{"id":1036,"date":"2025-04-25T16:47:43","date_gmt":"2025-04-25T19:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1036"},"modified":"2025-04-25T16:49:18","modified_gmt":"2025-04-25T19:49:18","slug":"banzeiro-okoto-a-inquietacao-de-ser-natureza-e-o-jornalismo-que-arde-com-a-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/jornalismo\/2025\/04\/25\/banzeiro-okoto-a-inquietacao-de-ser-natureza-e-o-jornalismo-que-arde-com-a-floresta\/","title":{"rendered":"Banzeiro \u00d2k\u00f2t\u00f3: a inquieta\u00e7\u00e3o de ser natureza e o jornalismo que arde com a floresta"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Design-sem-nome-edited.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1039\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Design-sem-nome-edited.png 1080w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Design-sem-nome-edited-300x300.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Design-sem-nome-edited-1024x1024.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Design-sem-nome-edited-150x150.png 150w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Design-sem-nome-edited-768x768.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver em paz enquanto nossa casa queima, \u00e9 necess\u00e1rio terror para existir e precisamos, acima de tudo, mudar a narrativa e os narradores. Esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o ensinada por Eliane Brum, jornalista que agora \u00e9 uma mulher da floresta. Emitindo gritos de sobreviv\u00eancia da terra a partir de Altamira, em plena Amaz\u00f4nia, onde est\u00e1, para ela, o centro do mundo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em>Por Manuela Domingues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>Banzeiro \u00d2k\u00f2t\u00f3<\/em>, livro da jornalista brasileira Eliane Brum \u00e9 uma obra que chama aqueles que nunca viveram a experi\u00eancia de se tornar um com a floresta a ver o mundo de modo diferente. \u00c9 ir\u00f4nico que n\u00f3s, seres humanos, nunca fomos algo separado da natureza. Nunca fomos outra coisa al\u00e9m daquilo que somos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sempre me pareceu estranho ver homens ricos e poderosos financiando a destrui\u00e7\u00e3o de algo que \u00e9 parte de n\u00f3s. Por mais que viver em salas com ar-condicionado em 18 \u00b0C disfarce o fato de que, mais r\u00e1pido do que poder\u00edamos imaginar, estamos pegando fogo, ainda sim sentimos e morremos junto com a natureza que \u00e9 destru\u00edda. Somos t\u00e3o naturais quanto a floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eu n\u00e3o entendia, at\u00e9 me mudar para Londrina, o que uma cidade de pedra, constru\u00edda em cima de pedra, \u00e9 capaz de fazer com as pessoas. Desde a inf\u00e2ncia me foi natural ser parte da floresta, brincar com a natureza e estar em harmonia com aquilo que somos. A crian\u00e7a que fui tamb\u00e9m sangrava quando a natureza se machucava, se sentia uma s\u00f3 com a floresta de onde veio e em que cresceu. Tudo isso sempre foi maior que qualquer cidade para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent\u00e3o, ao mesmo tempo que me surpreende, entendo o fato de que Eliane Brum tenha que ter ido para o meio da Amaz\u00f4nia para se sentir parte da floresta. Para sentir aquilo que n\u00f3s, que n\u00e3o crescemos em S\u00e3o Paulo ou em qualquer cidade feita de concreto, sentimos desde crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tamb\u00e9m n\u00e3o me surpreende o fato de me identificar mais com os relatos dos povos da floresta do que com a viv\u00eancia da autora, mas concordo e fa\u00e7o da luta dela a minha: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver em paz enquanto nossa casa queima, \u00e9 necess\u00e1rio terror para existir e precisamos, acima de tudo, mudar a narrativa e os narradores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entendo o encantamento e agonia de Eliane Brum ao perceber que se tornou a \u201cmulher-floresta\u201d. N\u00e3o tem como viver em paz sendo parte da floresta e, por causa disso, ser violentada a todo momento por homens velhos e nojentos. \u00c9 muito interessante a inquieta\u00e7\u00e3o de ser natureza. N\u00e3o basta estar na natureza, voc\u00ea deseja se tornar a aquilo que v\u00ea. N\u00e3o quer tocar a \u00e1rvore, quer ser a \u00e1rvore. N\u00e3o quer mergulhar no rio, quer se fundir ao rio. N\u00e3o quer estar, quer ser.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O que me chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 como homens que fazem parte da natureza querem destruir a si mesmos. Mas a\u00ed entra algo que, para pessoas com o ego t\u00e3o elevado, \u00e9 dif\u00edcil de compreender: se voc\u00ea \u00e9 parte da floresta, n\u00e3o \u00e9 maior que a floresta. O mesmo valor que tem o peixe, tem a flor. O mesmo valor que tem o rio, tem o p\u00e1ssaro. O mesmo valor que tem o ar, tem o ser humano. Para homens t\u00e3o inseguros, mas t\u00e3o malvados, \u00e9 dif\u00edcil se \u201cdiminuir\u201d (diminuir em sua vis\u00e3o pobre de mundo) at\u00e9 o tamanho de uma abelha.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eliane Brum prop\u00f5e deslocar a centralidade e mudar a estrutura de pensamento, algo que deve ser feito em conjunto. Algo que deve ser coletivo. Acredito que a m\u00eddia \u00e9 parte disso, m\u00eddia essa que infelizmente sempre foi corrompida e comprada por interesses mais caros e lucrativos. Mas em passos de formiga podemos fazer a diferen\u00e7a, podemos tentar subverter a narrativa. Podemos dar voz aos que precisam ser ouvidos, calar a boca dos poderosos. Podemos mudar a pauta, torn\u00e1-la importante de verdade. Podemos parar de pedir para as pessoas tomarem banhos mais r\u00e1pidos e come\u00e7ar a cobrar quem realmente deve ser cobrado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eliane Brum traz a provoca\u00e7\u00e3o importante de ouvirmos o outro sem deixarmos nossos preconceitos e pensamentos corromperem o que \u00e9 importante para ele, o que \u00e9 importante para toda uma comunidade. Esse \u00e9 o papel do jornalista, trazer luz para aqueles que s\u00e3o deixados escondidos na escurid\u00e3o dos que lideram o sistema.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O jornalismo deve ser rebelde, subversivo, anticapitalista, deve falar com todas as letras. O jornalismo deve ser isso, caso contr\u00e1rio \u00e9 apenas assessoria de imprensa para Musks, Zuckerbergs ou Bezos. A autora de <em>Banzeiro \u00d2k\u00f2t\u00f3<\/em> traz essa provoca\u00e7\u00e3o importante: ouvir o outro sem deixar nossos preconceitos e pensamentos corromperem o que \u00e9 importante para ele, o que \u00e9 importante para toda uma comunidade. Esse \u00e9 o papel do jornalista, trazer luz para aqueles que s\u00e3o deixados escondidos na escurid\u00e3o dos que lideram o sistema.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Manuela Domingues<\/strong>, estudante de Jornalismo da UEL, professora de reda\u00e7\u00e3o, participa do Grupo Gabo de Pesquisa. \u00c9 revisora e editora da Revista Jornalismo &amp; Fic\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver em paz enquanto nossa casa queima, \u00e9 necess\u00e1rio terror para existir e precisamos, acima de tudo, mudar a narrativa e os narradores. 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