{"id":931,"date":"2024-09-23T12:35:29","date_gmt":"2024-09-23T15:35:29","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=931"},"modified":"2024-09-23T12:35:31","modified_gmt":"2024-09-23T15:35:31","slug":"a-sinfonia-das-veias-abertas-e-o-funk-consciente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2024\/09\/23\/a-sinfonia-das-veias-abertas-e-o-funk-consciente\/","title":{"rendered":"A sinfonia das veias abertas e o funk consciente"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-23-at-10.42.53-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-933\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-23-at-10.42.53-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-23-at-10.42.53-300x300.jpeg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-23-at-10.42.53-150x150.jpeg 150w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-23-at-10.42.53-768x768.jpeg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-23-at-10.42.53.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA primeira condi\u00e7\u00e3o para modificar a realidade consiste em conhec\u00ea-la.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Eduardo Galeano<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu sou o funk, hoje v\u00e1lvula de escape, mudando as realidades, sem fazer ningu\u00e9m por a\u00ed sangrar\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Favela Pede Paz <\/em>\u00a0(Hariel, Lele JP e Neguinho do Kaxeta)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Por Luan Chechi<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Am\u00e9rica Latina, onde as ruas falam e as paredes sussurram hist\u00f3rias de dor e resist\u00eancia, os fantasmas do passado se encontram com as vozes do presente. \u00c9 nesse entrela\u00e7ar de mundos, que a literatura de Eduardo Galeano e as batidas do funk consciente dan\u00e7am no mesmo ritmo, uma celebra\u00e7\u00e3o e um grito de alerta. Vozes que representam a periferia. Vozes que n\u00e3o s\u00e3o escutadas. Vozes que tem s\u00f3 um destino. Sempre ser\u00e3o ocultadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d, de Eduardo Galeano n\u00e3o era apenas um livro; era um documento de den\u00fancia. Aquelas p\u00e1ginas possu\u00edam uma tinta feita de l\u00e1grimas, suor e sangue, que contavam a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da Am\u00e9rica Latina. Quando ele escrevia, os personagens da hist\u00f3ria antiga, colonizadores opressivos e os povos origin\u00e1rios, sa\u00edam de suas sepulturas e come\u00e7avam a sussurrar para ele, oferecendo mem\u00f3rias de dor e resist\u00eancia. Galeano, com um olhar de s\u00e1bio e poeta, capturava essas vozes e as costurava em um mosaico de injusti\u00e7a e esperan\u00e7a. A cada palavra, ele explicava as feridas abertas, revelando um tecido social entrela\u00e7ado com as marcas do imperialismo e da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">30 anos depois da publica\u00e7\u00e3o de seu livro, nas vielas e becos das periferias brasileiras, um novo instrumento de den\u00fancia estava sendo forjado. Hariel e Neguinho do Kaxeta s\u00e3o os novos contadores de hist\u00f3rias, alinhando a tinta e papel com ritmo e versos. Seus microfones substitu\u00edram as armas. Em suas letras, explica o esp\u00edrito das ruas. No ritmo do funk, a realidade \u00e9 a protagonista, o sofrimento e a resist\u00eancia s\u00e3o traduzidos em batidas que fazem o ch\u00e3o tremer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine que o universo das periferias, com suas cores vibrantes e caos ordenado, \u00e9 um espelho das veias abertas descritas por Galeano. Hariel, com seu lirismo cru e visceral, faz com que as palavras dancem no ritmo do seu cora\u00e7\u00e3o. Ele fala sobre a viol\u00eancia e a falta de oportunidades, n\u00e3o apenas como uma den\u00fancia, mas como uma ora\u00e7\u00e3o para que as almas sejam ouvidas. Suas m\u00fasicas s\u00e3o como clamores, que sobem dos becos e ecoam para al\u00e9m dos muros invis\u00edveis, que dividem as classes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neguinho do Kaxeta, uma lenda do funk, completa essa sinfonia de resist\u00eancia. Ele usa sua arte para chamar a aten\u00e7\u00e3o para a paz nas favelas, uma paz que parece t\u00e3o distante para aqueles que vivem na marginalidade. O funk escrito por ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de encantamento, que busca transformar o medo e a viol\u00eancia em esperan\u00e7a e coes\u00e3o. Atrav\u00e9s da sua m\u00fasica, ele oferece uma v\u00e1lvula de escape coletiva que desafia o sistema, transformando o grito de guerra em um chamado pela paz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Galeano, com sua vis\u00e3o cr\u00edtica e po\u00e9tica, parecia estar ouvindo a batida do funk que ecoava atrav\u00e9s das paredes do tempo. Os colonizadores e as figuras hist\u00f3ricas dos seus livros tinham uma voz que ressoava atrav\u00e9s dos s\u00e9culos. Ent\u00e3o a batida, que reverbera nas favelas, \u00e9 o grito da contemporaneidade, um grito que desafia a opress\u00e3o do presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uruguaio desbravava as feridas abertas com seu olhar anal\u00edtico e apaixonado, Hariel e Kaxeta fazem o mesmo, mas atrav\u00e9s do som e da energia do funk. Eles desenham uma nova paisagem, onde a luta por justi\u00e7a se encontra em um coro de batidas e versos. \u00c9 como se a hist\u00f3ria escrita e a realidade vivida se encontrassem em um ponto de converg\u00eancia, onde as viv\u00eancias do passado e o presente dan\u00e7am para transformar a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na interse\u00e7\u00e3o entre o jornalismo liter\u00e1rio de Galeano e as letras do funk consciente, a Am\u00e9rica Latina se mostra em sua plenitude: uma tape\u00e7aria rica de hist\u00f3rias de opress\u00e3o e resist\u00eancia, um palco onde a luta pela justi\u00e7a n\u00e3o tem fim, mas que sempre encontra novas formas de se expressar. Entre a literatura e a m\u00fasica. Entre a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e o grito do presente. Entre um dos maiores escritores da Am\u00e9rica da Latina e os dois maiores expoentes do funk.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Luan Chechi<\/strong> \u00e9 estudante de Jornalismo, comp\u00f5e a equipe de estudantes do PET-Sa\u00fade Equidade e participa do Grupo Gabo de Pesquisa desde 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA primeira condi\u00e7\u00e3o para modificar a realidade consiste em conhec\u00ea-la.\u201d Eduardo Galeano \u201cEu sou o funk, hoje v\u00e1lvula de escape, mudando as realidades, sem fazer ningu\u00e9m por a\u00ed sangrar\u201d Favela Pede Paz \u00a0(Hariel, Lele JP e Neguinho do Kaxeta) Por Luan Chechi Na Am\u00e9rica Latina, onde as ruas falam e as paredes sussurram hist\u00f3rias de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":934,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-literatura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=931"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":938,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/931\/revisions\/938"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}