{"id":1116,"date":"2025-07-09T22:13:20","date_gmt":"2025-07-10T01:13:20","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1116"},"modified":"2025-07-09T22:21:07","modified_gmt":"2025-07-10T01:21:07","slug":"o-poder-da-cronica-bem-contada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2025\/07\/09\/o-poder-da-cronica-bem-contada\/","title":{"rendered":"O poder da cr\u00f4nica bem contada"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" data-id=\"1121\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Design-sem-nome-1-819x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1121\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Design-sem-nome-1-819x1024.png 819w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Design-sem-nome-1-240x300.png 240w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Design-sem-nome-1-768x960.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Design-sem-nome-1.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u201cEscrever \u00e9 um ato solit\u00e1rio e libertador. Solit\u00e1rio porque voc\u00ea escreve para voc\u00ea mesmo, para todos e para ningu\u00e9m. Quem escreve nunca sabe quem vai atingir, afetar ou beneficiar. As palavras escritas viajam e o itiner\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 algo que quem escreve controla. Isso torna o ato de escrever ainda mais desafiador. Libertador porque quem escreve desenclausura anjos e desencarcera dem\u00f4nios.\u201d<\/strong> &#8211; <strong>Reinaldo Zanardi em <em>O tamanho do problema e outras hist\u00f3rias<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Manuela Domingues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com uma colet\u00e2nea de 29 cr\u00f4nicas escritas entre 2008 e 2012, <em>O tamanho do problema e outras hist\u00f3rias<\/em>, do jornalista, professor e ator Reinaldo Zanardi, \u00e9 aquele tipo de livro que te transporta para outra realidade. Todos n\u00f3s, ao menos uma vez na vida, j\u00e1 escutamos que a fun\u00e7\u00e3o de um livro \u00e9 fazer voc\u00ea viver muitas vidas em uma s\u00f3. Mas, quem l\u00ea sabe que n\u00e3o \u00e9 qualquer hist\u00f3ria que te pega pela m\u00e3o e te faz viajar. Por\u00e9m penso em ir mais fundo. Um bom livro n\u00e3o \u00e9 apenas aquele que te faz conhecer outras realidades. Um bom livro \u00e9 aquele que te faz querer escrever tamb\u00e9m. Aqui, al\u00e9m de cronista e jornalista, o autor deixa escapar o lado de professor e te incentiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando li a primeira cr\u00f4nica, n\u00e3o consegui segurar a surpresa e precisei ler novamente para uma amiga, que teve a mesma rea\u00e7\u00e3o que eu tive durante a leitura. J\u00e1 na hist\u00f3ria \u201cA \u00e1rvore da minha inf\u00e2ncia\u201d, que foi minha cr\u00f4nica favorita, n\u00e3o pude conter a emo\u00e7\u00e3o e precisei pausar a leitura por um momento. \u00c9 isso que voc\u00ea vai encontrar em <em>O tamanho do problema e outras hist\u00f3rias<\/em>: provoca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em cr\u00f4nicas de at\u00e9 tr\u00eas p\u00e1ginas, Zanardi te convida a se imaginar naquela casa t\u00edpica de v\u00f3, cheia de \u00e1rvores e flores. Ou, nas cr\u00f4nicas de humor, te remete \u00e0 seriados brasileiros dos anos 2000, onde, pra mim, Luiz Fernando Guimar\u00e3es interpretou o personagem principal. Nas narrativas mais s\u00e9rias, o autor foge de melodramas baratos e te joga de encontro a realidade, trazendo \u00e0 tona sentimentos de empatia e compaix\u00e3o, fazendo com que voc\u00ea se identifique e pense \u201ce se fosse comigo, o que eu faria?\u201d. Aqui voc\u00ea encarna tudo: filha, marido, crian\u00e7a, mulher.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O tamanho do problema e outras hist\u00f3rias<\/em> t\u00eam a escrita flu\u00edda, onde as hist\u00f3rias se desencadeiam em acontecimentos inesperados com finais surpreendentes. A cr\u00f4nica nada mais \u00e9 que isso, criar em acontecimentos cotidianos uma narrativa. Na rotina criar boniteza. E Reinaldo Zanardi ensina, por meio de seu livro, a arte de escrever uma boa hist\u00f3ria. Os personagens aqui s\u00e3o fict\u00edcios, \u00e9 claro, mas com acontecimentos baseados na realidade, vividas por amigos ou familiares do autor, ou s\u00e3o criadas em cima de not\u00edcias que ele conheceu por meio do jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Zanardi explica, em uma nota inicial, que o livro \u00e9 um compilado de escritos que fez para o seu blog \u201cLetras Cr\u00f4nicas\u201d, que foi criado em abril de 2008. O blog nasceu quase que dentro da sala de aula, onde o professor incentivava os alunos a produzirem cr\u00f4nicas para um jornal laborat\u00f3rio online. Do incentivo a escrita Zanardi tamb\u00e9m sentiu vontade de escrever. Percebe aqui a for\u00e7a da literatura?<\/p>\n\n\n\n<p>As cr\u00f4nicas s\u00e3o atemporais. Poderiam ter acontecido em 2008, poderiam ter acontecido em 2025, e poder\u00e3o voltar a acontecer em 2030. Nas hist\u00f3rias, o que importa \u00e9 que o sentimento n\u00e3o vai mudar com o passar do tempo. N\u00e3o h\u00e1 nada mais triste para um artista do que ter sua obra com data de validade, mas isso n\u00e3o acontece aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Receba esse conselho: no dia 12 de julho, \u00e0s 15 horas, v\u00e1 at\u00e9 o Sesc Cadei\u00e3o, que fica no centro de Londrina, e garanta um exemplar para voc\u00ea. O valor do livro \u00e9 de R$40,00, com desconto para estudante. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o independente, sem patroc\u00ednio ou subs\u00eddio p\u00fablico ou privado. Ao chegar em sua casa, prepare uma bebida para te acompanhar e viaje pelos diversos mundos criados por Zanardi. Como disse Diana Klinger em \u201cLiteratura e \u00e9tica \u2013 da forma para a for\u00e7a\u201d: <em>talvez a literatura seja algo assim como \u201cmanter abertos os olhos durante a queda\u201d. <\/em>Pegue seu livro como companhia, se jogue e observe a vista enquanto cai. Garanto que ser\u00e1 lindo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Manuela Domingues<\/strong>, estudante de Jornalismo da UEL, professora de reda\u00e7\u00e3o, participa do Grupo Gabo de Pesquisa. \u00c9 revisora e editora da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEscrever \u00e9 um ato solit\u00e1rio e libertador. Solit\u00e1rio porque voc\u00ea escreve para voc\u00ea mesmo, para todos e para ningu\u00e9m. Quem escreve nunca sabe quem vai atingir, afetar ou beneficiar. As palavras escritas viajam e o itiner\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 algo que quem escreve controla. Isso torna o ato de escrever ainda mais desafiador. 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