{"id":1259,"date":"2023-11-03T15:02:19","date_gmt":"2023-11-03T18:02:19","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/?p=1259"},"modified":"2023-11-03T15:04:48","modified_gmt":"2023-11-03T18:04:48","slug":"numero-de-feminicidios-no-1o-semestre-supera-o-de-2022-ano-do-recorde-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/numero-de-feminicidios-no-1o-semestre-supera-o-de-2022-ano-do-recorde-no-brasil\/","title":{"rendered":"N\u00famero de feminic\u00eddios no 1\u00ba semestre supera o de 2022, ano do recorde no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>708 mulheres foram mortas por serem mulheres, de janeiro a junho de 2023; em SP, MG e no DF, casos superam total de anos anteriores<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"440\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1262\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-2.png 640w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-2-300x206.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Por <strong>Ricardo Brandt<\/strong>, via SBT News &#8211; 02\/11\/2023 \u00e0s 19:45<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros de feminic\u00eddios no Brasil crescem em 2023. S\u00e3o pelo menos 1,1 mil mulheres assassinadas&nbsp;at\u00e9 setembro, por serem do sexo feminino &#8211; o chamado crime de g\u00eanero. O dado in\u00e9dito, ao qual o&nbsp;<strong>SBT News<\/strong>&nbsp;teve acesso, \u00e9 do rec\u00e9m lan\u00e7ado Monitor dos Feminic\u00eddios no Brasil. Crimes como o da cantora gospel Sara Mariano, v\u00edtima de feminic\u00eddio&nbsp;na Bahia na \u00faltima semana, s\u00e3o parte de uma estat\u00edstica em crescimento cont\u00ednuo nos \u00faltimos anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.sbtnews.com.br\/\">+ Leia as \u00faltimas not\u00edcias no portal SBT News<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o quatro feminic\u00eddios por dia, em m\u00e9dia, no Brasil nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Um problema social cada vez mais presente dia a dia brasileito e ainda carente de solu\u00e7\u00f5es efetivas. O&nbsp;<strong>SBT News<\/strong>&nbsp;buscou dados atualizados das pol\u00edcias em alguns estados,&nbsp;cruzou com os levantamentos nacionais oficiais, ouviu especialistas, familiares de v\u00edtimas e o governo federal sobre o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem mostra que 2023 caminha para bater 2022, o pior da s\u00e9rie hist\u00f3rica &#8211; ou, no m\u00ednimo, se equiparar.&nbsp;Nos seis primeiros meses do ano, dados mostram esse crescimento.&nbsp;De janeiro a junho, o Monitor&nbsp;dos Feminic\u00eddios no Brasil contou 708 mulheres mortas, v\u00edtimas&nbsp;desse tipo de crime.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"643\" height=\"371\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1260\" style=\"aspect-ratio:1.733153638814016;width:1062px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image.png 643w, https:\/\/sites.uel.br\/lesfem\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/image-300x173.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Monitor do Feminic\u00eddio no Brasil&nbsp;foi criado no Laborat\u00f3rio de Estudos do Feminic\u00eddio (LESFEM), da Universidade Estadual de Londrina (PR), e&nbsp;n\u00e3o contabiliza dados de&nbsp;anos anteriores.&nbsp;A&nbsp;reportagem do&nbsp;<strong>SBT News<\/strong>&nbsp;usou outro levantamento como comparativo para mostrar a tend\u00eancia de alta&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em igual per\u00edodo de 2022 &#8211; ano do recorde desde a cria\u00e7\u00e3o da Lei do Feminic\u00eddio, em 2015 &#8211; foram 699 crimes do tipo. Um ano antes, 2021, foram 677. Os n\u00fameros s\u00e3o do&nbsp;Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica &#8211; considerado o mais importante monitor das criminalidade no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.098 feminic\u00eddios at\u00e9 setembro de 2023, segundo o&nbsp;Monitor do Feminic\u00eddio no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo usado pelo novo Monitor do Feminic\u00eddio no Brasil, criado por pesquisadores em Londrina (PR),&nbsp;diminui a margem de subnotifica\u00e7\u00e3o, decorrente do n\u00e3o registro policial do crime como um feminic\u00eddio, segundo explica a soci\u00f3loga Silvana Mariano, coordenadora do LESFEM.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Temos cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s classifica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o feitas pela pol\u00edcia. Infelizmente, quando pegamos os dados da Justi\u00e7a, aumenta a quantidade de feminic\u00eddio. Significa que existem muitos casos que a&nbsp;pol\u00edcia n\u00e3o faz o indiciamento por feminic\u00eddio, mas depois, o Minist\u00e9rio P\u00fablico faz. Pelos pr\u00f3prios dados da Seguran\u00e7a P\u00fablica, existem homic\u00eddios de mulheres cuja autoria \u00e9 de companheiro e ex-companheiro, detectam a autoria, e n\u00e3o foi classificado como feminic\u00eddio. S\u00f3 para mostrar o tamanho do abismo que temos, do hiato que se tem nesse tipo de dado&#8221;, Silvana Mariano, soci\u00f3loga e coordenadora do Leborat\u00f3rio de Estudos do Feminic\u00eddio da UEL.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Existe muita subnotifica\u00e7\u00e3o e est\u00e1 entre as motiva\u00e7\u00f5es do&nbsp;projeto. Porque, por exemplo, nos&nbsp;dados da seguran\u00e7a p\u00fablica no Brasil, os feminic\u00eddios s\u00e3o aproximadamente um ter\u00e7o dos&nbsp;casos de homic\u00eddios de mulheres. N\u00f3s n\u00e3o acreditamos nesse tipo de dado. Achamos que \u00e9 muito mais&#8221;, diz Silvana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O QUE \u00c9 FEMINIC\u00cdDIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por lei, feminic\u00eddio \u00e9 o assassinato de mulher em caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou motivada pela discrimina\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino.&nbsp;O feminic\u00eddio passou a fazer parte da legisla\u00e7\u00e3o penal brasileira em 2015. Na pena do crime de assassinato, o feminic\u00eddio pesa como uma forma qualificada do crime, gerando o agravante, que aumenta a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei 13.104\/2015 estipula tr\u00eas hip\u00f3teses para que o homic\u00eddio seja qualificado como feminic\u00eddio:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>quando a morte \u00e9 decorrente de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar em raz\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino;<\/li>\n\n\n\n<li>em raz\u00e3o de menosprezo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o feminina;<\/li>\n\n\n\n<li>em raz\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o feminina&nbsp;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Na Bahia, o caso da cantora Sara Mariano, que tinha 38 anos, engroussou essa estat\u00edstica. No dia 24&nbsp;de outubro, ela foi dada como desaparecida pela fam\u00edlia e o&nbsp;marido, Ederlan Mariano, chegou a pedir ajuda nas redes sociais para encontr\u00e1-la. Tr\u00eas dias depois, o corpo foi encontrado pela pol\u00edcia, em uma estrada, carbonizado. Ela deixou uma filha de 11 anos. O marido foi preso e o caso passou a ser tratado como feminic\u00eddio.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.sbt.com.br\/noticias\/images\/content\/20231101192407.jpeg\" alt=\"sara\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sara Mariano, ao lado do marido, Ederlan, preso por feminic\u00eddio na Bahia | Reprodu\u00e7\u00e3o\/Redes sociais<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na Bahia, 68 feminic\u00eddios foram registrados este ano, quase a mesma marca de&nbsp;2022&nbsp;em igual per\u00edodo, quando foram 72 caso. Fora aqueles que escaparam da contagem, devido ao registro policial. Como o&nbsp;caso de Raquel da Silva Almeida, que tinha 34 anos. A v\u00edtima foi encontrada morta com golpes de faca em sua casa, no domingo (24.out). O filho de 11 anos tamb\u00e9m foi ferido, mas sobreviveu. O principal suspeito \u00e9 o marido, Diego Andrade, mas o caso n\u00e3o foi registrado pela Pol\u00edcia Civil como feminic\u00eddio, no boletim de ocorr\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estados em alta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros de feminic\u00eddios nos estados que puxam as estat\u00edsticas para cima, devido ao n\u00famero de habitantes. Os dados das pol\u00edcias, em 2023, tamb\u00e9m confirmam a tend\u00eancia de alta.&nbsp;Mesmo antes do final do ano, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais j\u00e1 superam 2022 &#8211; na an\u00e1lise por per\u00edodos. Na Bahia e no Rio de Janeiro, os registros est\u00e3o nos mesmos patamares do ano passado &#8211; quando foi registrado o recorde.&nbsp;O&nbsp;<strong>SBT News<\/strong>&nbsp;levantou estat\u00edsticas de registros de feminic\u00eddios nas secretarias de seguran\u00e7a dos estados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o Paulo tem os maiores n\u00fameros de feminic\u00eddios, devido \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a maior do pa\u00eds. Foram 142 feminic\u00eddios at\u00e9 agosto deste ano. N\u00famero 16% superior ao registrado em igual per\u00edodo de 2022, ano do recorde. Supera tamb\u00e9m todos os 140 feminic\u00eddios registrados em todo ano de 2021.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.sbt.com.br\/noticias\/images\/content\/20231101230830.jpeg\" alt=\"art2\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em Minas Gerais, os casos de feminic\u00eddio em 2023 repetem os altos \u00edndices de 2022. De janeiro a julho, os dados da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica mostram que foram 96 crimes do tipo at\u00e9 aqui, contra 93, no ano passado. N\u00fameros que superaram o total registrado em todo 2020, quando 84 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddios, nas cidades mineiras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Rio, 72 feminic\u00eddios foram registrados de janeiro a agosto. Em igual per\u00edodo do ano passado, foram 74. N\u00fameros que se equiparam ou superam os totais registrados nos anos anteriores, considerando os 12 meses. Em 2020 foram 78 crimes do tipo. Em 2018, foram 71.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Distrito Federal, onde mais uma v\u00edtima de feminic\u00eddio morreu nesta semana, o total de casos deste ano \u00e9 quase o dobro do total de 2022. Foram 29 casos neste ano, contra 17.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.sbtnews.com.br\/noticia\/brasil\/263491-depois-de-10-dias-morre-vitima-de-tentativa-de-feminicidio-no-df\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">+&nbsp;Depois de 10 dias, morre v\u00edtima de tentativa de feminic\u00eddio no DF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Outro destaque negativo observado foi a taxa de feminic\u00eddios em rela\u00e7\u00e3o ao total de assassinatos de mulheres. No Brasil, das 4.034 mulheres mortas no ano passado, 35,6% foram casos de feminic\u00eddio. No DF, essa taxa foi de 59,4%.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crescimento da viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00fameros totais, estados como S\u00e3o Paulo, Minas e Bahia lideram os casos de feminic\u00eddios por serem os mais populosos. Mas quando se contabiliza as ocorr\u00eancias, levando em conta a quantidade de moradores, estados como Rond\u00f4nia e Mato Grosso est\u00e3o no topo do ranking.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, por exemplo, 24 mulheres foram v\u00edtimas de feminic\u00eddio em Rond\u00f4nia. Parece pouco, comparado aos 195 de S\u00e3o Paulo, mas quando se faz a conta proporcional, a realidade \u00e9 outra. O estado do Norte tem uma taxa de 3,1 crimes, para cada grupo de 100 mil moradores, primeiro da lista do Brasil. O estado do Sudoeste, \u00e9 o \u00faltimo dessa mesma lista, com taxa de 0,9.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.sbt.com.br\/noticias\/images\/content\/20231101231023.jpeg\" alt=\"art3\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher cresceu de forma generalizada no pa\u00eds em 2022 &#8211; dado que inclui os feminic\u00eddios e outros crimes contra a mulher. Ao divulgar em agosto o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2023 &#8211; documento que \u00e9 refer\u00eancia em estat\u00edsticas criminais -, especialistas do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica destacaram o aumento geral.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Infelizmente n\u00e3o nos surpreende que o Anu\u00e1rio deste ano traga o crescimento de todos os indicadores de viol\u00eancia dom\u00e9stica e demais modalidades de viol\u00eancia contra a mulher.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Porto (in)seguro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das v\u00edtimas \u00e9 morta em casa, pelo companheiro ou pelo ex. Em 2022, metade dos crimes (53%) foi cometido pelo parceiro da v\u00edtima (seja namorado, marido ou amante), e 19% envolveram o ex-companheiro, segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica peculiar ao tipo de crime, em rela\u00e7\u00e3o aos demais assassinatos de mulheres, \u00e9 que sete de cada dez v\u00edtimas foram mortas dentro de casa. Na metade dos casos de feminic\u00eddio, a arma usada \u00e9 uma faca &#8211; arma branca, no termo oficial. As armas de fogo vem em seguida, cerca de um quarto dos casos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na maior parte dos casos, o roteiro e o perfil dos crimes e dos envolvidos t\u00eam semelhan\u00e7as bem espec\u00edficas do feminic\u00eddio. Dois estudos recentes que aprofundam o tema e d\u00e3o a radiografia do problema no pa\u00eds, s\u00e3o o Anu\u00e1rio de Seguran\u00e7a e o &#8220;Vis\u00edvel e Invis\u00edvel: a Vitimiza\u00e7\u00e3o de Mulheres no Brasil&#8221;, do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.sbt.com.br\/noticias\/images\/content\/20231102001722.jpeg\" alt=\"viana\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A influencer Luana Verdi, 34, morta pelo marido, em S. J. do Rio Preto (SP) | Reprodu\u00e7\u00e3o\/Rede social<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na 4\u00aa feira (01.nov), a influeciadora digital Luana Caroline Verdi, de 34 anos, entrou para essa fria estat\u00edstica. M\u00e3e de dois g\u00eameos de 11 anos, ela constumava postar imagens de sua rotina e dos filhos. Foi assassinada a tiros em casa, enquanto dormia, pelo marido, Victor dos Santos, de 36 anos, que se suicidou na sequ\u00eancia. Ele n\u00e3o aceitava o fim do casamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana de outubro,&nbsp;La\u00edsa Rocha da Silva, de 35 anos, morreu no Distrito Federal, dez dias ap\u00f3s ser esfaqueada pelo marido. Deixou duas filhas. Dias antes, Angela Maria Ferreira Brito, de 41 anos, foi morta em casa, em S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), na&nbsp;frente do filho. O assassino \u00e9 o&nbsp;marido, Carlos Alberto de Brito, com&nbsp;quem viveu 24 anos.&nbsp;Duas semanas antes, a dentista&nbsp;Bruna Angleri, de 40 anos, foi assassinada dentro de casa, em Araras (SP), pelo ex-namorado, com dois tiros no rosto e teve o corpo queimado. Deixou um filho de 8 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro v\u00edtimas de feminic\u00eddios recentes, registrados em cantos distintos do Brasil, que se unem por caracter\u00edsticas comuns e predominantes nesses crimes. Mulheres, v\u00edtimas do companheiro ou ex-companheiro, assassinadas, dentro da pr\u00f3pria casa e deixando filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fam\u00edlia v\u00edtima<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o quatro&nbsp;mulheres assassinadas por dia no Brasil por serem mulheres. Uma m\u00e9dia mantida desde 2021.&nbsp;Com as v\u00edtimas, filhos, pais, irm\u00e3os, parentes e amigos tamb\u00e9m s\u00e3o afetados diretamente por esse tipo de crime.&nbsp;S\u00f3 em 2022, pelo menos 2,4 mil crian\u00e7as e adolescentes ficaram \u00f3rf\u00e3os de v\u00edtimas de feminic\u00eddios no Brasil e vivem sob cuidados de parentes ou foram para abrigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por envolver viol\u00eancia&nbsp;dentro do lar, estudos tamb\u00e9m apontam que &#8220;na maior parte dos casos de feminic\u00eddios, filhos, familiares ou amigos das v\u00edtimas j\u00e1 haviam presenciado as agress\u00f5es&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No interior de S\u00e3o Paulo, a dentista Bruna Angleri&nbsp;foi assassinada no dia 24 de setembro e o caso&nbsp;foi registrado como homic\u00eddio. O principal suspeito, o cantor Jo\u00e3o Victor Malachias, tinha uma medida protetiva pedida por ela, ap\u00f3s uma agress\u00e3o anterior. Foi ouvido na delegacia no dia do assassinato, mas liberado. Com hist\u00f3rico de viol\u00eancia, n\u00e3o aceitava o fim do namoro de sete meses e fugiu. Foi preso dias depois, perto de Ribeir\u00e3o Preto (SP).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.sbtnews.com.br\/noticia\/policia\/262269-policia-prende-cantor-suspeito-de-matar-ex-namorada-no-interior-de-sp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">+&nbsp;Pol\u00edcia prende cantor suspeito de matar ex-namorada no interior de SP<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Bruna deixou um filho. Na semana em que foi assassinada pelo ex-namorado, que n\u00e3o aceitava o fim do relacionamento que durou 7 meses, ela cuidava dos acertos finais da festa contratada de anivers\u00e1rio de 8 anos do garoto. Festa que foi cancelada e deu lugar a uma manifesta\u00e7\u00e3o, que reuniu mais de 200 pessoas, na cidade do interior paulista,&nbsp;para cobrar Justi\u00e7a e o fim da viol\u00eancia contra mulheres.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.sbt.com.br\/noticias\/images\/content\/20231029013535.jpeg\" alt=\"pagu\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Silvana Mariana, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos do Feminic\u00eddio, da UEL | SBT<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>&#8220;O feminic\u00eddio \u00e9 um tipo de assassinato que, em geral, afeta na fam\u00edlia uma estrutura sempre maior. N\u00e3o buscamos apenas qualificar a trag\u00e9dia, mas alertar para a gravidade do problema e lembrar que s\u00e3o vidas interrompidas ou afetadas pela viol\u00eancia de g\u00eanero&#8221;, afirma a soci\u00f3loga Silvana Mariano, que criou e passou a estudar o tema, ap\u00f3s entrar nessa fria estat\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por tr\u00e1s de cada estat\u00edstica h\u00e1 uma mulher, uma fam\u00edlia, uma comunidade, sonhos desfeitos e um futuro incerto.&#8221; Em abril de 2019, a auxiliar de enfermagem Cidn\u00e9ia Mariano, sua irm\u00e3 ca\u00e7ula, foi v\u00edtima do marido, em uma tentativa de feminic\u00eddio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e9ia, como era conhecida, foi espancada, estrangulada e jogada em uma estrada na zona rural de Londrina (PR). O companheiro n\u00e3o aceitava o fim do casamento. Ela sobreviveu, ficou tetrapl\u00e9gica. Por dois anos, sobreviveu, sem sair da cama. Morreu em 2021, pouco tempo depois do assassino ser condenado pela Justi\u00e7a. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Prote\u00e7\u00e3o falha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entender o perfil das v\u00edtimas e os pontos semelhantes e os distintos entre os feminic\u00eddios e os homic\u00eddios em geral de mulheres faz parte dos estudos de seguran\u00e7a, que ajudam a compreender o fen\u00f4meno social, cada vez mais em evid\u00eancia no notici\u00e1rio, e a definir e propor pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Pacto de Preven\u00e7\u00e3o aos Feminic\u00eddios, que foi lan\u00e7ado em agosto pelo presidente Lula, tem como prop\u00f3sito reduzir os \u00edndices de feminic\u00eddio no Brasil, que teve aumento em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo ano&#8221;, afirma Pagu Rodrigues, coordenadora da Pol\u00edcia de Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher, do Minist\u00e9rio das Mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>A soci\u00f3loga e membro do governo, destacou em entrevista ao&nbsp;<strong>SBT News<\/strong>&nbsp;que o &#8220;aumento significativo&#8221; de feminic\u00eddios acompanha &#8220;o aumento de in\u00fameras viol\u00eancias contra as mulheres&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.sbt.com.br\/noticias\/images\/content\/20231029013842.jpeg\" alt=\"p\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pagu Rodrigues, coordenadora da Pol\u00edcia de Preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Para Pagu Rodrigues, os n\u00fameros s\u00e3o preocupantes e a alta decorre do aumento efetivo de feminic\u00eddios e como consequ\u00eancia da tipifica\u00e7\u00e3o penal do crime, a partir de 2015, e das pol\u00edticas p\u00fablicas recentes, de fatores sociais como a pandemia da covid-19 e da misoginia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Acho que s\u00e3o as duas coisas que est\u00e3o acontecendo. No momento em que passa a ser registrado como feminic\u00eddio, acaba tendo um boom de n\u00fameros. E no \u00faltimo per\u00edodo, considerando a pandemia e a gest\u00e3o anterior, do governo Bolsonaro, que incentivou um processo de misoginia no Brasil, a gente tem realmente um aumento desse \u00edndice de feminic\u00eddio.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre os feminic\u00eddios e a pol\u00edtica do governo Bolsonaro e seu discurso ideol\u00f3gico, citada pela coordenadora da \u00e1rea do Minist\u00e9rio das Mulheres, n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o de opositor para ataque. Estudos recentes sobre o tema, como os do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, destacam essa hip\u00f3tese.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O&nbsp;desfinanciamento das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher por parte da gest\u00e3o de Jair Bolsonaro, que registrou a menor aloca\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria em uma d\u00e9cada para as pol\u00edticas de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher&#8221;, por exemplo, \u00e9 apontado entre as possibilidades que justificam o recorde de casos em 2022&nbsp;e o aumento ininterrupto da viol\u00eancia contra as mulheres no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Fala tamb\u00e9m do &#8220;cen\u00e1rio de crescimento dos crimes de \u00f3dio da ascens\u00e3o de movimentos ultraconservadores na pol\u00edtica brasileira, que elegeram o debate sobre igualdade de g\u00eanero como inimigo n\u00famero um&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>708 mulheres foram mortas por serem mulheres, de janeiro a junho de 2023; em SP, MG e no DF, casos superam total de anos anteriores Por Ricardo Brandt, via SBT News &#8211; 02\/11\/2023 \u00e0s 19:45 Os n\u00fameros de feminic\u00eddios no Brasil crescem em 2023. 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