{"id":1254,"date":"2024-03-22T17:33:11","date_gmt":"2024-03-22T20:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/?p=1254"},"modified":"2024-03-22T17:53:20","modified_gmt":"2024-03-22T20:53:20","slug":"genomica-versus-sars-cov-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/sem-categoria\/2024\/03\/22\/genomica-versus-sars-cov-2\/","title":{"rendered":"GEN\u00d4MICA VERSUS SARS-COV-2"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>PESQUISADORES PARANAENSES DESVENDARAM A PANDEMIA NO ESTADO E NO BRASIL<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um cen\u00e1rio que marcou a pandemia de Covid-19, no Paran\u00e1, foi a atua\u00e7\u00e3o das universidades estaduais nas pesquisas em torno do enfrentamento do SARS-CoV-2. Um grande projeto financiado pelo governo do Estado foi respons\u00e1vel por in\u00fameras a\u00e7\u00f5es que deram suporte ao processo de conhecimento das especificidades e ao tratamento dos paranaenses contaminados pelo v\u00edrus. Importante lembrar que&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-61332581\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o n\u00famero real de mortes por covid no mundo pode ter chegado a 15 milh\u00f5es<\/a>, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS).&nbsp;<a href=\"https:\/\/infoms.saude.gov.br\/extensions\/covid-19_html\/covid-19_html.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">S\u00f3 no Brasil, passaram de 700 mil<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre tantos grupos que participaram, fizeram parte in\u00fameros pesquisadores do Novo Arranjo de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Gen\u00f4mica. O chamado NAPI Gen\u00f4mica surgiu em 2020, pouco antes da dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no pa\u00eds, mas teve um&nbsp;<em>boom<\/em>&nbsp;de reconhecimento e de atividades com a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem conta essa hist\u00f3ria \u00e9pica \u00e9 a professora Andr\u00e9a Name Colado Sim\u00e3o, diretora do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ela era a respons\u00e1vel pelo Laborat\u00f3rio de Imunologia Cl\u00ednica, e atuava no Laborat\u00f3rio de Diagn\u00f3stico Molecular, ambos vinculados ao Laborat\u00f3rio de An\u00e1lises Cl\u00ednicas (LAC), do Hospital Universit\u00e1rio de Londrina (HU). O LAC-HU \u00e9 tocado pelos docentes bioqu\u00edmicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que est\u00e3o inseridos no servi\u00e7o de assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\"><div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"823\" height=\"992\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-41.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1259\" style=\"width:368px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-41.png 823w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-41-249x300.png 249w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-41-768x926.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 823px) 100vw, 823px\" \/><\/figure>\n<\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo Andr\u00e9a, o novo coronav\u00edrus mudou a vida dela, em 2020. A, ent\u00e3o, pesquisadora da \u00e1rea de doen\u00e7as autoimunes, estava se preparando, na \u00e9poca, para ir para It\u00e1lia e, depois, para Gr\u00e9cia participar de um congresso de autoimunidade na \u00e1rea de L\u00fapus Eritematoso Sist\u00eamico (LES). Por\u00e9m, o SARS-CoV-2 se espalhou por todo o mundo, a OMS declarou a pandemia mundial, em 11 de mar\u00e7o e, um m\u00eas depois, j\u00e1 havia o registro de mais de 2 milh\u00f5es de casos confirmados, em 203 pa\u00edses. Os planos de Andrea mudaram totalmente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"654\" height=\"659\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-42.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1260\" style=\"width:372px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-42.png 654w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-42-298x300.png 298w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-42-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 654px) 100vw, 654px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A bioqu\u00edmica lembra que o grande medo do nosso pa\u00eds e de toda a humanidade era, ser\u00e1 que vamos resistir a tudo isso? Neste cen\u00e1rio, ela estava em casa, um dia, \u00e0 noite, pensando que eu n\u00e3o ia trabalhar com Covid, que continuaria na \u00e1rea de doen\u00e7as autoimunes. Ent\u00e3o, recebeu uma liga\u00e7\u00e3o de um pesquisador que ela n\u00e3o conhecia, o doutor&nbsp; David Livingstone Alves Figueiredo, coordenador do Novo Arranjo de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o \u2013 NAPI-Gen\u00f4mica e presidente do Instituto de Pesquisa em C\u00e2ncer (IPEC), de Guarapuava.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEle disse que eu havia sido indicada, por ser pesquisadora e estar envolvida na implanta\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico por RT-PCR<sup><a href=\"https:\/\/conexaociencia.com.br\/genomica-versus-sars-cov-2\/#f0ba44fc-8cb0-4912-a317-91fe25c3a3fd\">1<\/a><\/sup>&nbsp;para o SARS-CoV2, no Laborat\u00f3rio de Imunologia e Diagn\u00f3stico Molecular, do HU de Londrina. O assunto da conversa foi uma proposta para trabalhar em uma rede de pesquisa, o NAPI Gen\u00f4mica, em um projeto sobre Covid. E a\u00ed? De repente, estava trabalhando na pandemia, logo no comecinho\u201d, descreve Andrea Sim\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe da UEL, na verdade, entrou no cen\u00e1rio porque, em 15 de maio de 2020, o Laborat\u00f3rio de An\u00e1lises Cl\u00ednicas do HU\/UEL foi credenciado pelo LACEN \u2013 PR, em Curitiba, para realiza\u00e7\u00e3o dos testes de Covid. O setor passou a ser respons\u00e1vel pela an\u00e1lise de 200 amostras por dia de pacientes atendidos pelos hospitais de Londrina e pela UPA Sabar\u00e1, tamb\u00e9m do munic\u00edpio, que era refer\u00eancia para atendimento de Covid. O diferencial era que o grupo conseguia liberar os resultados em at\u00e9 24h ap\u00f3s a coleta, possibilitando a melhor gest\u00e3o dos leitos nos hospitais da cidade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"657\" height=\"440\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-43.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1261\" style=\"width:413px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-43.png 657w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-43-300x201.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 657px) 100vw, 657px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><br>\u201cFizemos uma parceria com a Prefeitura de Londrina e foram feitos mais de 83 mil testes, at\u00e9 2021, al\u00e9m da gest\u00e3o de leitos para que n\u00e3o ocorresse a calamidade que se viu em tantas cidades. Londrina n\u00e3o teve isso, os nossos resultados de Covid sa\u00edam no dia para as pessoas que eram atendidas pelo SUS e os hospitais puderam otimizar a utiliza\u00e7\u00e3o dos leitos, retirar do isolamento os pacientes com teste negativo e receber aqueles que realmente precisavam de isolamento\u201d, conta a professora da UEL.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"665\" height=\"441\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-44.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1262\" style=\"width:421px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-44.png 665w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-44-300x199.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 665px) 100vw, 665px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>V\u00edrus X DNA humano<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo Andrea, esse foi um dos fatores que possibilitaram que as pesquisas importantes sobre Covid no Paran\u00e1 se desenvolvessem efetivamente. Como o HU fazia os testes de Covid e a professora j\u00e1 era uma pesquisadora experiente em pesquisas cl\u00ednicas, o grupo se deu conta de que precisava e podia saber um pouco mais sobre o v\u00edrus, sobre as variantes gen\u00e9ticas dele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA todo momento surgia alguma coisa na m\u00eddia falando de uma variante nova. E, sob esse aspecto, o papel da rede gen\u00f4mica foi fundamental. N\u00e3o era s\u00f3 mais assist\u00eancia que era importante naquele momento, era preciso trazer respostas para a popula\u00e7\u00e3o. E esse algo mais fez com que a gente conseguisse, como o professor David sempre falou, investigar um pouquinho da parte gen\u00f4mica viral com as parcerias do NAPI-Gen\u00f4mica\u201d, explica Andrea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a bioqu\u00edmica, o tempo inteiro a m\u00eddia falava de diferentes variantes do v\u00edrus: alfa, a beta, a gama, delta. O que tudo isso significa? Come\u00e7ou, ent\u00e3o, o grande interesse de saber quais as variantes virais estavam circulando no Brasil, em especial, aqui no Paran\u00e1. Porque n\u00e3o bastava mais saber se a pessoa tinha um teste de Covid positivo ou n\u00e3o, como era no come\u00e7o da pandemia. Era preciso saber como as variantes interferiam na transmissibilidade do v\u00edrus, na gravidade da doen\u00e7a e na efetividade de diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio era: havia o v\u00edrus, o genoma viral, algumas pessoas tinham infec\u00e7\u00f5es leves, outras uma infec\u00e7\u00e3o mais grave. Por que isso acontecia? Sabia-se o b\u00e1sico, a fisiopatologia do v\u00edrus. Ele entrava nas c\u00e9lulas do paciente depois de se ligar a&nbsp; um receptor importante, que \u00e9 o ACE2, principalmente, por via respirat\u00f3ria.&nbsp; A liga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus a este receptor ACE2 na superf\u00edcie das c\u00e9lulas funcionava como a intera\u00e7\u00e3o entre uma chave e a fechadura, encaixava-se perfeitamente. Por\u00e9m, se esse receptor estava presente em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os, por que em algum momento a infec\u00e7\u00e3o leve virava uma infec\u00e7\u00e3o grave?<\/p>\n\n\n\n<p>As perguntas eram in\u00fameras: o problema estava na popula\u00e7\u00e3o, em algumas pessoas, em alguns \u201csorteados\u201d? Todo mundo queria essa resposta. Em que momento a doen\u00e7a sa\u00eda do tipo leve, moderada e evolu\u00eda causando a morte? Por que o nosso vizinho, que \u00e9 novo e n\u00e3o tem nenhuma comorbidade, morreu?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-38-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1256\" style=\"width:440px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-38-1024x1024.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-38-300x300.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-38-150x150.png 150w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-38-768x768.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-38.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Desvendar esse mist\u00e9rio foi o foco do primeiro projeto de Covid do NAPI. Assim, surgiu o Projeto Genoma Humano e Genoma do SARS-CoV-2. Os pesquisadores tinham como objetivo avaliar caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do v\u00edrus e do genoma humano e verificar quais estavam associadas aos diferentes desfechos da doen\u00e7a: gravidade, \u00f3bito, tempo de interna\u00e7\u00e3o, uso de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a professora Andrea, a grande dificuldade na realiza\u00e7\u00e3o deste projeto era conseguir amostras de sangue dos pacientes e amostras de secre\u00e7\u00e3o nasofar\u00edngea<sup><a href=\"https:\/\/conexaociencia.com.br\/genomica-versus-sars-cov-2\/#d530fbb2-9e6c-43d3-a7cf-a5eb87429678\">2<\/a><\/sup>&nbsp;coletadas via&nbsp;<em>swab<\/em>&nbsp;nasal<sup><a href=\"https:\/\/conexaociencia.com.br\/genomica-versus-sars-cov-2\/#b628de85-69df-43d7-b350-bdb6c4e28ce3\">3<\/a><\/sup>. A quest\u00e3o, \u00e9 que, na maioria dos casos, o diagn\u00f3stico s\u00f3 era feito por meio se amostras de&nbsp;<em>swab<\/em>. Os laborat\u00f3rios n\u00e3o tinham o sangue do paciente, o que impossibilitava a an\u00e1lise da gen\u00e9tica dele e, consequentemente, a associa\u00e7\u00e3o com os resultados da an\u00e1lise do genoma viral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Hospital Universit\u00e1rio de Londrina e os docentes que atuam por l\u00e1 assumiram a responsabilidade de encontrar essas respostas. O diferencial da gente \u00e9 que eu havia iniciado um projeto aqui na UEL em que fazia as coletas dos dois materiais quando o paciente dava entrada no HU, al\u00e9m do registro de dados cl\u00ednicos e epidemiol\u00f3gicos de cada um. Isso fez com que a Universidade pudesse participar com 126 pacientes dos 150 previstos para o estudo\u201d, lembra a professora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Hospital Universit\u00e1rio de Londrina e os docentes que atuam por l\u00e1 assumiram a responsabilidade de encontrar essas respostas. O diferencial da gente \u00e9 que eu havia iniciado um projeto aqui na UEL em que fazia as coletas dos dois materiais quando o paciente dava entrada no HU, al\u00e9m do registro de dados cl\u00ednicos e epidemiol\u00f3gicos de cada um. Isso fez com que a Universidade pudesse participar com 126 pacientes dos 150 previstos para o estudo\u201d, lembra a professora.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"945\" height=\"635\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-45.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1263\" style=\"width:503px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-45.png 945w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-45-300x202.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-45-768x516.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 945px) 100vw, 945px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>As amostras foram selecionadas de pacientes do Paran\u00e1 com Covid Leve, Moderada e Grave. O objetivo era verificar quais caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do v\u00edrus e dos pacientes estariam associadas \u00e0 gravidade e \u00e0s demais complica\u00e7\u00f5es da Covid-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"662\" height=\"415\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-46.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1264\" style=\"width:454px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-46.png 662w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-46-300x188.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 662px) 100vw, 662px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>De acordo com Andrea Sim\u00e3o, foi bastante trabalhoso. As universidades do Paran\u00e1 precisavam mandar a amostra \u201ccasadinha\u201d, isto \u00e9, mandar o v\u00edrus detectado no teste positivo e o sangue do paciente para a gente ter o acesso ao DNA deles. Esse material era, ent\u00e3o, enviado para o IPEC para realizar o sequenciamento viral e do nosso genoma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Descobertas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Esse projeto do NAPI continua vigente at\u00e9 os dias atuais. O sequenciamento do genoma humano com posterior an\u00e1lise pelo pessoal da bioinform\u00e1tica gerou muitos dados e, por isso, h\u00e1 diferentes grupos de pesquisadores do Paran\u00e1 que est\u00e3o em pleno processo de an\u00e1lise.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDe acordo com a expertise de cada grupo, foram selecionados alguns genes para serem avaliados. Eu e o professor David somos respons\u00e1veis por genes de citocinas inflamat\u00f3rias e do inflamassoma. Algumas disserta\u00e7\u00f5es e teses t\u00eam sido defendidas e alguns trabalhos foram publicados com o que estamos descobrindo\u201d, anuncia Andrea Sim\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a professora refor\u00e7a que o grande projeto n\u00e3o acabou at\u00e9 o momento. Os cientistas paranaenses do NAPI est\u00e3o buscando a resposta que todo mundo quer saber. A pergunta \u00e9: por que alguns evoluem de forma mais grave ao desenvolverem Covid-19 e outros,&nbsp;simplesmente, passam assintom\u00e1ticos?<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"552\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-39-1024x552.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1257\" style=\"width:838px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-39-1024x552.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-39-300x162.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-39-768x414.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-39.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><strong>SARS-CoV-2 e seu genoma, com indica\u00e7\u00e3o da localiza\u00e7\u00e3o e dos tamanhos relativos dos genes (caixas coloridas em laranja, vermelho e azul) e dos tipos de prote\u00ednas (Foto\/Blogs Unicamp)<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar que, no decorrer do desenvolvimento das pesquisas, outros projetos paralelos e&nbsp; interligados surgiram, permitindo, inclusive, o cruzamento das informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas com dados epidemiol\u00f3gicos. A ideia era fazer a rela\u00e7\u00e3o entre o genoma do Sars-cov-2 e a evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica dos pacientes com Covid em uma amostragem do estado do Paran\u00e1. Veja mais informa\u00e7\u00f5es na outra mat\u00e9ria do C\u00b2 desta semana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, muito est\u00e1 feito da parte que tinha o objetivo de avaliar a associa\u00e7\u00e3o entre as variantes gen\u00e9ticas inflamat\u00f3rias e a gravidade dos casos de Covid. Na caracteriza\u00e7\u00e3o das amostras, os pesquisadores verificaram a ancestralidade dos pacientes. Segundo Andrea isso foi muito importante, porque, ao analisar o porqu\u00ea uma pessoa evoluiu para um caso mais grave, \u00e9 necess\u00e1rio, al\u00e9m de investigar a gen\u00e9tica viral, verificar o g\u00eanero, a idade e, inclusive, a etnia desses pacientes. Isso foi feito pelo IPEC, que anunciou que a manifesta\u00e7\u00e3o grave da Covid-19 na popula\u00e7\u00e3o amostral aqui do Paran\u00e1 est\u00e1 muito relacionada \u00e0 ancestralidade europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma popula\u00e7\u00e3o com ancestralidade semelhante, por exemplo, a europeia, pode trazer em seu DNA marcas resultantes de muta\u00e7\u00f5es ocorridas ao longo do tempo, fazendo com que sua gen\u00e9tica seja diferente de outras popula\u00e7\u00f5es com outra ancestralidade. Estas muta\u00e7\u00f5es constituem variantes gen\u00e9ticas que podem influenciar n\u00e3o s\u00f3 aspectos vis\u00edveis como cor da pele, olhos, formato do nariz etc., mas, tamb\u00e9m, como o organismo humano responde a infec\u00e7\u00f5es e inflama\u00e7\u00f5es. Uma das formas importantes que nosso organismo reage \u00e0 infec\u00e7\u00e3o \u00e9 pelo papel desempenhado pelo inflamassoma, estrutura existente dentro de c\u00e9lulas de defesa e que coordenam uma cascata de rea\u00e7\u00f5es imunes como a produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas chamadas citocinas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um dos estudos do NAPI, foram investigadas, por exemplo, dois tipos destas citocinas, chamadas de interleucina 19 [IL-19] e interleucina 20 [IL-20]. Foi preciso identificar os genes humanos que definem a produ\u00e7\u00e3o da IL-19 e IL-20. Seriam como as instru\u00e7\u00f5es individuais de como estas mol\u00e9culas qu\u00edmicas devem ser produzidas naquela pessoa. Encontrou-se quatro genes respons\u00e1veis e eles eram diferentes de um paciente para o outro!&nbsp; Os pacientes investigados sintetizam suas IL-19 e IL-20 de formas diferentes e, segundo as pesquisas, isso parece influenciar como a Covid-19 evolui. Foi verificado que a IL-19, dependendo da forma que \u00e9 produzida, pode levar \u00e0 piora do quadro e, pasmem, essa mol\u00e9cula pode ser produzida de mais de 15 maneiras distintas! J\u00e1 a IL-20, dependendo da sua forma de produ\u00e7\u00e3o, pode, ao contr\u00e1rio, proteger o paciente de um epis\u00f3dio grave. Mas destacamos que tamb\u00e9m existem mais de cinco maneiras dela ser produzida.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"475\" src=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-40-1024x475.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1258\" style=\"width:754px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-40-1024x475.png 1024w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-40-300x139.png 300w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-40-768x356.png 768w, https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/image-40.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em><strong>Tempestades de citocinas na Covid-19 (Foto\/NewsLab)<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Isso tudo \u00e9 muito importante porque pode direcionar formas diferentes de tratamento de pessoas que t\u00eam genes diferentes e, por isso, a tend\u00eancia de ter agravada ou n\u00e3o uma infec\u00e7\u00e3o. Os v\u00edrus t\u00eam variantes, mas os seres humanos tamb\u00e9m, e compreender como eles se associam significa mergulhar em um complexo quebra cabe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando olhamos todos os trabalhos que v\u00eam sendo desenvolvidos no NAPI, temos algumas informa\u00e7\u00f5es que apontam dire\u00e7\u00f5es importantes\u2026 Do inflamassoma, foram avaliadas quatro varia\u00e7\u00f5es em qautro genes com resultados positivos que podem interferir na gravidade da doen\u00e7a. Da interleucina 19, por exemplo, cinco variantes parecem estar associadas \u00e0 gravidade, tendo uma doen\u00e7a mais grave. Da interleucina 20, duas variantes parecem que est\u00e3o associadas \u00e0 gravidade e uma associada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o no sentido de que n\u00e3o vai pegar, mas de ter um epis\u00f3dio mais leve\u201d. Algumas teses de doutorado v\u00eam sendo realizadas nessa \u00e1rea, mostrando nossas descobertas\u201d, conta Andrea.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora disse, ainda, que era preciso terminar a conversa com o C\u00b2 agradecendo \u00e0 Universidade Estadual de Londrina e ao Hospital Universit\u00e1rio, \u201cporque sem o apoio institucional n\u00e3o se faz pesquisa\u201d. Andrea Sim\u00e3o lembrou, tamb\u00e9m, da import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o das demais universidades que fazem parte do NAPI Gen\u00f4mica, a Unicentro, a UEPG, a UEM, Unioeste, UENP e da Unespar. \u201cEssa parceria permitiu a estrutura necess\u00e1ria para realizar as pesquisas gen\u00f4micas no estado do Paran\u00e1. Nossos agradecimentos, em especial, aqui, aos nossos alunos. O Paran\u00e1 faz ci\u00eancia, ci\u00eancia de qualidade. E quem faz ci\u00eancia nas universidades do Paran\u00e1 s\u00e3o os docentes e os alunos\u201d, concluiu a professora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Texto:\u00a0<\/strong>Ana Paula Machado Velho<br><strong>Revis\u00e3o de texto:<\/strong>\u00a0D\u00e9bora de Mello Sant\u2019Ana<br><strong>Arte:<\/strong>\u00a0Mariana Muneratti<br><strong>Supervis\u00e3o de arte:\u00a0<\/strong>Tiago Franklin Lucena<br><strong>Edi\u00e7\u00e3o Digital:<\/strong>\u00a0Gutembergue Junior<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-wp-embed is-provider-c wp-block-embed-c\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"8jO2E7zj7Q\"><a href=\"https:\/\/conexaociencia.com.br\/genomica-versus-sars-cov-2\/\">Gen\u00f4mica versus SARS-CoV-2<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Gen\u00f4mica versus SARS-CoV-2&#8221; &#8212; C\u00b2\" src=\"https:\/\/conexaociencia.com.br\/genomica-versus-sars-cov-2\/embed\/#?secret=dmBEDe3uQO#?secret=8jO2E7zj7Q\" data-secret=\"8jO2E7zj7Q\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PESQUISADORES PARANAENSES DESVENDARAM A PANDEMIA NO ESTADO E NO BRASIL Um cen\u00e1rio que marcou a pandemia de Covid-19, no Paran\u00e1, foi a atua\u00e7\u00e3o das universidades estaduais nas pesquisas em torno do enfrentamento do SARS-CoV-2. Um grande projeto financiado pelo governo do Estado foi respons\u00e1vel por in\u00fameras a\u00e7\u00f5es que deram suporte ao processo de conhecimento das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":1255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1254","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1254"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1267,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1254\/revisions\/1267"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/ccs\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}