{"id":987,"date":"2025-01-28T18:17:24","date_gmt":"2025-01-28T21:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=987"},"modified":"2025-01-29T23:07:59","modified_gmt":"2025-01-30T02:07:59","slug":"a-diversidade-saiu-de-moda-a-magreza-extrema-e-a-nova-tendencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/01\/28\/a-diversidade-saiu-de-moda-a-magreza-extrema-e-a-nova-tendencia\/","title":{"rendered":"A diversidade saiu de moda. A magreza extrema \u00e9 a nova tend\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"952\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-01-28-as-19.21.30_d81e542a-1024x952.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-994\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-01-28-as-19.21.30_d81e542a-1024x952.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-01-28-as-19.21.30_d81e542a-300x279.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-01-28-as-19.21.30_d81e542a-768x714.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-01-28-as-19.21.30_d81e542a.jpg 1290w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O esfor\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 representatividade de corpos distintos come\u00e7a a perder for\u00e7a, \u00e0 medida que uma nova gera\u00e7\u00e3o, cada vez mais engasgada de ozempic, se v\u00ea alheia a situa\u00e7\u00e3o. Os padr\u00f5es continuam implac\u00e1veis e as discuss\u00f5es parecem estagnadas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Rebeca Godoi<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A pauta da representatividade ganhou destaque na \u00faltima d\u00e9cada, levando marcas como a <strong>Victoria&#8217;s Secret<\/strong> a se preocupar com a aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, especialmente ap\u00f3s pol\u00eamicas envolvendo seus posicionamentos. Em 2018, o ex-diretor de marketing da marca, Ed Razek, declarou \u00e0 revista <strong>Vogue<\/strong> que a marca n\u00e3o tinha interesse em incluir modelos <em>plus size<\/em> ou transsexuais em seus desfiles, afirmando: &#8220;N\u00f3s fazemos campanhas para quem vendemos, e n\u00f3s n\u00e3o vendemos para o mundo inteiro.&#8221; Esse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o escancarada gerou ondas de cancelamento e cr\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essas declara\u00e7\u00f5es sejam consideradas expl\u00edcitas e conden\u00e1veis, muitas vezes a exclus\u00e3o do corpo diverso ocorre de maneira mais sutil e ainda assim \u00e9 igualmente poderosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, a marca <strong>Miu Miu<\/strong> viralizou com sua saia de apenas um palmo, que foi desfilada e promovida em corpos magros, sendo amplamente aceita nas redes sociais, inclusive por influenciadoras e celebridades. A escolha de um corpo esguio como ideal para um item de moda, mesmo quando n\u00e3o explicitamente dito, tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de excluir outras formas f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, um relat\u00f3rio da <strong>Vogue Business<\/strong> revelou que, na temporada de outono\/inverno, dos 219 desfiles realizados em Paris, Londres, Mil\u00e3o e Nova York, apenas 0,6% dos quase 10 mil looks apresentados foram de modelos <em>plus size<\/em>. O esfor\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 representatividade de corpos distintos come\u00e7a a perder for\u00e7a, \u00e0 medida que uma nova gera\u00e7\u00e3o, cada vez mais engasgada de ozempic, se v\u00ea alheia a situa\u00e7\u00e3o. Os padr\u00f5es continuam implac\u00e1veis e as discuss\u00f5es parecem estagnadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegando a 2024, e <strong>a Victoria&#8217;s Secret<\/strong>, mais uma vez envolvida em controv\u00e9rsias, retorna com seu ic\u00f4nico<em> Fashion Show<\/em> ap\u00f3s seis anos de hiato. Neste retorno, a marca prometia representar &#8220;todas as mulheres&#8221;, com modelos de 25 pa\u00edses diferentes, incluindo modelos transg\u00eaneros e plus size. Contudo, o resultado foi previs\u00edvel: a maioria esmagadora das modelos ainda era magra, e, quando corpos gordos foram apresentados, a quantidade de pele exposta foi reduzida, enquanto as caracter\u00edsticas reais desses corpos foram minimizadas. A inclus\u00e3o parecia, novamente, ser mais uma fachada do que um reflexo genu\u00edno da diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2025, as redes sociais seguem celebrando a magreza, como se fosse a verdadeira forma de felicidade. No TikTok, por exemplo, surgem tend\u00eancias como a &#8220;felicidade \u00e9 magra&#8221;, que apresenta meninas exibindo seus corpos adelga\u00e7ados, recebendo aprova\u00e7\u00e3o e elogios dos espectadores. Esse comportamento \u00e9 reflexo de uma sociedade que ainda v\u00ea o corpo magro como um s\u00edmbolo de sucesso, felicidade e aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como analisa Susan Bordo em seu livro <em>Unbearable Weight<\/em> (1993) o corpo esguio se tornou o &#8220;s\u00edmbolo do sucesso&#8221; na cultura ocidental, refletindo as press\u00f5es de uma sociedade consumista e capitalista, onde a est\u00e9tica \u00e9 frequentemente vista como um espelho do controle pessoal e da disciplina. O controle sobre o corpo, especialmente no que diz respeito \u00e0 magreza, se tornou uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es de poder social. O que perpetua a idealiza\u00e7\u00e3o de uma silhueta que \u00e9, muitas vezes, inalcan\u00e7\u00e1vel para a maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a busca pela magreza extrema n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de est\u00e9tica, mas sim um reflexo das expectativas de uma sociedade que ainda valoriza a uniformidade e a perfei\u00e7\u00e3o, \u00e0 custa da diversidade e da inclus\u00e3o real.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Rebeca Godoi<\/strong> \u00e9 estudante do curso Design de Moda da UEL, empres\u00e1ria na \u00e1rea, participa do Grupo Gabo de Pesquisa e \u00e9 respons\u00e1vel pela coluna de Moda da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 representatividade de corpos distintos come\u00e7a a perder for\u00e7a, \u00e0 medida que uma nova gera\u00e7\u00e3o, cada vez mais engasgada de ozempic, se v\u00ea alheia a situa\u00e7\u00e3o. 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