{"id":1163,"date":"2025-09-09T18:55:05","date_gmt":"2025-09-09T21:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1163"},"modified":"2025-09-16T18:42:06","modified_gmt":"2025-09-16T21:42:06","slug":"agua-viva-uma-obra-abstrata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/09\/09\/agua-viva-uma-obra-abstrata\/","title":{"rendered":"\u00c1gua Viva \u2014 uma obra abstrata"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Capa-clarice-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1164\" style=\"width:1055px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Capa-clarice-819x1024.jpg 819w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Capa-clarice-240x300.jpg 240w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Capa-clarice-768x960.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Capa-clarice.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem Tainara Gomes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Obra escrita por Clarice Lispector em seus 53 anos, publicada pela editora Rocco. Esse livro \u00e9 uma prova do porqu\u00ea a escritora entrou para a hist\u00f3ria da nossa literatura. Uma das principais reclama\u00e7\u00f5es dos que consumiram a obra \u00e9 a escrita desconexa, que difere da forma como Lispector escrevia em outras narrativas e de suas cr\u00f4nicas como jornalista para o <em>Jornal do Brasil.<\/em> <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Ignez Cardoso<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cMas escrever para mim \u00e9 frustrador: ao escrever lido com o imposs\u00edvel\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lispector<\/strong>, 1973, p.60<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Classificado pela autora como fic\u00e7\u00e3o, alguns estudiosos o veem como uma obra abstrata, assim como as pinturas que Clarice produzia. Trazendo somente duas figuras: o <em>eu<\/em> feminino e o <em>voc\u00ea<\/em> masculino. Segundo a primeira pessoa, o texto trata de uma carta que o <em>voc\u00ea<\/em> nunca ir\u00e1 receber, mas que o <em>eu<\/em> sente a necessidade de escrever como se fosse um desabafo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><em>\u201cO que pintei nessa tela \u00e9 pass\u00edvel de ser fraseado em palavras? Tanto quanto posso ser impl\u00edcita a palavra muda no som musical\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>Lispector<\/strong>, 1973, p.09<\/p>\n\n\n\n<p>A obra \u00e9 um grande destrinchar de pensamentos, sentimentos e percep\u00e7\u00f5es individuais pela vida que afeta cada leitor de uma maneira pessoal. Uma das principais reclama\u00e7\u00f5es dos que consumiram a obra \u00e9 a escrita desconexa, que difere da forma como Lispector escrevia em outras narrativas e de suas cr\u00f4nicas como Jornalista para<em> <\/em>o<em> Jornal do Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Eu te digo: estou tentando captar a quarta dimens\u00e3o do instante-j\u00e1 que de t\u00e3o fugidio n\u00e3o \u00e9 mais porque agora tornou-se um novo instante-j\u00e1 que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mais. Cada coisa tem um instante em que ela \u00e9. Quero apossar-me do \u00e9 da coisa&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nessa confus\u00e3o onde mora o que nos conecta com o \u201cenredo\u201d, a complexidade das ideias apresentadas faz com que continuemos a ler, tentando compreender. Muitos justificam que essa dificuldade decorre do choque com a escrita n\u00e3o convencional e in\u00e9dita que Clarice inaugura nesta obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizem que <em>\u00c1gua Viva<\/em> \u00e9 uma das principais fontes para entender a pessoa Clarice Lispector, tendo em vista o tom de personalidade not\u00f3rio na obra, al\u00e9m da forte sensibilidade, sendo uma das principais marcas da autora.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente do convencional, o sentimentalismo apresentado no livro foge do que pensamos, trazendo uma abordagem \u00fanica sobre o sentir pessoal, sendo focado no que o <em>eu<\/em> feminino pensava e sentia complexamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Alguns desses sentir que Clarice narra reflete o qu\u00e3o complexa \u00e9 a mente humana quando nos questionamos sobre quem somos profundamente. Como no trecho:<em>\u201cE vejo que sou intrinsecamente m\u00e1. \u00c9 somente por pura bondade que sou boa. Derrotada por mim mesma\u201d <\/em>(<strong>Lispector<\/strong>, 1973, p. 58)<em>. <\/em>Refletindo sobre a moralidade humana t\u00e3o complexa quanto a escrita da autora nessa obra.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Ignez Cardoso<\/strong> \u00e9 estudante de Jornalismo na UEL, participa do Grupo Gabo de Pesquisa, com o projeto de IC: <em>Clarice Lispector \u2014&nbsp; Jornalista e escritora<\/em> e da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tainara Gomes<\/strong> \u00e9 estudante do curso Design Gr\u00e1fico da UEL. Estagi\u00e1ria respons\u00e1vel pelas redes sociais e toda comunica\u00e7\u00e3o tanto digital quanto f\u00edsica do sistema de bibliotecas da UEL. Participa do Grupo Gabo de Pesquisa e da revista Jornalismo e Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obra escrita por Clarice Lispector em seus 53 anos, publicada pela editora Rocco. Esse livro \u00e9 uma prova do porqu\u00ea a escritora entrou para a hist\u00f3ria da nossa literatura. 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