{"id":1046,"date":"2025-05-09T21:11:21","date_gmt":"2025-05-10T00:11:21","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1046"},"modified":"2025-05-11T02:09:03","modified_gmt":"2025-05-11T05:09:03","slug":"e-se-fosse-seu-filho-audiencia-publica-em-londrina-expoe-denuncias-de-abusos-e-cobra-providencias-contra-a-violencia-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/05\/09\/e-se-fosse-seu-filho-audiencia-publica-em-londrina-expoe-denuncias-de-abusos-e-cobra-providencias-contra-a-violencia-policial\/","title":{"rendered":"\u201cE se fosse seu filho?\u201d: audi\u00eancia p\u00fablica em Londrina exp\u00f5e den\u00fancias de abusos e cobra provid\u00eancias contra a viol\u00eancia policial"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.25_8f4697b2-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1047\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.25_8f4697b2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.25_8f4697b2-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.25_8f4697b2-150x150.jpg 150w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.25_8f4697b2-768x768.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.25_8f4697b2-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.25_8f4697b2-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Fam\u00edlias denunciam abusos policiais e exigem justi\u00e7a em audi\u00eancia p\u00fablica na OAB &#8211; Ordem dos Advogados do Brasil de Londrina, marcada por depoimentos comoventes de m\u00e3es que perderam filhos em a\u00e7\u00f5es violentas das for\u00e7as de seguran\u00e7a. Entre relatos de execu\u00e7\u00f5es, silenciamento e impunidade, a audi\u00eancia revelou o drama cotidiano de comunidades marcadas pelo luto e pela aus\u00eancia do Estado. Enquanto o n\u00famero de mortos em confrontos cresce em todo o Paran\u00e1, Londrina se torna o epicentro da letalidade policial proporcional, levantando questionamentos sobre quem realmente \u00e9 protegido pela farda e quem segue morrendo sem voz, sem justi\u00e7a e sem rosto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Texto e fotos por Manuela Domingues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da viol\u00eancia policial em Londrina foi o tema da audi\u00eancia p\u00fablica que aconteceu na noite da \u00faltima quinta-feira, dia 8, no audit\u00f3rio da OAB \u2013 Subse\u00e7\u00e3o de Londrina. Nomeada como \u201cSeguran\u00e7a em Quest\u00e3o: Den\u00fancias de Abusos Policiais em Londrina\u201d, a audi\u00eancia foi convocada pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e da Cidadania da Assembleia Legislativa do Paran\u00e1 (Alep), atendendo a solicita\u00e7\u00e3o formal feita pelo deputado estadual Arilson Chiorato (PT), feita um m\u00eas antes. A audi\u00eancia foi presidida pelo deputado estadual Professor Lemos (PT).<\/p>\n\n\n\n<p>A mesa foi composta por 15 nomes, sendo eles:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Professor Lemos<\/strong>, deputado estadual e presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e da Cidadania da Alep;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arilson Chiorato<\/strong>, deputado estadual;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Doutor Luiz Val\u00e9rio dos Santos<\/strong>, juiz de direito e diretor do f\u00f3rum criminal de Londrina, representando o poder judici\u00e1rio do Paran\u00e1;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcos Daniel Veltrini Ticianelli<\/strong>, secret\u00e1rio geral da subse\u00e7\u00e3o da OAB de Londrina;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Walter Tierling Neto<\/strong>, vice-presidente do Conselho Permanente dos Direitos Humanos;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paula Vicente<\/strong>, vereadora de Londrina;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vanessa Pereira da Costa<\/strong>, do movimento m\u00e3es da Bratac;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alisson Fernando Moreira Po\u00e7as<\/strong>, coordenador do Centro de Direitos Humanos de Londrina;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Valdirene In\u00e1cio da Silva<\/strong>, fundadora do movimento Justi\u00e7a Por Almas;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sirlene Vieira dos Santos<\/strong>, coordenadora do movimento m\u00e3es da Bratac;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hayd\u00e9e Melo<\/strong>, coordenadora do movimento Justi\u00e7a Por Almas;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Maria Isabel Ara\u00fajo<\/strong>, da Procuradoria Federal, Advocacia Geral da Uni\u00e3o, Procuradora Chefe da Procuradoria Seccional Federal de Londrina;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tadeu Veneri<\/strong>, deputado federal;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lenir de Assis<\/strong>, deputada federal;<\/p>\n\n\n\n<p>Dois convidados n\u00e3o estiveram presentes:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Claudio Melo<\/strong>, do Conselho Municipal dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente de Londrina;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leandro Antunes Meirelles Machado<\/strong>, promotor do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1, representando o procurador geral de justi\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um exerc\u00edcio democr\u00e1tico, a audi\u00eancia teve o objetivo de escutar o clamor dos cidad\u00e3os que estavam presentes, em grande maioria familiares, amigos e vizinhos das v\u00edtimas de viol\u00eancia policial. O debate buscou discutir meios de diminuir e impedir a morte ocorrida em supostos confrontos policiais, al\u00e9m de dar um rosto para as v\u00edtimas dessa viol\u00eancia: em uma esp\u00e9cie de mural, a foto, nome, data de nascimento e morte das v\u00edtimas estava exposta no ch\u00e3o da OAB, al\u00e9m das fotos e nomes presentes nas camisetas das m\u00e3es, pais, irm\u00e3os e amigos dessas v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o rosto de quem morre n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico rosto afetado pela viol\u00eancia fardada: a fam\u00edlia que chora, que se enfurece, mas que acima de tudo luta por justi\u00e7a, tamb\u00e9m comp\u00f5e o mural de uma comunidade que sofre pela omiss\u00e3o do Estado. E os algozes dessas fam\u00edlias? Seguem sem rosto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.26_8c4f1bbf-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1049\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.26_8c4f1bbf-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.26_8c4f1bbf-300x300.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.26_8c4f1bbf-150x150.jpg 150w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.26_8c4f1bbf-768x768.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.26_8c4f1bbf-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.26_8c4f1bbf-2048x2048.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi discutido em audi\u00eancia, principalmente, a implementa\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras corporais e nos carros oficiais dos policiais, a transpar\u00eancia nas investiga\u00e7\u00f5es de casos de viol\u00eancia e o acompanhamento psicol\u00f3gico dos agentes. O Professor Lemos garantiu que as reivindica\u00e7\u00f5es ser\u00e3o ouvidas e que os deputados trabalhar\u00e3o para que se tornem realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Lemos tamb\u00e9m informou que j\u00e1 existe um projeto de lei, apresentado pelo deputado Tadeu Veneri e assinado pelos deputados Professor Lemos, Arilson Chiorato, Requi\u00e3o Filho, Ana Julia Ribeiro, Renato Freitas, Luciana Rafagnin, Doutor Antenor e Goura, pela obrigatoriedade da instala\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras corporais e nas viaturas policiais do Paran\u00e1.&nbsp; O PL 448\/2019 j\u00e1 foi aprovado pela Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ), j\u00e1 foi aprovado no Plen\u00e1rio da Assembleia Legislativa do Estado do Paran\u00e1 e precisa novamente passar pelo Plen\u00e1rio para ser aprovada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A viol\u00eancia policial em Londrina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em reportagem publicada na Folha de Londrina, \u00e9 divulgado um balan\u00e7o realizado pelo MP-PR em parceria com o Gaeco e o Gaesp, em que foi exposto que o n\u00famero de mortes em confrontos policiais em Londrina teve um aumento de 69%. De 2022 para 2023, o n\u00famero de mortes caiu para 42%, por\u00e9m voltou a crescer em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de mortes n\u00e3o cresceu apenas em Londrina, mas em todo o Paran\u00e1. Em 2023, 348 pessoas morreram. Em 2024, 413 pessoas morreram. 50% dos mortos eram negros.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar que Londrina, a cidade universit\u00e1ria, \u00e9 o segundo munic\u00edpio com mais mortes decorrentes de interven\u00e7\u00f5es policial no Paran\u00e1, atras apenas de Curitiba. A capital mundial do caf\u00e9 tamb\u00e9m lidera o ranking da viol\u00eancia policial proporcional, com 7,7 mortos a cada 100 mil habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte dessas mortes \u00e9 justificada sob o pretexto de que os policiais agiram em leg\u00edtima defesa, por\u00e9m o argumento se contrasta com o n\u00famero de disparos no caso da morte do Kelvin Willian Vieira dos Santos, de 16 anos, e do Wender Natan da Costa, de 20 anos, assassinados no dia 15 de fevereiro de 2025. Os jovens foram mortos com 15 tiros de fuzil.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma coisa acontece no assassinato do Anderbal Campos Bernardo J\u00fanior e do Willian Jones Faramilio da Silva Junior, mortos no dia 6 de maio de 2022. Os jovens foram alvo de 50 disparos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A morte e a vida das m\u00e3es que ficam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em audi\u00eancia, as m\u00e3es de diversas v\u00edtimas foram ouvidas, como Vanessa Pereira da Costa, m\u00e3e do Wander, e Sirlene Vieira dos Santos, m\u00e3e do Kelvin, ambas do movimento M\u00e3es da Bratac. Tamb\u00e9m discursaram Hayd\u00e9e Melo, coordenadora do movimento Justi\u00e7a Por Almas e tia do Willian Junior, e Valdirene da Silva, m\u00e3e do Anderbal J\u00fanior. Marilene Ferraz, m\u00e3e do Davi Greg\u00f3rio, assassinado aos 15 anos, e M\u00e1rcia de Oliveira, m\u00e3e do Kauan de Oliveira, morto aos 20 anos, tamb\u00e9m puderam se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na audi\u00eancia p\u00fablica que durou pouco mais de tr\u00eas horas e meia, em uma quinta feira que precede o Dia das M\u00e3es, essas mulheres precisaram, mais uma vez, clamar por justi\u00e7a. Hayd\u00e9e e Valdirene relembraram que no Dia das M\u00e3es de 2022, passaram o domingo velando o sobrinho e o filho. Mas a tortura n\u00e3o acaba no dia do vel\u00f3rio, do enterro ou da missa de s\u00e9timo dia. Como foi pontuado pela Marilene Ferraz, as m\u00e3es s\u00e3o violentadas todos os dias pela manh\u00e3, assim que abrem os olhos e se lembram que os filhos n\u00e3o est\u00e3o mais em casa, no quarto ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sirlene, m\u00e3e de Kelvin, falou como m\u00e3e e cidad\u00e3, e disse que o filho gostava muito de brincar com as crian\u00e7as do bairro e tinha muitos amigos, um deles \u00e9 um garotinho de quatro anos, que disse para a m\u00e3e que queria ir morar no cemit\u00e9rio para ficar junto do amigo Kelvin. Sirlene questionou qual futuro o Estado quer para a sociedade, pois os jovens de hoje ser\u00e3o as autoridades que ir\u00e3o compor as mesas de audi\u00eancias que acontecer\u00e3o amanh\u00e3. Os jovens que moram na Bratac, na Gleba, no Shangri-l\u00e1 ou no Centro Hist\u00f3rico ser\u00e3o professores, m\u00e9dicos, advogados, jogadores de futebol e jornalistas, mas que futuro eles encontrar\u00e3o? Esses jovens ter\u00e3o o direito de crescer?<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e3es tamb\u00e9m questionaram o papel da m\u00eddia diante da morte desses garotos, que morrem fisicamente e tem a reputa\u00e7\u00e3o assassinada por uma imprensa que fareja o cheiro de sangue. Como seria, para voc\u00ea, ver algu\u00e9m debochando na morte do seu filho na televis\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1440\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.28_94353b6f-1-edited-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1053\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.28_94353b6f-1-edited-scaled.jpg 2560w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.28_94353b6f-1-edited-300x169.jpg 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.28_94353b6f-1-edited-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.28_94353b6f-1-edited-768x432.jpg 768w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.28_94353b6f-1-edited-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-05-09-as-20.42.28_94353b6f-1-edited-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No ano de 2025, o Brasil ganhou seu primeiro Oscar com o filme <em>Ainda Estou Aqui<\/em> , que retrata a trajet\u00f3ria de uma m\u00e3e que lutou pela justi\u00e7a na morte do marido, que lutou para criar os pr\u00f3prios filhos. Londrina fechou bares, festas de carnaval e cinemas para comemorar a conquista de um filme que homenageava uma m\u00e3e. Mas e as m\u00e3es que lutam hoje, na nossa cidade? E as m\u00e3es que choram, que clamam para que a justi\u00e7a funcione sobre aqueles que tiraram delas o seu bem mais precioso? E as m\u00e3es que s\u00e3o presas, que s\u00e3o xingadas, que s\u00e3o agredidas por homens na frente dos nossos olhos, apenas por se indignarem com a viol\u00eancia que recaiu sobre seus filhos? E as m\u00e3es que na quinta-feira, durante tr\u00eas horas, brigaram para serem ouvidas?&nbsp;N\u00e3o estou contra o filme, nem contra o Oscar, mas \u00e9 preciso olhar por essas m\u00e3es que est\u00e3o de luto hoje, na nossa cidade. Londrina n\u00e3o fecha bares nem cinema por elas. Londrina n\u00e3o dedica nem cinco minutos de nota na r\u00e1dio pela luta dessas m\u00e3es. Londrina n\u00e3o para festas de carnaval por essas m\u00e3es. Essa hist\u00f3ria n\u00e3o vai para as telas de cinema, muito menos para o Oscar. Por qu\u00ea? Fa\u00e7o aqui o mesmo questionamento que Marilene Ferraz fez ao final de sua fala: E se fosse seu filho? O que voc\u00ea faria?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Manuela Domingues<\/strong>, estudante de Jornalismo da UEL, professora de reda\u00e7\u00e3o, participa do Grupo Gabo de Pesquisa. \u00c9 revisora e editora da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias denunciam abusos policiais e exigem justi\u00e7a em audi\u00eancia p\u00fablica na OAB &#8211; Ordem dos Advogados do Brasil de Londrina, marcada por depoimentos comoventes de m\u00e3es que perderam filhos em a\u00e7\u00f5es violentas das for\u00e7as de seguran\u00e7a. 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