{"id":1087,"date":"2025-06-07T14:11:53","date_gmt":"2025-06-07T17:11:53","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1087"},"modified":"2025-06-07T14:21:39","modified_gmt":"2025-06-07T17:21:39","slug":"mudancas-climaticas-como-proceder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/06\/07\/mudancas-climaticas-como-proceder\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: como proceder?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-06-as-16.38.29_4a4653bb-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1088\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-06-as-16.38.29_4a4653bb-819x1024.jpg 819w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-06-as-16.38.29_4a4653bb-240x300.jpg 240w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-06-as-16.38.29_4a4653bb-768x960.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-06-06-as-16.38.29_4a4653bb.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Ano passado foi quente? Foi o ano mais quente da hist\u00f3ria. Talvez ele seja o ano mais frio que veremos at\u00e9 o final das nossas vidas. Porque isso \u00e9 mudan\u00e7a&#8221;, explica Atila Iamarino.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Maria Julia Pimenta<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o acontecendo, j\u00e1 estamos cansados de saber &#8211; e sentir &#8211; mas ainda h\u00e1 tanta desinforma\u00e7\u00e3o e sobrecarga do mesmo assunto que esta pauta foi abra\u00e7ada pelo cotidiano da sociedade e agora s\u00f3 vivemos sabendo dela e nos conformando que n\u00e3o h\u00e1 muita esperan\u00e7a sobre o que ser feito. \u00c9 nesse estado que o mundo afunda e pega fogo, ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o disso, na quinta-feira, 29 de maio, foi promovida uma palestra na sede da OAB em Londrina, apresentada pelo bi\u00f3logo e divulgador cient\u00edfico Atila Iamarino, que abordou a quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ele come\u00e7ou sua fala desconstruindo mitos e fal\u00e1cias sobre o aquecimento global. Apresentou dados e estudos que comprovam que desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado j\u00e1 se falava sobre os impactos que a industrializa\u00e7\u00e3o desenfreada e o excesso de emiss\u00e3o de carbono na atmosfera poderiam causar no planeta e nos seres que nele vivem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 poss\u00edvel fazer alguma coisa, garantiu Atila. \u201cChegamos a um ponto em que alguns aspectos podem ser irrevers\u00edveis. Agora s\u00f3 nos resta remediar. Mas ainda h\u00e1 outros, como a emiss\u00e3o de gases t\u00f3xicos e potencializadores do efeito estufa, polui\u00e7\u00e3o de rios e mares, desmatamento e queimadas, que ainda \u00e9 muito vi\u00e1vel interferirmos\u201d, alertou o bi\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1tila apresentou uma pesquisa realizada pelo jornal brit\u00e2nico independente <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/article\/2024\/may\/09\/what-are-the-most-powerful-climate-actions-you-can-take\"><em>The Guardian<\/em><\/a>, que reuniu centenas de cientistas clim\u00e1ticos para levantarem a quest\u00e3o: \u201cQual a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica mais poderosa que voc\u00ea consegue fazer? A vis\u00e3o especializada\u201d (em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicada em maio de 2024, que buscou justamente questionar e apresentar para a popula\u00e7\u00e3o quais h\u00e1bitos podemos abra\u00e7ar ou abandonar que impactar\u00e3o e ajudar\u00e3o a combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado principal, e que mais impactou sobre h\u00e1bitos individuais, foi sobre o VOTO, com 76% do apoio dos especialistas. Uma vis\u00e3o pol\u00edtica do caso das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 imprescind\u00edvel para o combate de um inimigo em comum. Segundo a pesquisa, eleger candidatos que possuem uma pauta que visa pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o ambiental, fiscaliza\u00e7\u00e3o, economia sustent\u00e1vel e manejo de \u00e1reas e popula\u00e7\u00f5es em risco, influencia grandemente na causa do meio ambiente. Considerando que s\u00f3 na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o 5,4 milh\u00f5es de brasileiros votaram branco ou nulo, ou seja, s\u00e3o 4,41% dos votos n\u00e3o considerados que poderiam ter sido usados para essa causa.<\/p>\n\n\n\n<p>E Atila acrescentou: \u201cQual que eu mais recomendo pra voc\u00eas? Pode mudar o consumo, pode mudar o transporte, fazer isso, fazer aquilo? Fa\u00e7a, mas vote direito. Pense em quem voc\u00ea vai votar e exija isso, inclusive depois de eleger a pessoa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os demais levantamentos apresentados pelos cientistas na pesquisa do <em>The Guardian <\/em>apontam outras a\u00e7\u00f5es corriqueiras, por\u00e9m conscientes e ativas, que podemos adaptar gradativamente no nosso dia a dia, sendo elas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Diminuir o consumo di\u00e1rio de carne:<\/strong> a OMS instrui que o consumo di\u00e1rio ideal para a sa\u00fade humana \u00e9 de 70g por dia (25,55 kg por ano) e a m\u00e9dia de consumo do brasileiro em 2024 foi de 104 kg por pessoa, 4x al\u00e9m do ideal. Al\u00e9m do impacto ambiental que a produ\u00e7\u00e3o de carne causa no meio ambiente, a ingest\u00e3o excessiva desse alimento tamb\u00e9m pode fazer mal para a sa\u00fade, levando a doen\u00e7as card\u00edacas, vasculares, c\u00e2ncer, diabetes e obesidade.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Reduzir a quantidade de viagens de avi\u00e3o: <\/strong>pode n\u00e3o ser uma realidade para a maioria das pessoas, mas para aqueles que utilizam com frequ\u00eancia o transporte a\u00e9reo tendo a disponibilidade de usar outro tipo mais econ\u00f4mico e sustent\u00e1vel, essa troca pode impactar grandemente na sa\u00fade do planeta;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Participar de manifesta\u00e7\u00f5es e grupos ativistas ambientais: <\/strong>dar voz, divulgar e participar de movimentos traz essa causa ao p\u00fablico geral com mais frequ\u00eancia, al\u00e9m de mostrar aos tomadores de decis\u00f5es que o povo est\u00e1 atento e lutando pelo que importa.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os maiores respons\u00e1veis pela polui\u00e7\u00e3o do planeta e emiss\u00e3o de carbono na atmosfera s\u00e3o justamente os que s\u00e3o menos impactados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cIsso quer dizer que, se eu falar para voc\u00ea andar de bicicleta, usar o transporte p\u00fablico, evitar uma viagem desnecess\u00e1ria, voc\u00ea vai estar ajudando o planeta? Vai, \u00f3timo! sempre vale. Mas na hora que um sujeito muito rico sai de iate, escoltado por outro iate, de onde parte o helic\u00f3ptero dele para ir para a ilha particular, \u00e9 um pouquinho diferente a contribui\u00e7\u00e3o\u201d, Atila acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto grupos de alta renda chegam a contribuir 10x mais para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas do que a popula\u00e7\u00e3o de renda m\u00e9dia e baixa, 1% da popula\u00e7\u00e3o mundial chega a impactar at\u00e9 20x mais e 0,1%, 76x. A desigualdade est\u00e1 at\u00e9 nos danos que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causam.<\/p>\n\n\n\n<p>O caos que \u00e9 causado no clima e infraestruturas acaba afetando muito mais as popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias: aqueles que n\u00e3o podem pagar por ar-condicionado para suportar o calor, que vivem em fundos de vale ou encostas de morros e acabam perdendo suas casas em enchentes e desmoronamentos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho para a solu\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 na mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos causados pelos excessos da a\u00e7\u00e3o humana no planeta, come\u00e7ando com a descarboniza\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos humanos, reduzindo at\u00e9 o ponto de eliminar o uso de combust\u00edvel f\u00f3ssil (para os autom\u00f3veis e tamb\u00e9m gera\u00e7\u00e3o de energia), assim como tamb\u00e9m responsabilizar os verdadeiros agentes causadores da maior parte dos impactos ao planeta: governos, empresas e os grupos de alta renda no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas o que mais tem que fazer no Brasil? Mudar o uso da terra, acabar o desmatamento e o tipo de agricultura que a gente faz aqui. A gente pode descarbonizar, mas a gente tamb\u00e9m pode reverter. Podemos deixar de usar combust\u00edveis f\u00f3sseis e parar de soltar carbono, deixar de queimar a floresta e tamb\u00e9m podemos usar essa outra tecnologia fant\u00e1stica de absor\u00e7\u00e3o de carbono que se chama \u00e1rvore, que \u00e9 linda quando cresce, e pode absorver esse g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera\u201d, continua Atila Iamarino. Os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o ser\u00e3o sentidos pelas gera\u00e7\u00f5es futuras, eles j\u00e1 est\u00e3o presentes e estamos sentindo muito nas nossas vidas hoje.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Maria Julia Pimenta<a> <\/a><\/strong>\u00e9 ge\u00f3grafa e estudante de Jornalismo na UEL, participa do Grupo Gabo de Pesquisa, com o projeto de IC: &#8220;Geografia e humaniza\u00e7\u00e3o: narrativas jornal\u00edsticas liter\u00e1rias sobre espa\u00e7o e territ\u00f3rio&#8221; e da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ano passado foi quente? Foi o ano mais quente da hist\u00f3ria. Talvez ele seja o ano mais frio que veremos at\u00e9 o final das nossas vidas. Porque isso \u00e9 mudan\u00e7a&#8221;, explica Atila Iamarino. 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