{"id":1203,"date":"2025-10-24T20:59:16","date_gmt":"2025-10-24T23:59:16","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1203"},"modified":"2025-10-24T20:59:16","modified_gmt":"2025-10-24T23:59:16","slug":"o-bruxo-do-cosme-velho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/10\/24\/o-bruxo-do-cosme-velho\/","title":{"rendered":"O Bruxo do Cosme Velho"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Jornalismo_eficcao-1-819x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1208\" style=\"width:1055px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Jornalismo_eficcao-1-819x1024.png 819w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Jornalismo_eficcao-1-240x300.png 240w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Jornalismo_eficcao-1-768x960.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Jornalismo_eficcao-1.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Machado de Assis \u00e9 um dos escritores mais estudados do Brasil.\u00a0Ao longo da vida, produziu not\u00edcias, cr\u00f4nicas,\u00a0pe\u00e7as de teatro e romances que foram analisados por diversas vezes durante os s\u00e9culos XX e XXI.\u00a0\u00a0Neste perfil, falaremos um pouco mais da postura jornal\u00edstica e dos encontros e\u00a0reencontros com a literatura. Machado de Assis soube equilibrar as duas coisas com maestria\u00a0e inspirou muitos jornalistas liter\u00e1rios que vieram depois.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Luiza\u00a0Zottis\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muito que j\u00e1 n\u00e3o tenha sido dito ou escrito sobre o \u201cBruxo do Cosme Velho\u201d, mais conhecido como Machado de Assis, durante todo o s\u00e9culo desde sua primeira publica\u00e7\u00e3o. Em qualquer pesquisa b\u00e1sica \u00e9 poss\u00edvel saber que ele foi um carioca nascido em 1839 e de origem humilde. \u00c9 fixo no imagin\u00e1rio popular a atividade do autor\u00a0com as cr\u00f4nicas, com as ironias, com o popular dilema \u201ctraiu ou n\u00e3o traiu?\u201d. \u00c9 dif\u00edcil ter algo a acrescentar \u00e0s milhares de an\u00e1lises sobre um dos mais importantes escritores do Brasil.\u202f\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Mas coisas curiosas sobre a figura de Machado de Assis v\u00e3o muito al\u00e9m da hipot\u00e9tica trai\u00e7\u00e3o de Capitu ou dos romances ensinados e revisitados em todas as escolas brasileiras. Machado foi um ex\u00edmio jornalista,&nbsp;e essa experi\u00eancia no jornal marcou sua carreira como escritor e romancista.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo uma lenda popular, o apelido de Bruxo se originou a partir dos vizinhos do autor\u00a0que o viam queimando cartas em um caldeir\u00e3o, e sua casa se localizava na rua Cosme Velho. Mais tarde,\u00a0um poema de Carlos Drummond de Andrade, publicado no\u00a0<em>Correio da Manh\u00e3<\/em>\u00a0em 1958\u00a0referencia\u00a0Machado de Assis\u00a0como um\u00a0feiticeiro. \u201cA um bruxo, com amor\u201d, Drummond de Andrade\u00a0compara a maestria liter\u00e1ria\u00a0com bruxaria.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Machado de Assis foi um homem autodidata,\u00a0sempre teve uma afinidade com a literatura e aprendeu\u00a0desde cedo\u00a0a arte de escrever. Aos catorze\u00a0anos publicou seu primeiro soneto \u201c\u00c0 Ilma, Sra. D.P.J.A.\u201d no\u00a0<em>Peri\u00f3dico dos\u00a0Pobres<\/em>. Em 1855, o primeiro poema, \u201cEla\u201d, foi publicado no\u00a0<em>Marmota Fluminense.\u202f<\/em>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou a carreira no jornal em 1856, como aprendiz de tip\u00f3grafo, e quatro anos depois j\u00e1 era redator do\u00a0<em>Di\u00e1rio do Rio de Janeiro.\u00a0<\/em>Machado tamb\u00e9m escrevia para\u00a0<em>A Semana Ilustrada, O Jornal das\u00a0Fam\u00edlias\u00a0<\/em>\u202fe\u00a0<em>O Espelho.\u00a0<\/em>E devido a sua proximidade pr\u00e9via com a literatura, focou em escrever mais contos e cr\u00f4nicas do que not\u00edcias e manchetes.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Muito se diz sobre as suas duas fases: ing\u00eanua e madura. A primeira, rom\u00e2ntica, trata de temas amorosos e de idealiza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a segunda, realista, pesa em cr\u00edticas sociais e ironias. Mas o que houve antes disso, no princ\u00edpio de um g\u00eanio liter\u00e1rio, foi um cronista jornal\u00edstico.\u202f\u202f\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O que h\u00e1 de interessante nesse in\u00edcio da carreira de Machado de Assis foi a linha t\u00eanue que ele conseguiu tra\u00e7ar entre a literatura e o jornalismo. Especialmente durante a s\u00e9rie de cr\u00f4nicas \u201cA Semana\u201d, que se passa em um momento pol\u00edtico tenso: O in\u00edcio da rep\u00fablica. Em suas cr\u00f4nicas iniciais, Machado de Assis encontrou um jeito de noticiar os eventos semanais do mundo pol\u00edtico e social brasileiro apenas por meio de suas cr\u00f4nicas.\u202f\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u202fNessa \u00e9poca, as cr\u00f4nicas j\u00e1 contavam com o car\u00e1ter ir\u00f4nico e sarc\u00e1stico de Machado, mas tamb\u00e9m tinha outro elemento: compostura neutra. Diferente dos escritores contempor\u00e2neos \u00e0 Machado na Primeira Rep\u00fablica, havia algo contido e jornal\u00edstico em suas obras: informar e deixar o leitor pensar para tirar as pr\u00f3prias conclus\u00f5es.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme&nbsp;ele&nbsp;foi se acomodando nessa ponte entre o jornalismo e a literatura, entrou em sua fase rom\u00e2ntica. Livros como \u201cRessurrei\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cHelena\u201d tratam de temas romancistas, rela\u00e7\u00f5es pessoais e ascens\u00e3o familiar.\u202f\u202fApesar do car\u00e1ter tido mais tarde por historiadores como \u201cing\u00eanuo\u201d, Machado manteve sua&nbsp;conduta&nbsp;aprendida no jornal&nbsp;para mostrar os fatos ao longo dos textos liter\u00e1rios.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1881, iniciou sua fase madura com o ic\u00f4nico \u201cMem\u00f3rias de Br\u00e1s Cubas\u201d. Aqui, retornou a sua persona ir\u00f4nica com mais for\u00e7a que nunca e usou muito de cr\u00edticas sociais para elaborar seus livros e cr\u00f4nicas.\u00a0O sarcasmo e realismo\u00a0tidos quando jornalista se mantiveram muito presentes aqui.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cSe tantos homens em quem supomos ju\u00edzo s\u00e3o reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado n\u00e3o \u00e9 o alienista?\u201d.\u00a0<\/em>Essa frase do livro\u00a0\u201cO Alienista\u201d,\u00a0mant\u00e9m reflexos de uma an\u00e1lise jornal\u00edstica por parte de Machado. Mant\u00e9m expl\u00edcita uma cr\u00edtica social, mas por meio de um questionamento, de modo que n\u00e3o\u00a0h\u00e1 necessidade\u00a0da\u00a0opini\u00e3o ser tra\u00e7ada diretamente.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Machado de Assis deixou um legado para a sociedade brasileira. O narrador desconfiado e bem posturado de suas obras rom\u00e2nticas, realistas, jornal\u00edsticas marcou e transformou o jeito de se produzir e consumir literatura no pa\u00eds. Suas an\u00e1lises do car\u00e1ter humano, da pol\u00edtica e as den\u00fancias da elite brasileira.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A ponte entre jornalismo e literatura foi cruzada por outras incont\u00e1veis vezes na hist\u00f3ria do Brasil, mas Machado de Assis se destacou por sua maestria e versatilidade. E \u00e9 apenas um dos motivos de ter se tornado uma figura imortal e lend\u00e1ria para a literatura brasileira.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Luiza&nbsp;Zottis<\/strong>&nbsp;\u00e9 estudante de Jornalismo na UEL, participa do Grupo Gabo de Pesquisa onde desenvolve estudos sobre \u201cMachado de Assis e suas cr\u00f4nicas jornal\u00edsticas\u201d&nbsp;e faz parte da equipe da revista&nbsp;Jornalismo&amp;Fic\u00e7\u00e3o&nbsp;na Am\u00e9rica Latina.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Machado de Assis \u00e9 um dos escritores mais estudados do Brasil.\u00a0Ao longo da vida, produziu not\u00edcias, cr\u00f4nicas,\u00a0pe\u00e7as de teatro e romances que foram analisados por diversas vezes durante os s\u00e9culos XX e XXI.\u00a0\u00a0Neste perfil, falaremos um pouco mais da postura jornal\u00edstica e dos encontros e\u00a0reencontros com a literatura. 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