{"id":1082,"date":"2025-05-29T00:31:11","date_gmt":"2025-05-29T03:31:11","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1082"},"modified":"2025-05-29T00:32:02","modified_gmt":"2025-05-29T03:32:02","slug":"araceli-o-caso-que-virou-simbolo-da-luta-contra-a-exploracao-e-abuso-sexual-infantil-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/05\/29\/araceli-o-caso-que-virou-simbolo-da-luta-contra-a-exploracao-e-abuso-sexual-infantil-no-brasil\/","title":{"rendered":"Araceli: o caso que virou s\u00edmbolo da luta contra a explora\u00e7\u00e3o e abuso sexual infantil\u00a0no\u00a0brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-29-as-00.26.49_d1654191-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1085\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-29-as-00.26.49_d1654191-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-29-as-00.26.49_d1654191-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-29-as-00.26.49_d1654191-150x150.jpg 150w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-29-as-00.26.49_d1654191-768x768.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-29-as-00.26.49_d1654191.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><strong>O assassinato de Araceli Cabrera Crespo, h\u00e1 50 anos, foi marcado por uma onda de injusti\u00e7as e indigna\u00e7\u00f5es que ecoam no pa\u00eds at\u00e9 hoje. A campanha Maio Laranja combate abuso e explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e adolescentes no Brasil. Proteger a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia ainda \u00e9 um desafio urgente.<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Por Bela Garcia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 18 de maio de 1973, sexta feira, Araceli parou para fazer carinho em gatinhos de rua antes de pegar o \u00f4nibus que a levava da escola de volta para casa. A distra\u00e7\u00e3o, t\u00edpica da ingenuidade de uma menininha de 8 anos, era habitual, sua m\u00e3e, Lola, sabia que a filha amava conversar com os coleguinhas da escola e brincar com animais antes de voltar para sua casa. Mas, depois daquele dia, ela nunca mais voltou. Araceli Cabrera Crespo foi sequestrada, dopada, violentada sexualmente, espancada e assassinada. Seu corpo s\u00f3 foi encontrado seis dias depois, em um terreno baldio, completamente desfigurado. \u00c1cido e soda c\u00e1ustica foram jogados sobre ela, numa tentativa brutal e fria de apagar os vest\u00edgios do crime \u2014 os vest\u00edgios de uma vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Meio s\u00e9culo depois, os gritos silenciados da bela garotinha, ecoam pelo pa\u00eds que transformou essa dor em luta. Desde o ano 2000, 18 de maio se tornou oficialmente o Dia Nacional de Combate ao Abuso e \u00e0 Explora\u00e7\u00e3o Sexual de Crian\u00e7as e Adolescentes, gra\u00e7as \u00e0 Lei n\u00ba 9.970\/2000. A data n\u00e3o foi escolhida por acaso \u2014 ela carrega o nome, o rosto e a mem\u00f3ria de Araceli.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso foi marcado por pol\u00eamicas, esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o e principalmente injusti\u00e7a, j\u00e1 que os criminosos nunca foram responsabilizados e vagam por a\u00ed em liberdade. A impunidade, foi mais uma camada de viol\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 contra Araceli, mas contra toda uma sociedade que, naquele momento, percebeu que nem sempre a justi\u00e7a alcan\u00e7a quem deveria. E, infelizmente, 50 anos depois, essa realidade continua ecoando nas estat\u00edsticas assustadoras que desenham o cen\u00e1rio da viol\u00eancia sexual infantil no pa\u00eds- uma trag\u00e9dia escandalosamente silenciosa. Dados da <em>Childhood Brasil<\/em> revelam que apenas 10% dos casos s\u00e3o oficialmente denunciados. Isso significa que, se em um ano foram registradas 102 mil den\u00fancias, na realidade, esse n\u00famero pode ultrapassar um milh\u00e3o de casos, que seguem escondidos. Os n\u00fameros s\u00e3o cru\u00e9is. S\u00f3 em 2023, foram registrados 74.930 casos de estupro contra menores, o maior n\u00famero da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00eas de maio ficou conhecido como o Maio Laranja, simbolizando a luta, a resist\u00eancia e a esperan\u00e7a de um futuro onde nenhuma crian\u00e7a tenha sua hist\u00f3ria interrompida por abuso ou impunidade. Muito mais que uma data, \u00e9 um convite desesperado \u00e0 sociedade para olhar e agir contra a viol\u00eancia que arrancou, de forma brutal, o sorriso e os sonhos de Araceli. O Maio Laranja \u00e9 um memorial. Mas, a luta \u00e9 t\u00e3o permanente quanto a mem\u00f3ria. Os n\u00fameros escancaram uma realidade perturbadora: a cada hora, tr\u00eas crian\u00e7as s\u00e3o abusadas no Brasil. A maioria delas, meninas. A maioria, negras. A maioria, dentro da pr\u00f3pria casa \u2014 justamente onde deveriam estar protegidas. Crian\u00e7as que vivem no medo, no sil\u00eancio e na dor, que olham para seus agressores \u00e0 mesa do caf\u00e9, escutam amea\u00e7as e t\u00eam seus gritos abafados por uma sociedade que, muitas vezes, escolhe n\u00e3o se envolver.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas vidas n\u00e3o se recuperam. Mas suas hist\u00f3rias continuam vivas. E gritam. Gritam para que nunca mais uma crian\u00e7a tenha que viver o horror que Araceli viveu. Gritam para que os olhos da sociedade n\u00e3o se fechem. Gritam para que cada um entenda que proteger a inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 escolha. \u00c9 dever. O sil\u00eancio \u00e9 cumplice dos abusadores e \u00e9 justamente contra eles que se luta. Araceli n\u00e3o pode viver, mas seu nome vive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Se voc\u00ea sabe, viu ou suspeita de algum caso de abuso ou explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e adolescentes, n\u00e3o se cale. Denuncie. Disque 100. Voc\u00ea pode salvar uma vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Bela Garcia<\/strong> \u00e9 estudante de Jornalismo na UEL, participa do Grupo Gabo de Pesquisa, com o projeto de IC: \u201cA Sangue Frio de Truman Capote- o <em>True Crime <\/em>como Jornalismo Liter\u00e1rio\u201d e da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assassinato de Araceli Cabrera Crespo, h\u00e1 50 anos, foi marcado por uma onda de injusti\u00e7as e indigna\u00e7\u00f5es que ecoam no pa\u00eds at\u00e9 hoje. A campanha Maio Laranja combate abuso e explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as e adolescentes no Brasil. Proteger a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia ainda \u00e9 um desafio urgente. 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