{"id":1061,"date":"2025-05-11T02:16:15","date_gmt":"2025-05-11T05:16:15","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1061"},"modified":"2025-05-11T02:16:16","modified_gmt":"2025-05-11T05:16:16","slug":"de-trombadinha-a-delegado-de-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2025\/05\/11\/de-trombadinha-a-delegado-de-policia\/","title":{"rendered":"De trombadinha a delegado de Pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-10-as-13.31.30_60c5fbed-681x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1062\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-10-as-13.31.30_60c5fbed-681x1024.jpg 681w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-10-as-13.31.30_60c5fbed-200x300.jpg 200w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-10-as-13.31.30_60c5fbed-768x1155.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-10-as-13.31.30_60c5fbed-1021x1536.jpg 1021w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-10-as-13.31.30_60c5fbed.jpg 1064w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Aos 91 anos, Guirado publica muito mais que uma autobiografia: ele estreia um projeto de vida, uma celebra\u00e7\u00e3o em linguagem simples, que faz o leitor se sentir como uma crian\u00e7a sentada no colo de um ente querido, ouvindo por horas as hist\u00f3rias mais malucas de seu passado. \u00c9 familiar, honesto e bonito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em>Por Bela Garcia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Machado de Assis escreveu que \u201co tempo caleja a sensibilidade e oblitera a mem\u00f3ria das coisas\u201d. Talvez estivesse certo. Pelo menos, \u00e9 isso que Luiz Guirado transmite em sua autobiografia: <em>De trombadinha a delegado de Pol\u00edcia<\/em>. \u00c9 uma obra sobre humanidade, com suas falhas, afetos e conquistas. Escrita com sinceridade t\u00e3o brutal quanto sua mem\u00f3ria; uma verdade que o tempo tornou poss\u00edvel por, talvez, amenizar a dor das batalhas \u2013 uma hist\u00f3ria sobre a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra \u00e9 escrita de forma fluida e separa, quase que por t\u00f3picos, os epis\u00f3dios mais marcantes da vida do autor-personagem. E \u00e9 nessa simplicidade que o leitor se v\u00ea devorando as p\u00e1ginas como se horas fossem segundos. Os ambientes narrados tornam-se quase familiares ao serem descritos de forma objetiva. Transportam o leitor para o cen\u00e1rio: as ruas de S\u00e3o Paulo, a grama de Santo Anast\u00e1cio, as luzes da delegacia e ouve-se, quase de perto, o barulho do trem. \u00c9 sinest\u00e9sico. Sente-se o gosto do p\u00e3o da Dona Maria, o cheiro da p\u00f3lvora das armas, o barulho do caminh\u00e3o e a dor do corte no l\u00e1bio.<\/p>\n\n\n\n<p>Luiz Guirado narra, ao longo de 270 p\u00e1ginas, publicadas pela Editora Viseu, o caminho que trilhou at\u00e9 chegar ao lan\u00e7amento de sua autobiografia, ao lado de sua amada esposa Marina. &nbsp;De erros e acertos foi constru\u00edda a vida do autor. Numa trajet\u00f3ria cinematogr\u00e1fica, cheia de reviravoltas, \u00e9 a vida de um homem que viu de tudo, sentiu tudo e fez quase tudo. O jovem el\u00e9trico, arteiro e inconsequente se transforma no senhor de respeito, que v\u00ea seu passado \u2013 por vezes conturbado \u2013 como uma dobra no tempo que o trouxe at\u00e9 os dias de hoje, ao lado da esposa que, segundo ele pr\u00f3prio, foi quem mudou sua trajet\u00f3ria e a fez valer a pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que um livro de mem\u00f3rias, <em>De trombadinha a delegado de Pol\u00edcia <\/em>\u00e9 um testemunho vivo de que o ser humano \u00e9 feito de fases, erros, chances e amor. Ao longo das p\u00e1ginas, Guirado n\u00e3o se coloca como her\u00f3i, mas como algu\u00e9m que ousa contar a verdade \u2013 mesmo a mais dura \u2013 com coragem e serenidade. E revive todos os momentos que marcaram sua viagem por esse mundo \u2013 que ainda n\u00e3o chegou ao fim. Digno de uma autobiografia, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de \u201c\u00e9 claro que ele escreveu\u201d ao refletir sobre a obra. Um homem que foi tudo s\u00f3 faltava ser autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Apagando bitucas de cigarro com tiros, a leitura provoca muitas emo\u00e7\u00f5es e convida \u00e0 reflex\u00e3o sobre um passado com conflitos tatuados e uma fam\u00edlia linda, que se forma e se fortalece ao longo dos anos. Em alguns momentos, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o se comover com a vulnerabilidade exposta; em outros, o leitor sorri, como quem escuta um causo contado na varanda, no fim da tarde. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 indigna\u00e7\u00e3o perante algumas atitudes do autor \u2013 \u00e9 cru, honesto e visceral. S\u00e3o os erros de um homem escritos sem medo de julgamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>E talvez, no meio da leitura, o leitor ouse pensar que conhece Luiz. Essa familiaridade que se constr\u00f3i p\u00e1gina a p\u00e1gina mostra o autor mais como humano e menos como personagem \u2013 \u00e9 o aspecto t\u00e1til da biografia. Luiz Guirado \u00e9 real, sente-se. Sabe-se os motivos que levam um homem de 90 anos a n\u00e3o gostar de pinga e a pensar tanto sobre uma cigana. Como leitora atenta, decorei e entendi parte de suas manias. Talvez Luiz n\u00e3o beba leite comigo em um caf\u00e9 da tarde, mas provavelmente jogasse um bom baralho enquanto me conta sobre o dia em que ficou preso na estrada.<\/p>\n\n\n\n<p><em>De trombadinha a delegado de Pol\u00edcia<\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas recomendado \u2014 \u00e9 necess\u00e1rio para todos que querem viver mais de uma vida e, especialmente, para quem ainda acredita que \u00e9 poss\u00edvel mudar. Um livro que, como o pr\u00f3prio autor, carrega cicatrizes, mas tamb\u00e9m muita hist\u00f3ria. E \u00e9 na coragem de revisitar mem\u00f3rias e provocar todos aqueles que j\u00e1 cruzaram sua corrente de vento que Luiz entrega uma obra talvez n\u00e3o autorizada por todos os seus personagens, mas que carrega um al\u00edvio por ser t\u00e3o honesta a ponto de causar desconforto. Machado de Assis escreveu que o tempo caleja a sensibilidade e oblitera a mem\u00f3ria das coisas. Ele estava certo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Bela Garcia<\/strong> \u00e9 estudante de Jornalismo na UEL, participa da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina e desenvolve o projeto de IC: \u201cA Sangue Frio, de Truman Capote- o <em>True Crime <\/em>como jornalismo liter\u00e1rio\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 91 anos, Guirado publica muito mais que uma autobiografia: ele estreia um projeto de vida, uma celebra\u00e7\u00e3o em linguagem simples, que faz o leitor se sentir como uma crian\u00e7a sentada no colo de um ente querido, ouvindo por horas as hist\u00f3rias mais malucas de seu passado. \u00c9 familiar, honesto e bonito. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Por Bela Garcia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":1063,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,11,18],"tags":[],"class_list":["post-1061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-critica","category-literatura","category-resenha"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1061"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1061\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1064,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1061\/revisions\/1064"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}