{"id":2227,"date":"2024-05-17T09:46:26","date_gmt":"2024-05-17T12:46:26","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=2227"},"modified":"2024-05-17T09:46:26","modified_gmt":"2024-05-17T12:46:26","slug":"estudo-revela-numeros-alarmantes-de-chacinas-relacionadas-ao-feminicidio-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/estudo-revela-numeros-alarmantes-de-chacinas-relacionadas-ao-feminicidio-no-brasil\/","title":{"rendered":"Estudo revela n\u00fameros alarmantes de chacinas relacionadas ao feminic\u00eddio no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Um recente estudo divulgado pelo projeto Reconex\u00e3o Periferias da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, em colabora\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o Iniciativa Negra, trouxe \u00e0 tona uma preocupante situa\u00e7\u00e3o sobre a viol\u00eancia de g\u00eanero no Brasil. O estudo, intitulado \u2018Chacinas e a Politiza\u00e7\u00e3o das Mortes no Brasil: estudo de casos\u2019, revelou n\u00fameros alarmantes entre os anos de 2011 e 2020. De acordo com o relat\u00f3rio, durante esse per\u00edodo foram registradas 42 chacinas associadas ao feminic\u00eddio, resultando em aproximadamente 111 v\u00edtimas. Al\u00e9m disso, outras 405 mulheres perderam suas vidas em chacinas por motivos diversos. Esses dados destacam a persist\u00eancia de uma grave quest\u00e3o de viol\u00eancia de g\u00eanero no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pesquisa, iniciada em 2018 como parte do projeto Reconex\u00e3o Periferias, analisou a viol\u00eancia no pa\u00eds, focando em homic\u00eddios m\u00faltiplos, com tr\u00eas ou mais v\u00edtimas fatais. O objetivo foi compreender os fatores subjacentes a esses eventos e contribuir para estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o. Segundo o soci\u00f3logo e coordenador do projeto, Paulo Ramos, a pesquisa busca entender como as chacinas s\u00e3o t\u00e1ticas empregadas por grupos que disputam territ\u00f3rios e recursos econ\u00f4micos e simb\u00f3licos no pa\u00eds. Ramos ressalta que essas mortes geralmente s\u00e3o reivindicadas por grupos espec\u00edficos e fazem parte de um conjunto de a\u00e7\u00f5es coletivas historicamente transmitidas entre seus membros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;O estudo revelou que mulheres negras enfrentam um risco duas vezes maior de serem v\u00edtimas de homic\u00eddio e feminic\u00eddio em compara\u00e7\u00e3o com mulheres n\u00e3o negras. Em 2021, 2.601 mulheres negras foram assassinadas, representando 67,4% do total de mulheres mortas no per\u00edodo. Isso equivale a uma taxa de 4,3 mulheres negras mortas para cada 100 mil habitantes, quase 45% maior do que a taxa entre mulheres n\u00e3o negras, que foi de 2,4 por 100 mil.&nbsp; Al\u00e9m disso, a pesquisa examinou dois casos emblem\u00e1ticos de viol\u00eancia: o Massacre de Realengo em 2011, no qual um ex-aluno entrou em uma escola e matou dez meninas e dois meninos, e a Chacina de Campinas em 2017, na qual um homem invadiu uma festa de fam\u00edlia e matou dois homens, nove mulheres (incluindo sua ex-esposa) e seu pr\u00f3prio filho de 8 anos. Durante a pesquisa, observou-se que os agressores em ambos os casos estavam associados a grupos masculinistas, que operam de maneira organizada online e at\u00e9 mesmo incentivam crimes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;Relat\u00f3rio do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, divulgado em mar\u00e7o deste ano, aponta que, a cada seis horas, uma mulher \u00e9 v\u00edtima de feminic\u00eddio no Brasil. Desde a aprova\u00e7\u00e3o da lei n\u00ba13.104\/2015, que considera o feminic\u00eddio como um crime motivado pela condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero da v\u00edtima, aproximadamente 10,7 mil mulheres foram mortas no Brasil. Os dados alarmantes mostram um aumento de 1,6% nos casos em 2023 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, totalizando 1.463 v\u00edtimas. O feminic\u00eddio envolve situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, al\u00e9m de menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher. O crime \u00e9 punido com penas que variam de 12 a 30 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Viol\u00eancia contra mulheres no Brasil exige abordagem interseccional&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, as desigualdades sociais s\u00e3o evidentes e a interse\u00e7\u00e3o entre viol\u00eancia de g\u00eanero e fatores como etnia, ra\u00e7a e orienta\u00e7\u00e3o sexual ganha destaque. Em entrevista \u00e0 Rede JP, as pesquisadoras do projeto Reconex\u00e3o Periferias da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo discutiram essa interseccionalidade. Elas ressaltaram a complexidade do tema, mostrando como a percep\u00e7\u00e3o do \u201cinimigo\u201d na viol\u00eancia \u00e9 moldada pela jun\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, ra\u00e7a e idade. Isso sublinha a necessidade de abordagens que levem em conta sexismo, racismo, LGBTfobia e misoginia. Segundo as pesquisadoras, a viol\u00eancia contra mulheres negras, trans e travestis \u00e9 frequentemente ignorada pela m\u00eddia convencional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO corpo que importa para esse tipo de m\u00eddia \u00e9 o do \u2018cidad\u00e3o de bem\u2019, que \u00e9 necessariamente homem, branco, heterossexual, cisg\u00eanero e morador de \u00e1reas abastadas das cidades\u201d, destacam.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dissemina\u00e7\u00e3o de valores mis\u00f3ginos e de extrema direita na sociedade brasileira tamb\u00e9m \u00e9 apontada como um fator que influencia a escalada da viol\u00eancia contra mulheres. \u201cEsses elementos constituem a racionalidade b\u00e9lica de estado e tamb\u00e9m uma parcela significativa de civis que se encontram nesses f\u00f3runs an\u00f4nimos mis\u00f3ginos e neonazistas\u201d, afirmam as pesquisadoras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;Quando questionadas sobre o papel das mulheres na comunica\u00e7\u00e3o para abordar e combater a viol\u00eancia feminina, especialmente nos contextos de desigualdade racial e de g\u00eanero, as pesquisadoras ressaltam a import\u00e2ncia do protagonismo feminino.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOlhares mais atentos de mulheres, pessoas racializadas, pessoas LGBTQIAPN+ podem trazer perspectivas mais interessantes ao noticiar esse tipo de caso\u201d, enfatizam.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante dos desafios atuais, as pesquisadoras apontam estrat\u00e9gias para desafiar as representa\u00e7\u00f5es estigmatizantes das mulheres pretas, trans e travestis na m\u00eddia brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia.<em>&nbsp;\u201cConsiderar as assimetrias de poder \u00e9 uma tarefa urgente; reconhecer a relev\u00e2ncia das pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa nas equipes, garantir diversidade em todas as frentes de atua\u00e7\u00e3o\u201d, concluem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo destaca a necessidade de uma abordagem sens\u00edvel e respons\u00e1vel por parte da m\u00eddia hegem\u00f4nica brasileira para promover a conscientiza\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero. Ao colocar em destaque as vozes marginalizadas, esse estudo oferece uma vis\u00e3o cr\u00edtica e propositiva para enfrentar os desafios enfrentados pelas mulheres brasileiras, especialmente aquelas de minorias \u00e9tnicas e de g\u00eanero, na busca por justi\u00e7a e apoio ap\u00f3s serem v\u00edtimas de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para saber mais <a href=\"https:\/\/redejpcomunicacao.org\/2024\/05\/04\/estudo-revela-numeros-alarmantes-de-chacinas-relacionadas-ao-feminicidio-no-brasil\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/redejpcomunicacao.org\/2024\/05\/04\/estudo-revela-numeros-alarmantes-de-chacinas-relacionadas-ao-feminicidio-no-brasil\/\">clique aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Um recente estudo divulgado pelo projeto Reconex\u00e3o Periferias da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, em colabora\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o Iniciativa Negra, trouxe \u00e0 tona uma preocupante situa\u00e7\u00e3o sobre a viol\u00eancia de g\u00eanero no Brasil. 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