{"id":963,"date":"2024-11-15T17:32:33","date_gmt":"2024-11-15T20:32:33","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=963"},"modified":"2025-03-28T16:57:19","modified_gmt":"2025-03-28T19:57:19","slug":"o-que-as-tragedias-ambientais-querem-nos-dizer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2024\/11\/15\/o-que-as-tragedias-ambientais-querem-nos-dizer\/","title":{"rendered":"O que as trag\u00e9dias ambientais querem nos dizer?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Meio-ambiente-post-1-3-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-967\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Meio-ambiente-post-1-3-1024x1024.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Meio-ambiente-post-1-3-300x300.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Meio-ambiente-post-1-3-150x150.png 150w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Meio-ambiente-post-1-3-768x768.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Meio-ambiente-post-1-3.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Em 2024, mesmo ano em que a Espanha est\u00e1 afogada na Europa, o Rio Grande do Sul sofreu a maior enchente de sua hist\u00f3ria e o Brasil viveu debaixo de fuma\u00e7a durante as queimadas no Mato Grosso. Em setembro, inunda\u00e7\u00f5es na It\u00e1lia deixaram mais de mil pessoas desabrigadas. A Amaz\u00f4nia teve 12.696 focos de queimadas, entre janeiro e junho. Para os cientistas, isso n\u00e3o \u00e9 uma surpresa, por\u00e9m para os cidad\u00e3os comuns as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas parecem repentinas. Nessa entrevista o professor de Direito Ambiental Miguel Etinger ajuda a entender o que est\u00e1 acontecendo no planeta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Manuela Domingues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>J&amp;F: At\u00e9 que ponto essas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o naturais e quando elas passam a ser consequ\u00eancia de atitudes humanas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Etinger<\/strong>: Existem duas correntes doutrin\u00e1rias sobre a quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Uma majorit\u00e1ria, que entende que essas altera\u00e7\u00f5es do clima fazem parte do processo normal da terra, das eras geol\u00f3gicas, s\u00f3 que a atividade humana no \u00faltimo s\u00e9culo tem contribu\u00eddo para acelerar e intensificar essas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Ent\u00e3o, elas est\u00e3o sendo mais extremas e cada vez mais r\u00e1pidas, causando uma s\u00e9rie de eventos extremos com consequ\u00eancias na natureza e nos seres humanos. Uma outra corrente minorit\u00e1ria entende que n\u00e3o estamos numa chamada \u201cemerg\u00eancia clim\u00e1tica\u201d, que essas altera\u00e7\u00f5es do clima n\u00e3o est\u00e3o relacionadas com atividade humana. Seriam altera\u00e7\u00f5es normais da natureza. Alguns chamam essa corrente minorit\u00e1ria de \u201cnegacionistas\u201d, mas eu prefiro n\u00e3o chamar assim, porque tem pesquisadores ali e temos que respeitar as opini\u00f5es diferentes. Por tudo que eu li, me filio \u00e0 corrente majorit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J&amp;F: \u00c9 poss\u00edvel identificar culpados pelo caos clim\u00e1tico no Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Etinger:<\/strong> A busca da culpa \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o, n\u00e9? Do catolicismo. Voc\u00ea sempre tem que buscar um culpado para depois se arrepender e pedir perd\u00e3o. Isso faz parte da nossa sociedade, n\u00e3o s\u00f3 a brasileira. Podemos apontar n\u00e3o s\u00f3 um culpado para todo o problema. Existe uma s\u00e9rie de condutas e omiss\u00f5es, tanto do poder p\u00fablico quanto da sociedade civil, que t\u00eam contribu\u00eddo para essa degrada\u00e7\u00e3o ambiental e, consequentemente, para a intensifica\u00e7\u00e3o desses eventos clim\u00e1ticos extremos. Os estudos de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no Brasil, por exemplo, indicam como principal causa o aquecimento global. O que \u00e9 o aquecimento global? \u00c9 o aumento da temperatura da terra em fun\u00e7\u00e3o de algumas a\u00e7\u00f5es. Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o identificadas no Brasil. Aproximadamente 70% das emiss\u00f5es do CO2 (di\u00f3xido de carbono), o maior contribuinte para o aquecimento global, s\u00e3o emitidos por agricultura, queimadas e desflorestamento, ou seja, supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem agricultura e a altera\u00e7\u00e3o do uso da terra, seja por queimada, seja por supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o. 75% levam \u00e0 emiss\u00e3o de CO2, maior causa do efeito estufa. D\u00e1 para identificar quem s\u00e3o esses autores: agricultura e quem faz a altera\u00e7\u00e3o do uso da terra. Mas existem outros culpados tamb\u00e9m como a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e o comportamento do cidad\u00e3o comum. Tem uma s\u00e9rie de fatores que causam altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, j\u00e1 identificados cientificamente. O IPCC, que \u00e9 o painel intergovernamental sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica vinculado a ONU, faz um estudo muito interessante sobre as causas desses eventos extremos. E quando falamos em meio ambiente, causas e consequ\u00eancias temos que tomar muito cuidado, porque n\u00e3o existe uma \u00fanica causa e uma \u00fanica consequ\u00eancia, \u00e9 um conjunto de a\u00e7\u00f5es que levam a um conjunto de consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J&amp;F: O agro realmente tem uma participa\u00e7\u00e3o ativa na mudan\u00e7a clim\u00e1tica no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Etinger<\/strong>: O agroneg\u00f3cio a gente conceitua como grandes latif\u00fandios, produ\u00e7\u00e3o em larga escala produzindo <em>comodities<\/em> e produzindo mat\u00e9ria prima principalmente para exporta\u00e7\u00e3o: soja, trigo, cana, laranja, algod\u00e3o, arroz. Esse tipo de atividade exige atualmente grandes extens\u00f5es de terra que foram conseguidas por meio de supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, seja de forma legal, seja de forma ilegal, com o uso intensivo de agrot\u00f3xicos, soros agr\u00edcolas e venenos. Isso \u00e9 um fato. A supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o, uso de produtos qu\u00edmicos e perda de biodiversidade em fun\u00e7\u00e3o das monoculturas tem gerado e contribu\u00eddo para as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Por outro lado, a pecu\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 uma atividade que tem gerado e tem sido identificada como geradora dos gases de efeito estufa, dentre eles o metano, por conta dos gases que s\u00e3o expelidos pelo gado. Soma-se isso ao desmatamento ilegal e grilagem de terra na Amaz\u00f4nia. J\u00e1 \u00e9 um cen\u00e1rio de crime.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J&amp;F: Existe uma falha por parte dos governantes brasileiros em lidar com o meio ambiente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Etinger<\/strong>: Sim. Na quest\u00e3o ambiental, h\u00e1 uma enorme falha dos governantes, seja no espectro pol\u00edtico de direita, esquerda ou centro. Um recente estudo que mostra candidatos a prefeito frente a uma pol\u00edtica concreta de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, causa decep\u00e7\u00e3o. Menos de 1% mencionaram no projeto alguma coisa. Esse \u00e9 um exemplo de que os governos, o poder p\u00fablico em geral, em rela\u00e7\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, est\u00e3o bem atrasados. Em rela\u00e7\u00e3o a outras pol\u00edticas ambientais, apesar da legisla\u00e7\u00e3o nacional, estadual, e \u00e0s vezes at\u00e9 municipal, ter alguma coisa relevante, elas n\u00e3o s\u00e3o efetivamente aplicadas. A experi\u00eancia de participar do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina deixou claro que o pessoal n\u00e3o quer respeitar a legisla\u00e7\u00e3o. E os governos, para n\u00e3o se indispor com seguimentos da sociedade, fingem que n\u00e3o est\u00e3o vendo. Um exemplo foi a supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o da zona de amortecimento da Mata dos Godoy: 10 anos atr\u00e1s o pessoal da ONG MAE denunciou na Secretaria Municipal do Meio Ambiente. O antigo IAP foi l\u00e1 e multou. Ficou por isso mesmo. O cara continuou desmatando e n\u00e3o pagou a multa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J&amp;F: Existe uma parcela de responsabilidade da ind\u00fastria de consumo para com a situa\u00e7\u00e3o que o Brasil se encontra hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Etinger<\/strong>: Nesse mundo em que vivemos, no sistema capitalista, de consumo desenfreado, com produ\u00e7\u00e3o cada vez maior de produtos que ficam obsoletos e precisam ser trocados, tem uma demanda muito grande por recursos naturais. Para produzir um celular ou um notebook tem um monte de parte do mundo que foi concentrada em algum lugar, montada e agora est\u00e1 aqui. \u00c9 um duplo impacto, desde a produ\u00e7\u00e3o com a utiliza\u00e7\u00e3o massiva de recursos naturais, com a exposi\u00e7\u00e3o final dos produtos, que s\u00e3o os res\u00edduos s\u00f3lidos que n\u00e3o s\u00e3o aproveitados. Isso tamb\u00e9m gera um passivo ambiental muito grande em que tudo vai desequilibrando o ecossistema geral da terra. As ind\u00fastrias est\u00e3o a\u00ed, \u00e9 um sistema que \u00e9 aceito dentro da legalidade e que tem contribu\u00eddo para a polui\u00e7\u00e3o e para a degrada\u00e7\u00e3o ambiental. O fato \u00e9: a gente precisa dessas ind\u00fastrias para desenvolver o pa\u00eds enquanto sociedade individual e coletiva? Essa \u00e9 uma pergunta que a gente tem que se fazer toda hora. Quais os custos? Quais as consequ\u00eancias dessas atividades? Estamos dispostos a arcar com esses custos? Essa discuss\u00e3o n\u00e3o tem sido feita no Brasil. Existe uma discuss\u00e3o muito rasa de que precisamos desenvolver, e para desenvolver vale tudo. Recentemente algumas ind\u00fastrias no Brasil t\u00eam adotado pr\u00e1ticas de sustentabilidade, que reconhecem o papel dessas ind\u00fastrias nesse processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental e adotam pr\u00e1ticas para a diminui\u00e7\u00e3o dessas causas e desses efeitos. Mas \u00e9 um grupo muito pequeno do setor industrial brasileiro que est\u00e1 preocupado com essa quest\u00e3o. Num sistema capitalista uma ind\u00fastria n\u00e3o faz isso porque \u00e9 boazinha, a ind\u00fastria quer lucro. Ela faz isso ou por press\u00e3o nacional da sociedade, a\u00ed pode ter leis ou n\u00e3o, ou por press\u00e3o internacional, e a\u00ed \u00e9 mercado. Legisla\u00e7\u00e3o internacional ambiental praticamente n\u00e3o \u00e9 aplicada, para o aumento do seu mercado consumidor. A ind\u00fastria vai se adaptar por algum desses motivos. E no Brasil falta aprimorar algumas legisla\u00e7\u00f5es. O que falta mesmo \u00e9 um sistema correto de fiscaliza\u00e7\u00e3o anterior ao dano, seja por normas de comando e controle proibindo determinadas atividades e reprimindo, seja por normas de incentivo. Aqueles que t\u00eam uma conduta mais adequada recebem incentivo do governo: redu\u00e7\u00e3o de tributos, um selo verde, alguma coisa que interesse para a ind\u00fastria. No caso o lucro da empresa \u00e9 mais mercado ou reconhecimento perante a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J&amp;F: O meio ambiente \u00e9 discutido na sociedade, nas escolas, universidades ou na m\u00eddia? E existe algo que n\u00f3s, como cidad\u00e3os comuns, podemos fazer para auxiliar o planeta?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Etinger:<\/strong> Tem aumentado a discuss\u00e3o na grande m\u00eddia, porque existe uma press\u00e3o internacional. A sociedade em geral n\u00e3o tem discutido esse assunto, pelo menos n\u00e3o tenho percebido no \u00e2mbito local, estadual e nacional. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o tem, tem muita gente envolvida. Se voc\u00ea pegar o CONAMA, que \u00e9 o Conselho Nacional do Meio Ambiente, tem uma galera enorme discutindo, debatendo e tal, mas n\u00e3o se v\u00ea isso no dia a dia. \u00c9 muito dif\u00edcil encontrar uma discuss\u00e3o ambiental mais sistematizada, com alguns objetivos, etapas, mobiliza\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o da sociedade, chamar mais pessoas para uma causa e essa galera ir crescendo. Isso a gente n\u00e3o v\u00ea. As universidades s\u00e3o espa\u00e7o por excel\u00eancia para discutir a quest\u00e3o acad\u00eamica cient\u00edfica, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso juntar com o conhecimento popular, com o conhecimento tradicional. Juntar essas \u00e1reas: academia, ci\u00eancia e conhecimento popular, \u00e9 o maior ganho que o meio ambiente pode ter. A universidade tem discutido bastante, as universidades p\u00fablicas e uma ou outra particular est\u00e3o atentas a essa quest\u00e3o. Na nossa UEL a gente tem tentado avan\u00e7ar nessa pauta da quest\u00e3o ambiental. Na \u00e9poca em que eu fui procurador jur\u00eddico da UEL, junto do reitor S\u00e9rgio Carvalho, n\u00f3s iniciamos um processo de discuss\u00e3o de pol\u00edtica de gest\u00e3o ambiental, mas isso h\u00e1 seis anos. Isso foi andando bem devagar principalmente por causa da pandemia. Agora, seis anos depois, que vai surgir um grupo de trabalho para elaborar a pol\u00edtica de gest\u00e3o ambiental. A gente conseguiu identificar na universidade quase 100 pesquisadores de ponta que estudam alguma \u00e1rea relacionada com o meio ambiente, cada um fazendo a sua pesquisa isolada. O que a gente quer fazer \u00e9 juntar essa galera e montar uma pol\u00edtica de gest\u00e3o ambiental dentro da Universidade, que vai pegar os melhores profissionais, coisa que se for no mercado \u00e9 car\u00edssimo. E n\u00f3s como cidad\u00e3os podemos, para come\u00e7ar, se envolver, buscar orienta\u00e7\u00e3o, tirar uma horinha da semana para ler alguma coisa, ou participar de uma reuni\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o de bairros, discutir isso no centro acad\u00eamico, em algum lugar, para entender o que est\u00e1 acontecendo e se mobilizar. Penso que se pode participar localmente das discuss\u00f5es para entender o problema e, assim, exigir uma mudan\u00e7a de postura daqui para a frente. Dentro da universidade o que se pode fazer tamb\u00e9m \u00e9 participar das iniciativas. Existe o projeto Desplastifica UEL, criado por estudantes, um pessoal muito bom, que \u00e9 uma galera que est\u00e1 bem atuante e mexendo com a universidade. Isso \u00e9 um barato!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J&amp;F: Existe alguma forma de reverter a situa\u00e7\u00e3o ambiental que vivemos ou, pelo menos, estagn\u00e1-la no momento em que se encontra?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Etinger<\/strong>: Pelo que eu leio eu vejo, ainda \u00e9 poss\u00edvel reverter essa situa\u00e7\u00e3o. Mas todas as metas e os objetivos que foram tra\u00e7ados nos \u00faltimos anos n\u00e3o t\u00eam sido cumprido, ou seja, estamos indo na contram\u00e3o do que a ci\u00eancia est\u00e1 falando. A gente avan\u00e7a em um ou outro pontinho, mas no geral n\u00e3o estamos avan\u00e7ando. As pesquisas apontam para a chegada do chamado \u201cponto de n\u00e3o retorno\u201d, aquele no qual vai ficar irrevers\u00edvel. Alguns ecossistemas ficar\u00e3o irrevers\u00edveis, como um deserto na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, perda total de biodiversidade na caatinga, seca no pantanal, coisas que s\u00e3o indicadas como irrevers\u00edveis. A gente n\u00e3o prev\u00ea o futuro, mas esses cientistas se baseiam em estudos de conhecimento da nossa \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Manuela Domingues<\/strong>, estudante de Jornalismo da UEL, professora de reda\u00e7\u00e3o, participa do Laborat\u00f3rio de Estudos de Feminic\u00eddio e do Grupo Gabo de Pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miguel Etinger, <\/strong>Professor da UEL nos cursos de Gradua\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito, ministra aulas sobre a tem\u00e1tica ambiental, Mestre em Direito, pela Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1, Doutor em Direito da Cidade pela UERJ &#8211; Universidade Estadual do Rio de Janeiro e atualmente faz p\u00f3s-doc na \u00c1frica do Sul sobre \u201cRegula\u00e7\u00e3o do solo urbano para adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as do clima\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2024, mesmo ano em que a Espanha est\u00e1 afogada na Europa, o Rio Grande do Sul sofreu a maior enchente de sua hist\u00f3ria e o Brasil viveu debaixo de fuma\u00e7a durante as queimadas no Mato Grosso. Em setembro, inunda\u00e7\u00f5es na It\u00e1lia deixaram mais de mil pessoas desabrigadas. A Amaz\u00f4nia teve 12.696 focos de queimadas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":968,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,3],"tags":[],"class_list":["post-963","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-jornalismo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=963"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1017,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/963\/revisions\/1017"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}