{"id":709,"date":"2024-04-05T18:34:31","date_gmt":"2024-04-05T21:34:31","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=709"},"modified":"2024-04-11T18:34:55","modified_gmt":"2024-04-11T21:34:55","slug":"em-agosto-nos-vemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2024\/04\/05\/em-agosto-nos-vemos\/","title":{"rendered":"Em agosto nos vemos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"957\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-18.57.32-1-1024x957.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-714\" style=\"object-fit:cover;width:720px;height:673px\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-18.57.32-1-1024x957.jpeg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-18.57.32-1-300x280.jpeg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-18.57.32-1-768x718.jpeg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-18.57.32-1-1536x1435.jpeg 1536w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-04-at-18.57.32-1.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Dif\u00edcil julgar Rodrigo e Gonzalo sobre a publica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma do livro Em agosto nos vemos. Garc\u00eda M\u00e1rquez havia decretado que os manuscritos deveriam ir para o lixo. Os filhos &#8211; para agradar os leitores do pai ou por alguma outra raz\u00e3o &#8211; desobedeceram o grande autor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Thales Souza Reis<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na data em que Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez completaria 97 anos, 6 de mar\u00e7o, o mundo recebeu como presente uma obra in\u00e9dita, fruto de um original semipronto dos \u00faltimos respiros da criatividade do autor que conquistou o mundo por sua capacidade de construir mundos. <em>Em agosto nos vemos<\/em> \u00e9 um lan\u00e7amento envolto em pol\u00eamicas: realizado pelos filhos de Gabo, que havia desistido de public\u00e1-lo e pediu que fosse descartado, pois n\u00e3o o considerava bom.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo e Gonzalo, logo no pref\u00e1cio, se desculpam pela trai\u00e7\u00e3o ao pai, justificando a escolha de publicar o livro para atender ao anseio dos leitores, mesmo contrariando a vontade de Gabo. Os pr\u00f3prios filhos deixam claro que \u00e9 uma obra que n\u00e3o teve a lapida\u00e7\u00e3o das demais produzidas pelo autor, que revisava seus escritos incansavelmente. Por\u00e9m, apesar das considera\u00e7\u00f5es, o valor liter\u00e1rio de <em>Em agosto<\/em> <em>nos vemos<\/em> \u00e9 ineg\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Magdalena Bach \u00e9 mais uma das grandes mulheres que aparecem na literatura de Garc\u00eda M\u00e1rquez. Forte como Fernanda del Carpio, a protagonista \u00e9 dona do pr\u00f3prio destino e desbrava os prazeres da vida, ao acaso, ao deixar de lado a rotina que seguia ano ap\u00f3s ano, desde a morte da m\u00e3e: a cada 16 de agosto, visitava sozinha seu t\u00famulo em uma ilha do Caribe, dormindo no mesmo hotel e pondo glad\u00edolos em seu t\u00famulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma dessas visitas, fugindo da mesmice, saboreia uma ta\u00e7a de gin, conhece um homem, o leva para a cama e, obstinada e severa como \u00darsula Iguar\u00e1n, toma as r\u00e9deas da pr\u00f3pria vida. A partir da\u00ed aproveita das visitas para viver novas noites de amor, ponto no qual a hist\u00f3ria se desenvolve, com poucas surpresas, capazes de prender o leitor, que espera um grande momento, que enfim, n\u00e3o vem.<\/p>\n\n\n\n<p>O enredo simples tem caracter\u00edsticas que entregam sua inconclus\u00e3o: a obra nasceu inicialmente como cinco contos, n\u00e3o como uma novela. \u00c9 neste aspecto que est\u00e1 sua maior falha: o livro termina sem muito brilho, de forma apressada, contr\u00e1rio ao que se esperaria de um Garc\u00eda M\u00e1rquez. A forma arrebatadora com que Ana Magdalena surge vai dando lugar a um desenvolvimento discreto, que se paga nos cap\u00edtulos finais.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das v\u00e1lidas cr\u00edticas, \u00e9 inegavelmente uma obra garciamarqueana: os temas e a forma s\u00e3o reconhec\u00edveis at\u00e9 ao leitor desatento. Os interesses do autor, como a m\u00fasica e a literatura, s\u00e3o postos em Ana Magdalena e seu marido, Dom\u00e9nico Amar\u00eds. O subtexto da obra conta com tem\u00e1ticas caras \u00e0 Gabo: o subdesenvolvimento, a moderniza\u00e7\u00e3o imposta pelo capital estrangeiro, as oligarquias pol\u00edticas da Am\u00e9rica Latina e, \u00e9 claro, os detalhes da vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim e ao cabo, a obra \u00e9 v\u00edtima de seu autor: ser\u00e1 criticada por n\u00e3o estar \u00e0 altura de <em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em> ou <em>O amor nos tempos do c\u00f3lera<\/em> e, muitas vezes, se repetir\u00e1 a esmo os mesmo argumentos, sem conhecimentos mais profundos, pois o que vale \u00e9 criticar. Ainda assim, \u00e9 um texto que seria celebrado em qualquer premia\u00e7\u00e3o de literatura. Enfim, um Garc\u00eda M\u00e1rquez incompleto vale mais que muitas obras prontas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><em><strong>Thales Souza Reis<\/strong>, formado em Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, pela UEL, onde investiga a obra de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, no Mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o. Membro do Grupo Gabo de Pesquisa desde 2023.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dif\u00edcil julgar Rodrigo e Gonzalo sobre a publica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma do livro Em agosto nos vemos. Garc\u00eda M\u00e1rquez havia decretado que os manuscritos deveriam ir para o lixo. 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