{"id":2274,"date":"2024-05-28T16:53:20","date_gmt":"2024-05-28T19:53:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=2274"},"modified":"2024-05-28T16:53:21","modified_gmt":"2024-05-28T19:53:21","slug":"mulheres-dedicam-em-media-96-horas-a-mais-do-que-os-homens-as-tarefas-domesticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/mulheres-dedicam-em-media-96-horas-a-mais-do-que-os-homens-as-tarefas-domesticas\/","title":{"rendered":"Mulheres dedicam, em m\u00e9dia, 9,6 horas a mais do que os homens \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas"},"content":{"rendered":"\n<p>A concilia\u00e7\u00e3o entre o trabalho fora de casa e os cuidados dom\u00e9sticos do lar e das pessoas dependentes, como filhos ou familiares idosos, ainda recaem quase que exclusivamente sobre as mulheres. \u00c9 o que reflete os dados do IBGE, no ano de 2022, que apontam que as mulheres dedicaram, em m\u00e9dia, 9,6 horas a mais do que os homens \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas.&nbsp;A jurista Regina Stela Corr\u00eaa Vieira, doutora pela USP e professora de Direito da Unifesp, explica que o cerne do problema est\u00e1 na divis\u00e3o de tarefas contidas nas normativas sociais, nas quais as mulheres possuem mais responsabilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a especialista, a sociedade carrega tra\u00e7os do machismo estrutural-hist\u00f3rico e atribui fun\u00e7\u00f5es mais valorizadas aos homens, enquanto as mulheres s\u00e3o respons\u00e1veis pelas tarefas de cuidado no \u00e2mbito dom\u00e9stico.&nbsp;\u201cEssa divis\u00e3o \u00e9 naturalizada, como se os homens fossem destinados a serem empres\u00e1rios, pol\u00edticos ou ju\u00edzes, e as mulheres tivessem um dom nato de cuidarem da fam\u00edlia e da casa\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\" id=\"attachment_670878\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/20230810_reginastela-300x300.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-670878\" style=\"width:246px;height:auto\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Regina Stela Corr\u00eaa Vieira \u2013 Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Regina, a problem\u00e1tica desse cen\u00e1rio reside na press\u00e3o social e acontecimentos rotineiros, que acabam sendo internalizados no dia a dia da mulher e perpetuando estere\u00f3tipos de desigualdades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela d\u00e1 um exemplo: \u201cQuando empresas perguntam \u00e0s mulheres durante entrevistas de emprego sobre como elas planejam cuidar dos filhos e conciliar a rotina do trabalho, quest\u00f5es que s\u00e3o raramente direcionadas aos homens, estamos refor\u00e7ando que a carga do cuidado do lar deve recair sobre elas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa desigualdade reflete em diferentes faixas et\u00e1rias. \u201cMulheres entre 40 e 60 anos, por exemplo, muitas vezes t\u00eam que cuidar tanto de pais idosos quanto de filhos ainda dependentes, demandando uma aten\u00e7\u00e3o constante\u201d, a professora explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do IBGE, desde cedo as meninas j\u00e1 dedicam mais tempo ao trabalho dom\u00e9stico do que os meninos e essa disparidade aumenta ao longo da vida, chegando a uma m\u00e9dia de quatro horas di\u00e1rias para mulheres entre 20 e 60 anos, enquanto os homens dedicam, no m\u00e1ximo, uma hora por dia \u00e0s mesmas tarefas.<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista tamb\u00e9m destaca a disparidade de g\u00eanero nos cuidados dom\u00e9sticos quando levados em conta os aspectos econ\u00f4micos.&nbsp;\u201cNas classes sociais mais altas e m\u00e9dias, as mulheres t\u00eam acesso a recursos que lhes permitem delegar algumas responsabilidades, como contratar bab\u00e1s, empregadas dom\u00e9sticas e adquirir servi\u00e7os externos, como alimenta\u00e7\u00e3o pronta e matr\u00edculas em escolas particulares para os filhos.\u201d&nbsp;Por outro lado, para as mulheres de classes sociais mais baixas e que possuem menos recursos financeiros, a depend\u00eancia de redes de apoio informal, como vizinhos ou familiares, \u00e9 ainda mais crucial para possibilitar sua participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, o que, segundo a especialista, contribui para aprofundar essa desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"responsabilidade-exaustiva\">Responsabilidade exaustiva<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise conduzida pela ONG Think Olga revelou que 86% das brasileiras sentem uma carga de responsabilidades exaustiva e 48% enfrentam dificuldades financeiras. Nesse cen\u00e1rio, 28% delas se colocam como \u00fanicas ou principais provedoras do lar, enquanto 57% das mulheres entre 36 e 55 anos t\u00eam a responsabilidade direta pelo cuidado de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Para lidar com essa realidade, Regina destaca a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam uma redistribui\u00e7\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas e cuidado de dependentes mais equitativa, com o Estado desempenhando um papel central na implementa\u00e7\u00e3o dessas medidas.&nbsp;\u201cAmplia\u00e7\u00e3o de vagas em creches, extens\u00e3o do hor\u00e1rio de funcionamento dessas institui\u00e7\u00f5es, cria\u00e7\u00e3o de restaurantes e lavanderias populares, al\u00e9m da expans\u00e3o de equipamentos para o cuidado de pessoas com defici\u00eancia e acolhimento de idosos, s\u00e3o iniciativas importantes para reduzir a carga de trabalho\u201d, assegura Regina.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a especialista afirma que o preconceito ainda persiste, especialmente quando o assunto \u00e9 licen\u00e7a-maternidade, o que&nbsp;cria disparidades nas responsabilidades e no reconhecimento entre homens e mulheres quanto a&nbsp;obriga\u00e7\u00f5es, dificultando a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que promovam a igualdade.&nbsp;\u201cA concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e cuidados dom\u00e9sticos e familiares \u00e9 um desafio complexo que exige mudan\u00e7as estruturais na sociedade.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a especialista, o cuidado de dependentes tem que ser visto como uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade. \u201cA no\u00e7\u00e3o de que somos indiv\u00edduos autossuficientes \u00e9 uma fal\u00e1cia, dependemos uns dos outros para sobreviver.\u201d&nbsp;Regina ainda reconhece que essa interdepend\u00eancia \u00e9 fundamental para valorizar o trabalho realizado por milh\u00f5es de mulheres diariamente, sem remunera\u00e7\u00e3o. \u201cSem cuidado, n\u00e3o h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es, bem-estar nos lares, sa\u00fade ou alimenta\u00e7\u00e3o adequada\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>*\u00a0<em>Entrevista: Eduardo Nazar\u00e9 \u2013 Texto: J\u00falia Valeri, estagi\u00e1rios<\/em>\u00a0<em>sob supervis\u00e3o de Ferraz Junior<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/mulheres-dedicam-em-media-96-horas-a-mais-do-que-os-homens-as-tarefas-domesticas\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/mulheres-dedicam-em-media-96-horas-a-mais-do-que-os-homens-as-tarefas-domesticas\/\">clique aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A concilia\u00e7\u00e3o entre o trabalho fora de casa e os cuidados dom\u00e9sticos do lar e das pessoas dependentes, como filhos ou familiares idosos, ainda recaem quase que exclusivamente sobre as mulheres. \u00c9 o que reflete os dados do IBGE, no ano de 2022, que apontam que as mulheres dedicaram, em m\u00e9dia, 9,6 horas a mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":2275,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_gspb_post_css":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[29,33,34,26],"class_list":["post-2274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-desigualdade","tag-direitos","tag-leis","tag-mulheres"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2274"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2274\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2276,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2274\/revisions\/2276"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}