{"id":307,"date":"2023-11-22T13:23:35","date_gmt":"2023-11-22T16:23:35","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=307"},"modified":"2024-07-16T18:19:06","modified_gmt":"2024-07-16T21:19:06","slug":"guajira-e-wayuus-de-garcia-marquez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2023\/11\/22\/guajira-e-wayuus-de-garcia-marquez\/","title":{"rendered":"Guajira e way\u00faus de Garc\u00eda M\u00e1rquez"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/IMG-20170217-WA0005-2-1024x768-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-308\" style=\"width:549px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/IMG-20170217-WA0005-2-1024x768-1.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/IMG-20170217-WA0005-2-1024x768-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/IMG-20170217-WA0005-2-1024x768-1-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>O jovem rep\u00f3rter Gabriel, por volta dos anos 50, viajou para a Guajira em busca das mem\u00f3rias dos av\u00f3s. Em 2017, realizando pesquisa de p\u00f3s-doutorado, Ci\u00e7a Guirado percorreu os mesmos caminhos para investigar origens e compreender a import\u00e2ncia dos way\u00faus na obra de Gabo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Terminal rodovi\u00e1rio de Riohacha, capital de La Guajira. No banheiro nada tur\u00edstico, a caixa de descarga tem a marca Daza. Sobrenome comum neste peda\u00e7o do Caribe, que beira a Venezuela. Daqui saiu a maioria dos nomes de personagens de Garc\u00eda M\u00e1rquez. Daza \u00e9 o sobrenome de Fermina, inspirada em sua m\u00e3e, Luisa Santiaga M\u00e1rquez Iguar\u00e1n no romance <em>El amor en los tempos del c\u00f3lera<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida real, para defender sua honra, o Coronel Nicol\u00e1s Ricardo M\u00e1rquez Mej\u00eda matou Medardo Pacheco. Ent\u00e3o, muda-se de Barrancas &#8211; com sua prima e esposa Tranquilina Iguar\u00e1n Cotes e seus tr\u00eas filhos &#8211; para Aracataca, onde muitos anos depois, o neto inventaria um <em>pueblito<\/em> chamado Macondo. Al\u00e9m dos ba\u00fas da mudan\u00e7a, os M\u00e1rquez-Iguar\u00e1n levaram, os h\u00e1bitos guajiros e tr\u00eas \u00edndios way\u00faus \u2013 Apolinario, Visitaci\u00f3n e Meme &#8211; para os trabalhos dom\u00e9sticos. Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez nasce na casa dos av\u00f3s e vive com eles at\u00e9 os 8 anos de idade. Quando a av\u00f3 Mina percebia o envolvimento com Gabito, ralhava com os ind\u00edgenas em <em>wayuunaiki <\/em>\u2013 o idioma <em>way\u00fau.<\/em> O menino, fingia n\u00e3o compreender, mas absorvia lendas e cosmovis\u00f5es do universo guajiro. Gabo assume, em suas mem\u00f3rias, que a l\u00edngua dom\u00e9stica de sua inf\u00e2ncia era uma mistura de espanhol, africanismos de escravos e retalhos da l\u00edngua guajira.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/Oweia21lBHCa-DPsrjNTytOME-H5d07JZoB5R49gfWc-RFixWaRV8FIiIOv5GPh7f_ihEV1a7sYeyLg9GpH_e_02lLjJuq3x0ZmdbnhVk_ozigotavNEsF4GGvHNN2zwxBz8xUDcaHQWWfmDxs54Voo\" alt=\"\" style=\"width:558px;height:auto\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Hoje, na rua da praia de Riohacha denominada por Primeira, dezenas de <em>way\u00faus<\/em> se espalham nas coloridas cal\u00e7adas para vender mochilas, chap\u00e9us e outras <em>artesanias <\/em>ancestrais. Eles vivem no entorno da cidade, em pequenos agrupamentos familiares, conhecidos por <em>rancherias<\/em>, onde conservam costumes diferentes dos <em>arijunas<\/em> <em>\u2013<\/em> pessoas estranhas, n\u00e3o \u00edndios, poss\u00edveis inimigos. A maioria dos <em>way\u00fau<\/em> vive em resguardos na m\u00e9dia e na alta Guajira, com algum apoio do governo colombiano, em troca da explora\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o, g\u00e1s e energia e\u00f3lica. Mas, apesar dessas riquezas, n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua pot\u00e1vel. Dependem do Deus <em>Juya<\/em>, chuva, que cai do c\u00e9u s\u00f3 vez em quando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O som t\u00edpico da Guajira \u00e9 o <em>vallenato.<\/em> Essas hist\u00f3rias cantadas est\u00e3o no alto- falante da praia, nas ruas e restaurantes do pequeno centro hist\u00f3rico. No s\u00e9culo XIX&nbsp; sa\u00eda de Riohacha Francisco Moscote Guerra, cavalo e com seu acordeon. Diz a lenda que ele venceu at\u00e9 uma briga com o diabo, tocando o credo ao contr\u00e1rio. No romance do guajiro Garc\u00eda M\u00e1rquez ele aparece como um anci\u00e3o que anda pelo mundo e passa, volta e meia, por Macondo, \u201c[&#8230;] con detalles minuciosos las noticias ocorridas em los pueblos de su itiner\u00e1rio, desde Manaure hasta los confines de la ci\u00e9naga, de modo que si alguien ten\u00eda un recado que mandar o un acontecimiento que divulgar le pagaba dos centavos para que lo incluyera en su repertorio\u201d (<em>Cien a\u00f1os de soledad<\/em>, p. 54).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em homenagem ao trovador, o Festival Francisco El Hombre re\u00fane, todo ano, em Riohacha, compositores e \u201c<em>cantautores\u201d de vallenato. <\/em>Gabo era apaixonado pelo formato dessa narrativa, dizia que sua obra prima \u201cno es m\u00e1s que un vallenato de 450 p\u00e1ginas [&#8230;] lo que hice yo com mi instrumento liter\u00e1rio es lo mismo que hacen los autores de vallenatos com sus instrumentos musicales\u201d (<em>El Espectador<\/em>, 12\/01\/1996 apud MENDONZA, 2009, p. 97).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro personagem ligado a Riohacha \u00e9 Francis Drake. Gabito deve ter ouvido muitas hist\u00f3rias dos av\u00f3s sobre o terr\u00edvel pirata. \u201d\u00darsula se sal\u00eda de las casillas com las locuras de su marido, saltaba por encima de trescientos a\u00f1os de causalidades, y maldecia la hora em que Francis Drake assalt\u00f3 a Riohacha\u201d (<em>Cien a\u00f1os de soledad, <\/em>p.24). Entre as lendas que circulam na Guajira est\u00e1 um dos milagres de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios, a padroeira da cidade, que impediu o cors\u00e1rio ingl\u00eas e seus piratas de saquearem Riohacha, pela terceira vez, pois Francis Drake j\u00e1 havia destro\u00e7ado a cidade em 1568 e 1596. Os fi\u00e9is tiraram a Virgem dos Rem\u00e9dios da catedral e a levaram para a praia. O c\u00e9u ficou negro de nuvens. Os piratas, com medo do grande ex\u00e9rcito, que avistaram em toda a extens\u00e3o do Mar Caribe, recuaram e desistiram. A virgem chamada Rem\u00e9dios, que sobe aos c\u00e9us envolta em len\u00e7\u00f3is parece ser refer\u00eancia a essa outra virgem, tamb\u00e9m cultuada em Macondo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hist\u00f3rias da fam\u00edlia de Gabo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No hotel, pergunto pelo paradeiro das fam\u00edlias M\u00e1rquez e Iguar\u00e1n. \u201cConhe\u00e7o uma Iguar\u00e1n que tem ag\u00eancia de turismo\u201d, diz uma senhora que ouve a conversa na recep\u00e7\u00e3o. Horas depois encontro-me com Gloria Iguar\u00e1n Ballesteros, 55 anos. \u201cA import\u00e2ncia de Gabo \u00e9 enorme. Come\u00e7amos a ler seus livros na escola. Sentimos que a obra fala da cotidianidade da Guajira. H\u00e1 uma grande identifica\u00e7\u00e3o. Na minha \u00e1rea de turismo, \u00e9 importante como atrativo cultural\u201d, diz orgulhosa a Iguar\u00e1n, prima em terceiro grau do Nobel. Gloria me ajuda contatar outros membros da fam\u00edlia e viabiliza uma viagem ao Cabo de la Vela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIguar\u00e1n \u00e9 uma das primeiras fam\u00edlias espanholas a se mesclar com os nativos da \u00e1rida Guajira\u201d, informa Jesus Amilcar Iguar\u00e1n Quintero, primo de Gabo em segundo grau, engenheiro civil de 79 anos. Amilcar mora num sobrado bonito da pra\u00e7a da matriz Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios e h\u00e1 dez anos pesquisa a genealogia familiar. Publicou, com Helion Iguar\u00e1n Morales, em 2008, <em>Breve rese\u00f1a hist\u00f3rica y geneal\u00f3gica del apelido Iguar\u00e1n<\/em>. Ele garante que Tranquilina, a av\u00f3 do primo famoso, n\u00e3o tinha descend\u00eancia way\u00fau, ao contr\u00e1rio do que afirmam alguns bi\u00f3grafos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA bisav\u00f3 materna de Gabo, m\u00e3e de Tranquilina, era Rosa Iguar\u00e1n Hernandes, casada com Agustin Cotes. Rosa era filha de Bl\u00e1s Iguar\u00e1n Iguar\u00e1n com Juanita Hernandes de M\u00e1rquez, que veio da Andaluzia, vi\u00fava e com um filho chamado Nicol\u00e1s M\u00e1rquez Hernandes, que se casa com uma prima. Dessa rela\u00e7\u00e3o descender\u00e1 Nicol\u00e1s Ricardo, o av\u00f4 paterno de Gabo\u201d, explica. Logo, av\u00f4 e av\u00f3 j\u00e1 eram descendentes de primos, al\u00e9m de serem primos entre si. Assim se deu o grande parentesco entre os av\u00f3s, que assombrados pelas lendas way\u00faus e pelos perigos gen\u00e9ticos de deforma\u00e7\u00e3o, tinham medo de ter um filho com rabo de porco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm Riohacha existem pessoas com at\u00e9 quatro sobrenomes Iguar\u00e1n: fruto de casamentos entre parentes\u201d, conta Amilcar. Comento que o castigo recairia sobre o filho de Aureliano Babil\u00f4nia com a prima Amaranta. \u201cS\u00f3lo cuando lo voltearan boca abajo se dieran cuenta de que ten\u00eda algo m\u00e1s que el resto de los hombres, y se inclinaron para examinarlo. Era uma cola de cerdo\u201d (<em>Cien a\u00f1os de soledad<\/em>, p. 398). Amilcar n\u00e3o d\u00e1 bola para a minha conversa. \u201cGabo n\u00e3o deu muito valor a Guajira. Tinha, com certeza, seus compromissos\u201d, fala ressentido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E continua a narrar sobre os costumes ind\u00edgenas. A esposa do engenheiro entra no escrit\u00f3rio e oferece uma fina bandeja com suco e lanche. Ele muda de assunto. Conta do General Juan Iguar\u00e1n Reither, seu av\u00f4, tio de Tranquilina, que lutou, junto com o Coronel M\u00e1rquez, na Guerra dos Mil Dias. Hist\u00f3rias de fam\u00edlia que dariam o substrato de informa\u00e7\u00f5es para ilustrar a mesma guerra na obra m\u00e1xima do primo. Na realidade, esse conflito civil, entre liberais e conservadores, de 1899 a 1902, matou mais de cem mil pessoas, a Col\u00f4mbia perdeu o territ\u00f3rio do Panam\u00e1, ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o dos norte-americanos, que constru\u00edram e exploraram, por d\u00e9cadas, o Canal do Panam\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Amilcar conta que na Guajira, o homem pode ter quantas mulheres puder sustentar: \u201cEsse \u00e9 um costume way\u00fau que parece ter sido assumido pelos espanh\u00f3is e por seus descententes\u201d. O pr\u00f3prio av\u00f4 de Gabo teve um filho, com Altagracia Valdebl\u00e1nquez, em Riohacha, chamado Jos\u00e9 Maria Valdebl\u00e1nquez, autor de Historia del Departamento del Magdalena y del Territorio de la Guajira, publicado em Bogot\u00e1, pela Editorial <em>El Voto Nacional<\/em>, publicado em 1964. \u201cEle n\u00e3o levou o nome do pai. O coronel Nicol\u00e1s M\u00e1rquez Mej\u00eda n\u00e3o assumiu esse filho. Por aqui h\u00e1 muito dessas coisas\u201d, comenta indignado. Na verdade, o coronel M\u00e1rquez Mej\u00eda teve 17 filhos enquanto esteve na Guerra dos Mil Dias. Hist\u00f3ria familiar plasmada em <em>Cem anos de solid\u00e3o<\/em> com os 17 Aurelianos, filhos do coronel Aureliano Buendia.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de despedir-me, digo que pretendo visitar uma rancher\u00eda, mas n\u00e3o quero ir como turista. Amilcar pede para a sobrinha me levar at\u00e9 a casa de seu filho Nicol\u00e1s. H\u00e1 algo oculto nas meias palavras daquele senhor de pele morena. No caminho, a sobrinha Luisa relata parte da hist\u00f3ria, que os cr\u00edticos liter\u00e1rios chamariam de realismo m\u00e1gico. Ao lado da igreja, nos fundos de um estacionamento de carros, vive Nicol\u00e1s Iguar\u00e1n Ipuana com Patricia Pushaina. Os dois se disponibilizam a acompanhar-me a rancher\u00eda da fam\u00edlia dali a dois dias. A ind\u00edgena, nora de Am\u00edlcar, \u00e9 l\u00edder da comunidade \u201cLa Cachaca\u201d. Nicol\u00e1s \u00e9 um dos filhos de Amilcar com uma \u00edndia way\u00fau.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A casa da concep\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De cal\u00e7a branca, a condizer com o t\u00eanis e o bon\u00e9, aparece no hotel Ricardo M\u00e1rquez Iguar\u00e1n, 88 anos, engenheiro civil, o primo mais pr\u00f3ximo de Gabo. Faz quest\u00e3o de me levar \u00e0 casa da fam\u00edlia, onde Garc\u00eda M\u00e1rquez foi gerado durante a lua de mel de Gabriel Eligio e Luisa Santiaga, em 1926. O im\u00f3vel \u00e9 heran\u00e7a da fam\u00edlia M\u00e1rquez Igu\u00e1ran. \u201cMinha m\u00e3e cedeu o quarto principal para os rec\u00e9m casados. Ent\u00e3o, Gabito e eu fomos gerados na mesma alcova\u201d. Brinca com a hist\u00f3ria: \u201cEu dizia pra ele que \u00e9ramos irm\u00e3os de cama\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;No sobrado de dois andares, na rua do Templo, a placa da fachada descreve: \u201cEn nesta casa ungida com el aura y las sementes de las mariposas amarillas de Macondo, entre las flores y los alm\u00edbares de una luna de miel del a\u00f1o 1926, fue concebido y gestado el Nobel Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez\u201d. Ricardo mostra as rel\u00edquias do passado. \u201cAs janelas, o jardim do p\u00e1tio interno, os pisos&#8230; Tudo est\u00e1 muito bem conservado\u201d, diz orgulhoso. Sentamos na sala, em frente ao quarto onde os \u201camores contrariados\u201d de Luisa e Gabriel Eligio puderam se acalmar no conforto dos len\u00e7\u00f3is.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo quer contar sobre a \u00faltima visita de Gabo a Riohacha, em dezembro 1983, um ano depois do Nobel. O motivo da viagem era acompanhar a implanta\u00e7\u00e3o de um projeto de min\u00e9rio de carv\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o Carbocol-Intercor, que almejava ser a maior mina a c\u00e9u aberto da Am\u00e9rica Latina. \u201cQueriam o aval de Gabo. Eu trabalhava na Carbocol, ent\u00e3o organizei a jornada<strong>. <\/strong>Buscamos Gabo em Cartagena, em um voo charter. Sobrevoamos a mina, mostraram tudo, explicaram o projeto. Quando o avi\u00e3o desceu ele virou-se pra mim e cochichou: \u2018Primo, a \u00fanica coisa que me interessa desse projeto \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o do problema da \u00e1gua na Guajira. N\u00e3o importa se seremos os maiores exportadores de carv\u00e3o. Meu maior desejo \u00e9 acabar com a sede da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena\u2019. Ele tinha raz\u00e3o\u201d, diz cabisbaixo Ricardo, com o pesar de que o problema n\u00e3o foi solucionado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Gabo hospedou-se em Riohacha, com a condi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o houvesse nenhuma programa\u00e7\u00e3o oficial. \u201cPreparamos uma recep\u00e7\u00e3o na casa dos amigos Deluque, mas Gabo chateou-se com os jornalistas, que o assediaram o tempo todo com perguntas banais. Comentou depois que o jornalismo tinha que ser outra coisa, que aqueles rep\u00f3rteres locais n\u00e3o sabiam nada da profiss\u00e3o\u201d, relata Ricardo. Dia seguinte depois do caf\u00e9 da manh\u00e3 t\u00edpico com salpic\u00e3o de bonito e arepa branca &#8211; \u201cque Gabo apreciou muito\u201d- rumaram para Aracataca. \u201cEle estava ansioso. Era a primeira viagem a Cataca depois do pr\u00eamio Nobel. Quando chegamos, debaixo de um sol ardente de uma hora da tarde, dezenas de crian\u00e7as de prim\u00e1ria, de 10 e 11 anos, o esperavam com bandeirolas nas m\u00e3os para saud\u00e1-lo. Gabo ficou muito bravo: \u2018Colocar crian\u00e7as ao sol do meio dia para esperar um tonto [pendejo] como eu&#8230; Isso n\u00e3o est\u00e1 certo\u2019 dizia ele indignado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sancocho trif\u00e1sico o esperava na casa de um conhecido cataqueiro. \u201c\u00c0s 4 da tarde j\u00e1 estava incomodado com as homenagens e pediu para Jaime lev\u00e1-lo para Barranquilla. Ele n\u00e3o era de cerim\u00f4nia. N\u00e3o gostava de fazer discursos.&nbsp; Era um homem de poucos amigos. Saiu do pa\u00eds ainda jovem. Quando vinha \u00e0 Col\u00f4mbia ver seus amigos de sempre, convidava os familiares mais pr\u00f3ximos. Gost\u00e1vamos de estar com ele, n\u00e3o como figura importante, mas como parente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidente que foi crescendo na fam\u00edlia um orgulho pelo fato de Gabo ser conhecido no mundo todo, \u201cmas o mais surpreendido com a fama era ele mesmo. Comentava que publicava uma obra e os cr\u00edticos inventavam uma s\u00e9rie de coisas que ele nunca havia pensado. De repente, escrevia sobre um p\u00f4r do sol vermelho&#8230;Ent\u00e3o os cr\u00edticos diziam que aquele vermelho era do Partido Liberal ou do Comunismo. Ele contava e ria muito dos cr\u00edticos liter\u00e1rios\u201d, Ricardo ainda ri.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primo garante que Garc\u00eda M\u00e1rquez n\u00e3o s\u00f3 foi concebido em Riohacha, mas foi educado tamb\u00e9m na Guajira: \u201cOs av\u00f3s levaram um peda\u00e7o da Prov\u00edncia de Padilla para Aracataca. Al\u00e9m dos h\u00e1bitos, levaram empregados, \u00edndios; at\u00e9 a refei\u00e7\u00e3o do dia-a-dia era preparada com mantimentos da Guajira\u201d. Grande parte dos nomes dos personagens marquezianos tamb\u00e9m s\u00e3o guajiros.&nbsp; Segundo Ricardo, Gabo ligava para Jaime, seu irm\u00e3o, e pedia o cat\u00e1logo telef\u00f4nico de Riohacha. Jaime ligava pra Ricardo, que pesquisava nomes e sobrenomes e mandava a lista para o primo escrever hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os Iguar\u00e1n-way\u00fau<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse dia, no hor\u00e1rio combinado, 14 horas, Nicol\u00e1s Iguar\u00e1n Ipuana pede para eu aguardar no p\u00e1tio. \u201cPatricia passou a manh\u00e3 toda no hospital. Nasceu mais um neto\u201d, diz enquanto tira \u00e1gua do po\u00e7o. Ela passa em toalha para ir ao banheiro, separado da casa. Ele leva \u00e1gua para a esposa banhar-se. Ela \u00e9 Pushaina, presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Resgate da Cultura Way\u00fau. Patr\u00edcia e Nicol\u00e1s est\u00e3o casados, em ritual ind\u00edgena, h\u00e1 33 anos, t\u00eam 5 filhos e 37 netos. No autom\u00f3vel de Nicol\u00e1s partimos para a comunidade Cachaca, 20 km de Riohacha.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/1-6r30tAkBaAev738aeqRUjqW6BeJEwAF9dTF4i49rH6uCENXLiOSPaIn-EGooFiNXDVe0pVP2YQbwkouGFb53ylCQJLqqsYGpu9OzeyOHYvmlRBwN7Rh348du4pJqxyB_8nx4yErB2UjwRy9XqVNrY\" alt=\"\" style=\"width:554px;height:auto\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u201cO terreno da Cachaca foi presente de Rafael Iguar\u00e1n Laborde, av\u00f4 de Nicol\u00e1s, que teve filhos com uma way\u00fau\u201d, vai contando Patricia. Pergunto se Amilcar, seu sogro, \u00e9 mesti\u00e7o, mas ela n\u00e3o confirma. Nicol\u00e1s fica calado. A \u00edndia est\u00e1 preocupada. Um dos filhos foi preso por vender gasolina que comprou na fronteira com a Venezuela. \u201cAqui esses pequenos contrabandos s\u00e3o castigados, os grandes n\u00e3o\u201d. Patricia diz que o esposo foi avisado em sonho. \u201cEle acordou, me contou o sonho e eu fui acordar meu filho. Dei um banho nele, no meio da noite, para tirar a maldi\u00e7\u00e3o. Sem isso, a coisa poderia ser pior\u201d. A rela\u00e7\u00e3o dos way\u00fau com os sonhos \u00e9 muito intensa. \u00c9 como se fosse um portal de acesso ao mundo divino: um elo entre a material e o espiritual. Entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Em Macondo, os \u00edndios s\u00e3o os primeiros a detectar a peste da ins\u00f4nia, pois dela tinham conhecimento: \u201cVisitaci\u00f3n, uma \u00edndia guajira que lleg\u00f3 al Pueblo com un hermano, huyendo de uma peste de insomnio que flagelaba a su tribu desde hac\u00eda muchos a\u00f1os\u201d (<em>Cien a\u00f1os de soledad<\/em>, p.41).<\/p>\n\n\n\n<p>15horas. A comunidade parece vazia. Muitos trabalham na cidade ou est\u00e3o pastoreando carneiros e cabras, animais mais resistentes para suportar a seca da regi\u00e3o, s\u00edmbolo de riqueza way\u00fau, que se mede pelo n\u00famero de animais que cada um possui. Outros est\u00e3o na pesca. Os ind\u00edgenas vendem a m\u00e3o-de-obra especializada em tirarmojarras, dourados e sierras neste trecho do mar Caribe que pertence a Cachaca. As lanchas e toda a tralha de pesca s\u00e3o de uma empresa que paga aos ind\u00edgenas 30% do quilo de peixe, a partir de um valor estipulado por ela para cada tipo de pescado. Depois levam, diariamente, centenas de caixas para a cidade e vendem com uma margem de lucro alt\u00edssima.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/sUwNackVAASX8ZBup3qheDH1VHeT0BBqqdywPTGumTXUBAbS3FmeGMCu_YZ3eF75Kh9fIxT7keUY7Zx3KKtnkYWc9iI4ohu9Q9l4rpVPJAzRy0VdWqoSnS-PXqYLFkLUnGjYS6s5WUYAILYRP_8BKC8\" alt=\"\" style=\"width:553px;height:auto\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No centro da rancher\u00eda, a constru\u00e7\u00e3o de taipa coberta com zinco, aberta nas laterais para minimizar o calor, recebe 150 crian\u00e7as pela manh\u00e3. Erika Iguar\u00e1n Pushaina, 33 anos, filha de Patricia e Nicol\u00e1s, \u00e9 uma das professoras da comunidade. Ela leciona o idioma way\u00fau: \u201cTrabalhamos com um Projeto de Educa\u00e7\u00e3o, aprovado pelo Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o, elaborado pelo povo way\u00fau para resgatar nossas ra\u00edzes culturais. Nossos filhos estavam se afastando das tradi\u00e7\u00f5es. Ao perder a l\u00edngua e os costumes a pessoa perde a si mesmo, por isso lutamos muito para implantar esse projeto Etno Educativo\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O wayuunaiki, pertence ao tronco lingu\u00edstico dos arawak, \u00e9 falado por cerca de 400 mil ind\u00edgenas que habitam o Departamento da Guajira, onde \u00e9 l\u00edngua co-oficial desde 1992, segundo divulga\u00e7\u00e3o digital do Centro Etnoeducativo \u2013 Kam\u00fcs\u00fcchiwo\u2019u. Al\u00e9m do idioma way\u00fau, da Medicina Tradicional e da Arte dos Jogos \u2013 lutas ind\u00edgenas &#8211;&nbsp; as crian\u00e7as t\u00eam todas as mat\u00e9rias normais das escolas colombianas, equivalentes ao ensino fundamental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cDesde a pr\u00e9-escola come\u00e7am a classificar as plantas. A partir do terceiro ou quarto ano, as crian\u00e7as preparam rem\u00e9dios. Eles t\u00eam que aprender a utilizar as plantas da comunidade. Saber se curar de um corte ou de uma febre. Se for necess\u00e1rio busca-se os rem\u00e9dios e m\u00e9dicos da cidade, mas todos t\u00eam que aprender nossos m\u00e9todos\u201d, assegura a Iguar\u00e1n ind\u00edgena, t\u00e3o determinada quanto Tranquilina ou Luisa. Patricia emenda o coment\u00e1rio: \u201cTem muitos arijunas que querem acabar com os costumes way\u00fau. Mas n\u00e3o vamos deixar. Os arijunas acham que podem comprar as way\u00faus para casar, mas n\u00e3o \u00e9 assim. Os way\u00faus t\u00eam o dote que o homem ind\u00edgena ou arijuna acerta com os tios e a m\u00e3e da mo\u00e7a, mas a \u00edndia tem que estar de acordo. Isso faz parte da tradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se vende uma pessoa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na luta pela preserva\u00e7\u00e3o de seu povo, Patricia Pushaina realiza h\u00e1 15 anos o Festival de Resgate Cultura Way\u00fau. As trinta e duas comunidades way\u00faus de Riohacha enviam representantes para a festa, que \u00e9 celebrada com comidas e bebidas t\u00edpicas, al\u00e9m das lutas e m\u00fasicas ind\u00edgenas. \u201cFa\u00e7o a festa na Cachaca. A vencedora vai para Ur\u00edbia, a capital ind\u00edgena, onde disputa com as majai de todo o Departamento. A\u00ed fazemos o baile \u2013 yonna &#8211; e as mo\u00e7as se apresentam com seus trajes wayuus (a manta e a mochila) e a maquiagem t\u00edpica. Ent\u00e3o, se escolhe a way\u00fau mais bela de La Wajiira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um pouco afastado das casas est\u00e1 o cemit\u00e9rio de poucos t\u00famulos. Ao redor, estruturas de taipa e palha para realizar as cerim\u00f4nias e fazer as refei\u00e7\u00f5es. Depois de doze horas no chinchorro o corpo \u00e9 lavado e colocado no caix\u00e3o para enterrar. Durante 9 dias, a fam\u00edlia oferece comida e bebida (de milho fermentado) para os parentes e amigos \u2018chorarem o morto\u2019. Depois de 5 anos os ossos s\u00e3o retirados. Realiza-se outra cerim\u00f4nia de despedida. Desta vez os restos mortais ser\u00e3o depositados no \u201coss\u00e1rio\u201d da fam\u00edlia e o esp\u00edrito passa a pertencer ao mundo divino, j\u00e1 sem identidade individual. O cl\u00e3 \u00e9 matriarcal, assim o coletivo sempre \u00e9 representado pelo sobrenome materno. Nesse momento t\u00eam dois t\u00famulos de Iguar\u00e1n-Pushaina. Quando uma fam\u00edlia se muda, leva os ossos de sua linhagem. No romance, Rebeca, que era de Manaure, chega em Macondo com um pequeno ba\u00fa contendo os ossos dos pais. Garc\u00eda M\u00e1rquez n\u00e3o revela de imediato, mas todos os detalhes levam a crer que ela era way\u00fau.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto est\u00e1vamos no cemit\u00e9rio, um arijuna de moto entrou numa casa pr\u00f3xima e levou uma boa quantia de dinheiro. Patricia corre atr\u00e1s, mas s\u00f3 d\u00e1 tempo de consolar as v\u00edtimas. Antes de sair da comunidade, passam na casa da nora que teve beb\u00ea. \u201cEst\u00e3o sem \u00e1gua\u201d, avisa da porta uma parenta que veio ajudar. N\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua encanada na Cachaca, como no restante das reservas ind\u00edgenas. Ent\u00e3o, Patricia decide voltar r\u00e1pido para Riohacha para buscar \u00e1gua para o netinho.&nbsp; Na estrada ela pede para o marido parar na Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria. Ela faz a den\u00fancia do roubo e pede provid\u00eancias, mas o policial diz que n\u00e3o pode abandonar o posto. Nicol\u00e1s continuou calado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No deserto de Er\u00eandira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A camionete conduzida por Xavier Bermudes, da ag\u00eancia de viagens, passa no hotel em Riohacha \u00e0s 5 horas da manh\u00e3. Destino: Cabo de la Vela, uma das mais belas praias da Am\u00e9rica Latina, protegida pelos way\u00faus do turismo depredador. O passeio inclui Maicao, cidade de turcos, libaneses e outros povos do Oriente M\u00e9dio (onde ainda vivem muitos descendentes M\u00e1rquez-Iguar\u00e1n). Maicao \u00e9 puro contrabando, uma \u00e1rea livre de impostos, boa para quem gosta de fazer compras, mas est\u00e1 perigoso passar por l\u00e1. Fica muito perto da divisa com a Venezuela, que atravessa uma grande crise econ\u00f4mica. A fronteira est\u00e1 fechada. Os venezuelanos est\u00e3o proibidos de sair e os turistas proibidos de entrar. \u201cCriaram caminhos escondidos para contrabando e para fugir da Venezuela, que n\u00e3o tem emprego. Mas j\u00e1 morreu gente que n\u00e3o conseguiu atravessar\u201d, explica o motorista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s 7 hs chegamos em Ur\u00edbia, a capital ind\u00edgena da Col\u00f4mbia. Parada para o caf\u00e9 da manh\u00e3. No banheiro do restaurante, uma vasilha enorme com \u00e1gua amarela e mal cheirosa para dar descarga \u00e0 m\u00e3o. O \u00e1cido que exalava da latrina se misturava ao cheiro do \u00f3leo ran\u00e7oso das frituras na cozinha cont\u00edgua. Imposs\u00edvel comer ali. Melhor pegar frutas no mercado e tomar caf\u00e9 na padaria.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jovem rep\u00f3rter Gabriel, por volta dos anos 50, viajou para a Guajira em busca das mem\u00f3rias dos av\u00f3s. Em 2017, realizando pesquisa de p\u00f3s-doutorado, Ci\u00e7a Guirado percorreu os mesmos caminhos para investigar origens e compreender a import\u00e2ncia dos way\u00faus na obra de Gabo. Terminal rodovi\u00e1rio de Riohacha, capital de La Guajira. 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