{"id":3262,"date":"2026-05-13T08:47:04","date_gmt":"2026-05-13T11:47:04","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/?p=3262"},"modified":"2026-05-13T08:47:05","modified_gmt":"2026-05-13T11:47:05","slug":"projeto-acompanha-o-acesso-das-pessoas-em-situacao-de-rua-ao-sistema-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/sem-categoria\/2026\/05\/13\/projeto-acompanha-o-acesso-das-pessoas-em-situacao-de-rua-ao-sistema-de-saude\/","title":{"rendered":"Projeto acompanha o acesso das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua ao sistema de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p>Murilo Carvalho*<\/p>\n\n\n\n<p>Ag\u00eancia UEL<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/pesquisa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa<\/a>\u00a0recente do Observat\u00f3rio Brasileiro de Pol\u00edticas P\u00fablicas com a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (OBPopRua\/Polos-UFMG), divulgados em janeiro de 2026, foi indicado que o n\u00famero de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o no Brasil ultrapassou 365.822 no final de 2024. Somente em\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/londrina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Londrina<\/a>, s\u00e3o ao menos 773 fam\u00edlias nessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/projeto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto<\/a>\u00a0\u201cPopula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua: Acesso e barreira ao cuidado em\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/saude-mental\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sa\u00fade mental<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/interseccionalidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">interseccionalidade<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/equidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">equidade<\/a>\u00a0para redu\u00e7\u00e3o das desigualdades\u201d, busca\u00a0 entender as dificuldades enfrentadas por essa popula\u00e7\u00e3o ao acessar\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/saude\/\">servi\u00e7os de sa\u00fade<\/a>\u00a0e as estrat\u00e9gias criadas para superar essas barreiras.<\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadora do projeto Maira S. S. Bortoletto, professora do\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/departamento-de-saude-coletiva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Departamento de Sa\u00fade Coletiva<\/a>\u00a0do\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/ccs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CCS\/UEL<\/a>, explica que o objetivo do projeto \u00e9 criar uma base de conhecimentos em um campo ainda pouco explorado. Segundo ela, os resultados poder\u00e3o fundamentar pol\u00edticas p\u00fablicas futuras e ser\u00e3o divulgados por meio de\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/producao-academica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">produ\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas<\/a>, m\u00eddias e\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/seminario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">semin\u00e1rios<\/a>\u00a0locais e nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua origem est\u00e1 no Observat\u00f3rio Microvetorial de Pol\u00edticas P\u00fablicas em Sa\u00fade, rede que re\u00fane pesquisadores de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds para desenvolver a\u00e7\u00f5es em conjunto na \u00e1rea da sa\u00fade. Al\u00e9m da UEL, participam institui\u00e7\u00f5es como a Universidade Federal Fluminense (UFF), o Centro Universit\u00e1rio Fibra (PA), a Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e a Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB).<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa utiliza a Cartografia como m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o, aproximando os\u00a0<a href=\"https:\/\/operobal.uel.br\/tag\/pesquisador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisadores<\/a>\u00a0das pessoas acompanhadas para compreender suas experi\u00eancias e trajet\u00f3rias. \u201cNa Cartografia, o que se busca \u00e9 estar ao lado dessas pessoas para entender como acessam os servi\u00e7os de que precisam, quais barreiras enfrentam e quais rotas criam para suprir suas necessidades\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do estudo, foram realizados encontros tanto com aqueles em situa\u00e7\u00e3o de rua quanto com trabalhadores que atuam no cuidado dessa popula\u00e7\u00e3o. As observa\u00e7\u00f5es foram registradas em di\u00e1rios de campo individuais e, ent\u00e3o, transformadas em mapas anal\u00edticos constru\u00eddos coletivamente pelo grupo de pesquisa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3263\" style=\"width:814px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21-300x200.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-21-768x513.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Integrantes do grupo de pesquisa durante o evento \u201cII Semin\u00e1rio de Pesquisa: Luta e Pot\u00eancia \u2013 Transformar desafios em caminhos de mudan\u00e7a\u201d. Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Al\u00e9m da investiga\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, o projeto tamb\u00e9m produz materiais informativos, divulga eventos e apoia a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o daqueles em situa\u00e7\u00e3o de rua, povos ind\u00edgenas e a popula\u00e7\u00e3o LGBT+, utilizando plataformas como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/projetomargenseveredas?igsh=YWxmcHBva25hM2Jq\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@ProjetoMargensVeredas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">YouTube<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00fameros e Realidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bortoletto aponta que foram observadas grandes contradi\u00e7\u00f5es entre o que a lei prop\u00f5e e as viv\u00eancias que acompanharam. Embora o direito ao cuidado seja universal na teoria, na pr\u00e1tica ainda existem barreiras como burocracia, estigma, racismo, LGBTfobia, preconceito de classe e a moraliza\u00e7\u00e3o do uso de \u00e1lcool e outras drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela destaca que o pr\u00f3prio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>\u00a0reconhece que pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua s\u00e3o historicamente exclu\u00eddas dos servi\u00e7os de sa\u00fade. Assim, um direito garantido formalmente nem sempre se concretiza no cotidiano da rede de atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa parte da popula\u00e7\u00e3o depende fortemente da Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, do Consult\u00f3rio na Rua, dos CAPS, dos servi\u00e7os de urg\u00eancia e emerg\u00eancia, al\u00e9m de equipamentos da assist\u00eancia social, como Centro POP, CREAS e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/servicos\/acessar-o-cras-centro-de-referencia-da-assistencia-social\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CRAS<\/a>. Entretanto, a professora ressalta que o cuidado tamb\u00e9m se sustenta em redes informais, compostas por trabalhadores, movimentos sociais, coletivos, igrejas, cozinhas solid\u00e1rias e outras iniciativas de apoio que frequentemente compensam falhas do sistema oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do projeto, em 2023, o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua registradas no pa\u00eds cresceu mais de 130 mil. Para a pesquisadora, por\u00e9m, \u00e9 importante considerar que essa popula\u00e7\u00e3o historicamente esteve fora dos censos e levantamentos oficiais. Segundo ela, o crescimento dos n\u00fameros provavelmente reflete tanto o agravamento das condi\u00e7\u00f5es sociais, como pobreza, desemprego, crise habitacional e impactos prolongados da pandemia, quanto a amplia\u00e7\u00e3o do cadastramento desse grupo. A obten\u00e7\u00e3o de dados mais pr\u00f3ximos da realidade, afirma, \u00e9 fundamental para ampliar o acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas e melhorar o planejamento estatal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pontes e n\u00e3o muros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A coordenadora explica que a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua mostra as contradi\u00e7\u00f5es existentes do sistema de sa\u00fade p\u00fablico, criado com o objetivo de ser universal, mas que na realidade ainda possui desigualdades enraizadas<strong>.<\/strong>&nbsp;Ela argumenta que o acesso a cuidados m\u00e9dicos n\u00e3o significa apenas que estejam dispon\u00edveis, mas tamb\u00e9m que o indiv\u00edduo possa ser reconhecido como sujeito de direitos e conseguir circular pela rede com acolhimento, sem ser reduzido \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pobreza, sofrimento mental ou uso de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>Bortoletto defende ainda que a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria precisa ampliar o debate sobre o tema e preparar futuros profissionais para lidar com m\u00faltiplas interseccionalidades e realidades sociais complexas. \u201cMuitas vezes, o que essa popula\u00e7\u00e3o mais necessita \u00e9 de profissionais capazes de criar v\u00ednculos e, a partir disso, construir formas de cuidado. \u00c9 preciso entender que cada vida \u00e9 singular e que os profissionais de sa\u00fade precisam aprender a acolher essa complexidade\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ressalta que aqueles fora dessa \u00e1rea podem contribuir, denunciando viol\u00eancias e se posicionando contra o fechamento de espa\u00e7os de cuidado e acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Casos de viol\u00eancia contra pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua podem ser denunciados pelo Disque 100, servi\u00e7o gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murilo Carvalho* Ag\u00eancia UEL Em uma\u00a0pesquisa\u00a0recente do Observat\u00f3rio Brasileiro de Pol\u00edticas P\u00fablicas com a Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (OBPopRua\/Polos-UFMG), divulgados em janeiro de 2026, foi indicado que o n\u00famero de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o no Brasil ultrapassou 365.822 no final de 2024. 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