{"id":149,"date":"2023-11-21T15:19:10","date_gmt":"2023-11-21T18:19:10","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=149"},"modified":"2024-07-04T18:24:34","modified_gmt":"2024-07-04T21:24:34","slug":"magico-mundano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2023\/11\/21\/magico-mundano\/","title":{"rendered":"M\u00e1gico mundano"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"202\" height=\"300\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/pasted-image-0.png\" alt=\"Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez\" class=\"wp-image-151\" style=\"width:539px;height:auto\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>O esc\u00e2ndalo do s\u00e9culo, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez \u00e9 uma colet\u00e2nea de textos jornal\u00edsticos, lan\u00e7ada em 2020, pela Record. Aprecie a cr\u00edtica liter\u00e1ria publicada originalmente na edi\u00e7\u00e3o 247 do Jornal Rascunho, de novembro de 2020.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Faustino Rodrigues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez n\u00e3o precisa de apresenta\u00e7\u00e3o. Sua obra \u00e9 conhecida desde que se tenha um contato m\u00ednimo com a literatura. Tampouco \u00e9 necess\u00e1rio enfatizar o seu amor pelo jornalismo. Estudiosos, cr\u00edticos e resenhistas j\u00e1 deixaram isso claro. Logo, n\u00e3o haveria muito o que falar sobre <strong>O esc\u00e2ndalo do s\u00e9culo<\/strong>. Contudo, n\u00e3o \u00e9 bem assim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Crist\u00f3bal Pera, editor de Garc\u00eda M\u00e1rquez, j\u00e1 havia compilado in\u00fameros de seus textos produzidos para os jornais. No Brasil, a publica\u00e7\u00e3o foi organizada pela Editora Record h\u00e1 alguns anos. <strong>O esc\u00e2ndalo<\/strong> <strong>do s\u00e9culo<\/strong> re\u00fane 50 desses trabalhos, contribuindo para desnudar a gigantesca versatilidade do autor de <strong>Cem anos de solid\u00e3o<\/strong> na manipula\u00e7\u00e3o de fatos reais e sua produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de cr\u00f4nicas, colunas, reportagens, entre muitas outras modalidades de escrita, nos deparamos com uma vers\u00e3o de Gabo, como era carinhosamente chamado, que diz muito de sua obra como um todo. Destaco, entre diversos aspectos, a sua preocupa\u00e7\u00e3o e compromisso com a realidade, seja para a produ\u00e7\u00e3o da fic\u00e7\u00e3o, seja para a jornal\u00edstica. Aqui, os dois pontos se tocam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>O realismo m\u00e1gico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gabo se tornou um \u00edcone da literatura ao levar \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a no\u00e7\u00e3o de realismo m\u00e1gico. O complexo movimento liter\u00e1rio adquiriu corpo ao longo do s\u00e9culo XX, na Am\u00e9rica Latina, abrindo espa\u00e7o para uma nova forma de se perceber o continente em sua cultura como um todo. Na literatura, a ideia se concentrava na apresenta\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o privilegiada da realidade que n\u00e3o se concentrasse apenas nos aspectos exclusivamente problem\u00e1ticos da cultura em quest\u00e3o. \u00c9 como se se limpassem as lentes da perspectiva ocidental, conferindo uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 Am\u00e9rica Latina vista por si mesma. Assim sendo, a interpreta\u00e7\u00e3o da realidade adquire particularidades a remontarem ao imagin\u00e1rio local, compreendidos exclusivamente pela cultura e artes locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, em grande medida, de superar a apar\u00eancia em seu \u00e2mbito po\u00e9tico, hist\u00f3rico e cultural. No realismo m\u00e1gico, o romance resolve quest\u00f5es presentes na vida, observadas pelos autores, que j\u00e1 n\u00e3o eram poss\u00edveis de resolu\u00e7\u00e3o pelas vias cl\u00e1ssicas. \u00c9 como uma amplia\u00e7\u00e3o da realidade que, neste caso, pode resultar na mobiliza\u00e7\u00e3o, tendo em vista o seu potencial de tocar o autor e o leitor a ponto de motiv\u00e1-los a superar o real tal como apresentado aos pr\u00f3prios olhos. Definitivamente, \u00e9 uma vis\u00e3o diferenciada, por\u00e9m mais cuidadosa, sobre essa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia, observa-se uma desestabiliza\u00e7\u00e3o do leitor, vis\u00edvel quando se defronta com o que podemos chamar de duplica\u00e7\u00e3o da realidade. O resultado desse artif\u00edcio \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um mundo alternativo, de maneira a corrigir o \u201coficial\u201d. P\u00f5e-se diante do inesperado. Pensando na Am\u00e9rica Latina da segunda metade do s\u00e9culo passado, nada \u00e9 mais cab\u00edvel, se pensarmos nas agruras pol\u00edticas e sociais decorrentes, entre outros fatores, dos movimentos ditatoriais patrocinados pelos EUA. Essa recomposi\u00e7\u00e3o do real certamente sinaliza para um posicionamento ideol\u00f3gico dos autores e leitores \u2013 agora, suspensos diante do que veem \u2013 ressaltando um compromisso com a sua hist\u00f3ria e cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que esse aspecto do realismo m\u00e1gico \u00e9 assaz presente na obra ficcional de Garc\u00eda M\u00e1rquez. Macondo, uma esp\u00e9cie de microcosmos da Am\u00e9rica Latina de ent\u00e3o, reflete isso muito bem. Por\u00e9m, o tema aqui \u00e9 a obra jornal\u00edstica de Gabo. Como podemos tra\u00e7ar um paralelo? Ora, f\u00e1cil, levando em conta o compromisso do autor com o real, constantemente enfatizado em <strong>O esc\u00e2ndalo do s\u00e9culo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPessoalmente, acredito que o escritor, como tal, n\u00e3o tem outra obriga\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria sen\u00e3o a de escrever bem. Seu inconformismo, sob qualquer regime, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o essencial que n\u00e3o tem rem\u00e9dio, porque um escritor acomodado provavelmente \u00e9 um bandido, e com certeza \u00e9 um mau escritor\u201d (p. 193).<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s da cita\u00e7\u00e3o acima, observamos o compromisso de Gabo com os fatos, com a realidade. Ele sabe que n\u00e3o \u00e9 um mau escritor n\u00e3o por deter um Nobel, ou mesmo por ter revolucionado a literatura, ou por ter uma vastid\u00e3o de leitores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDepois dessa triste constata\u00e7\u00e3o, parece elementar perguntar por que n\u00f3s escritores escrevemos. A resposta inevitavelmente \u00e9 tanto melodram\u00e1tica quanto mais sincera. Algu\u00e9m \u00e9 escritor simplesmente como se \u00e9 judeu ou negro. O sucesso \u00e9 animador, o apoio dos leitores \u00e9 estimulante, mas esses s\u00e3o ganhos secund\u00e1rios, porque um bom escritor continuar\u00e1 escrevendo de qualquer maneira ainda que com as solas dos sapatos furadas, e ainda que seus livros n\u00e3o sejam vendidos\u201d (p. 193).<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer do livro, em praticamente todos os textos, ele demonstra consci\u00eancia que, embora esteja, naquele momento, fazendo jornalismo, sendo jornalista, \u00e9 escritor. E, portanto, inevitavelmente falar\u00e1 sobre isso. Gabo sobe no p\u00falpito. Em seu discurso, chama constantemente a aten\u00e7\u00e3o para a realidade. Pois, como ele mesmo diz, a \u201crealidade escreve melhor\u201d (p. 279).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Bem mais que o real<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que sejam fascinantes as hist\u00f3rias de Fermina e Florentino, dos Buend\u00eda, de C\u00e2ndida Er\u00e9ndida, entre muitos outros de seus c\u00e9lebres personagens, n\u00e3o s\u00e3o pura cria\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria. Os limites entre o real e a fic\u00e7\u00e3o s\u00e3o bem mais t\u00eanues. O bom escritor, em seu entendimento, tem obriga\u00e7\u00e3o de saber disso. Nesse caso, <strong>O esc\u00e2ndalo do s\u00e9culo<\/strong> n\u00e3o \u00e9 somente um testemunho de seu primeiro amor, o jornalismo, conforme dito por Crist\u00f3bal Pera na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, mas, fundamentalmente, uma forma de exercitar a sua capacidade de captar a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos diante de um grande passo para entender n\u00e3o somente a obra de Garc\u00eda M\u00e1rquez, mas, igualmente, o lugar ocupado pelo jornalismo na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Parece paradoxal, mas a fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites, pelo menos n\u00e3o enquanto se se mantiver a sintonia com a realidade, bem como o conhecimento m\u00ednimo de fatos, aspectos culturais, sociais, do mundo em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o com o leitor, nesse caso, \u00e9 produto desse inc\u00f4modo provocado pelo autor, bem como de sua acuidade visual. Em um dos textos de <strong>O esc\u00e2ndalo do s\u00e9culo<\/strong>, Gabo se incomoda por ningu\u00e9m dar aten\u00e7\u00e3o a fatos aparentemente comezinhos, como o do fantasma de uma mulher que aparece na beira da estrada. Redimensiona esse epis\u00f3dio, ocorrido na Fran\u00e7a, demonstrando como o orgulho franc\u00f3fono \u00e9 incapaz de perceber a sua relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa capacidade de ampliar a realidade, o comum deixa de ser comum. Adquire um novo status \u2013 ou, contrariamente, o maravilhoso passa a ser algo comum. Portanto, o indiv\u00edduo latino-americano, vivendo em uma condi\u00e7\u00e3o completamente desfavor\u00e1vel, pelo menos no instante da escrita de Garc\u00eda M\u00e1rquez, por exemplo, nunca poderia ser tomado somente como um sujeito digno de pena, de comisera\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o viver em um mundo tomado como modelo de desenvolvimento social, econ\u00f4mico e pol\u00edtico. N\u00e3o se trata de uma idealiza\u00e7\u00e3o, ou qualquer forma de aliena\u00e7\u00e3o, mas, sobretudo, de reposicionamento dos atores em quest\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se o realismo m\u00e1gico, predominante em sua obra ficcional, abre espa\u00e7o para uma descri\u00e7\u00e3o diferenciada da Am\u00e9rica Latina, o contato com a produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica de Garc\u00eda M\u00e1rquez nos permite atentar para o produto que alimenta a obra ficcional propriamente dita. \u00c9 como se nos depar\u00e1ssemos com a mat\u00e9ria-prima de Gabo. E isso exige, igualmente, o reposicionamento dos dois of\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em determinado momento, Gabo enfatiza que o escritor \u00e9 algu\u00e9m com a capacidade de manipular palavras com alguma eleg\u00e2ncia. A sua capacidade criadora est\u00e1 diretamente relacionada a essa particularidade, aparentemente simples. O jornalista, por sua vez, deve estar atento \u00e0 realidade, ao que o cerca, observando os fatos tidos como desimportantes a ponto de redimensiona-los. Notamos, nesse caso, uma valoriza\u00e7\u00e3o sem precedentes dos dois of\u00edcios pela exist\u00eancia de uma interse\u00e7\u00e3o entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>O ficcionista, quando preso exclusivamente \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o, tende a se distanciar do leitor por apresentar um universo pr\u00f3prio. Fecha-se em si mesmo, em sua capacidade de inventar, n\u00e3o estando mais aberto aos aspectos do real que podem ser fascinantes. Antes do m\u00e1gico, Garc\u00eda M\u00e1rquez cobra o realismo, tomando-o como inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O esc\u00e2ndalo do s\u00e9culo<\/strong> \u00e9 uma ode de m\u00e3o dupla a duas formas de escritas completamente distintas, a jornal\u00edstica e a liter\u00e1ria \u2013 bem como uma ode aos dois tipos de profissionais. E o elemento base para isso, por meio de uma l\u00f3gica relacional, \u00e9 a maneira como se trabalha com a realidade. No jornalismo, ela \u00e9 imprescind\u00edvel. Conseguir descrev\u00ea-la, fundamental. Ter a sensibilidade quanto ao que deve ser considerado digno de divulga\u00e7\u00e3o faz parte disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim \u00e9 que Garc\u00eda M\u00e1rquez se sente \u00e0 vontade para escrever, nos jornais, sobre os temas mais diversos, como as ditaduras latino-americanas, as revolu\u00e7\u00f5es socialistas, os aspectos particulares de sua terra, Aracataca, o pr\u00eamio Nobel e eventual desconhecimento da Academia Sueca quanto \u00e0 literatura hisp\u00e2nica, o dia a dia de personalidades famosas em todo o mundo, o papa, a morte de uma jovem desconhecida, por\u00e9m, ligada a autoridades italianas, os Beatles, entre muitos outros temas. Nada lhe escapa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ao ler a obra ficcional de Garc\u00eda M\u00e1rquez percebemos que o mundo \u00e9 mais surpreendente do que se nos aparenta, lendo a sua obra jornal\u00edstica vemos que o surpreendente \u00e9 mais mundano do que pensamos. Ou o contr\u00e1rio. No final das contas, tanto faz.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><em><strong>Faustino Rodrigues<\/strong>&nbsp;Jornalista, escritor, cr\u00edtico liter\u00e1rio e professor de Sociologia na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Escreve para O Estado de S.Paulo, Revista CULT e Jornal Rascunho.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esc\u00e2ndalo do s\u00e9culo, de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez \u00e9 uma colet\u00e2nea de textos jornal\u00edsticos, lan\u00e7ada em 2020, pela Record. 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