{"id":178,"date":"2023-11-21T15:59:56","date_gmt":"2023-11-21T18:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=178"},"modified":"2024-07-04T18:08:44","modified_gmt":"2024-07-04T21:08:44","slug":"a-morte-com-a-magia-de-gabo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2023\/11\/21\/a-morte-com-a-magia-de-gabo\/","title":{"rendered":"A morte com a magia de Gabo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"711\" height=\"713\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-terceira-renuncia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-580\" style=\"aspect-ratio:1\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-terceira-renuncia.jpg 711w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-terceira-renuncia-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-terceira-renuncia-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 711px) 100vw, 711px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Os processos que envolvem a amea\u00e7a de morte constante, decorrentes da pandemia causada pela Covid-19, trazem a\u0300 tona a quebra com o conceito de eternidade. Os onze contos reunidos em Olhos de ca\u0303o azul sa\u00edram na imprensa, entre 1947 e 1955. Narrativas que se aprofundam na psicologia dos personagens: medos, perturba\u00e7\u00f5es e desejos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mateus Saraiva<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A terceira ren\u00fancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E se voc\u00ea morresse em vida? Este conto traz a hist\u00f3ria de um garoto que, aos sete anos de idade, foi diagnosticado com tifoide (doen\u00e7a bacteriana) e desde ent\u00e3o \u201cviveu\u201d a morte literal e metaf\u00f3rica dentro de um caix\u00e3o, at\u00e9 seus vinte e cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria acompanha as percep\u00e7\u00f5es que a personagem tem sobre a morte em vida. Ele est\u00e1 consciente, mas seu corpo \u00e9 um cad\u00e1ver. Sua m\u00e3e tamb\u00e9m \u00e9 apresentada como acompanhante da degrada\u00e7\u00e3o do filho. Ela se alegra por saber que o sofrimento acabou, pois, o menino est\u00e1 morto. Mas, se entristece com a possibilidade da chegada definitiva da morte, uma vez que o filho continua vivo no ata\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto \u00e9 uma reflex\u00e3o melanc\u00f3lica e agonizante sobre vida e morte com os toques surreais de Gabo. Ser\u00e1 que estamos mortos em vida? Seria a morte metaf\u00f3rica pior que a morte f\u00edsica?&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"716\" height=\"713\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-outra-costela-da-morte.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-581\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-outra-costela-da-morte.jpg 716w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-outra-costela-da-morte-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/a-outra-costela-da-morte-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A outra costela da morte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse conto do livro OLHOS DE C\u00c3O AZUL traz uma abordagem perturbadora sobre a morte e a culpa. No in\u00edcio, Gabo apresenta as percep\u00e7\u00f5es de um homem que no dia da morte de seu irm\u00e3o g\u00eameo tem sonhos atormentados. Sonhos repletos de elementos absurdos. O falecido est\u00e1 travestido de mulher, enquanto tenta arrancar os olhos com uma tesoura. O g\u00eameo vivo \u00e9 perseguido por uma culpa surreal de gozar a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda parte do conto, a perspectiva \u00e9 a do g\u00eameo morto. Ele teve um tumor e viveu seus \u00faltimos momentos de forma agonizante. Sentia seu corpo em estado de putrefa\u00e7\u00e3o e alternava os estados de consci\u00eancia da sua mente. As mesmas sensa\u00e7\u00f5es que sentiu antes de morrer, foram transportadas para o irm\u00e3o vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estava perturbado com a morte do outro, pois se via nele. Eram partes iguais. O maior medo do irm\u00e3o que estava vivo era padecer da mesma doen\u00e7a do outro g\u00eameo. Assim, sucumbia diante de uma alucina\u00e7\u00e3o feroz que o culpava o tempo todo. O conto traz elementos do mundo dos sonhos para trabalhar a perturba\u00e7\u00e3o dos dois irm\u00e3os, o que fica e o que vai.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"708\" height=\"712\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/eva-esta-dentro-de-seu-gato.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-582\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/eva-esta-dentro-de-seu-gato.png 708w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/eva-esta-dentro-de-seu-gato-298x300.png 298w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/eva-esta-dentro-de-seu-gato-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 708px) 100vw, 708px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Eva est\u00e1 dentro de seu gato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A morte pode ser uma experi\u00eancia extraordin\u00e1ria. \u00c9 o que Garc\u00eda M\u00e1rquez demonstra neste conto de OLHOS DE C\u00c3O AZUL de forma macabra e surreal. Eva vive uma vida desconfort\u00e1vel pela beleza heredit\u00e1ria. Suas frustra\u00e7\u00f5es ficam latentes quando dorme e sonha com insetos andando em seu corpo. Uma vida sobrenatural, envolta em mist\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto estava viva sentia pavor da laranjeira plantada em seu quintal por temer que o cad\u00e1ver de um menino enterrado ao lado se misturava com o caldo do fruto. Sua mente paranoica era convicta de que as laranjas se fundiam ao corpo apodrecido. Eva vivia muitas priva\u00e7\u00f5es. Tinha medos que a acorrentavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois que morre, descobre que pode consumir as laranjas por ser um esp\u00edrito, mas precisa se infiltrar em um corpo vivente. Decide entrar em seu gato, realizando um grande desejo. Ainda que vague pela casa, procurando o gato novamente, sentindo o aroma de ars\u00eanico que causou sua morte, Eva experimenta uma felicidade que n\u00e3o encontrou em vida. Gabo traz uma dimens\u00e3o enigm\u00e1tica e bonita para a morte. A possibilidade de fazer coisas que a vida impede. Nesta hist\u00f3ria, morrer n\u00e3o \u00e9 trag\u00e9dia. \u00c9 solu\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"707\" height=\"715\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/amargura-para-tres-sonambulos-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-584\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/amargura-para-tres-sonambulos-1.jpg 707w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/amargura-para-tres-sonambulos-1-297x300.jpg 297w\" sizes=\"auto, (max-width: 707px) 100vw, 707px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Amargura para tr\u00eas son\u00e2mbulos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Delicada e impercept\u00edvel. Assim Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez apresenta a morte neste conto de OLHOS DE C\u00c3O AZUL. A hist\u00f3ria \u00e9 permeada por incertezas e medos em meio ao enredo com tempo e espa\u00e7o inconstantes. Tr\u00eas irm\u00e3os acompanham a degrada\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e. A princ\u00edpio querem entender o que houve com ela, pois, al\u00e9m de ferimentos, apresenta sinais de loucura. Os tr\u00eas discutem sobre a possibilidade da matriarca nunca mais voltar a sorrir. Presa em eterna melancolia. Sua felicidade estava morta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os irm\u00e3os cuidam de sua m\u00e3e, pois temem que ela morra. Sua loucura e tristeza s\u00e3o descritas atrav\u00e9s de olhares. A imin\u00eancia de morrer est\u00e1 associada a suas impossibilidades. Ela vive uma morte metaf\u00f3rica. Perdeu suas perspectivas. Est\u00e1 deslocada da pr\u00f3pria exist\u00eancia. M\u00e3e e filhos vivem a nebulosa sensa\u00e7\u00e3o da morte que se aproxima. Esperar por ela \u00e9 mais macabro do que se imagina. Os filhos vivem sentimentos de temor, amargura e incerteza. Assistem, impotentes, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria m\u00e3e. Ela ir\u00e1 morrer e resta aos tr\u00eas lidar com a ang\u00fastia de esperar o fim.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"714\" height=\"713\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/dialogo-do-espelho.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-585\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/dialogo-do-espelho.jpg 714w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/dialogo-do-espelho-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/dialogo-do-espelho-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 714px) 100vw, 714px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Di\u00e1logo do espelho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ilus\u00e3o e Realidade. Os dois aspectos que fazem parte deste conto, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez. A imagina\u00e7\u00e3o do autor traz um encontro entre dois irm\u00e3os \u2013 um em cada plano da vida \u2013 atrav\u00e9s do reflexo do espelho. O real e o ilus\u00f3rio confundem sua mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que uma experi\u00eancia sobrenatural, a hist\u00f3ria \u00e9 uma alegoria da vida. Em algum momento nos for\u00e7amos a deixar a imagina\u00e7\u00e3o presa em um espelho. Encaramos a realidade que n\u00e3o abre portas para a fantasia. O grande dilema deste homem \u00e9 viver na balan\u00e7a do sonho e da realidade, sem saber qual ir\u00e1 pesar.<\/p>\n\n\n\n<p>O que voc\u00ea faria se encontrasse um familiar morto no espelho? A experi\u00eancia poderia ser m\u00e1gica para alguns e assustadora para outros. Gabo usou o cotidiano para trazer uma experi\u00eancia surreal e bela. A verdadeira acep\u00e7\u00e3o do realismo m\u00e1gico.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"710\" height=\"709\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/olhos-de-cao-azul.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-586\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/olhos-de-cao-azul.jpg 710w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/olhos-de-cao-azul-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/olhos-de-cao-azul-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Olhos de c\u00e3o azul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este conto que d\u00e1\u0301 nome ao livro de Garc\u00eda M\u00e1rquez introduz magia e pesadelo: cen\u00e1rios poss\u00edveis do mundo dos sonhos. A hist\u00f3ria \u00e9 a que menos menciona tem\u00e1ticas relacionadas \u00e0 morte, mas ela espreita, sorrateira, todo o enredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem se apaixona por uma mulher que s\u00f3 aparece em seus sonhos. Juntos, possuem um c\u00f3digo: \u201colhos de c\u00e3o azul\u201d. Juntos, vivem uma paix\u00e3o que surge da realidade que o personagem projeta ao dormir. Del\u00edrio. Mist\u00e9rio. Fasc\u00ednio. Fantasia. Ele encontra ref\u00fagio no sono. \u00c9 a anestesia da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O sonho seria uma forma de morrer por causar um desligamento breve da realidade? O que ocorre nos sonhos nem sempre se explica. A aus\u00eancia de explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia levar a outro tema se n\u00e3o o realismo m\u00e1gico, pois no universo latino-americano de Gabo, nada se explica, tudo acontece.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"703\" height=\"702\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-mulher-que-chegava-as-seis.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-587\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-mulher-que-chegava-as-seis.jpg 703w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-mulher-que-chegava-as-seis-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-mulher-que-chegava-as-seis-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 703px) 100vw, 703px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A mulher que chegada \u00e0s seis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez contar\u00e1 um segredo, mas voc\u00ea n\u00e3o pode revelar a ningu\u00e9m. A fidelidade entre dois amigos \u00e9 apresentada neste conto de OLHOS DE C\u00c3O AZUL. Uma hist\u00f3ria sobre o segredo de uma mulher que costumava chegar \u00e0s seis em ponto no restaurante, por\u00e9m, um inc\u00f4modo a fez ir mais cedo ao estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou sem muitas palavras e com um aspecto melanc\u00f3lico no olhar. Precisava da lealdade do amigo, dono do restaurante. Ela cometeu ou quer cometer um crime. O conto \u00e9 desenvolvido atrav\u00e9s de di\u00e1logos e emo\u00e7\u00f5es inst\u00e1veis. No universo da morte que Gabo criou nesta obra, est\u00e1 presente tamb\u00e9m o desejo de matar. A busca incans\u00e1vel por esconder inten\u00e7\u00f5es secretas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que tenha semelhan\u00e7a com um suspense policial, a hist\u00f3ria n\u00e3o perde a aura misteriosa e m\u00e1gica que o autor prop\u00f5e nos demais contos. Traz o leitor de alguma forma para a sensa\u00e7\u00e3o vivida ali. Essa n\u00e3o foi diferente. Ao longo da conversa entre os dois, muitas d\u00favidas e inc\u00f4modos surgem: e se voc\u00ea tivesse que acobertar um crime? E se voc\u00ea cometesse um crime? Tais provoca\u00e7\u00f5es formulam mais uma hist\u00f3ria perturbadora dessa obra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"710\" height=\"710\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/nabo-o-negro-que-fez-esperar-os-anjos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-588\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/nabo-o-negro-que-fez-esperar-os-anjos.jpg 710w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/nabo-o-negro-que-fez-esperar-os-anjos-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/nabo-o-negro-que-fez-esperar-os-anjos-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Nabo, o negro que fez esperar os anjos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conto de OLHOS DE C\u00c3O AZUL traz a hist\u00f3ria de Nabo, um cuidador de cavalos que tinha amor pela m\u00fasica e cuidava da filha de seus patr\u00f5es. A herdeira tinha problemas psicol\u00f3gicos que o funcion\u00e1rio amenizava ao ligar sua vitrola e cantar para ela. O personagem perde a consci\u00eancia e apresenta sinais de confus\u00e3o mental depois de levar um coice enquanto limpava os animais. Um anjo da morte tenta levar Nabo ao mundo dos mortos, mas ele se recusa, pois quer cantar para a menina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que um embate \u00e0 morte, a hist\u00f3ria se trata de uma alegoria sobre a perda de identidade que pode ser a loucura do ponto de vista dos outros. Para os demais, tanto ele quanto a menina est\u00e3o mortos. H\u00e1 sempre algo profundo nas hist\u00f3rias de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, que traduz de forma m\u00e1gica, assuntos m\u00f3rbidos e permite aos seus leitores uma interpreta\u00e7\u00e3o particular do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O realismo m\u00e1gico \u00e9 um estilo liter\u00e1rio que, envaidecido do sobrenatural, n\u00e3o deixa muito espa\u00e7o para a racionalidade. Assim s\u00e3o a loucura e a morte. Ambas temidas e incompreendidas. A loucura est\u00e1 nos olhos de quem v\u00ea. Afinal, o que s\u00e3o a loucura e a morte?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"705\" height=\"714\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alguem-desarruma-estas-rosas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-589\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alguem-desarruma-estas-rosas.jpg 705w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alguem-desarruma-estas-rosas-296x300.jpg 296w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Algu\u00e9m desarruma estas rosas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de agosto, Mercedes Barcha, \u201ca mulher que tornou poss\u00edvel o sucesso de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez\u201d, como diz o jornal espanhol&nbsp;<em>El Pais<\/em>, faleceu. Depois de viver seis anos de solid\u00e3o com a aus\u00eancia de seu esposo, chegou sua hora. Por ironia do amor, aos 87 anos, mesma idade em que Gabo se foi. Esse conto \u00e9 premonit\u00f3rio. Traduz o encanto e a melancolia que a morte traz. D\u00f3i lidar com a aus\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hist\u00f3ria, o esp\u00edrito de um menino rouba as flores que sua amiga cultiva para colocar em seu t\u00famulo. Ela, muito velha, mora na casa que foi do garoto e faz ora\u00e7\u00f5es diante do altar que criou. A senhora sabia que algu\u00e9m levava suas flores. Sentia uma presen\u00e7a sobrenatural. Suspeitava ser o amigo. O conto elucida a forma latino-americana de lidar com o luto. A sensa\u00e7\u00e3o de que os que foram est\u00e3o ali, cuidando, observando e participando do mundo dos vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem hist\u00f3rias que foram feitas para durar uma eternidade. Nem a morte pode findar um amor verdadeiro. Contr\u00e1rio \u00e0s suposi\u00e7\u00f5es do matrim\u00f4nio, o conto declara que a morte n\u00e3o separa. Ela liga as pessoas mais intensamente. Inclusive quando os que se foram decidem voltar. Agora, Gabo n\u00e3o precisa roubar as flores de Mercedes. Juntos, eles fazem o que sempre fizeram pelo outro, se amam.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"711\" height=\"715\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alguien-desordena-estas-rosas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-590\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alguien-desordena-estas-rosas.jpg 711w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alguien-desordena-estas-rosas-298x300.jpg 298w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/alguien-desordena-estas-rosas-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 711px) 100vw, 711px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Alguien desordena estas rosas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>El pasado 15 de agosto, Mercedes Barcha, \u00abla mujer que posibilit\u00f3 el \u00e9xito de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez\u00bb seg\u00fan el peri\u00f3dico espa\u00f1ol El Pa\u00eds, muri\u00f3. Tras vivir seis a\u00f1os de soledad debido a la ausencia de su esposo, lleg\u00f3 su hora. Por iron\u00eda del amor, a los 87 a\u00f1os, misma edad que ten\u00eda Gabo cuando se fue.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abAlguien desordena estas rosas\u00bb, es premonitorio. Traduce el encanto y la melancol\u00eda que conlleva la muerte, lo doloroso que es lidiar con la ausencia. En la historia, el esp\u00edritu de un ni\u00f1o roba las rosas que adornan su t\u00famulo. La se\u00f1ora que se las cosecha viv\u00eda en la casa que era de \u00e9l y hasta le mont\u00f3 un altar. Ella sab\u00eda que alguien se llevaba las flores. Sent\u00eda una presencia sobrenatural. Sospechaba ser el amigo. El cuento elucida la manera latinoamericana de manejar el duelo. La sensaci\u00f3n de que los que est\u00e1n all\u00e1 cuidan, observan y participan en el mundo de los vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Hay historias hechas para durar una eternidad. Ni siquiera la muerte puede ponerle fin a un amor verdadero. Contrario a los votos matrimoniales, el cuento declara que la muerte no separa, pero une m\u00e1s intensamente a las personas. Incluso cuando los que se fueron deciden regresar. Gabo ya no necesita robarle las flores a Mercedes. Juntos, ahora ellos reanudan lo que siempre hicieron uno por el otro: amarse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P.S.<\/strong>&nbsp;Tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol de B\u00e1rbara Borowski, publica\u00e7\u00e3o especial para Col\u00f4mbia e M\u00e9xico pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blogdogabo\/\">@blogdogabo<\/a>&nbsp;e pela p\u00e1gina do Facebook Blog do Gabo, em 15 de agosto de 2020.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"705\" height=\"710\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-noite-dos-alcaravoes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-591\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-noite-dos-alcaravoes.jpg 705w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-noite-dos-alcaravoes-298x300.jpg 298w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/a-noite-dos-alcaravoes-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A noite dos alcarav\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste conto de OLHOS DE C\u00c3O AZUL, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, tr\u00eas homens s\u00e3o atacados por Alcarav\u00f5es. O ataque cega as v\u00edtimas. A hist\u00f3ria mostra como os amigos sa\u00edram, com medo, em corpos sem identidade. O medo n\u00e3o era da figura enigm\u00e1tica e assustadora do p\u00e1ssaro, mas da constante sensa\u00e7\u00e3o de que existem Alcarav\u00f5es cegando pa\u00edses latino-americanos. Uma alegoria pol\u00edtica de como a express\u00e3o autorit\u00e1ria nos condiciona a perder a vis\u00e3o. Se n\u00e3o vemos, n\u00e3o questionamos.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio \u00e9 a express\u00e3o que mais se espera do povo latino-americano. Seja por medo do que fazemos quando descobrirmos nosso potencial, ou por menosprezar e minimizar o passado. Esse sil\u00eancio toca na ferida que somos condicionados a manter: a aliena\u00e7\u00e3o. A Am\u00e9rica Latina sempre conviveu com Alcarav\u00f5es de todos os tamanhos e tipos sobrevoando os c\u00e9us de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabo apresenta a morte da forma menos metaf\u00edsica e literal poss\u00edvel. Quando o indiv\u00edduo tem seus olhos arrancados, ele morre para a sociedade. Quanto mais Alcarav\u00f5es, mais cegos pol\u00edticos. Assim, uma sucess\u00e3o de mortes. Fica a reflex\u00e3o sobre a m\u00f3rbida face dos abusos de autoridades \u2013 pol\u00edticas ou civis. Quando morreu sua indigna\u00e7\u00e3o? Quem arranca seus olhos?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"708\" height=\"705\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/isabel-vendo-chover-em-macondo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-592\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/isabel-vendo-chover-em-macondo.jpg 708w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/isabel-vendo-chover-em-macondo-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/isabel-vendo-chover-em-macondo-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 708px) 100vw, 708px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Colagens: Blasco Opala com dire\u00e7\u00e3o de arte de B\u00e1rbara Borowski<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Isabel vendo chover em Macondo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo conto de OLHOS DE C\u00c3O AZUL traz uma experi\u00eancia angustiante e extraordin\u00e1ria, causada por um evento natural: a chuva. A hist\u00f3ria conta o drama de Isabel, ao passar os dias chuvosos isolada vivencia emo\u00e7\u00f5es m\u00f3rbidas e fascinantes. Melancolia. Medo. Ang\u00fastia. Quando enfrentamos dias calorosos, tudo o que esperamos \u00e9 uma chuva. Por\u00e9m, o que fazer se ela durar dias, semanas, meses?<\/p>\n\n\n\n<p>Gabo trabalha as express\u00f5es que Isabel tem ao longo dos dias como reflexo de qualquer pessoa que se v\u00ea impossibilitada pelas for\u00e7as da natureza. Altru\u00edsta e tr\u00e1gica, assim \u00e9 toda express\u00e3o natural da exist\u00eancia. A morte n\u00e3o poderia ser diferente. Como um dia chuvoso ela tem seus est\u00e1gios de tristeza, morbidez e sentido. Tanto a chuva quanto a morte s\u00e3o temidas a sua maneira. Uma fertiliza, alaga, afoga. Outra encerra o que n\u00e3o se pode mais existir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas transformam e mostram o momento certo de finalizar as coisas. Se nem a chuva, t\u00e3o poderosa, \u00e9 eterna, por que a vida seria? Resta contemplar os desdobramentos dessa eterna tempestade que s\u00e3o os ciclos de vida e morte e aguardar a chegada do arco \u00edris, sin\u00f4nimo de esperan\u00e7a. Para algo novo surgir, outra tem que morrer. Morre a chuva, o autor, a personagem e, um dia, voc\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os processos que envolvem a amea\u00e7a de morte constante, decorrentes da pandemia causada pela Covid-19, trazem a\u0300 tona a quebra com o conceito de eternidade. Os onze contos reunidos em Olhos de ca\u0303o azul sa\u00edram na imprensa, entre 1947 e 1955.  Narrativas que se aprofundam na psicologia dos personagens: medos, perturba\u00e7\u00f5es e desejos.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":594,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,11],"tags":[],"class_list":["post-178","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-critica","category-literatura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=178"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":804,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178\/revisions\/804"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}