{"id":855,"date":"2024-08-13T18:41:20","date_gmt":"2024-08-13T21:41:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=855"},"modified":"2024-09-06T17:10:56","modified_gmt":"2024-09-06T20:10:56","slug":"o-labirinto-do-general-bolivar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2024\/08\/13\/o-labirinto-do-general-bolivar\/","title":{"rendered":"O labirinto do general Bol\u00edvar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/general-labirinto-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-864\" style=\"object-fit:cover;width:720px;height:720px\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/general-labirinto-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/general-labirinto-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/general-labirinto-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/general-labirinto-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/general-labirinto-1.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Arte: Giulia Carradore<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong><em>O general em seu labirinto<\/em>, escrito por Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, trata da \u00faltima viagem de Sim\u00f3n Bol\u00edvar, passando por cidades \u00e0s margens do rio Magdalena, na Col\u00f4mbia. Gabo disponibiliza uma narrativa m\u00e1gica dos acontecimentos nos \u00faltimos dias de vida de Bol\u00edvar. O per\u00edodo menos documentado da vida de \u201cEl Libertador\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Texto: <em>Marlon Pimentel&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marlon_calebe\/\">@marlon_calebe<\/a><\/em><br>Arte: <em>Giulia Carradore&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/giiu_carradore\/\">@giiu_carradore<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos agradecimentos finais da obra, Garc\u00eda M\u00e1rquez conta: \u201cDurante dois longos anos fui me afundando nas areias movedi\u00e7as de uma documenta\u00e7\u00e3o torrencial, contradit\u00f3ria e muitas vezes incerta, desde os trinta e quatro volumes de Daniel Florencio O&#8217;Leary at\u00e9 os recortes de jornais menos imaginados. Minha absoluta falta de experi\u00eancia em mat\u00e9ria de investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica tornou ainda mais \u00e1rduos os meus dias\u201d (GGM, 2007, p. 268).<\/p>\n\n\n\n<p>Sim\u00f3n Jos\u00e9 Antonio de la Sant\u00edsima Trinidad Bol\u00edvar y Palacios, foi um militar e pol\u00edtico venezuelano que lutou pela independ\u00eancia da Am\u00e9rica Espanhola. Acompanhe o folhetinsta \u201cO labirinto do general Bol\u00edvar\u201d e saiba mais sobre aspectos m\u00edticos e hist\u00f3ricos do personagem no livro de Gabo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>2<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s sua ren\u00fancia \u00e0 presid\u00eancia da Gr\u00e3-Col\u00f4mbia (1930), Sim\u00f3n Bol\u00edvar n\u00e3o se reconhece como o homem que foi h\u00e1 alguns anos, sentindo-se exilado na grande Santa F\u00e9 de Bogot\u00e1. O que o fez deixar a cidade em poucos dias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm nenhum lugar se sentira t\u00e3o forasteiro como nessas ruelas ermas com casas iguais de telhados pardos e jardins internos com flores cheirosas, onde se cozinhava a fogo lento uma comunidade alde\u00e3, cujas maneiras alambicadas e cujo dialeto ladino mais serviam para ocultar do que para dizer.\u201d (GGM, 2007, p. 46)<\/p>\n\n\n\n<p>El libertador, como era conhecido em boa parte da Am\u00e9rica, j\u00e1 n\u00e3o podia mudar seu passado e muito menos os coment\u00e1rios que os moradores de Bogot\u00e1 teciam sobre sua moral. A mesma Santa F\u00e9 que o aplaudiu com o triunfo sobre os espanh\u00f3is, agora estampa insultos em muros dirigidos a Bol\u00edvar. No fat\u00eddico 8 de maio de 1930, ele se despedia da cidade e dava in\u00edcio ao seu labirinto sem retorno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a recep\u00e7\u00e3o desastrosa na sua chegada ao porto de Honda, a breve estadia de Sim\u00f3n Bol\u00edvar conquistaria grande espa\u00e7o em sua mem\u00f3ria. Poucos dias trouxeram \u00e0 tona seus anos de jovem revolucion\u00e1rio na Jamaica.<\/p>\n\n\n\n<p>Noites de valsa ap\u00f3s os banquetes para impressionar seus convidados, passeios pelas minas de prata em Santa Ana. Momentos que demonstraram uma repentina evolu\u00e7\u00e3o na sa\u00fade de Bol\u00edvar. Mas nem o maior dos feitos escondia as costelas sobressalentes, a pele p\u00e1lida e o cabelo ralo, que indicavam a gravidade da sua doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDessa vez, de qualquer modo, nadou sem cansa\u00e7o durante meia hora, mas os que viram suas costelas de cachorro e suas pernas raqu\u00edticas n\u00e3o entenderam como podia continuar vivo com t\u00e3o pouco corpo.\u201c (GGM, 2007, p. 79)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>4<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDessa vez, o general chegava t\u00e3o desiludido de sua gl\u00f3ria e t\u00e3o predisposto contra o mundo que ficou surpreendido ao encontrar uma multid\u00e3o \u00e0 sua espera no porto\u201d (GGM, 2007, p. 109).<\/p>\n\n\n\n<p>Mompox, que era chamada por Bol\u00edvar como \u201cterra de Deus\u201d, carregava um ar de seu passado turbulento. Seus inimigos usaram suas estadias passadas na cidade para criar hist\u00f3rias prom\u00edscuas e atribuir a moral do general, mas mesmo com essas tentativas, o povo de Mompox amava seu libertador.<\/p>\n\n\n\n<p>Bol\u00edvar chegou em meio a um vel\u00f3rio na igreja da Concei\u00e7\u00e3o, que prontamente foi interrompido pela sua chegada. Muitos correram para ver a descida do \u201cpresidente\u201d no porto de Mompox, apesar desse cargo n\u00e3o ser mais de Sim\u00f3n, todos o consideravam ainda nesse posto.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o finado era sepultado, s\u00f3 com a presen\u00e7a de parentes e amigos \u00edntimos, o general, que por v\u00e1rias vezes tinha sido comparado a um defunto pela sua condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica, desfilava pelas ruas com um p\u00e1lio (estrutura de varas e cobertura de seda) cedida pelo vig\u00e1rio local.<\/p>\n\n\n\n<p>GARC\u00cdA M\u00c1RQUEZ, Gabriel. <em>O general em seu labirinto<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Moacir Werneck de Castro. 9. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Marlon Pimentel\u00a0<\/strong>\u00e9 estudante de Jornalismo e integrou o Grupo Gabo de Pesquisa entre 2023 e 2024. Folhetinsta desenvolvido no Projeto de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica &#8220;A constru\u00e7\u00e3o do mito na obra <em>O general em seu labirinto<\/em>, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez&#8221;. <strong>Giulia Carradore<\/strong>, jornalista formada pela UEL, participou do grupo Gabo de Pesquisa entre 2023 e 2024, atuando na cria\u00e7\u00e3o de ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO general em seu labirinto\u201d, escrito por Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, trata da \u00faltima viagem feita por Sim\u00f3n Bol\u00edvar, passando por cidades \u00e0s margens do rio Magdalena, na Col\u00f4mbia. 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