{"id":1103,"date":"2025-06-19T23:52:51","date_gmt":"2025-06-20T02:52:51","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1103"},"modified":"2025-07-07T17:07:08","modified_gmt":"2025-07-07T20:07:08","slug":"reporter-forjado-entre-a-terra-e-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/06\/19\/reporter-forjado-entre-a-terra-e-a-historia\/","title":{"rendered":"Rep\u00f3rter forjado entre a terra e a hist\u00f3ria\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-18-as-17.49.33_183da92d-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1104\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-18-as-17.49.33_183da92d-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-18-as-17.49.33_183da92d-300x199.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-18-as-17.49.33_183da92d-768x511.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-18-as-17.49.33_183da92d.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Chamar Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro de rep\u00f3rter consagrado \u00e9 pouco. Ele \u00e9 um narrador do Brasil. O rep\u00f3rter que cobriu a guerra do Vietn\u00e3. Um homem que uniu o rigor da apura\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza da forma. Que mostrou que a sabedoria da terra pode conviver com a sofistica\u00e7\u00e3o da escrita. E que, mesmo sendo \u201cum caipira\u201d, escreveu p\u00e1ginas fundamentais do jornalismo no brasileiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Isadora Chanan<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aos 89 anos, Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro \u00e9 sin\u00f4nimo de jornalismo no Brasil. Considerado \u201cPr\u00edncipe dos Rep\u00f3rteres\u201d e tamb\u00e9m de \u201cRep\u00f3rter do S\u00e9culo\u201d, \u00e9 um dos nomes mais premiados da imprensa nacional: 97 pr\u00eamios <em>Esso<\/em> e o reconhecimento internacional em 2008, ao receber o Pr\u00eamio Especial da Imprensa da ONU. Sua trajet\u00f3ria atravessa o r\u00e1dio, a imprensa escrita, as revistas e a televis\u00e3o. Mais do que informar, ele sempre narra \u2014 e \u00e9 nisso que se diferencia. Em cada texto, um olhar, uma cad\u00eancia pr\u00f3pria que o aproxima da literatura. Sua narra\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por um estilo s\u00f3 seu, que atravessa temas diversos, da viol\u00eancia de uma guerra \u00e0 vida rural de pequenos agricultores.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascido em Santa Rosa de Viterbo, no interior de S\u00e3o Paulo, carrega consigo o que muitos chamam sabedoria da ro\u00e7a. Com gosto pela terra, pela vida simples e pelas palavras bem escolhidas, ele cresceu longe dos grandes centros, mas com uma curiosidade que o levou aos lugares mais inesperados. \u201cVoc\u00ea fica muito curioso para ver o que tem al\u00e9m disso\u201d, refletiu certa vez, sobre o que o levou ao jornalismo em entrevista de F\u00e1bio Victor para a<em> Folha de S. Paulo<\/em>, em 2024. (<a href=\"https:\/\/youtu.be\/AOc3aiyzNrY?si=z1fabgrOstMd235y\">https:\/\/youtu.be\/AOc3aiyzNrY?si=z1fabgrOstMd235y<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>Sua escrita \u00e9 conhecida por ser descritiva, sens\u00edvel, profunda \u2014 capaz de levar o leitor at\u00e9 o cen\u00e1rio dos fatos, como em<em> O Gosto da Guerra<\/em>, publicado em 1969, texto em que relata sua experi\u00eancia na Guerra do Vietn\u00e3 (conflito que ocorreu entre 1955 e 1975, envolvendo o Vietn\u00e3 do Norte, comunista, e o Vietn\u00e3 do Sul, capitalista, com forte participa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos. Marcando a luta entre comunismo e capitalismo, durante a Guerra Fria).<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito no Vietn\u00e3 causou milh\u00f5es de mortes e deixou profundas consequ\u00eancias sociais e pol\u00edticas. L\u00e1, Hamilton perdeu parte da perna ao pisar em uma mina terrestre. Mas l\u00e1 tamb\u00e9m ganhou hist\u00f3rias, marcas e amizades, como a de Nguyen, int\u00e9rprete e amigo, por quem guarda um carinho vis\u00edvel nos olhos. Como se pode perceber ao assistir ao v\u00eddeo \u201cUm dos poucos jornalistas a cobrir a guerra, Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro relembra explos\u00e3o de mina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;(<a href=\"https:\/\/youtu.be\/AOc3aiyzNrY?si=9pP_4s3qehCd8cBh\">https:\/\/youtu.be\/AOc3aiyzNrY?si=9pP_4s3qehCd8cBh<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>Nguyen, que sonhava em ser jornalista, acompanhou Ribeiro durante a cobertura da guerra no pa\u00eds. Em diversas entrevistas ele mostra como a guerra, para ele, n\u00e3o era s\u00f3 um fato, era uma viv\u00eancia a ser compreendida e, acima de tudo, partilhada. Na mesma entrevista para a <em>Folha de S. Paulo<\/em> ele conta sobre esse per\u00edodo, discute n\u00e3o apenas as experi\u00eancias que viveu como tamb\u00e9m as pessoas que conheceu. Uma delas foi o fot\u00f3grafo japon\u00eas Shimamoto, com quem trabalhou no Vietn\u00e3. Hamilton revela que chegou a desejar que o fot\u00f3grafo viesse trabalhar com ele na revista<em> Realidade <\/em>no Brasil<em>,<\/em> projeto do qual foi um dos fundadores. Mas, Shimamoto morreu antes que isso pudesse acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Z\u00e9 \u00e9 conhecido por sua rela\u00e7\u00e3o honesta com a simplicidade. Ele acredita que o que parece pequeno pode conter grandes verdades, que o jornalismo tem o dever de revelar. Quando a censura da ditadura militar se imp\u00f4s, ele optou por sair da grande imprensa em 1974. Passou a se dedicar ao jornalismo regional, transformando jornais do interior de S\u00e3o Paulo em espa\u00e7os de excel\u00eancia jornal\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>A democracia, para ele, \u00e9 um valor essencial. \u201cA democracia, com todos os defeitos que tem, \u00e9 sempre melhor que a ditadura\u201d, afirmou para Marcelo Tas, &nbsp;no&nbsp; programa <em>Provoca\u00e7\u00f5es<\/em>, em 2019, na TV Cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;(<a href=\"https:\/\/youtu.be\/guVb97UagyI?si=RShxLWbILIP93zqS\">https:\/\/youtu.be\/guVb97UagyI?si=RShxLWbILIP93zqS<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>Na televis\u00e3o, virou rosto conhecido como principal rep\u00f3rter do <em>Globo Rural<\/em>, na Rede Globo de Televis\u00e3o, levando o Brasil profundo at\u00e9 as telas domingueiras. Em tudo que escreveu ou falou, h\u00e1 um estilo \u00fanico, quase liter\u00e1rio, onde o jornalista virava narrador, e o fato virava viv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, aposentado, vive entre S\u00e3o Paulo e o s\u00edtio no cerrado mineiro, na regi\u00e3o de Uberaba. Com a idade ganhou um andar tr\u00f4pego. Admite falhas de mem\u00f3ria, mas a ess\u00eancia da trajet\u00f3ria profissional est\u00e1 viva em seus textos, registros e na voz pausada que ainda inspira tantos rep\u00f3rteres. Em sua casa, Jos\u00e9 cultiva h\u00e1bitos de se exercitar em uma academia, tomar caf\u00e9 ap\u00f3s o almo\u00e7o, apreciar uma pinga como bom caipira que \u00e9&#8230; e assim, manter o bom humor. Sua fala, afetada pela passagem dos anos, carrega uma familiaridade que muitos se lembram dos familiares mais velhos, que falam pausadamente, mas que guardam o conhecimento silencioso &#8211; a sabedoria de quem conhece o tempo e a terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua apar\u00eancia simples e de um jeito caipira, Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro n\u00e3o esconde apenas uma hist\u00f3ria, mas muitas: ele \u00e9 o rep\u00f3rter que cobriu a barb\u00e1rie da guerra, o jornalista que viveu sob censura, o contador de hist\u00f3rias que transformou a dor em narrativa, o rep\u00f3rter que trouxe a ro\u00e7a para a casa de milhares de brasileiros. Assim, ainda \u00e9 capaz de rir com facilidade, de celebrar uma boa prosa e de sentir falta da juventude.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Mesmo com a voz mais rouca e o passo mais lento, Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro segue sendo uma refer\u00eancia para o jornalismo. O homem do campo que viu o mundo. Um dos narradores mais sens\u00edveis da realidade brasileira \u2014 um rep\u00f3rter forjado entre a terra e a hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Isadora Chanan<\/strong> \u00e9 estudante de Jornalismo na UEL, participa do Grupo Gabo de Pesquisa, com o projeto de IC: \u201cJornalismo liter\u00e1rio em <em>Gosto da Guerra<\/em>, de Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro&#8221; e da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chamar Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro de rep\u00f3rter consagrado \u00e9 pouco. Ele \u00e9 um narrador do Brasil. O rep\u00f3rter que cobriu a guerra do Vietn\u00e3. Um homem que uniu o rigor da apura\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza da forma. Que mostrou que a sabedoria da terra pode conviver com a sofistica\u00e7\u00e3o da escrita. 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