{"id":175,"date":"2023-11-21T15:55:01","date_gmt":"2023-11-21T18:55:01","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=175"},"modified":"2024-07-04T18:12:18","modified_gmt":"2024-07-04T21:12:18","slug":"relato-de-um-naufrago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2023\/11\/21\/relato-de-um-naufrago\/","title":{"rendered":"Relato de um n\u00e1ufrago"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"261\" height=\"300\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/pasted-image-0-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-176\" style=\"width:545px;height:auto\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>O rep\u00f3rter Garc\u00eda M\u00e1rquez descobriu a verdadeira hist\u00f3ria do naufr\u00e1gio que lhe renderia um bel\u00edssimo livro-reportagem. Gabo produziu uma s\u00e9rie de textos jornal\u00edsticos, em formato de folhetim, para o jornal EL ESPECTADOR, em 1955. Abaixo uma adapta\u00e7\u00e3o\/vers\u00e3o resumida da hist\u00f3ria na pele do n\u00e1ufrago. S\u00e9rie folhetinsta divulgada em julho de 2021.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Caroline Souza<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A Col\u00f4mbia tem um novo her\u00f3i<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o \u00e9 escritor de realismo fant\u00e1stico e nem cantor de vallenatos. Seu nome \u00e9 Luis Alejandro Velasco, um simples marinheiro. Seu grande feito n\u00e3o foi acertar a bola no gol em um grande campeonato, tampouco defender os seus de um cartel inimigo. O novo her\u00f3i da Col\u00f4mbia chegou ao topo vindo de baixo, lutando para sobreviver em um mar de fome, sede e solid\u00e3o por dez dias.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Velasco recebeu admira\u00e7\u00e3o, dinheiro e a aten\u00e7\u00e3o das mais belas mulheres. E ao perceber que n\u00e3o seria famoso por muito tempo, teve coragem de dinamitar a pr\u00f3pria est\u00e1tua para ficar eternamente \u2013 seja como her\u00f3i, seja como vil\u00e3o \u2013 na hist\u00f3ria colombiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>1. Enquanto nos divert\u00edamos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto lev\u00e1vamos nossas namoradas para tomar sorvete, o cabo Miguel Ortega guardava cada centavo ganho. Enquanto nos delici\u00e1vamos com as estreias no cinema, ele talvez se entretivesse com os pr\u00f3prios pensamentos e planos para a sua volta a Cartagena. Enquanto beb\u00edamos em nossa despedida no bar Joe Palooka, ele talvez calculasse a soma dos presentes que comprou para a esposa: uma geladeira, uma m\u00e1quina de lavar autom\u00e1tica, um r\u00e1dio e uma estufa. E enquanto a mulher de Ortega esperava desesperadamente por not\u00edcias do marido depois de saber do naufr\u00e1gio, ele estava morto nas profundezas do mar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>2. Um baile mortal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a direita, para a esquerda. Rostos colados, assim como os nossos corpos. Era assim que n\u00f3s marinheiros dan\u00e7\u00e1vamos vallenatos com nossas namoradas e esposas. As m\u00fasicas, que falavam de outros casais apaixonados, enchiam de amor as festas colombianas daqueles tempos. Na noite de 27 de fevereiro, fomos convidados pelas ondas a dan\u00e7ar mais uma vez. O destr\u00f3ier Caldas ia para a direita, para a esquerda. Para cima e para baixo. O baile come\u00e7ou devagar, mas animado o suficiente para nos causar enjoos. E ao fim dele, no dia 28, rostos e corpos envoltos pela \u00e1gua do mar. N\u00e3o havia mais geladeiras, estufas ou sonhos para nos agarrarmos. S\u00f3 ficou o sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>3. \u00c9ramos dois<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ela estava ali. E como o rio corre para o mar, eu a busquei. Tal qual um filho que quer o colo materno, eu lutei para chegar at\u00e9 ela. Outros companheiros fizeram o mesmo e me confortava saber que est\u00e1vamos todos na mesma situa\u00e7\u00e3o. Lu\u00eds Rengifo, J\u00falio Amador e Eduardo Castilho ca\u00e7avam-na sabendo que disso dependiam suas pr\u00f3prias vidas. Talvez por um presente dos c\u00e9us, fui o primeiro a alcan\u00e7\u00e1-la. E por um castigo dos infernos, fui o \u00fanico. \u201cGordo, reme para este lado\u201d, diziam meus irm\u00e3os marinheiros. Tentei obedecer, mas perdi a luta para as ondas e ventos contr\u00e1rios. O sil\u00eancio voltou, mas agora \u00e9ramos dois: a balsa e eu. Era exatamente meio-dia e eu calculei que me resgatariam dentro de duas ou tr\u00eas horas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>4. Acompanhado pela Ursa Menor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto avist\u00e1vamos a Ursa Menor, costum\u00e1vamos cantar boleros pela madrugada de Cartagena. Ram\u00f3n Herrera imitava o cantor Daniel Santos e era sempre acompanhado por algu\u00e9m no viol\u00e3o. Em minha primeira noite no oceano, n\u00e3o tive a companhia da voz firme de Herrera, tampouco dos dedilhados do viol\u00e3o de outrora. A Ursa Menor, entretanto, continuava a ilustrar o c\u00e9u e fez com que me sentisse menos s\u00f3.<br>Com o amanhecer, avistei um ponto negro que avan\u00e7ava. Minutos depois, enxerguei a forma brilhante e veloz de um avi\u00e3o. Tirei a camisa e permaneci com ela na m\u00e3o, pronto para agit\u00e1-la assim que se aproximasse. Em seguida, a calmaria do meu corpo deu lugar \u00e0 agita\u00e7\u00e3o em ser resgatado. O barulho das ondas, por sua vez, foi substitu\u00eddo pelo profundo ru\u00eddo dos motores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>5. Chegando ao porto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agitei a camisa desesperadamente at\u00e9 perceber que o avi\u00e3o n\u00e3o havia me visto. Outros dois avi\u00f5es passaram por mim. A certeza de que me resgatariam invadiu o corpo cansado. Horas depois, fui dominado pela aterradora sensa\u00e7\u00e3o de abandono. O c\u00e9u escureceu, mas eu n\u00e3o podia dormir tamanho o esgotamento. E foi em meio \u00e0s trevas, enquanto me coloquei a olhar para a escurid\u00e3o, que vi Jaime Manjarr\u00e9s. Ap\u00f3s conversarmos sobre os \u00faltimos momentos no navio, ele me disse que est\u00e1vamos chegando. Pedi para que me ajudasse a remar, mas ent\u00e3o percebi que o marinheiro n\u00e3o estava l\u00e1. As luzes do porto eram, na verdade, os primeiros raios de sol. A minha solid\u00e3o e eu, sozinhos em nosso terceiro dia no mar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>6. Ao alcance das m\u00e3os<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ela era pequena, do tamanho da minha m\u00e3o. Voava em torno da balsa e pousava, inocente. Minha boca se encheu de uma saliva gelada. Era aquele o meu quinto dia no mar. Apesar das batidas aceleradas do meu cora\u00e7\u00e3o, permaneci im\u00f3vel enquanto ela se aproximava. O c\u00e9u se fazia brilhante e maltratava a vista, mas como eu me permitiria piscar naquele momento? N\u00e3o se tratava de um marinheiro buscando uma gaivota, mas um moribundo em busca da salva\u00e7\u00e3o. Meia hora depois, ela pousou em minha perna. Nem mesmo uma forte bicada no joelho ferido me tirou a obstina\u00e7\u00e3o em peg\u00e1-la. Foi quando ela foi para a perna esquerda e, imperceptivelmente, comecei a deslizar a m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>7. Sete gaivotas perdidas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 era tarde quando a pequena gaivota percebeu o perigo. Seu voo foi abruptamente interrompido por minha m\u00e3o em suas asas. Enquanto a tinha ali, entre meus dedos, me lembrei de que n\u00e3o era digno de um marinheiro matar uma gaivota.<br><br>Atirei aquele punhado de penas e ossos ao mar. At\u00e9 ent\u00e3o, eu havia buscado for\u00e7as para continuar. Hora ap\u00f3s hora. Dia ap\u00f3s dia. No sexto dia, entretanto, me dei conta de que eu era um morto na balsa. Ningu\u00e9m estava me procurando. Foi quando dormi profundamente por longas horas depois de sete dias de ins\u00f4nia no mar. No horizonte, sete gaivotas perdidas confirmavam que eu estava cada vez mais distante da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>8. Duelando com um tubar\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s dois est\u00e1vamos entre a vida e a morte: o peixe verde e brilhante que havia entrado na balsa ao fugir de um ataque de tubar\u00f5es e eu, que precisava mat\u00e1-lo naquele mesmo instante para sobreviver. Eu sabia, entretanto, que a balsa poderia virar com golpes desordenados. Desci o remo com todas as minhas energias e pude sentir o cheiro do sangue que coloriu a balsa. Os tubar\u00f5es tamb\u00e9m sentiram. Com cuidado, comecei a abrir o peixe e arranquei o primeiro bocado da sua carne. Na segunda mordida eu j\u00e1 estava farto.<br><br>E assim como quem guarda um tesouro, resolvi embrulh\u00e1-lo para ter alimento nos pr\u00f3ximos dias. Antes disso era preciso lav\u00e1-lo, ent\u00e3o coloquei a m\u00e3o para fora inocentemente. Ao sentir a investida de um tubar\u00e3o, apertei o rabo do peixe com todas as minhas for\u00e7as e o defendi tal qual uma fera. N\u00e3o foi o suficiente. Ele levou o peixe e todas as minhas esperan\u00e7as. Revoltado e ignorando o estrago que ele poderia fazer ao meu bra\u00e7o, desferi um golpe de remo em sua cabe\u00e7a. Ele se voltou furiosamente e deu uma mordida, despeda\u00e7ando e engolindo metade do remo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>9. Uma missa pela minha alma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As ondas eram mais fortes do que as de 28 de fevereiro, dia do naufr\u00e1gio. Me sentia desamparado dentro da balsa, que mais parecia uma casca de ovo em meio ao mar agitado. Primeiro, uma grande onda emborcou a balsa e precisei nadar pela vida at\u00e9 alcan\u00e7\u00e1-la.<br><br>Meu cora\u00e7\u00e3o pulava no peito e eu n\u00e3o conseguia respirar. Depois, fui suspenso no ar gelado e jogado na \u00e1gua novamente, agora preso no fundo da balsa. Meu corpo implorava por ar quando consegui, com muito custo, me soltar do cinto que me prendia \u00e0 borda. Ca\u00ed exausto no fundo da balsa e me pus a descansar.<br><br>Com o fim da tormenta, avistei uma gaivota voando sob minha cabe\u00e7a. Era velha, grande e pesada e isso renovou as minhas energias, pois imaginava que estava pr\u00f3ximo da terra. Naquele mesmo dia, em terra firme, as pessoas rezaram uma missa pela minha alma. Era meu oitavo dia no mar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>10. Festa em Mobile<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O calor estava asfixiante em Mobile, mas n\u00f3s n\u00e3o nos preocup\u00e1vamos. Eu havia ido a uma festa ao ar livre com meus companheiros do destr\u00f3ier. Bat\u00edamos palmas e cant\u00e1vamos enquanto uma mulher, a mesma de todos os s\u00e1bados, dan\u00e7ava num estrado de madeira. Seu ventre nu e rosto coberto por um v\u00e9u nos lembravam das bailarinas \u00e1rabes do cinema.<br><br>Estava t\u00e3o extasiado com toda aquela alegria que at\u00e9 me assustei quando uma tartaruga gigante passou ao meu lado. Era meu nono dia no mar. Era minha nona noite de morto. Sabia que desmontariam o altar do vel\u00f3rio e se acostumariam \u00e0 minha aus\u00eancia. Levei a medalha de N. Sra. do Carmo \u00e0 boca e fiquei rezando mentalmente. S\u00f3 ent\u00e3o que me senti bem, pois sabia que estava morrendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>11. Minha \u00faltima oportunidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estava sem for\u00e7as, mas infelizmente vivo. Eu acreditara que n\u00e3o passaria daquela noite, mas havia entrado em um novo dia outra vez. Antes eu tinha medo da noite e agora era o sol que a\u00e7oitava minha pele ferida para me enlouquecer de fome e sede. Amaldi\u00e7oei minha sorte por ter me permitido sobreviver todos aqueles dias.<br><br>Foi ent\u00e3o que vi a terra. Sabia que em boas condi\u00e7\u00f5es poderia nadar por dois quil\u00f4metros, mas n\u00e3o sabia o quanto conseguiria depois de dez dias sem comer nada mais que um peda\u00e7o de peixe e uma raiz. Era minha \u00faltima oportunidade. Nem tive tempo para pensar nos tubar\u00f5es. Soltei o remo, fechei os olhos e me atirei \u00e0 \u00e1gua. Nadei e nadei, mas n\u00e3o vi a terra. Com certeza se tratava de uma alucina\u00e7\u00e3o. E eu tinha nadado muito, era imposs\u00edvel voltar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>12. Estava na Col\u00f4mbia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo distante, consegui ver claramente o perfil dos coqueiros. Era realidade. Cansado, pensei em jogar minhas roupas e sapatos longe, mas ainda tinha pudor. Quando percebi que a \u00e1gua estava \u00e0 altura das minhas coxas, decidi me arrastar. A areia mi\u00fada machucava meus joelhos e minhas m\u00e3os em carne viva, mas n\u00e3o me importava. J\u00e1 em terra firme, estendi meu corpo e esperei.<br><br>Avistei uma mulher negra e muito magra, que pensei ser a minha salvadora. \u201cHello\u201d, disse angustiado. Minha salvadora saiu correndo sem olhar para tr\u00e1s. Uma eternidade depois \u2013 n\u00e3o mais que alguns minutos \u2013 veio um homem, um burro e um cachorro. O homem me disse que iria at\u00e9 o porto e j\u00e1 voltaria. Desesperado, o fiz prometer que me salvaria. Antes de se afastar, entretanto, perguntei em que pa\u00eds estava. Ent\u00e3o recebi a resposta mais improv\u00e1vel de todas: estava na Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>13. Sozinho na multid\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O homem voltou. Como n\u00e3o conseguia caminhar, fui colocado em cima de um burro. Desejei tomar a \u00e1gua dos cocos que estavam no caminho. \u201cN\u00e3o tenho fac\u00e3o\u201d, disse o homem que levava um fac\u00e3o no cinto. J\u00e1 instalado em uma casinha, senti a fuma\u00e7a cheirosa que vinha da cozinha, mas n\u00e3o me permitiam comer. Mais que a fome e a sede, sentia vontade de contar o que me havia acontecido. \u201cFique quieto, depois nos conta\u201d, responderam. Depois entendi que eu estava entre gente amiga e que poderiam ter me matado se tivessem saciado minha fome, sede e \u00edmpeto em falar.<br><br>Homens, mulheres e crian\u00e7as se mobilizaram para me levar a Mulatos e, depois, San Juan de Urab\u00e1. No \u00faltimo caminho, eu fui acompanhado por n\u00e3o menos que seiscentas pessoas, mas eu estava sozinho na multid\u00e3o. Minha felicidade s\u00f3 se tornou completa quando recebi a grande not\u00edcia: um avi\u00e3o estava pronto para me levar \u00e0 minha fam\u00edlia em Cartagena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>\u00a014. Apenas um marinheiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As queimaduras deixaram de doer e a ferida do joelho cicatrizou. Meus amigos se tornaram ainda mais pr\u00f3ximos, assim como meus inimigos. E recebi propostas publicit\u00e1rias de toda sorte. O tempo passou, mas ainda sou Lu\u00eds Alejandro Velasco. N\u00e3o sou um her\u00f3i, apenas um marinheiro que conseguiu sobreviver por dez dias sem comer e nem beber.<br><br>Contei minha hist\u00f3ria na televis\u00e3o e em programas de r\u00e1dio. Contei, tamb\u00e9m, a uma velha vi\u00fava que me convidou a visit\u00e1-la em sua casa. H\u00e1 quem diga que a minha hist\u00f3ria, que tantas vezes contei, n\u00e3o passa de uma inven\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica. Aos que me questionam, eu pergunto: afinal, o que eu fiz durante dez dias no mar?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity has-blush-bordeaux-gradient-background has-background is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Caroline Souza<\/strong>&nbsp;Mestranda em Comunica\u00e7\u00e3o e graduada em Jornalismo (2016) pela Universidade Estadual de Londrina com o Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso&nbsp;<em>T\u00e9cnicas de Reportagem e Realismo M\u00e1gico em Relato de um N\u00e1ufrago<\/em>, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, premiado no 22\u00ba Pr\u00eamio Sangue Novo do Jornalismo Paranaense. Investigadora do projeto \u201cImagens da Am\u00e9rica Latina: textos jornal\u00edstico-liter\u00e1rios de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez\u201d. Tem experi\u00eancias em assessoria de comunica\u00e7\u00e3o, jornalismo digital e gest\u00e3o de marketing. E-mail: carolineap.desouza29@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rep\u00f3rter Garc\u00eda M\u00e1rquez descobriu a verdadeira hist\u00f3ria do naufr\u00e1gio que lhe renderia um bel\u00edssimo livro-reportagem. Gabo produziu uma s\u00e9rie de textos jornal\u00edsticos, em formato de folhetim, para o jornal EL ESPECTADOR, em 1955. Abaixo uma adapta\u00e7\u00e3o\/vers\u00e3o resumida da hist\u00f3ria na pele do n\u00e1ufrago. 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