{"id":216,"date":"2023-11-22T09:33:32","date_gmt":"2023-11-22T12:33:32","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=216"},"modified":"2024-07-04T17:56:03","modified_gmt":"2024-07-04T20:56:03","slug":"cem-anos-de-solidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2023\/11\/22\/cem-anos-de-solidao\/","title":{"rendered":"Cem anos de solid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"128\" height=\"300\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/pasted-image-0-17.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-217\" style=\"width:268px;height:auto\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>O mais famoso livro de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez transcriado em folhetinsta, durante os<\/strong> <strong>meses de outubro de 2022 a fevereiro de 2023. Livre interpreta\u00e7\u00e3o de Ana Clara Mar\u00e7al<\/strong> <strong>@anaclaramarcal_<\/strong> <strong>e imagens de B\u00e1rbara Borowski @bavvki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>I. A descoberta do gelo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ciganos chegam a Macondo com todo tipo de invento j\u00e1 descoberto. \u00cdm\u00e3. Lupa. Dentadura. Mapas. Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Buend\u00eda s\u00f3 consegue pensar em uma coisa: como o povoado pode viver tantos anos desprovido de tamanhas maravilhas?<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que o \u201ccigano com m\u00e3os de pardal\u201d dividiu a aldeia \u2013 em especial, Jos\u00e9 Arc\u00e1dio \u2013 em antes e depois. Como um viciado, ap\u00f3s ter contato com essas novidades da ci\u00eancia, n\u00e3o seria f\u00e1cil para ele se desintoxicar dos seus empreendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um, em especial, o atingiu no peito. At\u00e9 um sonho antigo passou a fazer sentido. A lembran\u00e7a que Aureliano carregaria consigo diante do pelot\u00e3o de fuzilamento. \u201cO grande invento da humanidade\u201d: o gelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>II. Fantasma de Prud\u00eancio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Casamento entre primos. O temor de gerar uma crian\u00e7a com rabinho de porco. Motivo suficiente para \u00darsula demorar a consumar seu casamento. Por\u00e9m, Jos\u00e9 Arc\u00e1dio, Aureliano e Amaranta nasceram normais. Gra\u00e7as \u00e0 briga com Prud\u00eancia Aguilar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s perder uma rinha de galo, Prud\u00eancio tem a infeliz ideia de zombar da \u201cimpot\u00eancia\u201d de Jos\u00e9 Arc\u00e1dio. A brincadeira custou-lhe a vida! Chega. Nenhuma morte mais ocorrer\u00e1 por causa de \u00darsula. Enfim, o casamento \u00e9 consumado.<\/p>\n\n\n\n<p>O que Jos\u00e9 Arc\u00e1dio e \u00darsula n\u00e3o esperavam \u00e9 que teriam o fantasma de Prud\u00eancio como eterno companheiro do casal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u00a0III. Peste da ins\u00f4nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma menina, \u00f3rf\u00e3, aparece em Macondo com uma cadeirinha de balan\u00e7o, uma carta e uma trouxa chacoalhando os ossos dos pais. Se alimenta da terra \u00famida do quintal e das bolachinhas de cal que arranca da parede. Essa \u00e9 Rebeca. Alguns dias depois, Rebeca Buend\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela traz uma peste. As noites s\u00e3o passadas em claro. Mas h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o durante o dia. Todas as pessoas do vilarejo come\u00e7am a esquecer de tudo. Nomes. Fisionomias. Funcionalidades. N\u00e3o lembram mais a fun\u00e7\u00e3o da panela, por exemplo. A peste da ins\u00f4nia assola os moradores de Macondo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>IV. Loucura de Jos\u00e9 Arc\u00e1dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao som da pianola, a casa dos Buend\u00eda dan\u00e7a a melodia do amor. Pietro Crespi embala-se no ritmo de Rebeca. Mas a alegria n\u00e3o \u00e9 compartilhada pela irm\u00e3 que \u201ctamb\u00e9m padecia do espinho de um amor solit\u00e1rio\u201d. Amaranta vai dar trabalho!<\/p>\n\n\n\n<p>Aureliano tamb\u00e9m embala seus pensamentos no compasso da paix\u00e3o. A pequena Rem\u00e9dios \u2013 literalmente uma crian\u00e7a \u2013 n\u00e3o sai da sua cabe\u00e7a. O romance da irm\u00e3 \u00e9 o impulso que lhe falta para revelar seu amor. Ela ainda \u00e9 \u201cimp\u00fabere\u201d, mas o amor \u00e9 paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>O frenesi da casa s\u00f3 se acalma com a morte do cigano Melqu\u00edades. Seu amigo, Jos\u00e9 Arc\u00e1dio, enlouquece de vez e passa a morar embaixo da \u00e1rvore, amarrado como cachorro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>V. Entre liberais e conservadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a fam\u00edlia Buend\u00eda se alegra com a rec\u00e9m casada Rem\u00e9dios, Rebeca desencanta-se com o eterno noivado. Mal sabia que quanto mais distante seu casamento estivesse, mais segura ela estaria. Com o dia pr\u00f3ximo, Amaranta, que recorre a todo tipo de obst\u00e1culo, confia em suas ora\u00e7\u00f5es para impedir o cas\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>As preces foram poderosas, mas contra a pessoa errada. Morre Rem\u00e9dios, com um par de g\u00eameos no ventre. Coincid\u00eancia? N\u00e3o para Amaranta. Um homem monumental, coberto de tatuagens, retorna a Macondo: Jos\u00e9 Arc\u00e1dio. Mas a dist\u00e2ncia mudou-o. Ele j\u00e1 n\u00e3o se encaixa na fam\u00edlia. S\u00f3 Rebeca consegue acolh\u00ea-lo \u2013 e o faz t\u00e3o bem que se casam e v\u00e3o morar sozinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Aureliano s\u00f3 tinha olhos para uma coisa: a guerra. Macondo equilibra-se entre liberais e conservadores at\u00e9 o dia em que \u00darsula anuncia: \u201ccome\u00e7ou a guerra\u201d. (Re)nasce, assim, o Coronel Aureliano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>VI. Dezessete filhos do coronel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Macondo banha-se em sangue e trag\u00e9dias. Menos o de Aureliano. Ao lado dos liberais, ele escapa de dezenas de rebeli\u00f5es, atentados, emboscadas e de um pelot\u00e3o de fuzilamento. Tamb\u00e9m arranjou tempo para gerar 17 filhos, de 17 mulheres diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Aureliano vence a morte tantas vezes devido aos press\u00e1gios que sente desde a adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu sobrinho, Arc\u00e1dio, mostra pulso firme e instaura-se ditador. Coitada da \u00darsula! O neto, que criara como filho, era um ditador; o outro estava na guerra. Amaranta quebra o cora\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil de Pietro Crespi, que chega ao ponto de se matar.<\/p>\n\n\n\n<p>Arc\u00e1dio morre fuzilado e deixa uma menina, um par de g\u00eameos e a esposa aos cuidados de \u00darsula. Jos\u00e9 Arc\u00e1dio morre de maneira suspeita (ser\u00e1 que foi Rebeca? N\u00e3o, n\u00e3o faz sentido\u2026). E Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Buendia \u00e9 chamado por Prud\u00eancio Aguilar para fazerem rinhas em outro mundo. Nessa noite, \u00darsula dorme embalada pela chuva de flores amarelas que velava seu marido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>VII. A<strong>ureliano tenta se matar<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Amaranta e Aureliano Jos\u00e9 retomam o temor de nascer um Buend\u00eda com rabo de porco. O sobrinho apaixona-se pela tia, ao passo que nem a brutalidade da guerra a arranca de seu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o importa.<\/p>\n\n\n\n<p>Amaranta fecha-se mais uma vez e mostra que seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 fadado a solid\u00e3o. Aureliano Jos\u00e9 \u00e9 mais uma recorda\u00e7\u00e3o para \u00darsula. A matriarca dos Buend\u00eda convive com a morte ao mesmo tempo em que parece eterna. Quanta gente ela j\u00e1 velou!<\/p>\n\n\n\n<p>O coronel Aureliano \u00e9 a prova de como a guerra muda o homem. Estava irreconhec\u00edvel. A guerra mata-o em vida; mas, frente ao armist\u00edcio, decide atentar contra a pr\u00f3pria vida. Pediu ao m\u00e9dico que marcasse com iodo onde ficava o cora\u00e7\u00e3o. Mais tarde, uma bala atravessaria bem ali. Atirou. Mas ele est\u00e1 fadado a morrer de morte natural, lembra? O m\u00e9dico havia marcado o \u00fanico local onde a bala atravessaria sem atingir nenhum \u00f3rg\u00e3o vital. Agora, Aureliano era um m\u00e1rtir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>VIII. Pacto com a solid\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o coronel Aureliano Buend\u00eda, concentrado nos peixinhos de ouro, \u201cconseguiu compreender que o segredo de uma boa velhice n\u00e3o \u00e9 mais que um pacto honrado com a solid\u00e3o\u201d, \u00darsula, j\u00e1 centen\u00e1ria, desdobra-se para dar conta dos Buend\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>Os g\u00eameos Aureliano Segundo e Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Segundo pareciam ser exce\u00e7\u00f5es da heran\u00e7a que carregavam nos nomes. Cresciam id\u00eanticos. At\u00e9 terem a ideia de trocar as pulseiras e cores de camisetas que eram usadas para diferenci\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Como uma volta de 360\u00b0, o tempo retorna ao ponto de in\u00edcio. \u201cQuando \u00darusula percebeu que Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Segundo criava galos de briga e que Aureliano Segundo tocava sanfona nas festas ruidosas de sua concubina, achou que ia enlouquecer. Era como se ambos tivessem concentrado todos os defeitos da fam\u00edlia, e nenhuma de suas virtudes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Animais se proliferam em n\u00fameros extraordin\u00e1rios. Mulher compartilhada entre irm\u00e3os. Dinheiro para dar e vender. Rem\u00e9dios, a Bela, matando homens de amor. Novo casamento entre Aureliano Segundo e a matrona vinda na embarca\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Arc\u00e1dio, Fernanda del Carpio. \u00darsula n\u00e3o ter\u00e1 sossego t\u00e3o cedo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>IX. Trem amarelo de Macondo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de Fernanda del Carpio reaviva mem\u00f3rias. A rec\u00e9m casada mostra semelhan\u00e7as com o falecido sogro, Arc\u00e1dio. Manda e desmanda com facilidade. Uma tirana! Ainda assim, uma pe\u00e7a solta, perdida na fam\u00edlia. O \u00fanico que lhe inspira receio \u00e9 o coronel Aureliano Buend\u00eda. Com esse ela n\u00e3o se mete!<\/p>\n\n\n\n<p>Falando no coronel, apenas 17 visitas poderiam faz\u00ea-lo sair de sua oficina. Os 17 filhos Aurelianos que chegam no povoado para seu jubileu. Da cerim\u00f4nia ele n\u00e3o quis saber, mas os Aurelianos passam bons tempos em Macondo. Os 17 ganham uma cruz de cinzas na testa, marca que carregariam at\u00e9 a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Aureliano Triste e Aureliano Centeno, com as produ\u00e7\u00f5es de gelo cada vez maiores, instalaram uma estrada de ferro para escoar a produ\u00e7\u00e3o pelo \u201cinocente trem amarelo que tantas incertezas e evid\u00eancias, e tantas alegrias e desventuras, tantas mudan\u00e7as, calamidades e nostalgias haveria de levar a Macondo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>X. Uma banana para Mr. Hebert<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O trem traz in\u00fameras maravilhas para o povoado. Mas tamb\u00e9m traz o \u201crechonchudo e sorridente\u201d Mr. Hebert. Ele chega com bal\u00f5es que voam e desejos de ir logo embora. Mas, oferecem-lhe uma banana e, em troca, ele fica. Traz depois engenheiros, agr\u00f4nomos, hidr\u00f3logos, top\u00f3grafos e advogados. Macondo tamb\u00e9m ter\u00e1 uma planta\u00e7\u00e3o de bananas!<\/p>\n\n\n\n<p>A aldeia mudou tanto que os moradores acordam cedo para conhecer seu novo mundo. Enquanto os gringos se deleitavam em Macondo, Rem\u00e9dios, a bela, sube aos c\u00e9us, em corpo e alma, envolta em len\u00e7\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00darsula cada vez mais velha, quase sem vis\u00e3o, aguarda o sossego que ainda est\u00e1 longe. O coronel Aureliano amealha dinheiro para outra guerra contra os gringos enquanto as cinzas de seus 17 Aurelianos viram tiro ao alvo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XI. Mem\u00f3ria do circo e do gelo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Perdidas as contas de sua idade, \u00darsula, quase cega, sente o desgaste do tempo em seu corpo. Jos\u00e9 Arc\u00e1dio e Meme saem de casa. A nova ditadora, Fernanda del Carpio, garante que seu marido abandone a casa dos Buend\u00eda. Ele voltou para Petra Cotes. Regressa ao lar apenas nas f\u00e9rias da filha para uma encena\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o humana s\u00f3 foi vista em Aureliano, no dia 11 de outubro, quando foi ao circo. Pela primeira vez em anos, lembra-se da tarde em que seu pai o levara para conhecer o gelo. Enquanto urina, pensa no circo. At\u00e9 que a lembran\u00e7a se deslembre. Enfia a cabe\u00e7a entre os ombros e fica l\u00e1 im\u00f3vel. S\u00f3 o notam quando os urubus est\u00e3o baixando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XII. Correio da morte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVestida de azul e com os cabelos longos\u201d, a morte marca encontro com Amaranta para quando ela acabasse de tecer a pr\u00f3pria mortalha. A anteced\u00eancia com que se apresentou deu-lhe tempo para despir-se de toda amargura, mis\u00e9ria e rancor. Quando ela d\u00e1 o \u00faltimo ponto na veste, parte sem dor, nem medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, quis reparar seus erros. Anunciou a toda a aldeia sua despedida de modo que pudessem levar cartas para que ela entregasse aos mortos. Com o \u201ccorreio da morte\u201d, a luva preta na m\u00e3o e virgem, Amaranta se foi\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Meme, de volta \u00e0 casa, apaixona-se por Maur\u00edcio Babil\u00f4nia. O romance secreto logo \u00e9 descoberto por Fernanda, que desaprova o relacionamento. Expulsa Maur\u00edcio de casa, junto de suas borboletas amarelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trancada no quarto, Meme abra\u00e7a sua serena solid\u00e3o. Essa tranquilidade n\u00e3o \u00e9 gratuita e \u00darsula foi a primeira a desconfiar. Seus banhos agora eram noturnos, com a companhia dos escorpi\u00f5es e das borboletas amarelas. Os encontros noturnos custaram a locomo\u00e7\u00e3o de Maur\u00edcio, que haveria de morrer de velho, em companhia apenas das borboletas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XIII. Greve dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas coisas dificilmente mudam para os Buend\u00eda: os nomes masculinos, a solid\u00e3o e as guerras. Com a chegada do filho de Meme n\u00e3o seria diferente. Tentando dissipar a vergonha que sente da filha, Fernanda mandou-a para um convento, onde haveria de passar o resto da vida. Muda. Solit\u00e1ria. A contragosto, o beb\u00ea, Aureliano Babil\u00f4nia, ser\u00e1 criado pela av\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse meio tempo, Macondo quase chega a uma guerra civil, oriunda da greve dos trabalhadores da companhia bananeira. Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Segundo levantou sua voz em prol dos trabalhadores. Resultado: acordou coberto de sangue em um vag\u00e3o, deitado sobre corpos mortos: crian\u00e7as, mulheres, homens e idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Calculou 3 mil. Todos que estavam na pra\u00e7a no dia anterior. Era para ter sido uma reconcilia\u00e7\u00e3o. Foi uma chacina. Dos grevistas, s\u00f3 sobra ele. Na vers\u00e3o dos oficiais, \u201cn\u00e3o houve morte. Desde o tempo do coronel Aureliano, n\u00e3o acontece nada em Macondo\u201d. Tudo isso regado pela chuva torrencial que haveria de durar anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XIV. Chuva de Macondo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Choveu por 4 anos, 11 meses e 2 dias. Casas de madeira foram arrastadas, a companhia bananeira destro\u00e7ada e os moradores impregnados de uma cor esverdeada e de um perfume de umidade. N\u00e3o tornaria a chover por 10 anos. Aureliano Segundo novamente na casa da mulher. N\u00e3o importa o poder da chuva, os costumes continuam no lar dos Buend\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>O coronel Gerineldo M\u00e1rquez morre. Ao sair para ver a passagem do corpo do amigo, \u00darsula avisa que assim que a chuva passar eles se encontrariam. Estava esperando a estiagem para morrer. No terceiro ano da chuva, j\u00e1 estava em \u2018estado disparatado de confus\u00e3o\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Aureliano Segundo entretia-se com as crian\u00e7as e o servi\u00e7o dom\u00e9stico, deixando Petra Cotes abandonada. Sua fortuna foi tragada pela chuva. Em v\u00e3o, tenta achar o S\u00e3o Jos\u00e9 de gesso enterrado na casa. Quando, enfim, estiou ele sai \u00e0 rua para rever Petra. Entra em ang\u00fastia com tamanha destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XV. Morte de \u00darsula e dos g\u00eameos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nem na v\u00e9spera da morte \u00darsula pode padecer com tranquilidade. Os lampejos de lucidez tornam-se frequentes por um tempo, depois, desapareceram de vez. Vendo a decad\u00eancia da casa, entra na \u2018febre da restaura\u00e7\u00e3o\u2019. Assim chega ao antigo quarto de Melqu\u00edades. L\u00e1 estava Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Segundo afundado em sua solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu irm\u00e3o come\u00e7a a vender as Rifas da Provid\u00eancia, j\u00e1 que os animais n\u00e3o pariam como antes. A solid\u00e3o e a pobreza uniram-no ainda mais a Petra Cotes. Amaranta \u00darsula est\u00e1 na escola, enquanto Aureliano Babil\u00f4nia brinca com minhocas e l\u00ea a enciclop\u00e9dia da irm\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00darsula morre na quinta-feira santa. Pequena como um rec\u00e9m-nascido. A natureza estava diferente. P\u00e1ssaros morrem. O calor sufoca. As mem\u00f3rias se esvaem. Talvez o mais l\u00facido seja Jos\u00e9 Arc\u00e1dio. Agora, desfruta da companhia do pequeno Aureliano, j\u00e1 introduzido aos pergaminhos de Melqu\u00edades. 9 de agosto. Jos\u00e9 Arc\u00e1dio morre, seguido de seu irm\u00e3o g\u00eameo. Os corpos, colocados em ata\u00fades iguais, foram enterrados em t\u00famulos trocados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XVI. P<strong>ergaminhos de Melqu\u00edades<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sem \u00darsula, nem Aureliano e nem Jos\u00e9 Arc\u00e1dio Segundo, a casa resume-se a Fernanda, Santa Sofia de la Piedad e Aureliano Babil\u00f4nia. Velha e cansada da vida de servi\u00e7o, Sofia vai viver com uma prima em Riohacha. Estranho, porque ningu\u00e9m nunca soubera de um parente vivo da mulher. Assim que saiu da casa, n\u00e3o se tornou a ter not\u00edcias dela.<\/p>\n\n\n\n<p>De tr\u00eas, a casa passou a dois moradores: Aureliano, enclausurado no quarto estudando os pergaminhos de Melqu\u00edades e Fernanda, criando um mundo fantasioso nas cartas que trocava com os filhos. Por\u00e9m, quando ela morre, ap\u00f3s viver seus \u00faltimos anos no mundo de \u2018sonhos perdidos\u2019, seu filho, Jos\u00e9 Arc\u00e1dio, volta a Macondo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Arc\u00e1dio reforma o quarto de Meme e distrai-se com a companhia dos meninos do povoado. Chegaram at\u00e9 a achar o ouro que seu pai tanto procurara. Seu relacionamento com Aureliano tamb\u00e9m progrede. A solid\u00e3o de ambos os afastam e os unem. Os mesmos meninos que o distraem s\u00e3o os respons\u00e1veis por sua morte. Afogado na banheira e pensando em Amaranta, morre Jos\u00e9 Arc\u00e1dio. Aureliano, trancado no quarto de Melqu\u00edades, demora para perceber a morte de Jos\u00e9 Arc\u00e1dio. Agora que come\u00e7ava a gostar dele!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XVII. Aureliano se apaixona pela tia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aureliano n\u00e3o fica sozinho por muito tempo. Amaranta \u00darsula volta para Macondo, acompanhada de Gast\u00f3n, seu esposo. Ela fala da aldeia com gosto, nostalgia e carinho, de modo que seu marido n\u00e3o tem escapat\u00f3ria. Gast\u00f3n achou que seria passageiro. Mas o passar do tempo revela que a situa\u00e7\u00e3o seria duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p>Gast\u00f3n tenta aproximar-se de Aureliano. Em v\u00e3o. Retoma, ent\u00e3o, sua ideia de \u201cconceber um servi\u00e7o de correio a\u00e9reo\u201d. Enquanto isso, Aureliano, que agora j\u00e1 andava pelas ruas de Macondo e era cliente ass\u00edduo da livraria do s\u00e1bio catal\u00e3o, nutre uma paix\u00e3o secreta por Amaranta \u00darsula. At\u00e9 se envolveu com Nigromanta, mas n\u00e3o foi suficiente para afogar os sentimentos pela tia. O azar no amor n\u00e3o impediu a sorte na amizade. Discutindo sobre baratas, conhece \u00c1lvaro, Germ\u00e1n, Afonso e Gabriel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XVIII. Ciclos que se repetem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aureliano gosta muito dos quatro amigos. Mas era de Gabriel que se sentia mais pr\u00f3ximo. Era o \u00fanico que acreditava quando ele falava do coronel, da matan\u00e7a no trem e da companhia bananeira. Sabia que era verdade, porque Gerineldo M\u00e1rquez foi seu bisav\u00f4 e amigo de armas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Gast\u00f3n estava preocupado com seu aeroplano que n\u00e3o chegava, Amaranta via-se com tempo livre. Passa a frequentar o quartinho de Melqu\u00edades. Aureliano reaviva o sentimento que vinha cultivando por ela. At\u00e9 que, no dia em que Amaranta corta o dedo em uma lata, chupa seu sangue com tanta avidez que extravasa todo seu amor. Toma um fora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vai consolar-se no \u00fanico colo que ainda lhe dava seguran\u00e7a: Pilar Ternera. Sua tatarav\u00f3 passava dos 140 anos, e n\u00e3o tinha um mist\u00e9rio dos Buend\u00eda que n\u00e3o soubesse desvendar. A hist\u00f3ria dessa fam\u00edlia \u00e9 marcada por ciclos repetidos e irrepar\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Aureliano volta para casa. Amaranta acaba de sair do banho. Naquela hora, resolve colocar todo seu amor em a\u00e7\u00e3o. Agarra-a e joga-a na cama. Em uma luta sem for\u00e7a, mas com ternura, Amaranta, enfim, cede.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>XIX. \u00daltima estirpe dos Buend\u00eda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria dos Buendia \u00e9 marcada pela repeti\u00e7\u00e3o, exceto a profecia final: \u201cestirpes condenadas a cem anos de solid\u00e3o n\u00e3o tinham uma segunda chance sobre a terra\u201d. Quem poderia imaginar? Melqu\u00edades. Tudo, absolutamente tudo constava nos seus manuscritos. A destrui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de Macondo. A morte de Petra Cotes. Os amigos de Aureliano Babil\u00f4nia indo embora. O amor solit\u00e1rio compartilhado por sobrinho e tia: a \u00faltima estirpe dos Buend\u00eda, com rabo de porco.<\/p>\n\n\n\n<p>A partida do s\u00e1bio catal\u00e3o. O abandono de Macondo. Seu calor. Sua aridez. A mem\u00f3ria que se deteriora da mesma maneira que se alimenta de nostalgias. A morte de Amaranta \u00darsula ap\u00f3s o parto.<\/p>\n\n\n\n<p>Decifrando os pergaminhos, Aureliano, arrebatado por uma clarivid\u00eancia perturbadora, compreende o fim. \u201cO primeiro da estirpe est\u00e1 amarrado a uma \u00e1rvore e o \u00faltimo est\u00e1 sendo comido pelas formigas.\u201d N\u00e3o havia mais tempo. Como a batida de um martelo no tribunal anunciando a senten\u00e7a, o \u00faltimo vento b\u00edblico soprou Macondo da exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><em><strong>Ana Clara Mar\u00e7al<\/strong>, jornalista graduada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e p\u00f3s graduanda em Marketing pela USP\/Esalq. Como estagi\u00e1ria, trabalhou na TV UEL e RICtv. Entre 2018 e 2021, participou do Grupo Gabo de Pesquisa. Hoje, atua como Analista de Comunica\u00e7\u00e3o em uma consultoria do agroneg\u00f3cio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>B\u00e1rbara Borowski<\/strong>, designer multidisciplinar com estudos em jornalismo e cinema. Seu trabalho recente inclui festivais como DocsMX, DocsVal\u00e8ncia e Fes! Film Festival Cinema i drets humanos, assim como revistas liter\u00e1rias e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais. Tamb\u00e9m trabalhou como ilustradora e criadora de conte\u00fado audiovisual. Atualmente colabora em projetos independentes, utilizando o design como ferramenta de impacto social.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais famoso livro de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez transcriado em folhetinsta, durante os meses de outubro de 2022 a fevereiro de 2023. Livre interpreta\u00e7\u00e3o de Ana Clara Mar\u00e7al @anaclaramarcal_ e imagens de B\u00e1rbara Borowski @bavvki I. A descoberta do gelo Ciganos chegam a Macondo com todo tipo de invento j\u00e1 descoberto. \u00cdm\u00e3. Lupa. Dentadura. Mapas. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":217,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,11],"tags":[],"class_list":["post-216","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conto","category-literatura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=216"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":795,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/216\/revisions\/795"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}