{"id":198,"date":"2023-11-22T09:08:43","date_gmt":"2023-11-22T12:08:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=198"},"modified":"2023-11-30T18:01:11","modified_gmt":"2023-11-30T21:01:11","slug":"a-morte-de-laureano-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2023\/11\/22\/a-morte-de-laureano-pontes\/","title":{"rendered":"A morte de Laureano Pontes"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"228\" height=\"300\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/pasted-image-0-11.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-199\" style=\"width:547px;height:auto\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Para ler com sotaque ga\u00facho, a hist\u00f3ria mostra o destemido Laureano Pontes que \u201ctinha cometido a maioria de seus crimes de morte, alguns com requintes de crueldade\u201d. Este conto faz parte do livro VACA PRETA EM NOITE ESCURA, da editora Thoth.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Elizandro Pellin<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O povo se aglomerava na entrada do improvisado sal\u00e3o onde corria frouxo o matin\u00ea naquela tarde de domingo de 1969. O som de gaita e viol\u00e3o entremeado com gargalhadas e vozerio, ecoava distante nas matas \u00e0s margens do rio Santo Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior do casar\u00e3o, de peroba coberto com tabuinhas de pinheiro lascadas, casais dan\u00e7avam entusiasmados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na&nbsp; porta achava-se o&nbsp;&nbsp; cobrador de&nbsp; entradas \u2013 que&nbsp; tamb\u00e9m fazia as vezes de seguran\u00e7a -, sentado num cepo, fumando grosso palheiro. Dentro, no lado oposto aos m\u00fasicos, equilibrados sobre uns caixotes \u00e0 guisa de palco, ficava a copa, tendo por balc\u00e3o uma t\u00e1bua acomodada sobre tocos e dois atendentes vendendo cacha\u00e7a e cerveja \u00e0 temperatura ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>A algazarra do lado de fora foi interrompida quando se ouviu forte tropel e surgiram dois cavaleiros, de pronto reconhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o temido Laureano Pontes, famoso por bandido e buscador de confus\u00e3o, montado num tobiano marchador bem encilhado, ladeado por seu genro Plac\u00eddio Lara, tamb\u00e9m mal falado, num rosilho fogoso escarceando o freio.<\/p>\n\n\n\n<p>A medida que se aproximaram, as pessoas se afastavam entre sussurros e cochichos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<em>Cheg\u00f4 o Laureno Ponte! Termin\u00f4 a festa\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<em>O Laureano Ponte!! Vai d\u00e1 briga!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As mocinhas de fam\u00edlia, mais que depressa come\u00e7aram a se retirar. Sabiam que caso recusassem um convite pra dan\u00e7ar partido de qualquer dos rec\u00e9m chegados, poderiam ter suas madeixas aparadas por um talho de adaga em resposta ao \u201ccar\u00e3o\u201d, al\u00e9m de envolverem pais, irm\u00e3os ou mesmo namorados em situa\u00e7\u00e3o humilhante ou perigosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Laureano Pontes era moreno \u201ccor de cuia\u201d, grisalho e sem barba, aparentava mais ou menos sessenta anos. Estatura m\u00e9dia e esguio, vestia bombacha e botas pretas com ruidosas esporas, guaiaca e camisa azul. O ch\u00e1peu, tamb\u00e9m preto, com abas frontais torcidas e presas pelo barbicacho, pendendo em seu punho esquerdo um relho tipo \u201crabo de tatu\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Plac\u00eddio Lara, devia estar na casa dos trinta&nbsp; anos,&nbsp; moreno, baixote e rechonchudo, de vasta cabeleira negra besuntada de brilhantina e grossas costeletas. Vestia cal\u00e7a de brim acinzentado, camisa c\u00e1qui e botas marrons de cano sanfonado.<\/p>\n\n\n\n<p>O temor que a figura de Laureano Pontes despertava, ao menos naquela fronteira, era baseado muito mais em boatos, em \u201couvir dizer\u201d, que propriamente em fatos. Na verdade ningu\u00e9m dali havia testemunhado nenhuma das barbaridades que lhe atribu\u00edam.<\/p>\n\n\n\n<p>Laureano havia aparecido h\u00e1 menos de dois anos, vindo de Campo Er\u00ea, Santa Catarina, onde, contavam, tinha cometido a maioria de seus crimes de morte, alguns com requintes de crueldade.<\/p>\n\n\n\n<p>Falavam de sua pontaria certeira, da rapidez no gatilho, das encarni\u00e7adas peleias e tocaias. Comentava-se \u00e0 boca larga que viera para a fronteira como fugitivo da justi\u00e7a e dos inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez a conjuntura de andar sempre armado e bem montado, bebendo e gabando-se pelas bodegas, somada \u00e0s fofocas, foram determinantes na cria\u00e7\u00e3o da aura de temor em torno de sua figura.<\/p>\n\n\n\n<p>Se era um fac\u00ednora perigoso nunca se soube ao certo. Mas, conforme ensina a s\u00e1bia filosofia popular:&nbsp;<em>Quem faz a fama deita na cama.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A dupla amarrou os cavalos em \u00e1rvores na frente de p\u00e1tio, sem desencilhar. Com cara de poucos amigos e ares de que sabiam e se deliciavam com a apreens\u00e3o causada, dirigiram-se ao sal\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se aboletaram no balc\u00e3o da copa e pediram cerveja. Permaneceram bebendo e observando a dan\u00e7a que aos poucos foi sendo retomada.<\/p>\n\n\n\n<p>Plac\u00eddio Lara j\u00e1 sentia as faces afogueadas pelo \u00e1lcool, quando o&nbsp; trio de m\u00fasicos rompeu numa sofr\u00edvel execu\u00e7\u00e3o do vaneir\u00e3o Chico Guedes, da famosa gaiteira Jeanette \u201ca rainha do acordeon\u201d, bastante popular \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pestanejou em escolher uma prenda e sair dan\u00e7ando apertado, exibindo ostensivamente uma enorme faca Coqueiro atravessada na cintura.<\/p>\n\n\n\n<p>O par passou a ser o centro das aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a parceira escolhida era casada. O marido, um jovem moreno, fei\u00e7\u00f5es de bugre&nbsp; e bigode ralo, de nome Jo\u00e3o Maria,&nbsp; observava a cena incomodado e inquieto, postado em p\u00e9 ao lado da copa onde seu pai Teodoro Ferreira era um dos gar\u00e7ons.<\/p>\n\n\n\n<p>O casal seguiu rodopiando sem parar durante tr\u00eas ou quatro marcas. O var\u00e3o segurava a cintura da dan\u00e7arina com ambas as m\u00e3os, que<\/p>\n\n\n\n<p>insistiam em escorregar para as n\u00e1degas, sem qualquer reprimenda ou demonstra\u00e7\u00e3o de desconforto pela mo\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Terminada a dan\u00e7a, Plac\u00eddio Lara deixou a parceira e voltou para a copa, onde Laureano Pontes continuava bebendo isolado e s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Pediu outra cerveja, pegou dois copos, encheu-os lentamente e com um em cada m\u00e3o dirigiu-se para outra ponta do balc\u00e3o onde estava Jo\u00e3o Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<em>Tome um gole!&nbsp;<\/em>Disse quase ordenando. Jo\u00e3o Maria responde<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<em>N\u00e3o quero.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No que foi prontamente retrucado:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<em>Quem n\u00e3o dan\u00e7a e n\u00e3o bebe, int\u00e3o paga cerveja!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2013&nbsp;<em>Pagar com que!?&nbsp;<\/em>Questionou o outro num tom altivo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013&nbsp; Seu&nbsp; carni\u00e7a!&nbsp; N\u00e3o&nbsp; presta pra nada&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; e ainda \u00e9 mitido a valente!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Gritou Plac\u00eddio Lara.<\/p>\n\n\n\n<p>Mal terminou a frase e Jo\u00e3o Maria investiu de faca em punho sobre o ofensor, que se esquivou com destreza manoteando sua coqueiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouviram-se gritos apavorados do mulherio e a m\u00fasica parou de supet\u00e3o. O povo estourou em disparada rumando a porta, derrubando o que havia na frente, uns sendo pisoteados outros saltando pela janela, enquanto os rivais, em guarda, olho no olho, se movimentavam em c\u00edrculo, como a estudar o advers\u00e1rio e tra\u00e7ar a melhor estrat\u00e9gia, como galos de rinha num in\u00edcio de combate.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o se entreveraram, fazendo retinir o choque das armas brancas misturado ao fragor da turba em debandada.<\/p>\n\n\n\n<p>Plac\u00eddio Lara granjeou pequena vantagem sobre seu advers\u00e1rio, fazendo-o saltar para o terreiro acossado por saraivada de golpes que eram rebatidos j\u00e1 com dificuldade.<\/p>\n\n\n\n<p>Laureano Pontes, surgiu logo atr\u00e1s, de punhal na m\u00e3o direita e \u201crabo de tatu\u201d na esquerda, seguro pelo ponta para golpear com a argola, na clara inten\u00e7\u00e3o de tamb\u00e9m atacar Jo\u00e3o Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os presentes j\u00e1 contavam certa a morte do rapaz nas m\u00e3os da dupla, quando seu pai, Teodoro Ferreira, at\u00e9 ent\u00e3o impass\u00edvel e desarmado, pulou o balc\u00e3o da copa e deu de m\u00e3o numa enxada que havia sido usada no dia anterior para capinar os arredores do sal\u00e3o e deixada por descuido do lado de fora, partindo cego em defesa do filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Teodoro Ferreira era um homem franzino, j\u00e1 velhote, avesso a confus\u00f5es, gozava do apre\u00e7o e respeito da vizinhan\u00e7a, considerado honesto e trabalhador. Estava ali na qualidade de colaborador do evento, programado para ser uma tranquila confraterniza\u00e7\u00e3o entre vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto a inesperada ocasi\u00e3o se apresentou a Teodoro Ferreira, magra, feia e mal vestida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem tempo para conjecturas ou negocia\u00e7\u00f5es, com o filho prestes a sucumbir acossado pelos temidos desordeiros, talvez o cora\u00e7\u00e3o de pai tenho sido a mola propulsora da coragem e determina\u00e7\u00e3o que se apossaram de Teodoro Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro golpe atingiu em cheio Plac\u00eddio Lara, no lado direito do pesco\u00e7o, tombando-o desfalecido e j\u00e1 fora de combate.<\/p>\n\n\n\n<p>Laureano Pontes, qui\u00e7\u00e1 surpreso pela inusitada e fulminante rea\u00e7\u00e3o, agora em desvantagem de armas e tendo a aten\u00e7\u00e3o de Teodoro Ferreira voltada para si, come\u00e7ou a afastar-se pra tr\u00e1s, com rapidez, de&nbsp; punhal&nbsp; em riste e sem perder de vista seu advers\u00e1rio, enquanto rumava para seu cavalo, em cujo pessuelo estavam dois rev\u00f3lveres empanturrados de balas, conforme depois verificou-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aquele era o dia em que o universo conspirava em favor do pequeno Teodoro Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Laureano Pontes, andando pra tr\u00e1s, enroscou as esporas numa ondula\u00e7\u00e3o do terreno e caiu de costas. A enxada de Teodoro atingiu-lhe em cheio a testa, quase no mesmo instante em que o corpo em queda tocava o solo, fazendo saltar longe o chap\u00e9u preto.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguiram-se segunda e terceira enxadadas, acompanhadas do som mouco de ossos se partindo sob a carne, enquanto Laureano Pontes, j\u00e1 sem rea\u00e7\u00e3o, se contorcia em espasmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os oponentes neutralizados , Teodoro Ferreira e seu filho Jo\u00e3o Maria, ainda resfolegantes, partiram ligeiros estrada afora, espionados de soslaio pelo povo que se esparramara entre as \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>Passado o perigo, gente assustada brotava dos mais inusitados esconderijos, aos poucos, se aproximando dos corpos estendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Plac\u00eddio Lara permanecia desacordado e im\u00f3vel, respirando com muita dificuldade, numa esp\u00e9cie de ronco engasgado e chiado. Laureano Pontes estava morto com a cabe\u00e7a em frangalhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A noite h\u00e1 muito havia avan\u00e7ado quando o inspetor de quarteir\u00e3o chegou para realizar seu trabalho. Em seguida, apareceu um Jipe, muito raro naqueles cafund\u00f3s, que transportou cad\u00e1ver e ferido amontoados.<\/p>\n\n\n\n<p>Plac\u00eddio Lara sobreviveu e anos depois foi morto a tiros por um parente em Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p>Repetiu-se \u00e0s margens do rio Santo Ant\u00f4nio a universal e recorrente hist\u00f3ria de Davi e Golias, onde o suposto fraco, em improv\u00e1vel fa\u00e7anha sobrepuja o forte.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><em>Elizandro Pellin&nbsp;\u00e9 advogado, formado pela Universidade Estadual de Londrina. Exerceu as fun\u00e7\u00f5es de presidente da Subse\u00e7\u00e3o de Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil. \u00c9 apresentador e produtor do programa radiof\u00f4nico Sons do Minuano, que vai ao ar pela na R\u00e1dio UELFM aos domingos \u00e0s 11hs.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ler com sotaque ga\u00facho, a hist\u00f3ria mostra o destemido Laureano Pontes que \u201ctinha cometido a maioria de seus crimes de morte, alguns com requintes de crueldade\u201d. 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