{"id":410,"date":"2023-09-28T15:32:00","date_gmt":"2023-09-28T18:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/?p=410"},"modified":"2024-03-22T15:35:00","modified_gmt":"2024-03-22T18:35:00","slug":"memorias-de-uma-professora-na-travessia-do-tempo-cassiana-magalhaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/sem-categoria\/2023\/09\/28\/memorias-de-uma-professora-na-travessia-do-tempo-cassiana-magalhaes\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias de uma professora na travessia do tempo&#8230; &#8211; Cassiana Magalh\u00e3es"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEiFwXN4kHc14PEq-3St5jfwEXr7CU_LXDkVpBOSs1BgXDAnVry5M4WE2KodIWdCGrJcUXTI-8guYelXiA_TrvKaFnBPAlFqop01Z_nYynZsi8CymdEViUgldj4fb-AHiVkyMSIeASSSV7z7g9ur8OCDG9jY9Y0maVcWmRo5IO6Q8aIVooeQW93Mg5182w\/s1080\/Inserir%20um%20t%C3%ADtulo.png\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Tem tantas coisas estranhas que acontecem na nossa vida, mas com o passar do tempo percebemos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o estranhas assim.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Quando eu era crian\u00e7a gostava de &#8220;ensinar&#8221;. Pedia para as costureiras da minha m\u00e3e, prestarem aten\u00e7\u00e3o na minha aula. Eu queria ser professora delas. Ficava brava quando n\u00e3o olhavam para mim e olhavam para a m\u00e1quina de costura.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Depois, sempre tentava ensinar algo a alguma crian\u00e7a. Uma letra, uma novidade, uma hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Encontrei-me\u00a0como catequista na igreja Bom Jesus porque mesmo nova podia assumir um grupo de crian\u00e7as e fazer com elas aquilo que eu acreditava ser bom. Ensinava as coisas dos livros e da B\u00edblia, mas tamb\u00e9m brincava, cantava, mesmo desafinada, dan\u00e7ava muito, inventava de pegar v\u00eddeos na locadora e levar todas as crian\u00e7as para minha casa que ficava do outro lado da rua, pois naquela \u00e9poca muitas crian\u00e7as do bairro n\u00e3o tinham acesso \u00e0s locadoras.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Antes dos 15 anos ensinava piano. Mas eu sabia tocar piano? N\u00e3o. At\u00e9 hoje n\u00e3o sei. Ensinava aquilo que havia aprendido umas duas aulas antes com a minha irm\u00e3 (professora de m\u00fasica de verdade) na escola dela chamada:\u00a0\u201cMusicativa\u201d,\u00a0e ainda ajudava nas turmas de musicaliza\u00e7\u00e3o, meu papel era auxiliar nas atividades, organizar os espa\u00e7os e cuidar das crian\u00e7as enquanto os pais n\u00e3o chegavam.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Com 15 anos comecei a fazer magist\u00e9rio porque era isso que eu queria &#8211; Ser professora. E t\u00e3o logo comecei fui contratada como auxiliar na mesma escola que havia frequentado na inf\u00e2ncia, a escola Paroquial. Lembro at\u00e9 hoje da irm\u00e3 Catarina nos dando bronca durante os recreios (inf\u00e2ncia) e depois assinando pela primeira vez a minha carteira de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Dois anos depois eu j\u00e1 tinha minha pr\u00f3pria turma. Fui trabalhar na escola Roda do Tempo, ent\u00e3o com 17 anos me achava super professora, cheia de inventar passeios com uma turma de crian\u00e7as pequenas, preparar &#8220;novidades&#8221;, pedir para minha m\u00e3e costurar roupas diferentes para mim e para minhas crian\u00e7as. Lembro em especial de uma roupa para uma apresenta\u00e7\u00e3o: &#8220;Coisinha linda do pai&#8221;, sambamos e nos divertimos muito.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">No per\u00edodo do vestibular fiquei em d\u00favida entre Jornalismo e Pedagogia (esqueci de contar que fazia leitura na igreja, sempre amei microfone e achava aquilo o m\u00e1ximo, naquele tempo, suficiente para desejar ser jornalista por isso), mas acabei fazendo Pedagogia e de l\u00e1\u00a0para\u00a0c\u00e1, nunca mais parei. Pedagogia. Psicopedagogia. Especializa\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Infantil, Mestrado, Doutorado, P\u00f3s-Doutorado, sempre com o olhar voltado para as crian\u00e7as da educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Passei por v\u00e1rias escolas, experi\u00eancias diferentes, todas especiais a seu modo.\u00a0Destaco &#8220;O Meu Chocolate&#8221;, lugar onde pude assumir a coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e colocar em pr\u00e1tica tantos sonhos, envolvendo as fam\u00edlias e as crian\u00e7as, com uma equipe que super apoiava e confiava no meu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Ao longo do tempo descobri que ao tentar ensinar os outros eu aprendi muito. Quanto mais se complexificava a situa\u00e7\u00e3o, eu precisava estudar para aprender e ensinar. E aquilo que na inf\u00e2ncia parecia uma coisa estranha, foi tomando um lugar real, todas as experi\u00eancias vivenciadas por meio da brincadeira de pap\u00e9is de uma crian\u00e7a, foram contribuindo para a constitui\u00e7\u00e3o da minha personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Hoje eu ensino como ser professora de crian\u00e7as. Ent\u00e3o o melhor lugar do mundo para aprender a profiss\u00e3o docente, \u00e9 o campo de est\u00e1gio. L\u00e1, o conte\u00fado aprendido na universidade pode ser materializado por meio das nossas a\u00e7\u00f5es, das propostas que fazemos, do modo como intervimos e nos relacionamos com as crian\u00e7as e com outros adultos.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Posso dizer que tenho o privil\u00e9gio de estar num campo de est\u00e1gio em que somos acolhidas e acolhidos pela equipe (diretora, coordenadores, professores e demais funcion\u00e1rios), todos, sem ordem de prioridade aceitam nossa presen\u00e7a no Cmei Laura e nos ajudam a aprender a profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Acredito que a Pedagogia se interp\u00f5e entre os conhecimentos do senso comum e os conhecimentos cient\u00edficos. Nunca gostei da frase &#8220;na pr\u00e1tica a teoria \u00e9 outra&#8221;, isso s\u00f3 acontece quando n\u00e3o nos apropriamos de teoria alguma para construir o nosso trabalho docente. Entretanto, a teoria n\u00e3o pode se referir simplesmente em discutir os autores, repetir palavras bonitas, mas refletir essencialmente no modo como nos relacionamos com os outros, como respeitamos \u00e0s crian\u00e7as e como vivemos efetivamente nosso trabalho diariamente.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Por que estou falando isso hoje? Porque hoje, 25\/09\/2023, primavera, temperatura de quase 40 graus em Londrina, n\u00f3s iniciamos um novo grupo de est\u00e1gio. Sim, nosso calend\u00e1rio est\u00e1 atrasado por conta de tantas intemp\u00e9ries (pandemia, paralisa\u00e7\u00e3o docente). Ent\u00e3o hoje foi dia de conhecer o campo de est\u00e1gio para 11 estudantes, agora estagi\u00e1rias. E, apesar do cansa\u00e7o do fim do ano (sim, j\u00e1 vejo as luzes do Natal), de tantos problemas que nos rondam, em especial, do qu\u00e3o pesada est\u00e1 a vida acad\u00eamica, ainda assim, ao chegar numa institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o infantil, a sensa\u00e7\u00e3o que tenho \u00e9 de que a esperan\u00e7a se renova.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Se renova pelos olhinhos curiosos das crian\u00e7as que desejam saber quem s\u00e3o esses adultos desconhecidos. Nos beb\u00eas que nos estranham\u00a0e, mesmo assim, aceitam nosso colo, naquele cheirinho de suor no pesco\u00e7o e boca toda suja do jantar.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Na crian\u00e7a da manh\u00e3 que foi transferida para a tarde e vem dar um abra\u00e7o afetuoso na professora antiga, que agora tamb\u00e9m assume o papel de orientadora de est\u00e1gio.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Se renova pelo sorriso da funcion\u00e1ria da cozinha que te cumprimenta com carinho e lembra que voc\u00ea sempre est\u00e1 ali com um grupo de estagi\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Nas professoras que nos recebem em cada turma.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Enfim, se renova.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">A esperan\u00e7a \u00e9 de que, apesar de tudo, novas professoras vir\u00e3o. Novos estudantes querem conhecer a profiss\u00e3o docente\u00a0e\u00a0por motivos variados est\u00e3o aqui, mas a partir de agora, assumem este lugar de aprendizes com outros que, apesar de terem passado pelo processo, aceitam o desafio de continuar aprendendo a cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">\u00c9 a nossa profiss\u00e3o. Para ensinar algo a algu\u00e9m voc\u00ea precisa de algu\u00e9m que te ensine antes. E esse ciclo respeitoso, desafiador \u00e9 que nos coloca diante de outros, que assim como n\u00f3s, tamb\u00e9m querem e merecem aprender da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">E de fato, \u00e9 o que eu desejo, tanto para as novas estagi\u00e1rias, para outros que est\u00e3o pensando em fazer esta escolha profissional e em especial, para cada professora e professor atuante. Que mesmo o final do ano, pare\u00e7a sempre um novo come\u00e7o, cheio de esperan\u00e7a para todos da comunidade escolar.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Comecei nomear a quem sou grata e percebi que n\u00e3o consigo. Sinto gratid\u00e3o por tantas crian\u00e7as, professoras, pais, costureiras, que me ensinaram a tecer essa profiss\u00e3o que abracei como brincadeira preferida da inf\u00e2ncia e como trabalho na vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-style:italic;font-weight:300\">Espero seguir a travessia com os olhos de quem, depois de tantos anos, ainda se encanta com novos come\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-style:normal;font-weight:600\"><strong>Cassiana Magalh\u00e3es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-style:normal;font-weight:600\"><strong>25 de setembro de 2023.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem tantas coisas estranhas que acontecem na nossa vida, mas com o passar do tempo percebemos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o estranhas assim. Quando eu era crian\u00e7a gostava de &#8220;ensinar&#8221;. Pedia para as costureiras da minha m\u00e3e, prestarem aten\u00e7\u00e3o na minha aula. Eu queria ser professora delas. Ficava brava quando n\u00e3o olhavam para mim e olhavam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":415,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[12,30,19,20,21,31,23,32,7,8,28],"class_list":["post-410","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-crianca","tag-desenvolvimento-humano","tag-educacao","tag-educacao-infantil","tag-experiencias","tag-historia","tag-infantil","tag-interacoes","tag-pedagogia","tag-relato","tag-vivencias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=410"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":414,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/410\/revisions\/414"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.uel.br\/blogbaguncei\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}