{"id":1146,"date":"2025-09-02T17:43:07","date_gmt":"2025-09-02T20:43:07","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1146"},"modified":"2025-09-02T17:47:16","modified_gmt":"2025-09-02T20:47:16","slug":"arte-memoria-e-afeto-no-setembro-lilas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/09\/02\/arte-memoria-e-afeto-no-setembro-lilas\/","title":{"rendered":"Arte, mem\u00f3ria e afeto"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1200\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.55.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1150\" style=\"width:1055px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.55.jpeg 1600w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.55-300x225.jpeg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.55-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.55-768x576.jpeg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.55-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Quando Carmen Mattos entrou para a Universidade Aberta \u00e0 Terceira Idade (UNATI), j\u00e1 vivia com Alzheimer em est\u00e1gio inicial. A doen\u00e7a avan\u00e7aria aos poucos, mas a arte se manteve como ponto de apoio e ponte com o mundo. Participava das oficinas e rodas de conversa com entusiasmo. Ali, era ouvida, acolhida, estimulada a lembrar e a criar. O ambiente intergeracional fazia brilhar nela a vontade de trocar hist\u00f3rias com os jovens e de continuar descobrindo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Cau\u00e3 Ferranti<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Maria do Carmo Lopes de Mattos, carinhosamente chamada de Carmen, participava de atividades da Universidade Aberta \u00e0 Terceira Idade (UNATI). Nessas oficinas ela materializou as suas mem\u00f3rias mais antigas. Dona Carmen faleceu aos 93 anos de idade. Mesmo tendo partido, a sua passagem pela UNATI ainda \u00e9 lembrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Era uma ter\u00e7a-feira, 26 de setembro de 2023. A UNATI constru\u00eda mais um dia da oficina de Artes e Desenhos, ministrada pela professora Maria Irene Pellegrino de Oliveira, do Centro de Educa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e Artes. No encontro em que os participantes desenhariam mem\u00f3rias ou o que viesse \u00e0 cabe\u00e7a com pinc\u00e9is, canetas e tintas, destaca-se dona Carmen, uma senhora de 92 anos com Alzheimer. Dona Carmen tinha um jeito encantador, chamava aten\u00e7\u00e3o pelos coment\u00e1rios astutos at\u00e9 sobre a inseguran\u00e7a da arte que criava.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Carmen sempre estava acompanhada de uma estudante de Pedagogia, cuja tarefa era auxili\u00e1-la. A doen\u00e7a neurodegenerativa e a locomo\u00e7\u00e3o limitada exigiam aten\u00e7\u00e3o permanente. A sua participa\u00e7\u00e3o nas atividades da UNATI era de praxe, pois ela sempre estava presente, seja na Oficina de Mem\u00f3ria ou nas rodas de conversa que ocorriam \u2014 e ocorrem \u2014 toda ter\u00e7a-feira \u00e0s 14h.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela tarde nublada de ter\u00e7a-feira, Dona Carmen parecia insegura com a ideia de desenhar, ent\u00e3o come\u00e7ava a questionar Maria Irene sobre a atividade e a arte. Por causa da doen\u00e7a, ela havia se esquecido do nome da professora e de algumas caracter\u00edsticas da atividade. Por\u00e9m, depois de ser estimulada pela professora, por outras participantes e alunos de Jornalismo \u2014 integrantes do projeto \u2014 Dona Carmen come\u00e7ou a desenhar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o daria para imaginar o que ela desenharia, muito menos pensar que significados poderiam ter o seu desenho. Em poucos minutos, contudo, sua arte ganhou vida, formas, tra\u00e7os e cores. Uma obra genuinamente art\u00edstica. Enquanto a casa surgida no desenho tomava forma, as roupas coloridas e os rostos, que um dia foram t\u00e3o v\u00edvidos ao olhar, conquistaram fisionomias.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Carmen poderia esquecer-se de nomes, fun\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo acontecimentos recentes, mas, naquele dia, lembrou-se do que aconteceu h\u00e1 mais de 50 anos: o dia em que se mudou com o marido para a casa nova. Dona Carmen n\u00e3o apenas materializou lapsos de mem\u00f3rias, como descreveu verbal e artisticamente tudo o que aconteceu. O marido usava as mesmas roupas, a casa rabiscada no papel era parecida com a casa original. E o mais impactante: as l\u00e1grimas que lhe escaparam eram genu\u00ednas. A emo\u00e7\u00e3o que tomou conta dela expandiu para todo o ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Desenho e pintura \u2014 formas de express\u00e3o art\u00edsticas \u2014 podem ser eficazes para estimular a mem\u00f3ria e tratar pacientes com Alzheimer. A intera\u00e7\u00e3o social, a express\u00e3o emocional, a estimula\u00e7\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria s\u00e3o caracter\u00edsticas que a arte pode apresentar. Esses s\u00e3o apontamentos da psic\u00f3loga e doutoranda em Psicologia Cl\u00ednica pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Erika Rodrigues Colombo, feitos para o Jornal da USP: \u201cArteterapia produz efeitos positivos no tratamento de doen\u00e7as mentais e f\u00edsicas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"712\" height=\"712\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1152\" style=\"width:1055px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54.jpeg 712w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54-300x300.jpeg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 712px) 100vw, 712px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Cau\u00e3 Ferranti<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dona Carmen pode ter se esquecido do nome Maria Irene, professora que ela encontrou em diversas ter\u00e7as-feiras. No entanto, naquele dia, ela desenhou tra\u00e7os de uma vida, emocionando professores, participantes, alunos, levando o autor deste texto a engolir o choro. Foi essa sensa\u00e7\u00e3o que me inspirou a digitar essas lembran\u00e7as. As mem\u00f3rias de Dona Carmen ainda reverberam e se entrecruzam com as minhas. Em homenagem \u00e0 Dona Carmen, finalizo este texto com o seu poema favorito, e que, coincidentemente ou n\u00e3o, tornou-se reflexo, ou melhor, um autorretrato de Maria do Carmo Lopes de Mattos:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AUTO-RETRATO<\/strong>, de <em>M\u00e1rio Quintana<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No retrato que me fa\u00e7o<br>&#8211; tra\u00e7o a tra\u00e7o &#8211;<br>\u00e0s vezes me pinto nuvem,<br>\u00e0s vezes me pinto \u00e1rvore&#8230;<br>\u00e0s vezes me pinto coisas<br>de que nem h\u00e1 mais lembran\u00e7a&#8230;<br>ou coisas que n\u00e3o existem<br>mas que um dia existir\u00e3o&#8230;<br>e, desta lida, em que busco<br>&#8211; pouco a pouco &#8211;<br>minha eterna semelhan\u00e7a,<br>no final, que restar\u00e1?<br>Um desenho de crian\u00e7a&#8230;<br>Terminado por um louco!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IN MEMORIAM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de imortalizar um pouco da hist\u00f3ria de Maria do Carmo Lopes de Mattos em material jornal\u00edstico sempre esteve em meus pensamentos. Eu me emocionei quando a conheci e continuo me emocionando ao saber mais sobre sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversando com Christina Mattos, sua filha, perguntei o que caracterizava sua m\u00e3e e, ent\u00e3o, surpreendi-me: Dona Carmen queria ser violinista, mas ser violinista n\u00e3o era o que o destino havia reservado para ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o conseguiu estudar muito, completando apenas o prim\u00e1rio. Tornou-se dona de casa e criou quatro filhos. Encontrou ref\u00fagio na arte. Pois, na arte, n\u00e3o importa se voc\u00ea tem mestrado, doutorado ou apenas o ensino fundamental.&nbsp;Ela costurava, tricotava, bordava e fazia bonecas de pano \u2014 e fazia tudo muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os filhos cresceram, ela se aprofundou na pintura. Pintou cer\u00e2micas e telas, e seus quadros est\u00e3o, at\u00e9 hoje, nas casas de seus filhos. No campo f\u00e9rtil da arte, Dona Carmen plantou e semeou.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou, aos 70 anos, no teatro com o Grupo Fase 3 \u2014 e n\u00e3o parou mais. Em 2000, Carmen pisou no palco pela primeira vez com a Cia. de Theatro Fase 3, sob dire\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Henrique Bernardi. Com o grupo, viajou o Brasil e tamb\u00e9m apresentou espet\u00e1culos na Dinamarca, Noruega, Inglaterra. Quando Bernardi faleceu, em 2014, e a companhia chegou ao fim, ela n\u00e3o parou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"758\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54-3-1-1024x758.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1154\" style=\"width:1055px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54-3-1-1024x758.jpeg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54-3-1-300x222.jpeg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54-3-1-768x569.jpeg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2025-09-02-at-17.26.54-3-1.jpeg 1137w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e1 n\u00e3o decorava os textos, mas os colegas preparavam plaquinhas com suas falas. Ela lia no seu tempo, do seu jeito, e era recebida sempre com carinho. Se errava, tudo bem. O que importava era estar ali. O palco ainda dava a ela algo essencial: vontade de viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com Alzheimer, ela recitava o poema Auto-Retrato, de M\u00e1rio Quintana. Sempre \u00e0 procura de algo novo. Independentemente das dificuldades, Dona Carmen acordava e perguntava. \u201cO que tem para eu fazer hoje?\u201d Ela queria viver. Ela vive. Nos quadros. Nas bonecas de pano. Nas mem\u00f3rias de quem assistiu suas apresenta\u00e7\u00f5es teatrais. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Carmen n\u00e3o se tornou violinista, mas isso n\u00e3o \u00e9 mais o que importa. Sua vida ecoa como um instrumento erudito que produz as notas mais doces e esperan\u00e7osas. Notas que n\u00e3o chegam apenas aos ouvidos, mas que tocam todos os sentidos, produzindo uma sinestesia pura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela atuou at\u00e9 seus \u00faltimos dias de vida. Atuou em apresenta\u00e7\u00f5es em outubro at\u00e9 primeiro de novembro de 2024. Carmen faleceu no dia 3 de dezembro de 2024. Escrevo com os olhos aguados por l\u00e1grimas de esperan\u00e7a e de otimismo. Um agradecimento especial \u00e0 filha de Dona Carmen, Christina Mattos, que enviou os dados para a amplia\u00e7\u00e3o do texto e das mem\u00f3rias de Carmen. Eu sinto Maria do Carmo Lopes de Mattos!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Cau\u00e3 Ferranti <\/strong>\u00e9 estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de\u00a0Londrina\u00a0e ex-bolsista da UNATI. Texto originalmente escrito para a disciplina Assessoria de Imprensa II, ministrada pelo Professor Dr. Reinaldo Zanardi.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Carmen Mattos entrou para a Universidade Aberta \u00e0 Terceira Idade (UNATI), j\u00e1 vivia com Alzheimer em est\u00e1gio inicial. 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