{"id":1010,"date":"2025-02-19T15:16:45","date_gmt":"2025-02-19T18:16:45","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/?p=1010"},"modified":"2025-02-19T15:18:26","modified_gmt":"2025-02-19T18:18:26","slug":"eu-posso-esquecer-mas-ainda-estou-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/literatura\/2025\/02\/19\/eu-posso-esquecer-mas-ainda-estou-aqui\/","title":{"rendered":"&#8220;Eu posso esquecer, mas ainda estou aqui.&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"450\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-02-18-as-18.33.28_04afd6bb.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1011\" style=\"width:1051px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-02-18-as-18.33.28_04afd6bb.jpg 600w, https:\/\/sites.uel.br\/jornalismoeficcao\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-02-18-as-18.33.28_04afd6bb-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ap\u00f3s o sucesso do filme, o livro &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221; publicado pela editora Alfaguara est\u00e1 entre os mais vendidos no Brasil. A obra narra emocionantes mem\u00f3rias do autor, que resgata a hist\u00f3ria de sua m\u00e3e, Eunice Paiva, ap\u00f3s o impacto da pris\u00e3o e do desaparecimento de seu pai durante a ditadura militar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Cristina Piaui<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa frase ressoa como eco da fragilidade de quem sofre com o esquecimento, mas tamb\u00e9m se ergue como um grito de resist\u00eancia contra o tempo. No livro <em>Ainda Estou Aqui<\/em>, Marcelo nos convida a adentrar seu \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es, oferece a oportunidade de esquecer que estamos diante de uma hist\u00f3ria real, para sentir uma dor que, de alguma forma, se torna nossa. A narrativa se desenrola sem a pretens\u00e3o de seguir uma linha do tempo organizada, mas com a for\u00e7a de um fluxo de mem\u00f3rias e sentimentos que nos atravessam.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro revela uma profundidade imensa. Apesar da origem tradicional, a fam\u00edlia Paiva n\u00e3o teve como escapar dos horrores da viol\u00eancia militar. \u00c9 a hist\u00f3ria de Eunice, uma personagem que se transforma em um retrato coletivo de tantas fam\u00edlias brasileiras devastadas pela ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo nos apresenta momentos que podem ser simultaneamente dolorosos e intensamente vividos. Detalhes que, no filme, inevitavelmente se perderam. \u00c9 interessante notar que, enquanto no cinema a personagem de Eunice, interpretada por Fernanda Torres, se apresenta como uma figura calorosa e cativante, capaz de se conectar com o p\u00fablico, no livro ela se revela mais fria, distante, quase inacess\u00edvel. Marcelo nos conta, inclusive, que na vida real talvez tenha recebido apenas uns cinco beijos de sua m\u00e3e. E, mesmo diante das adversidades, Eunice se ergueu, resistiu, e criou seus filhos, ciente de que o futuro \u00e9 sempre incerto.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro, o Alzheimer de Eunice se torna, de certa forma, um protagonista. Embora n\u00e3o seja t\u00e3o detalhado no filme, o autor mergulha profundamente nas mem\u00f3rias e nas dolorosas nuances dessa doen\u00e7a. Ele consegue transmitir a agonia de uma fam\u00edlia que assiste, impotente, ao &#8220;desaparecimento&#8221; de um ente querido, algu\u00e9m que perde a capacidade de lembrar, mas n\u00e3o de amar. A frase <em>&#8220;Ainda estou aqui&#8221; <\/em>deixa de ser uma simples afirma\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a, transformando-se numa tentativa de manter viva uma identidade, mesmo quando a mem\u00f3ria come\u00e7a a se dissipar.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo Rubens Paiva nos oferece, com sinceridade e dor, um convite para sentir o peso das cicatrizes deixadas pela repress\u00e3o \u2014 uma injusti\u00e7a e viol\u00eancia que muitas fam\u00edlias brasileiras compartilham. Fam\u00edlias que, apesar de tudo, ainda est\u00e3o aqui.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p><strong>Cristina Piaui <\/strong>\u00e9 estudante de jornalismo na UEL e membro do Grupo Gabo de Pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o sucesso do filme, o livro &#8220;Ainda Estou Aqui&#8221; publicado pela editora Alfaguara est\u00e1 entre os mais vendidos no Brasil. 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