n\u00e3o cumprir o que se espera, ou seja, a reprodu\u00e7\u00e3o da vida e o papel dom\u00e9stico, o horizonte \u00e9 o assassinato. Essas dimens\u00f5es est\u00e3o interconectadas e para que as mulheres tenham maior poder de decis\u00e3o para sair de uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, elas precisam ter acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos e de uma certa autonomia financeira. Assim, os mecanismos que as mant\u00eam em situa\u00e7\u00e3o desigual no mercado no trabalho tamb\u00e9m favorecem a viol\u00eancia de g\u00eanero&#8221;, explicam.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Luciene Morandi, coordenadora do N\u00facleo de Pesquisa em G\u00eanero e Economia da Universidade Federal Fluminense (NPGE\/UFF) pontua que a desigualdade de g\u00eanero n\u00e3o existe sozinha. &#8220;Ela existe junto com a desigualdade racial e junto com a desigualdade social. No Brasil, a pobreza \u00e9 feminina e \u00e9 negra, pois quando olhamos as estat\u00edsticas percebemos que as mulheres t\u00eam menos renda que os homens, as pessoas pretas e pardas t\u00eam menos renda que as pessoas brancas e as mulheres pretas e partas s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis em todo esse contexto. Ent\u00e3o, reduzir a desigualdade de g\u00eanero \u00e9, ao mesmo tempo, reduzir desigualdade racial e social&#8221;, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00f5es individuais e coletivas<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda conforme Luciene, buscar eleger representantes pol\u00edticos que se importem de fato com quest\u00f5es de g\u00eanero, suas intersec\u00e7\u00f5es e a equidade \u00e9 fundamental para come\u00e7ar a promover a mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas tamb\u00e9m h\u00e1 coisas que n\u00f3s podemos fazer na nossa vida individual mesmo, que \u00e9 ensinar nossos filhos e nossas filhas que o trabalho dom\u00e9stico precisa ser dividido entre todos na fam\u00edlia&#8221;, diz Cristina Scheibe Wolff, pesquisadora do Instituto de Estudos de G\u00eanero da Universidade Federal de Santa Catarina (IEG\/UFSC). &#8220;N\u00e3o \u00e9 simplesmente ir l\u00e1 e lavar uma lou\u00e7a, mas pensar mesmo em termos de responsabilidades de cada pessoa dentro da casa e da fam\u00edlia&#8221;, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristina lembra relev\u00e2ncia da Lei de Igualdade Salarial (Lei n\u00ba 14.611\/2023), aprovada recentemente, mas refor\u00e7a que o Estado precisa fiscalizar a quest\u00e3o na pr\u00e1tica. Outros pontos primordiais levantados pelas especialistas ouvidas nesta reportagem s\u00e3o a import\u00e2ncia de as mulheres se sindicalizarem e negociarem sal\u00e1rios maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Um dos motivos pelos quais as mulheres ganham menos \u00e9 tamb\u00e9m, entre outros fatores, porque pedem sal\u00e1rios mais baixos e s\u00e3o menos inclinadas a pedir uma promo\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se desvalorize, exija o mesmo sal\u00e1rio que seu colega homem!&#8221;, sugere Louisa. &#8220;E quem for empregador ou empregadora, remunere melhor suas trabalhadoras, inclusive as trabalhadoras dom\u00e9sticas. Aumente os sal\u00e1rios, cumpra com a legisla\u00e7\u00e3o sobre igualdade salarial, e se for empregador dom\u00e9stico, assine a carteira e pague acima do m\u00ednimo a mulher que trabalha na sua casa&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ampliar programas como Bolsa Fam\u00edlia ou Minha Casa minha Vida tamb\u00e9m s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o devem ser encaradas como gasto p\u00fablico, mas como investimento num futuro menos brutal para as mulheres e, portanto, mais igualit\u00e1rio. O acesso \u00e0 propriedade \u00e9 um elemento fundamental na luta contra as viol\u00eancias dom\u00e9sticas. Em caso de rela\u00e7\u00e3o abusiva, com a casa estando no nome da mulher ela tem maior capacidade de a\u00e7\u00e3o para poder se separar e mandar embora o seu agressor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/nos\/nenhum-pais-oferece-igualdade-economica-para-mulheres-entenda-as-consequencias,5fffaa037f5e4b07316168b933a6ee8c7z17ydzb.html?utm_source=clipboard\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.terra.com.br\/nos\/nenhum-pais-oferece-igualdade-economica-para-mulheres-entenda-as-consequencias,5fffaa037f5e4b07316168b933a6ee8c7z17ydzb.html?utm_source=clipboard\">clique aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O relat\u00f3rio &#8220;Women, Business and Law 2024&#8221;, conduzido pelo Banco Mundial e divulgado no m\u00eas de mar\u00e7o, destacou que as desigualdades de g\u00eanero globais s\u00e3o ainda mais acentuadas do que se pensava. 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